There Are Always Five
4 Depression
Notas iniciais
Like always, hope ya like it (: Tá bem OOC esse cap, talvez porque pra mim não faça muito sentido Cersei depressiva, whatever.
Nunca houve dias tão longos, desde o tempo dos Primeiros Homens.
Era como se cada mísero e aparentemente insignificante segundo se subdividisse em partes ainda menores, com o único e sádico fim de machucar e provocar ainda mais sofrimento.
Não havia mais saída. Mais nada para perder. Mais nada que podia dar errado. A última fagulha de esperança já fora há muito enterrada.
Era de se esperar que a dor fosse diminuir, que, com o costume e o viver metódico e apático da sucessão dos dias, ela fosse começar a se acostumar com o grande vazio quer se instaurara a seu redor.
Mas, nunca tendo sido uma pessoa a quem eram negadas as coisas, Cersei ainda tinha alguns súbitos ataques de fúria quando tudo não corria como ela planejara.
Era, porém, completamente contraproducente não conseguir controlar essas explosões, a essa altura do campeonato. Ela ainda ficava frustrada por acordar todos os dias e perceber que nada mudara, que nada melhorara, mas não tinha mais ataques todas as vezes que percebia isso.
Não tinha, na verdade, nem mais energia para gritar.
Até isso já se fora.
A única coisa que sobrara era sua vida, agora. Uma vida patética, vazia, miserável, imprestável. Se é que, do jeito que estava, aquilo se classificava como uma vida. Era mais como uma existência, simplista e inútil, que não afetava os outros a seu redor.
Ou pelo menos era assim que ela se sentia.
Não que a alguma outra pessoa fosse permitido sequer cogitar essa possibilidade, dela estar assim tão fraca, não. Cersei tomava sempre bastante cuidado para manter a façada que cultivara. Para segurar a máscara, erguer a cabeça, organizar as coisas.
Mesmo que, lá dentro, tudo estivesse uma bagunça.
Mesmo que o que ela mais desejasse no momento fosse um ombro para se apoiar e, quem sabe, chorar.
Mesmo que ela sentisse que, a cada dia, um outro pedaço dela era estraçalhado, esmigalhado, pisoteado. Até não sobrar mais nada que não pó.
Ela não seria uma Lannister se deixasse que alguém notasse isso. E, se não fosse uma Lannister, não seria mais nada. Um completo e absoluto nada.
Então, toda vez que uma das damas de companhia batia à porta de seu quarto para prepará-la para mais um novo dia, Cersei recolocava a máscara de inatingível. Ela fazia o que sempre fora ensinada a fazer, a arte que aprimorara e na qual se tornara a maior especialista.
Fingir.
A única pessoa que não conseguia enganar, porém, era a si mesma. E não foi por falta de tentativas. Mas, por mais teimoso que alguém seja, há um número aceitável de vezes em que se tenta alguma coisa sem obter sucesso. Até que se desista.
E há muito ela já passara desse ponto.
Afinal de contas, não havia mais o que fazer.
Todas as tentativas de recuperar Jaime foram em vão.
Todas as ofertas foram recusadas.
Todas as preces foram ouvidas, mas não atendidas.
Tudo o que ela tinha já fora tomado.
Não havia mais o que fazer, apenas lutar contra a imensidão de mágoa, solidão e tristeza que insistia em sugá-la, em enfraquecê-la, em acabar constante e sequencialmente com ela, até que nada mais sobrasse.
E esse momento, em que ela sucumbiria, a cada vez parecia estar mais e mais próximo, impossível de fugir ou se esconder.
E, na escuridão solitária dos seus aposentos, à noite, ela chorava.
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