The world is ours

4 Típico de familia


Notas iniciais
Demorei mesmo. E se reclamarem demoro mais hausausuas desculpa gente estava ocupada

Acordei mais cedo que os outros, 05 a.m. Não pensara no Patrick, e nem no ocorrido da noite passada, acordei preocupada, se Luna iria ou não falar comigo. Ou o quão seria inconveniente passear por Londres, sem olhar na cara dela.

Me viro, olhando para cima, tentando alcançar a vista na janela. Deitada, só via a luz do dia. Volto a olhar para os pés da beliche. Atrás de pequenas barras via Will, deitado de bruços com a boca aberta... Fofo.

Dan acordou em seguida, checou se todos estavam dormindo. Se ajoelhou e veio em minha direção:

–Como você está? — Dan sussurrou.

–Bem... Quer dizer... Ontem não foi a minha melhor noite...

–Como não? — Dan olhou confuso e com um pouco de raiva

–Estou com medo... De ficar a viagem toda sem falar com Luna. — Me virei e olhei no fundo de seus olhos.

–Calma, Luna vai perceber que exagerou... E se não perceber... Nós faremos ela abrir os olhos! — Dan, deu um sorriso malicioso

–Você acha?

–Ela só esta preocupada... E também. Um grupo de punk? — Dan riu — Achei que tinha passado dessa fase!

–Eu deixo ela quietinha dentro de mim. — Dei uma gargalhada baixa — E qual é.. Ela estava usando um jeans apertado!

–Mais um motivo para ficar longe dele! — Dan brincou

–Dan... Obrigada por me entender.

–Porque a surpresa? Eu sou bem compreensivo!

–Se você está dizendo — Sorri para ele. — Hoje vamos para onde? — Mudei de assunto rapidamente

–Palácio de Buckingham.

–Ah não... Sério ?

–Ah vamos lá... Eles tem um lindo jardim. — Dan olhou intencionalmente

–Um jardim? — Perguntei curiosa

–Sim!

Isso é covardia, Dan e todos do grupo sabiam da minha paixão por jardins. Pelo simples fato de ser uma cultivação e apreciação de plantas, flores e outras formas de natureza que ao ser vista ou sentida promove encontros e entra em contato com a natureza em sua mais exuberante expressão. Um jardim repleto de flores e plantas é como uma obra de arte a ser exposta por todo o mundo.

Meio esquisito... Mas penso assim desde que me conheço por gente.

–Então, vamos? — Dan disse se levantando

–Acordem os outros, vou tomar um banho.

–Você sabe que tem que esperar em uma fila né? — Dan disse tentando acordar Julie balançando a beliche.

–Não... — Exitei.

–Nem são seis horas ainda. — Dan disse olhando no relógio e parando de balançar a beliche — Não vai ter tanta gente.

Peguei uma toalha ,uma estojo com o sabonete, minha roupa e sai do quarto com esperanças de poder tomar um banho rápido. Sem saber onde ficava o banheiro segui meu instinto. Andei até o fim do corredor.

De longe o Hostel mais fofo de todos.

Ao chegar no fim do corredor, uma fila com 4 pessoas, com toalhas e escovas de dente nas mãos. Estava no lugar certo.

A cada minuto chegava mais uma pessoa para esperar na fila. Demorara 30 minutos para chegar na minha vez.

Ao sair, encontro Luna, atrás de umas 5 pessoas. Sentira meu coração bater mais forte, desvio meu olhar ao chegar do lado de Luna. Não notei se ela me olhara de volta. Apenas voltei para o quarto.

Cheguei ao quarto, todos já estavam acordados, até Will:

–Bom dia Will — Disse com um sorriso simpático

–Bom dia.. Dylan certo? — Will ergueu a mão direita, largando os cobertores na cama.

–Sim — Ergui minha mão e o cumprimentei

–Dormiu bem ? — Will disse pegando os cobertores de volta.

–Não muito.

–Culpa o colchão ou a briga com a sua irmã?

–Os dois... — Dei um sorriso forçado.

Will sorriu de volta

–Vou tomar o café, vocês já vão? — Ele disse olhando para todos no quarto

–Obrigada, já vamos sim — Sam disse

–Ele não é um amor? — Julie disse ao ver Will sair pela porta.

