O orgulho de Tom era óbvio e podia ser percebido em pequenos detalhes. Jenny se destacou muito durante o terceiro ano, e Riddle já não estava ficando mais satisfeito. Uma vez, sua inveja falou tão alto que ele sabotou a poção dela, mas, Pierce conseguiu se recuperar sendo capaz de tirar um nota aceitável. Que o rapaz estava se tornando mais distante, mais frio, Jenny percebera, e Dumbledore também.

O ano havia se encerrado, e hora de voltar para o orfanato, Jenny parou com sua mala na escadaria, ela estava um tanto atrapalhada, tanto que o motivo da parada era para amarrar seu sapato.

–Droga,droga,droga.

–Por que está resmungando?-Ela conhecia o dono dessa voz.

Pois é, alguns degraus acima, carregando sua mala na mão, Tom Riddle a olhava sem emoção.

–Oh, que ótimo.-Ela sussurrou, a sua ideia original era sair antes dele.

–Se apresse, o trem não vai esperar por você.

–Não me diga.-A outra zombou.

Durante o caminho, como sempre, Tom foi parado por alguns meninos e meninas que insistiam em se despedir, Jenny no entanto, passou reto nem se dignando a olhar.

Finalmente o trem, nada poderia impedir Pierce de adentrá-lo…

–Senhorita!-Alvo apareceu.

–Ui!-Ela se assustou.

–Oh perdão.-O mais velho riu um pouco-É que eu estava com pressa de falar com você.

–Bom...-Ela respirou fundo-Diga.

–Bem,acredito que já deve ter percebido uma estranha mudança no comportamento do senhor Riddle.

–É,ele tem estado muito...Argh!Se é que isso é definição.

–Sim,sim,mas tal comportamento me preocupa, em especial, sua segurança.

–Oh!Eu vejo o ponto.

–Então,espero que saiba que pode me escrever sempre que precisar.

–Obrigado senhor, mas realmente espero não precisar.

–Somos dois.-Alvo redirecionou o olhar para trás dela.

Jenny se virou e viu Tom olhando para eles intensamente. A menina respirou fundo e caminhou na direção da entrada do trem, passando por ele, ambos trocaram um olhar rápido mas significativo.

Riddle sorriu de lado em deboche e a seguiu até a cabine onde podiam falar a sós.

–Muito bem...-O mesmo começou-Parece que estamos de mau humor, não?

–Não...-A outra sentou no banco perto da janela.-Não realmente.

–Tudo bem,o que aquele velhote te disse?

–Nada que eu já não soubesse, mas ele quer que eu escreva.

–Aquele velhote estúpido. Escrever sobre o que? Nossa vida?

–É,por ai.

–E vai fazer o que ele o mandou?

–Eu tenho motivos?

Se encararam em silêncio por algum tempo.

–Não.-Tom se moveu para o outro banco.

A castanha piscou e lhe chamou a atenção:

–Quer saber? Se eu estou de mau humor hoje, saiba que você, esteve mau humor o resto do ano inteiro.

–Não diga tolices. Estou completamente normal.

–…

–…

–Quando voltarmo pro orfanato, vamos discutir o seu conceito de normalidade.

–Interessante, e por que não agora?

–Oh, quer mesmo uma plateia tão grande?

–Claro que não, tenho reputação.

–E eu também.

……

Era surpreendente a capacidade que os dois tinham de atrair olhares sempre que chegavam. Como uma observação espontânea, Tom percebeu que o orfanato estava mais vazio, o que significava que uma série de adoções esteve, se é que ainda não está, acontecendo.

–Ruim, ruim,muito ruim.-Sussurrou para si mesmo.

Pierce parecia alheia, ou talvez, não se importava. Uma vez no andar superior,a mesma abriu a boca:

–Vamos conversar assim que eu deixar minhas coisas no meu quarto,espere aqui.

–Não vou a lugar nenhum.

Mesmo com essa afirmação,Jenny preferiu apressar-se,largou a mala no canto do quarto e foi para o do menino. Tom, que estava retirando as coisas da sua mala, olhou para cima assim que ouviu o barulho da porta.

