The warmth of Winter
8 Um plano de resgate e as preparações necessárias
Notas iniciais
Provavelmente, quando me venceu, Kanda pensou que se veria livre de mim, assim como pensei que seria presa e tratada de modo semelhante à Hevlaska, como nos enganamos.
– Concentre-se! Levante o braço com firmeza, e desça rápido. Ordena o espadachim.
– Ok. Respondo respirando fundo, e repetindo o movimento.
Logo após a luta houve uma comoção, de alguma maneira, todos se voltaram contra Leverrier e começaram a exigir que ele me desse uma chance, fiquei chocada demais para participar, depois de muito tumulto, na altura em que o auditor parecia prestes a matar alguém, ele “cedeu”. Como vingança, muito provavelmente por Kanda não ter me batido o suficiente, Leverrier decidiu que eu iria treinar com o general e Layla, sobre o pretexto que assim poderia treinar junto de minha amiga, achei que o moreno fosse reclamar, mas ele concordou sem pestanejar. Descobri mais tarde que aquilo era uma espécie de plano, ele queria uma desculpa para poder se aproximar de mim, assim quando saíssemos em missão, eu poderia lhe dizer onde se encontrava o Walker, plano o qual frustrei. Depois de muito embate, chegamos ao acordo de que procuraríamos por Allen juntos, mesmo que ele não tenha gostado dos termos, não teve opção, precisava de mim.
– Preste atenção a seus pés. Fala Kanda, acertando minha perna de apoio, o que faz com que eu me desequilibre. — Firme-se no chão, ou seu oponente irá lhe derrubar. Concordei com a cabeça.
A primeira exigência do general foi que eu adquirisse massa, de acordo com ele, até uma criança poderia me derrubar, começamos então com os exercícios para adquirir força. Duas semanas de corridas, agachamentos, abdominais, levantamento de peso, flexão e todo o tipo de exercício que pudesse me conceder alguma força física, eu caía na cama exausta, foram duas semanas na qual, eu comia, fazia os exercícios e dormia, não conseguia nem pensar. Passado esse tempo, veio o início do treinamento básico, obviamente eu continuava com os exercícios, entretanto em menor escala. Treinamento básico significa aprender a cair, aprender a esquivar, aprender a controlar a força e a velocidade, ou seja, a base para poder lutar, mas antes de tudo, a base para não se machucar muito. Fiquei fascinada com a inteligência por trás das técnicas, existe muitas maneiras de se diminuir um impacto, e isso faz toda a diferença, percebi, por exemplo, que a minha luta contra o espadachim estava fadada ao fracasso, pois desde o início, eu tomei todo o impacto.
Por ultimo chegamos onde estamos agora, batalha, claro que continuamos com todo o resto, todavia enfatizamos o combate, tanto direto, quanto com armas. Kanda costuma me colocar para batalhar contra Layla, quando é combate livre, já quando vamos treinar com shinais, ele é meu oponente. A Foster havia ficado radiante ao descobrir que iríamos treinar juntas, pena que durou tão pouco, logo ela percebeu que eu levava o treinamento tão a sério quanto o moreno, o que a deixou arrasada, em sua opinião, a única vantagem é que eu não bato tão forte. Eu em compensação não tinha essa suposta vantagem, já que o treinamento com espadas me rendia muitos roxos, porém eu preferia assim, o general costuma nos dizer que o inimigo não fará distinção por nosso sexo, o que concordo plenamente, já Layla costuma querer acerta-lo com uma flecha, uma vez que sua inocência é um arco e flecha. Essa é também a razão pela qual não treinamos juntas com armas, afinal, o máximo que poderíamos fazer, seria testar se sou capaz de esquivar das flechas, ou rebatê-las, coisas que na verdade não sou capaz.
– Eu não sei pra que treinamos tanto, o Timothy já sai em missão, e ele é uma criança. Reclama a loira, enquanto nos dirigimos ao refeitório.
– Não deixe ele te ouvir falando isso, hein? Digo rindo. — Me desculpe, você sabe que Leverrier só está dificultando por minha causa.
– A culpa não é sua. Responde firme. — Ele que é um imbecil e só serve pra atrapalhar a vida de todo mundo! A Foster praticamente grita, parando no meio do corredor, todos param e a encaram, ela ri constrangida e seguimos nosso caminho.
– Bom dia, Jerry. Hoje vou querer waffles com mel e café preto.
– Ugh! Eu também quero waffles, mas café, nem pensar. Quero suco de laranja. Esperamos por nossos pedidos conversando, agora falamos com muitas pessoas, por essa razão somos interrompidas constantemente, porém não me importo, esse clima me lembra um pouco o orfanato.
– Bom dia. Cumprimento Lenalee e Miranda que tomam café juntas, e me sento ao lado da segunda.
– Fuyuki, Layla, vocês já falaram com o ni-san? Pergunta à chinesa.
– Não, Komui queria nos ver? Pergunta Layla.
– Sim, vocês e o Kanda.
– Droga! Diz a loira, pulando do assento. — Vamos logo, se nos atrasarmos o general Kanda acaba com a nossa raça. Era visível o desprezo na palavra general.
Me despedi das meninas e segui a Foster, ela passou o caminho todo criando teorias malucas de por que o supervisor nos chamou, esse era o motivo que me fazia gostar tanto de Layla, ela sempre me entretinha, e era muito gentil e honesta, uma daquelas pessoas que é boa com todos, mas que não mente para agradar, de algum modo ela me lembrava o Sol, vê-la me animava.
– Com licença, supervisor. Bom dia! Fala a loira adentrando a sala, a segui, acenando com a cabeça para o japonês e então me virando para Komui.
– Bom dia. Lenalee disse que nos procurava.
– Sim, sentem-se, por favor. Sentamos-nos no sofá em que o general já se encontra. — Leverrier acaba de me mandar uma mensagem, ele deseja que vocês vão em uma missão.
– Viva! Finalmente! Eu sabia, ele não podia nos prender para sempre. Anima-se Layla pulando em cima de mim, e nos derrubando em cima de Kanda, que solta um tch e nos empurra, mas nem isso diminui a empolgação da Foster.
– Creio que você esteja ciente de que isso é um teste, certo? Por essa razão, não fique tão tranquila, ele sem dúvida dará um jeito de atrapalha-los e achar uma razão para prender Fuyuki aqui permanentemente. Diz o supervisor de modo agourento.
– Não pretendo deixar que aquele engomadinho prenda a minha melhor amiga. Rebate Layla de modo desafiador, sinto orgulho dela, ela sempre enfrenta as pessoas, até mesmo quando a situação não tem a ver com ela.
– Certo então, passarei os dados da missão.
– Fuyu, você tem certeza de que está pronta para isso? Questiona coração.
– Sim, só estou um pouco nervosa… Nunca fiz nada parecido. Isso a faz rir.
– Você consegue facinho.
Após pegarmos as informações da missão, cada um se dirige para seu quarto, respiro fundo, tomando coragem e então sigo para o quarto de Kanda. Bato a porta e espero, o moreno abre, olha para mim, olha para os dois lados e sai da frente para que eu entre, depois fecha a porta e se vira para mim.
– Arranjou um plano? Pergunta o espadachim, suspiro me sentindo culpada.
– Sim, mas por agora, vamos apenas seguir a missão. Eu aconselho a desligar o golem quando formos conversar, sabe que estão de olho em você, né? Ele responde com um aceno. — Não se preocupe, farei com que pareça natural, ninguém desconfiará. Dito isso, saí do quarto.
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