–Sim. Ele é da América? — Perguntei

–Sim... Ele é jornalista, está fazendo uma matéria sobre os britânicos e seus distúrbios alimentares. — Disse Dan colocando os sapatos

–Nossa. Isso é... — Fui interrompida. Luna entrara no quarto. Todos se calaram, deixando o clima mais tenso.

Peguei meu tênis e sai do quarto, olhando fundo nos olhos de Luna.

–O que você vai fazer? — Dan se levantou ao me ver saindo do quarto.

–Como assim? — Luna despreocupada colocou suas coisas na bolsa

–Vai ficar sem falar com Dylan? — Sam perguntou furiosa

–Vou.

–Luna!...

–Chega! — Luna interrompeu Julie — Eu só estou protegendo ela. É melhor ela ficar longe daquele pessoal.

–Você está muito errada. E está fazendo besteira agindo desse jeito! — Dan gritou. — Eu vou ajuda-la não importa o que diga. Isso não é justo com a garota. Ela não é mais uma criança. — Dan saiu batendo a porta do quarto.

Dan desceu as escadas e fora até a cozinha de encontro a mim, sentou na mesa em que estava.

–Você quer café? — Perguntei — Eu que fiz... Aqui cada um faz seu café da manha. Demais não?

A cozinha era um pouco menor, várias mesas de madeiras, com uma toalha listrada, cada mesa com uma toalha diferente. Um teto alto feito com algum tipo de madeira em formato de triangulo. Janelas nas laterais, e uma porta na esquerda com vista para o quintal.

–Você está curtindo tudo isso não está? — Dan perguntou

–Sim... É claro, tem tantas coisas novas... Lugares que quero visitar.

–Você deveria falar com Luna...

–Não quero falar sobre isso... Não sei o que fazer , não sei se deveria fazer algo. — Me levantei e fui até a pia lavar a caneca.

–Você sabe o que fazer. — Dan me seguiu. — Você quer conversar com ela...

–Eu estou vendo que ela precisa de um tempo. Vou dar o tempo que ela quer. — Sai pela porta a esquerda que iria direto ao quintal, com uma árvore enorme bem no meio. nas laterais umas plantações de verduras e legumes. Precisara de um ar fresco, me sentei em baixo da árvore, e pensara no que fazer em relação a Luna.

Pude ficar apenas 20 minutos até Julie me chamar. Iriamos ao Palácio Buckingham ( até que... Só poderíamos ver o lado de fora )

–Eu quero ir andando — Dan disse ao sairmos do Hostel, com um mapa nas mãos.

–Não seria má ideia. — Luna disse

–Vamos para... — Dan olhou mais perto no mapa. — Andar até... — Olhou mais fundo — A esquerda, e depois pediremos ajuda a um britânico. — Dan riu

–Dylan — Sam me puxou para lado. — Eu trouxe minha câmera, porque não tira umas fotos.

Era uma Câmera Sony DSC- H400, semi-profissional, em um tom preto.

–Ela é perfeita — Peguei a câmera. Olhei para câmera e chequei o zoom

–Pode usar ela nessa viagem. Vai que você gosta e leva essa coisa de tirar fotos a sério. — Julie sorriu

–É veremos... — Disse olhando a câmera.

Tentara tirar foto de tudo: Casais em restaurantes chiques, paisagens, casas, ruas, double decker bus , Dan perdido com um mapa enorme. E fotos do grupo.

Depois de um tempo caminhando, todos estavam cansados, 01:24 p.m, todos estávamos com fome:

–Dan você é um desastre — Luna disse rindo.

–Não... Estamos no lugar certo. — Dan disse olhando para o bar á frente.

–O que? — Disse colocando a câmera na bolsa

–É... Eu já volto. — E Dan saiu por uma rua estreita a direita.

–Se for mais uma brincadeira do Dan, eu mato ele! — Julie disse

–Vamos, tem um restaurante ali em frente e eu estou com a carteira dele — Luna gritou

–Isso não seria crueldade? — Perguntei.