–Colocando as cartas na essa,Riddle.-Ela o provocou.

Que Tom tinha uma certa injuria do seu sobrenome,ora pois,era uma verdade.

–Pergunte o quer saber,Pierce. Posso estar guardando minhas coisas, mas permaneço atento.

–Eu não vou conseguir nada melhor mesmo...-Ela suspirou-Ambos sabemos que você mudou seu comportamento nos últimos meses.-Ouviu um chiado de zombaria vinda dele-Tem se tornado mais frio,arrogante,distante até mesmo de mim ao ponto de tentar me fazer tirar uma nota baixa na aula.-Nessa,Tom a olhou visivelmente surpreso-Oh!Estava achando que eu não tinha percebido?Eu já persegui pomos meu amigo, tenho que estar sempre atenta aos movimentos em minha volta.

–Eu vejo.-O moreno suspirou.-Bem Pierce,algo que sempre me atraiu a você foi sua inteligencia,agora,use-a.

–Como é?

–Oh,vamos lá!Pense,por que eu te sabotaria?

–Seu tom de voz soa como inveja.

–E o prêmio vai para Jenny Pierce. Como sempre.-Ele se aproximou ficando face a face.-Cansei de você,muito mesmo.

–Estamos tendo essa discussão porque você simplesmente não suporta a ideia de que eu possa me sair melhor do que você em algumas coisas?É a coisa mais estúpida que já ouvi. Não estou tentando competir com você, nem te derrubar o algo do tipo, mas confesso que é um alívio saber que você tem uma mentalidade de criança, da próxima vez que quiser conversar, eu vou te trazer um brinquedo e um doce.-Ela saiu do quarto sem nem ao menos fechar a porta.

Riddle revirou os olhos, ele não ia pedir desculpas, não dessa vez.

Pierce estava esperando que houvesse um pingo de arrependimento no sangue dele,mas ela o conhecia. Sendo assim, o que era um ``belo´´ final para essa amizade.Orgulho e inveja são os ingredientes perfeitos.

……

As festas desse ano estavam tão ruins quanto o humor dos dois bruxos que residiam naquele orfanato. Todos perceberam que algo estava diferente com eles,pra começar,no refeitório,Jenny preferiu comer em outra mesa, Tom permanecia na mesma mesa,postura igual.

Tom pensou,apenas por um breve momento,em voltar atrás,mas isso significaria desistir da única chance de se concentrar verdadeiramente em seus objetivos e provar suas capacidades ao mundo, ele se sentia atrasado nas matérias,seu terceiro ano foi relativamente bom,mas suas preocupações com Pierce se estenderam a um nível tão elevado que nem mesmo ele entendia. Ela conseguia tirar notas altas mesmo passando maior parte na enfermaria,perdendo aula,e etc...Em quanto ele,bom, corria atrás dela,tendo até que fazer parceria com pessoas indesejadas, quebrando sua varinha,tirando notas aceitáveis e não ótimas,como gostava. A única conclusão que podia tirar era que Jenny Pierce era um atraso na sua vida. Claro que Tom não a eliminaria,não, a castanha era brilhante e sua afeição por ela existia,ele só...Não podia lidar com isso no momento.

–Um dia,no futuro.-O menino sussurrou para si mesmo-Ela vai me perdoar e tudo vai voltar a ser como sempre,mas até lá...

Oh,ele gostava acreditar que seria tão simples.

A noite veio,fria e chuvosa,Jenny cantarolava uma melodia feliz,ela estava arrumando suas coisas quando percebeu um pequeno problema...

–Esse livro de Herbologia não é meu.-De fato,na última aula de Herbologia,Tom lhe emprestou seu livro e ela acabou ficando com ele.-Pensei que tinha devolvido...Será que o livro que eu entreguei era o meu?

Mesmo que ela não quisesse ver a face de Riddle,adiar isso seria pior.Jenny foi até o quarto de Tom e bateu na porta.Pors algum tempo,não houve resposta,mas ela sabia que ele estava lá.

–Se é assim...-Ela olhou para os lados e depois tirou sua arinha-Alohomora.-A porta foi destrancada.

