Notas iniciais
Boa leitura = D

Uma dor atravessou meu peito, cai de joelhos impossibilitada de respirar, era muito tarde? Senti algo quente em meu ombro que me trouxe de volta a realidade, era a mão de Kanda, puxei o ar com força e me levantei cambaleante, voltando a correr. A garota fora atingida, mas do que nunca eu precisava chegar lá logo.

Kan… da, ela… foi, a… tingida. Não tentei parar para respirar, esperava que aquilo fosse o suficiente para que o general entendesse.

Uma explosão próxima serviu para nos avisar o destino final, sem mais me esperar, o moreno partiu em frente já com a Mugen em mãos, não me dei ao trabalho de reparar nos akumas, corri diretamente para a compatível, ajoelhando-me ao lado de seu corpo. O veneno já fora filtrado por sua inocência, contudo o enorme ferimento em seu abdômen seria o suficiente para acabar com sua vida em questão de minutos, sem dúvida um órgão vital fora atingido.

Respirei fundo concentrando-me no poder de coração, a luz perolada surgiu, fechei meus olhos e esqueci o mundo ao meu redor, uma sensação cálida tomou conta de meu corpo, senti-me abraçada pela doce luz, minhas mãos ficaram posicionadas alguns centímetros acima do corte, focando a energia naquele lugar. Ouço a garota resfolegar e começar a tossir, me afasto um pouco, ela tenta sentar, mas a seguro deitada apontando com a cabeça para o ferimento, ele agora não passa de um corte grande, porém superficial.

Como você está fazendo isso? Questiona assistindo fascinada.

É uma longa história, mas o princípio é o mesmo de seu broche. Seus olhos se arregalam a minha constatação.

O corte finalmente cicatriza e não há mais marca, levanto a cabeça sorrindo para ela, que solta uma exclamação, de repente algo se rasga dentro de mim, a dor é tanta que não sou capaz de produzir som algum, apenas ofego desesperada me apertando para me manter inteira, o ar não entra, é desesperador, sinto o fluxo ao contrário, viro a cabeça para o lado expulsando tudo que havia em meu estômago, tento me afastar, mas meus músculos congelaram, então me mantenho na mesma posição fetal em que tinha me enrolado no chão, sinto algo me puxar para longe da sujeira e agradeço mentalmente por isso.

Ei, está me ouvindo? Consegue abrir os olhos? Forcei meus olhos a se abrirem, um rosto pairava sobre mim, eles se fecharam sem o meu consentimento.

Responde algo, por favor. Eu não aguento mais o tratamento de silêncio do seu namorado, e eu tenho tantas perguntas, vai, não dorme de novo. A voz não era exatamente conhecida, mas ao mesmo tempo não me era estranha, em compensação as palavras não faziam nenhum sentido.

Ela não vai acordar tão cedo, desista. Aquela voz me era familiar, um rosto veio a minha memória, eu reconhecia o dono daquela voz.

Não seja tão desagradável, ela acabou de abrir os olhos. Porém eu continuava sem saber a quem pertencia a voz mais próxima.

Tch! Aquele som foi como um gatilho para meu cérebro, eu obviamente reconhecia aquela voz.

Kanda. Soltei em um grasnado, meu corpo não estava parecendo muito a fim de seguir as minhas ordens, ao menos minha mente estava completamente clara agora.

Eh! Você acordou! Agora eu sabia a quem pertencia a outra voz, era a compatível do broche.

Ei. Eu supunha que o general estava agora ao lado de minha cama, tanto por sua voz, quanto pela sombra em minha visão, aproveitei para tentar abrir novamente meus olhos.

O que hou… ve? Perguntei lutando com meu fôlego.

Você desmaiou. O olhar que o moreno lançou a outra exorcista me fez rir, o que acabou se tornando uma crise de tosse.

Foi o mesmo que aconteceu da primeira vez, não? Questionou ele, assim que a morena me ajudara a parar a crise.

Dois dias? Questionei com um fio de voz.

Não. Suspirei aliviada, me virei para a garota e sussurrei.

Se importa de me pegar água?

Ah, claro. Ela se levantou e saiu de minha vista.

Quanto tempo? Indaguei, permitindo que meus olhos se fechassem novamente.

Já está de manhã. O que aconteceu?

Efeito colateral, eu acho.

Aqui está! Disse a compatível já com o copo em mãos, depois de me ajudar a levantar, ela me entregou, o bebi todo em um gole. — Mais?

Não, obrigada.

Conversei mais um pouco com a garota, que descobri se chamar Beatrice, até que voltei a sentir sono, como sempre, ao dormir sou arrastada para um sonho, parece que desde que ativei minha inocência, nunca mais consegui dormir direito.

Estou em um campo, suponho que seja uma plantação de trigo, pela altura e aparência das plantas que me cercam, ao longe posso ver uma mansão, o vento sopra meus cabelos no rosto, fecho os olhos e coloco meu cabelo atrás da orelha, sei que não devo ficar ali, como é comum em sonhos, sei exatamente aonde tenho de ir, mesmo nunca tendo estado ali antes. A brisa fazia meu vestido dançar a minha volta, era uma sensação agradável, na verdade, estar ali fazia meu coração se sentir calmo, era como se eu estivesse em casa, tão…

Nostálgico.

Eu girei, sentido meu vestido acompanhar o movimento, meus cabelos balançavam de um lado para o outro, me fazendo rir, passei a correr, eu sabia onde ele estava, eu queria vê-lo, não podia esperar, precisava vê-lo imediatamente, depois de contornar um enorme carvalho pude ver sua silhueta, um enorme sorriso se estampou em meu rosto, aumentei a velocidade e no momento em que pulei em seus braços, despertei.

O que foi, Fuyu, calma. Beatrice me puxara para seus braços, afagando meus cabelos.

Eu não conseguia me acostumar a aquilo, meu corpo chorava copiosamente, embora nenhuma emoção pertencesse de fato a mim, era estranhíssimo sentir e corresponder a emoções de outras pessoas, e pior ainda quando eram de Lizzy, meu corpo não conseguia compreender que não era eu, e respondia de maneira ainda mais intensa, uma vez que as emoções dela estavam uma bagunça. Saudade, tristeza, raiva, amor, traição, perda, eu sentia tudo ao mesmo tempo, e me sufocava em lágrimas que não eram minhas, demorou um bom tempo até que coração conseguisse se acalmar, devolvendo-me o controle de meu corpo.

Me desculpe. Falo, me separando de Beatrice e secando meus olhos inchados. — Foi um pesadelo.

Você estava sorrindo, e você fala dormindo, você chamou um nome, Nea. Arquejei, minha visão escureceu e pensei que fosse desmaiar.

– Lizzy, o que houve? Ela parecia querer me expulsar de minha cabeça, a sensação era que ela me prensava contra as paredes de minha mente. — Lizzy, se acalme, por favor. Sou eu, Fuyuki, por favor, Lizzy.

Fuyuki! Fuyuki! Meu corpo finalmente relaxou, sendo possível que saísse da forma enrolada em que estava.

– Fuyu, me desculpe. Eu…

O que houve? Questionei respirando profundamente.

Hein, você está ouvindo? O silencio da inocência me fez focar no exterior de minha mente.

Sim, desculpe. Murmurei, eu tinha sido deitada da forma certa, mas meu corpo doía, lembrei-me da força com que eu tinha me apertado em uma bolinha, e entendi o porquê.

O que aconteceu? Abri os olhos, não tinha notado que Kanda também estava ali.

Temos que encontrar Allen! As palavras deixaram minha boca novamente sem a minha permissão, porém o desespero contido nelas, me fez não contradize-las.