–Ele nos perdeu... Não faço ideia de onde estamos, o mínimo que podemos fazer é acabar com o dinheiro dele. — Sam riu

Entramos no restaurante, as paredes cobertas com um preto clássico, com janelas em quase todas as paredes, a lateral aberta por uma janela de vidro, do teto ao chão. Mesas redondas cor de madeira, com um pequeno bar mais a frente.

Nos sentamos em uma mesa perto da grande janela de vidro. Pedimos nossa comida e por alguns minutos nos esquecemos de Dan. Só não nos esquecemos de minha briga com Luna. O clima ficava mais tenso a cada minuto:

–Acho que agora é a hora de vocês conversarem... — Julie disse

–Eu não tenho nada para conversar. — Respondi

Sam e Julie pressionaram Luna com o olhar para que ela pedisse desculpas:

–Mas eu tenho. -Luna finalmente falou, Sam e Julie ficaram aliviadas.

–Então diga logo.

–Eu andei pensando e... Eu não acho que eu esteja errada, mas quero pedir desculpas do mesmo jeito... Você não é mais criança, e está propensa a fazer besteiras e isso me preocupa.

–Não precisa se preocupar tanto comigo...

–A verdade é... Você está aqui... E arranjou um namorado

–Ele não é meu namorado — Interrompi

–Enfim... Tenho medo que se machuque. Eu entrei em pânico não sabia como reagir.

–Tudo bem... Eu te desculpo, e desculpa ter preocupado todos vocês...

–Tudo bem. — Sam e Julie disseram

–Mas você tem que confiar um pouco mais nos lobos... — Disse com medo da resposta.

–Não confio neles.

–Pois devia! Eles me respeitam.

–Não quero falar sobre isso agora... Estamos bem?

–Sim estamos! — Dei um sorriso largo

Horas se passaram e nada de Dan. Começamos a ficar preocupada. Poderia ter se perdido ou algo do tipo.


Uma hora depois Dan aparece com Scott, os dois vem em nossa direção rindo:

–Demorei? — Dan sorriu maliciosamente

–Está brincando né? — Luna gritou

–Calma.. Eu estava atrás de uma pessoa... — Dan olhou para mim. — E no caminho encontrei Scott.

–É, tem uma puta festa, a dois quarteirões daqui. Em um dos lugares mais quentes de Londres — Scott colocou as mãos no bolso. — Tudo bem Dylan?

–Estou ótima — Disse colocando as mãos na nuca. Sabia que Dan tinha procurado por Patrick. Agora sei que ele esta do meu lado. — Então vamos?

–Dylan! — Luna disse furiosa

–Olha só, voltaram a se falar. — Dan disse aliviado

–Vamos lá, Luna — Supliquei

–Eu não confio neles. — Luna disse olhando torto para Scott que estava fumando um cigarro,

–Tenta.. Por favor, por mim...

–Se as meninas estiverem de acordo? — Luna olhou para Julie e Sam

–Claro — Sam disse concordando com Julie

–Então vamos! — Dan disse animado

Todos andaram na frente, menos Scott que puxara Dan discretamente para um canto, sussurrando em seu ouvindo dando uma cartela com remédios cor de rosa. Dan pegara a cartela e guardara no bolso.

Ainda estava de dia quando saímos até a "puta festa". Scott estava bastante animado. Pulava e falava de tudo sobre esse tal lugar.

A festa era em uma casa, de três andares, por fora conseguíamos ver luzes coloridas piscando. Grandes letras em um tom de vinho dizia: "The Play Club"

–"The play club"? — Luna disse com um tom duvidoso

–O melhor! — Scott disse jogando o cigarro no chão. — Entrando? — Scott abriu a porta para todos passarem. — Ah você não! — Scott me barrou

–Por quê? Eu quero entrar!

–Não. Eu estou esperando alguém — Scott olhara para todos os cantos. — Me espere aqui. — E Scott saiu correndo.

Sem respeitar o que Scott pedira, entrei na casa, e o som estava bem alto.

Na sala, não havia moveis, apenas uma pista de dança com várias pessoas dançando, grandes caixas de som e várias luzes em volta.

Tentei sair da sala e ir para a cozinha que era aberta e dava para ver toda visão da sala e também estava um pouco mais silenciosa. Apenas com alguns casais se beijando nos fundos e atrás da geladeira.