–O nome disso é invasão.-O moreno estava sentado perto da janela lendo um livro qualquer.

–Quando uma garota se arrasta penosamente, no meio de iuma noite chuvosa, para bater na porta do quarto do diabo, este deveria no mínimo ter a decência – se não a indecência – de atender.

–O que lhe trouxe aqui,Pierce?

–Nossos livros de Herbologia estão trocados, estou com o seu e você está com meu.Se vamos cortar laços, por assim dizer, gostaria de ficar com as minhas coisas.-Especialmente um livro com páginas rabiscadas com suas próprias observações.

–Esta no guarda-roupa.-Tom a observou fazer a troca.-Diga-me,isso foi um pretexto?

–Não.-A outra respondeu de forma firme e quando fechou a porta do móvel, saiu rumou ao seu próprio quarto.

O dia seguinte foi um reflexo da noite anterior, tão chuvoso quanto.Mas dessa vez,Jenny parecia mais animada,ela saiu com um guarda chuva disponibilizado por uma das moças do orfanato.Por alguma razão,elas também estavam de bom humor.

–Hey,anormal!-A voz de Billy Stubbs lhe arrancou um suspiro de desgosto.-Queria falar com você antes de ir.

Agora ela piscou:

–Ir?

–Fui adotado, vão me pegar dentro de meia hora.

–Ah.

–Bom,bom...Eu queria...-O rapaz coçou a nuca-Me desculpar.

–Perdão?

–Pela forma que lhe tratei antes,sabe,eu sei que você está estudando em uma escola furante o ano inteiro,mas desde quando brincamos com as bolas de neve, o tempo me fez pensar que talvez, você não seja realmente ruim.

–Nossa.-Agora a boca dela estava em O perfeito.

–Em fim,mas é só com você que vou me desculpar,não pense que isso nos faz amigos,eu ainda não confio em você e muito menos no seu amiguinho.

–Quanto a isso,não espero fazer amizade,e Tom e eu não estamos mais tão amigos.

–Oh,então até você sabe que esse cara não presta.

Segurando a vontade de defender Riddle,Pierce concordou:

–É,eu acho.

–Bem,era só isso o que eu queria dizer e...Ah,sim!Amy me mandou pedir desculpas por ela.Tambem foi adotada,faz duas semanas. Hey,quem sabe você não é a próxima?

Ouviram a Sra.Cole chamando o garoto.

–Hora de ir Stubbs.

–Sim,sim,adeus anormal.

–Adeus,trouxa.-Vendo-o partir,ela se sentia muito melhor.-Algumas mudanças realmente são para o bem.Acho que...Acho que vou escrever para o professor Dumbledore.

……

Algumas corujas surpreende em velocidade,Alvo estava em seu escritório,mais um fim de ano no castelo,quando viu uma criatura bater na sua janela.Era uma coruja vermelha de madagascar,e ela trazia uma carta consigo.

–Oh!Olá.-O velho acariciou-lhe a cabeça.-O que temos aqui?

Caro professor Dumbledore,

Como vai? Eu estou, particularmente, bem. É estranho.Coisas estranhas vem acontecendo,coisas como a bondade humana existente em um dos maiores idiotas que já conheci,e coisas como a estupidez brotando no menino mais inteligente que já vi. E quanto a este ultimo,sim,estou me referindo a Tom.Aparentemente,ele não quer mais estar perto de alguém possa ser tao inteligente quanto ele...Nem eu entendi.

Para resumir,o orfanato esta muito vazio,o que não é ruim,é até bem quieto e agradável,mas é chato não ter mais ninguém para conversar então,não estranhe se receber varias cartas minhas daqui pra frente.

Jenny Pierce.

Alvo riu um pouco e se apressou em responder.

De volta ao orfanato...

Pierce tentava desenhar uma borboleta que pousara no seu quarto,em parte,ela estava bem feliz de ter arranjado algo para fazer:

–Ha há,desenhar em vez de ler, quem diria?-Ela olhou para a janela-A vida é mesmo estranha.-Sorriu ao ver uma coruja pousar por ali.

Notas finais
Então,vejamos,como é a vida sem Tom Riddle?