These Days
1 Eles, elas, nós
Notas iniciais
Hoje eu dormi pensando nele. E acordei pensando nele. Não queria admitir estar apaixonada, e ainda não quero. É meu amigo, há cerca de três anos – o que não é realmente muito tempo. Mas, embora ele seja muito atraente, eu jamais havia pensado que rolaria algo entre a gente. E, entre os beijos ocorridos há cerca de três meses, as conversas ousadas no msn, eu realmente gostaria que ele me convidasse pra sair. Não sei o que há, homens são estranhos. Eu o convidaria pra sair, mas não essa semana, pois estarei com outro alguém. Não que eu já não tenha ficado com mais de uma pessoa em um tempo tão curto; estaria sendo hipócrita. Eu realmente não sei o que há, mulheres são estranhas.
Só sei que sentir seu corpo no meu é o que mais desejo nesse momento. E sei que ele também me deseja. E, se eu fecho meus olhos e imagino seu corpo pesando sobre o meu, o calafrio que percorre meu corpo me faz desejar tocar-me nos lugares em que eu desejaria ser tocada por ele.
Mas não, não acho que esteja apaixonada. Pois, se estivesse, não estaria saindo hoje à tarde com outro rapaz; não teria me trancado no banheiro com uma amiga durante o show no fim de semana; não teria beijado outra amiga e um desconhecido neste mesmo show; e certamente não iria para a cama com um músico comprometido que conheci num festival de bandas. Certamente também não estaria dando esperanças a pessoas que me chamam para sair. Se eu estivesse apaixonada, talvez eu fosse fiel a meus sentimentos. Ou não. Só sei que eu penso nele o dia todo. Quando não estou com outro alguém.
*****
Se eu começasse este texto com \"querido diário\", parte da minha infância viria à tona, com toda a pureza e delicadeza que essa fase da vida — e só ela — pode trazer. E, com isso, a coragem para escrever o que escreverei desapareceria assim que a vergonha, o medo de ter minha identidade revelada e o pavor do julgamento alheio parassem meus dedos sobre o teclado do computador. Mas o arrependimento? Jamais. Jamais me arrependo do que faço; talvez só por alguns instantes, quando percebo que as conseqüências do que façocausaram situações inesperadas. Depois passa, foi o que aprendi.
Não, não sou drogada e nem prostituta. Na realidade, eu nem fumo. Quando bebo, é com moderação – já me considero suficientemente louca quando estou sóbria, e tenho medo de me embriagar. Moro com minha família, estudo. E, por isso, talvez eu tenha pensado que não há nada de interessante para contar. Apenas sou uma garota com coragem – e por isso já fui muito mal interpretada por amigas, pretendentes, e até mesmo pessoas que não me conhecem. Mas não posso confiar em ninguém, nem mesmo as amigas íntimas, pois o que conto pode me fazer parecer mau-caráter, falsa, vagabunda. E eu tenho sim, medo do julgamento alheio. A leitora, ou leitor, certamente terá também. Mas a coragem pra admitir isto, nenhum de nós temos, pois parecemos fortes ao simplesmente fingirmos que não damos a mínima para o que pensam ou falam ao nosso respeito.
E, já pedindo desculpas pela falta de organização cronológica, peço licença para continuar em outra oportunidade.
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