Peguei um copo, e uma vodca que estava em cima da pia, subi e me sentei em uma das bancadas e olhei o movimento.

Conseguia ver Dan e Luna dançando, segurando seus copos, Sam e Julie se beijando em um canto da sala.

Em questão de segundos Scott aparecera com Patrick, sorrindo mas parecia um tanto bravo.

Acenei com a mão até que me visse, e provocando fazendo um gesto com a mão para eles virem até mim:

–Eu disse para ficar lá fora — Scott riu

–Você não é meu pai! — Gritei pois o som ainda estava muito alto

–É isso ai! — Patrick sentou no balcão ao meu lado.

–Vai curtir a sua puta festa! — Disse rindo.

–Bom, já que está em boas mãos. — E Scott saiu dançando

–Você quer um pouco? — Ofereci meu copo

–Claro. — Patrick bebeu um gole e fez uma careta. — Olha... Desculpa pelo ultimo encontro.

–Não se preocupa... Já está tudo bem. Conversei com a minha irmã. A gente brigou mas já estamos bem. — Peguei o copo, dei um gole e tentei não fazer uma careta também.

–Então está tudo bem? — Patrick saiu do balcão e ficou na minha frente

–Sim.

Patrick pegara na minha cintura e me dera um beijo.

–Então.. Como está a sua busca por um futuro? — Patrick foi até a dispensa e pegou um Whisky e colocara em um copo.

–Estou aqui a dois dias. Ainda é cedo para saber.

–Só perguntei. — Patrick dera um gole no Whisky. — Logo , você irá saber o que quer.

Em seguida Patrick, colocara o copo no balcão, chegara próximo ao meu rosto, colocara as mãos suavemente em minhas bochechas, com os olhos fechados:

–Só tem uma coisa que eu não quero...

–O que? — Patrick disse ainda de olhos fechados

–Um romance. — Disse sem graça.

Patrick abrira os olhos na hora, mas não continuara com as mãos nas minhas bochechas:

–Eu também não quero.

Dei um suspiro de alivio.

–Então. Está curtindo a festa? — Patrick perguntou olhando em volta.

–Ela está bem divertida. Você e Scott vem muito aqui?

–Sim. Conhecemos os donos da casa.

–"Os"?

–Dois caras moram aqui. Dois babacas. — Patrick riu. — Mas são bons amigos... Eu venho aqui sempre. — Patrick parou e pensou um pouco — Eu tive uma ideia. Você vem comigo? Ou quer ficar aqui, nessa festa?

–Uma ideia?

–Sim. Vamos?

–Não vai me matar né?

–Claro que não . -Patrick gargalhou.

–Então vamos. — Pegamos nossas bebidas e saímos.

Uma caminhada de 5 minutos. Até chegarmos em uma rua cheia de casas iguais, todas vermelhas e brancas, viramos na quarta casa á esquerda.

–Você mora sozinho? Perguntei

–Não. Moro com Scott. Bom e tecnicamente com o Bren já que ele vive aqui — Patrick riu — Vai ser rápido, só tenho que pegar uns sprays. Tudo bem? — Patrick disse tirando as chaves do bolso

Entrando na casa de Patrick, era um tanto bagunçada: Uma sala grande com uma televisão pequena, uma mesa de centro com duas caixas de pizzas, dois sofás grandes cor de caramelo, atrás da televisão a sala de jantar com a cozinha, e uma escada perto da sala.

–Vamos. Minha mochila fica lá em cima. — Subimos as escadas.

Tinha só uma duvida sobre o fato de estar na casa dele, e o que ele queria com isso. Não queria me precipitar nem nada. Então esperei para ver até onde isso ia dar.

–Sinta-se em casa — Patrick disse abrindo a porta. — Os sprays estão no quarto do Scott.

O quarto era confortável, com uma cama de casal no centro, que por incrível que pareça estava arrumada. As paredes coberta com um azul turquesa, com pôsteres de bandas e de filósofos, as paredes pichadas. Na parede uma estante com vários livros ideológicos, livros políticos e sobre artes. Com duas poltronas do lado das estantes. Uma mesa cheia de discos de vinil e cds. E um violão preto.

No outro lado da cama uma mesa com vários papéis. E várias canetas, lápis e pinceis. Pensara que talvez pudesse ser os desenhos de Patrick. E estava certa, eram os desenhos dele. E todos estavam lindos, os primeiros quatro desenhos era sobre a monarquia no Reino Unido, protestos e opressões. O quinto desenho... Não podia ser... É.. Ele me desenhou. Não tirara o sorriso do rosto, três desenhos do meu rosto e o quarto, eu estava fumando maconha e em volta vários desenhos coloridos em volta com tudo que falara ou via quando estava chapada.

Peguei minha câmera na bolsa e tirei uma foto, em seguida coloquei tudo em ordem, guardei a câmera e fui ver a estante com os livros:

–Achou algo de interessante? — Patrick chegou no quarto, deixando uma mochila preta na cama e uma escada na porta.

–Achei bem interessante. — Disse pegando um dos livros e lendo a contra capa. — Porque você não faz ciências politicas ou algo do tipo ?

–Quer que eu me forme em algo que odeio? — Patrick ficou ao meu lado.

–Por odiar que você tem todos esses livros? — Perguntei colocando o livro no lugar. -Talvez... A arte só tenho sido um entretenimento para você esse tempo todo, e você não sabia. — Disse me sentando em uma das poltronas.

–A arte é tudo pra mim — Patrick disse tirando a touca e mostrando o cabelo azul, a raiz estava preta, o azul estava saindo. Me esquecera o acontecido com o cabelo do Patrick, me assustei de primeira vista, mas não disse nada:

–Vai me dizer que você não expressa sua arte falando de politica e da sua revolta contra os opressores? — Perguntei olhando para mesa com vários desenhos.

Patrick ficava quieto, apenas ouvindo. Ele sabia que eu estava certa.

–É só você juntar tudo Patrick... Talvez eu não sou a única que está procurando algo novo.

–Você acha? — Ele chegara mais perto.

Confirmei com a cabeça:

–Você é bem mais esperta do que eu imaginava. — Patrick me levantara com um sorriso no rosto.

–Obrigada.

Ele me pegara pela cintura, me puxara para frente da cama, e começara a me beijar.

Não havia mais duvida, eu sabia exatamente o que ele queria:

–Sabe que eu estou louca para ver o que você vai fazer com esse spray? — Disse rindo

–Não quer ficar nem mais um pouquinho? — Patrick disse beijando meu pescoço

–Não. — Sussurrei em seu ouvido. — Daqui a pouco minha irmã me liga chorando querendo saber a onde eu estou. — Brinquei.

–Como quiser amor. — Patrick disse com um sotaque que faria qualquer garota se jogar em sua cama. Mas minha reputação gritava mais alto.

Saímos da casa de Patrick. Ele me levara a uma rua de trás. Uma rua deserta, com grandes muros. Coloridos por desenhos e frases de musicas do Pink Floyd. O muro estava tão cheio de vida.

–Você fez tudo isso? — Disse, sentando com os dois copos na mão.

–Quase todos. — Patrick disse tirando os cinco sprays da mochila. As cores eram: Azul, vermelho, laranja, rosa e branco. — O que quer que eu desenhe?

–Se inspire em mim... — Sorri. — Me surpreenda.

–Então a senhoria terá que virar... Não poderá olhar.

Como pedido me virei e esperei.

Com o tempo só ouvia os barulhos das latas de sprays e a cantoria de Patrick, a cada hora que passava ficava mais ansiosa.

Depois de uma hora e meia esperando, finalmente ficou pronto:

–Desculpa a demora — Patrick colocara as mãos em meus olhos.

–Não se apressa a arte.

–Olha que você pegou o espirito da coisa! — Patrick me virou.

–Antes de abrir os olhos quero que saiba que captei o que mais me chama atenção... O que eu acho mais bonito. — Ao terminar de falar Patrick tirara as mãos de meus olhos

Quando abri os olhos fiquei de boca aberta... Estava perfeito.

Patrick desenhou meus olhos, grandes e pretos, com grandes cílios. sobrancelhas levantadas. Uma boca vermelha com um cigarro, só que em vez de uma fumaça cinza. Era uma fumaça colorida com vários desenhos dentro.

Espera ai... "captei o que mais me chama atenção... O que eu acho mais bonito." Ele gosta de meus olhos... Estava de boca aberta, não sabia o que dizer. Só pensava em beija-lo. E isso é o que mais me preocupava. Não sabia se estava assim pelo desenho, ou pela mistura que fiz com a vodca e o Whisky

– O que achou? — Patrick disse meio nervoso, esperando minha aprovação.

–Está... Perfeito. — Meus olhos brilhavam, não conseguia piscar. — Será que eu posso.... — Peguei a câmera da minha bolsa.

–Por favor. — Patrick limpou as mãos sujas de tinta na camiseta branca. Se sentando no chão.

–Está lindo... Onde você esteve esse tempo todo? — Perguntei me sentando ao lado dele.

–Eu aqui...Sempre.

–Nunca pensou em sair? Sei lá.. Ir para outro lugar?

–Não pensava até você aparecer...

–Patrick... Não.

–É eu sei.. — Patrick olhava para o muro, que tinha pintando

–Isso não é um filme da Disney. — Brinquei. — Não pode se apaixonar por alguém que acabou de conhecer.

Patrick riu:

–Então é só a gente se conhecer.

–Tá... — Percebi que Patrick estava se esforçando, e tentei me esforçar. — Pode começar a falar.

–Sinto falta da casa dos meus pais.

–Então porque não está com eles? — Patrick foi um pouco rápido, mas fiquei feliz dele sentir a confiança de se abrir comigo.

–Briguei com meu pai. Um drama desnecessário. Mas tem vezes que eu quero... Chegar na casa deles e falar tudo que está na minha garganta.

–Você sempre faz e fala o que quer... Porque com ele seria diferente?

–Não sei.. Me sinto vulnerável perto dele, como se... Perdesse minhas forças. — Depois de perceber o silencio, Patrick soltara uma risada sem graça.

–Bom... Para você brigar com ele você teve que falar tudo que estava guardado em você não é?

–Sim... Mas o que...

–Então é só você fazer isso de novo. — Interrompi — Mas, não precisam brigar. Eu aposto que ele sente muito sua falta. Não importa o que você usa, fala ou como agi.

–Talvez.

–Sabe... Na maioria do tempo... Eu me sentia muito sozinha, mas me lembrava que tinha minha mãe e a minha irmã. Que não importa o quão feia era nossas brigas. Mas sempre estávamos lá para apoiar umas as outras. O mundo fica vazio se não estamos com quem amamos...

–No dia que briguei com meu pai... Eu peguei minhas coisas e fui embora... E foi ai que encontrei os Lobos... E durante esses três anos nunca tinha pensado nisso. — Patrick olhara pra mim com um sorriso bobo. — Você chegou na hora certa.

–Sabe.. Pensava muito antes de te encontrar.. Eu fiz essa viagem com a minha irmã. Mas pensei que vejo ela todos os dias a 18 anos. E todos precisam de um tempo. Até seu pai precisava de um... Mas já está na hora de ajeitar tudo isso. Não acha?

–Eu não posso ir sozinho. Eu não teria coragem...

–Eu vou com você... Conhecer seus pais é um passo muito grande. Mas... Se isso te deixar feliz.

–Isso ia ajudar muito! — Patrick se levantou na mesma hora. — Mas olha que horas são. — Patrick olhou o relógio, eram 02:30 a.m.

–Podemos ir pela manha. — Sugeri

–Você pode dormir na minha casa... Se quiser. — Patrick colocou os braços atrás das costas.

Olhei séria para ele, sabia o que estava sugerindo.

–Prometo não fazer nada. — Patrick riu

Dei um olhar meio desconfiado.

–Eu sei que você ficou paquerando meus discos.

–Minha irmã..

–Avise a ela. "Todos precisam de um tempo". — Patrick ergueu a mão, para me levantar.

–Parece que alguém aprendeu mesmo.

–Você fala com um sotaque e uma intensidade. Que fica difícil de esquecer. — Ele riu.

–Vai indo na frente, vou ligar para Luna.

Patrick concordou, pegou a escada e a mochila e foi na frente.

Peguei meu celular e tentara ligar para Luna, mas ela não atendia, tentei ligar para todos mas ninguém atendia, quando finalmente Sam atendeu:

–Sam? Finalmente! Onde vocês estão?

–Ainda estamos na festa. Cadê você. — Sam tentara gritar o mais alto que podia.

–Avise a Luna não se preocupar, passarei a noite na casa do Patrick,

–Ah meu Deus! Que danada! — Sam riu. — Pode ficar tranquila eu aviso a Luna

–Obrigada.

–De nada.. E Dylan?

–Sim.

–Divirta-se — Sam gargalhou

–Sua puta. Boa noite. — Desliguei ainda rindo

Corri para tentar alcançar Patrick.

–Eu acho que estou meio... Alegre. — Disse rindo ao chegar no quarto de Patrick.

–Espera você bebeu meu whisky e sua vodca?

Confirmei com a cabeça.

–Você estava demorando demais. — Disse meio zonza

–Vou fazer um chá para você que tal?

–Ah coisa de britânico né? Nunca pode faltar um chá! Eu odeio essa água suja que vocês chamam de chá. Ai meu Deus eu te ofendi? — Coloquei a mão na boca assustada

–Não ofendeu. Eu também odeio — Patrick sorriu. — E café? Você odeia café também?

–Amo.

–Ok. Coloca essa roupa aqui. Esse jeans não parece confortável. — Patrick disse pegando uma camisa e uma calça xadrez em uma de suas gavetas. — E eu vou fazer o seu café.

Patrick desceu e eu me troquei. Admito que estava exagerando um pouco. Eu não queria acabar pelada na cama dele.

Era uma camisa dos Misfits personalizada, rasgada dos ombros até a cintura. Uma calça xadrez azul e branca.

Depois de 20 minutos, Patrick chega no quarto com duas canecas com café:

–Como se sente? — Patrick perguntou deixando uma caneca em sua mesa e me dando a outra.

–Melhor. — Peguei a caneca com café

Patrick se sentou no chão do meu lado:

–Qual álbum você mais gosta? — Perguntei bebendo o café.

–Agora você me pegou.... — Patrick olhava um por um. — Com certeza é esse aqui. — Patrick pegara um LP do The Clash — Train in Vain. — Ouço para me acalmar

–Adoro esse álbum.

Patrick olhou um tanto surpreso. Talvez nem imaginasse que eu conhece alguma banda no meio de tantos discos. Pegou a vitrola que ficara em baixo de sua mesa.

–Vem, aqui está desconfortável. — Patrick me ajudara a me levantar.

Nos deitamos e começamos a cantar juntos.

–Não quero que pense que nós não fizemos porque eu não gosto de você. — Disse ao parar de cantar.

–Não pensei assim. Eu concordo eu fiz errado mais cedo. — Patrick colocou os braços em volta dos meus ombros. — Era cedo. E respeito se não quiser.

Senti um peso sair de meus ombros, dei um suspiro aliviada.

Pegamos no sono daquele jeito mesmo, com a vitrola tocando pela sétima vez o vinil do The Clash.

Acordei com uma mensagem de texto de Luna, maluca. Estava de ressaca pois escrevera tudo errado. Na mensagem dizia:

"Dylan, o que você está fazendo com esse louco? Ah meu Deus! Você usou camisinha?! Você fez alguma coisa que eu não faria?! Ah eu mato a Sam!! Quando ler essa mensagem me ligue imediatamente!"

Olhei no relógio, eram 08:00 a.m. A mensagem foi mandada a uma hora atrás. Então resolvi ligar e despreocupa-la, ou dar uma lição.

Sai do quarto e liguei para Luna:

–Luna?

–Ah não grita... — Luna disse sonolenta

–Ah parece que eu não fui a única que me diverti na noite passada! — Tentava falar sem rir.

–O que você quis dizer com isso?! Ah.. Minha cabeça.

–Ah eu não quis dizer... Ah para Patrick eu estou falando com a Luna — Forcei a voz.

–Dylan?! Deixa você chegar aqui — Luna sussurrou.

Patrick apareceu atrás de mim com um olhar confuso

–Quer me dar uma forcinha ? — Sussurrei

E por impulso Patrick disse:

–Desliga o telefone amor, eu não posso fazer isso sozinho.

–Ah, terei que desligar Luna.. Eu estou meio ocupada agora... — E desliguei o telefone

Patrick e eu caímos de tanto rir.

–Porque fez isso?

–Não importa o que Luna diz... Ela vai sempre me tratar como se eu fosse uma criança... Ela não confia em mim... Então isso serviu de lição. — Me levantei

–Vai dizer a verdade depois? — Patrick se levantou

Levantei uma das sobrancelhas e em seguida neguei com a cabeça.

–Vem temos uma coisa importante para lidar. — Disse voltando para o quarto,

–Você realmente quer ir? — Patrick disse fechando a porta do quarto, deixando eu me trocar. — Quer dizer, nós podemos não fazer isso.

–Você está louco? — Sai do quarto. Trocara somente a calça jeans, e colocara meu tênis. — Estou pensando em roubar essa camisa.

Patrick ficara de boca aberta:

–Você ficou muito melhor que eu nela... Muito... Melhor.

Olhei para todos os lados possíveis, sentia minhas bochechas ficarem rosadas de vergonha:

–O que está esperando — De repente falei sério. — Vá se trocar.

–Eu vou! — Patrick disse com os olhos fixos na camiseta. — Eu vou.

–Passou a noite aqui? — Scott disse com um sorriso malicioso. Ele vestira um roupão roxo.

–Não é o que pensa. — Disse rindo

–Eu não pensei em nada. Vamos tomar café da manha juntos? — Scott sugeriu. — Minhas panquecas são ótimas.

–Eu vou aceitar.

–Não ligue para a bagunça. — Disse Scott, descendo as escadas. — Como você pode ver está na casa de dois homens, três se contar com o intruso — Scott batera na cabeça de Bren que estará assistindo televisão

–Bom dia Bren. — Disse em um tom simpático

–Bom dia novata! — Bren disse surpreso. — Pelo visto se deu bem essa noite.

Tinha como ficar mais constrangedor?

–Deixa a garota! — Scott gritou.

–Cadê a Rebecca? — Perguntei

–Daqui a pouco ela desce, deve estar se produzindo pro papai aqui — Bren apontou para si. — Então, os pombinhos vão ficar aqui em casa ou vocês vão sair com a gente?

–Tenho que resolver uns assuntos com Patrick.

–Ah não... Ele se envolveu em outra briga com os cobras? — Bren se levantou do sofá assustado

–Não! Fica calmo. — Me levantei assustada — Não queria dizer isso... É um problema de família.

–Ah finalmente... — Scott chegara da cozinha com vários pratos e uma frigideira cheia de panquecas. — Eu falo pra esse garoto ir atrás dos pais a tempos.

–Era de se esperar uma linda garota mudasse aquele teimoso. — Bren disse voltando a assistir televisão

–Eu estou ouvindo tudo! — Patrick disse descendo as escadas. — Vamos logo Dylan... Quando mais cedo isso acabar, vou poder comprar um Whisky escocês. Scott, posso pegar seu carro?

–Claro mas e as panquecas? Scott disse

–Obrigada gente! — Peguei quatro panquecas e saímos.

Pegamos o carro de Scott, era um fox vermelho

–Está muito nervoso? — Perguntei

–Nem sei o que dizer...

–Diz o que te incomoda. O que você quer mudar nessa relação.

–Sim.. Você está certa. — Patrick disse em um tom ansioso e nervoso.

–Chegamos. — Patrick disse estacionando o carro.

–Você está brincando? — Olhei impressionada. A casa era quase uma mansão. A casa era banhada em um branco, com várias janelas cor de madeira e uma porta azul. Com um lindo jardim.

–Posso segurar sua mão. — Patrick me perguntou parado na frente da casa.

–Se isso te deixar menos nervoso. — Abri minha mão. Ao me tocar, sua mão estava suando muito. Ele apertara minha mão com força.

Eu lhe acompanhei até a porta. Patrick deu um suspiro forte, e depois de um minuto pensando ele finalmente apertou a companhia.

Uma mulher com cabelos laranjas, um avental na cintura. Uma camiseta de cinza com botões. E grandes olhos brilhantes:

–Patrick? — A mulher disse surpresa

Notas finais
Então??