The warmth of Winter
5 Cura
Notas iniciais
– Não era assim a letra, dizia, eu não deixarei de te amar mesmo sob a escuridão perpétua. Fala a loira.
– Sério, eu achava que a escuridão era infindável, mas dá na mesma. Digo pensativa, e ela ri.
– Dá, exceto que infindável não rima. Rimos juntas.
Hoje faz exatamente uma semana que chegamos à ordem, tudo continua igual, eu com os testes e Layla sem treinamento, então após o almoço, nos sentamos do lado de fora do prédio da ordem, não me lembro de onde surgiu o assunto, porém de repente ela me fez cantar, e no meio da música chegamos ao impasse sobre a letra.
– Ok você tem razão, deve ser perpétua.
– Agora cante direito, você ainda não terminou. Sorrio e retomo a música.
Quando eu me distanciava dos exorcistas minha mente ficava mais silenciosa, então eu percebi rapidamente quando duas pessoas se aproximaram de nós. A Foster estava sentada de costas para janela, eu estava em pé à frente dela, mesmo assim eles não estavam visíveis, só me dera conta de sua presença graças à inocência. Por ironia do destino, as pessoas que nos observavam eram o general Tiedoll e Kanda, os quais eu e Layla já havíamos espionado por uma janela. Concentrei-me nos dois para tentar descobrir sobre o que falavam.
– Qual das duas? A coração me ajudara a alcançar suas memórias e sentimentos, quem perguntara foi o moreno, que se encontrava muito contrariado.
– A loira. Responde o general.
A inocência me explicara do que se tratava, Kanda tinha voltado a ordem para se tornar general, e ele seria o responsável pela Foster, isso também explicava a demora de arranjarem alguém para treina-la, me preocupei um pouco.
– Vai ficar tudo bem? Quero dizer, ele acabou de virar general, tem certeza que é uma boa ideia? Questionei.
– Não sou eu quem toma as decisões, mas se quer minha opinião, eu não o colocaria pra treinar ninguém, você já teve uma prova do bom humor dele, não? Fala coração.
– Bom, ele tinha motivo, acho que todos aqueles enigmas o irritaram. O que me preocupa é se ele é capaz de treina-la, ele não parece muito mais velho que nós. Como resposta, recebi algumas memórias de combates do espadachim. — Ok, mais do que capaz, tenho certeza que enquanto ela estiver com ele estará segura.
Enquanto conversava com a inocência, não prestei atenção a aproximação deles, Layla continuava atenta a minha canção, de algum modo eu aprendera a conversar com coração sem parar minhas tarefas, decidi parar de cantar, antes que a loira abrisse a boca indiquei com a cabeça os dois. Ela levantou e se postou ao meu lado.
– Boa tarde meninas. Cumprimenta o general, Kanda dá um aceno com a cabeça, respondemos em uníssono. — Bela música.
– Obrigada, general. O que os trás aqui? Pergunto inocentemente, não posso deixar que desconfiassem.
– O supervisor gostaria de falar com Layla. Responde Tiedoll.
– Ah, ok. Depois continuamos Lala. Digo me afastando.
No jantar daquele dia, a loira veio me contar a novidade, ela pareceu animada com a ideia de treinar com o general bonitão, se não me engano foi assim que o chamou. Estranhamente, na noite seguinte ela já não estava mais muito animada, e lançava olhares tortos para a mesa de Kanda, enquanto resmungava, ao ver as memórias dos dois acabei por desatar a rir, o que me rendeu um tratamento semelhante.
Os dias seguintes continuaram na mesma paz, de acordo com Komui, logo eles terminariam os testes e chegariam a uma decisão, preferi não perguntar quais eram as opções. Contudo a tranquilidade foi quebrada antes do esperado.
Acordei desesperada, eu sentia dor, mas não sabia de onde vinha, não tinha nenhum machucado e estava em meu quarto, sozinha e com a porta fechada, sentei-me, uma sensação estranha passou por meu corpo, senti meu estomago se revirar e tampei a boca, pulei da cama e corri para o banheiro ajoelhando ao lado do vaso, minha respiração estava pesada, fechei os olhos com força e então tudo voltou de uma só vez, abri os olhos e corri para fora do quarto. Não sei dizer o que me guiou, todavia cheguei à enfermaria antes mesmo de me dar conta de que não sabia onde ela ficava, empurrei a porta e entrei.
– Senhorita Kanashiro, o que faz aqui? Não se sente bem? Questiona a enfermeira preocupada.
– Onde… Onde está Chaoji? Minha respiração arde graças a corrida, ignoro-a.
– Kanashiro-san, se acalme, por favor, ele está bem, não precisa chorar. Ela me leva para uma cadeira, toco meu rosto e percebo que está molhado de lagrimas, desde quando estou chorando?
A enfermeira se vira para pegar água, meu peito aperta, sei onde ele está, me levanto e antes que ela consiga me alcançar corro até sua cama.
– Me desculpe! Chaoji, sinto muito. Toco seu rosto, minha visão embaça graças às novas lágrimas, vejo aquela mesma luz perolada, uma doce sensação de calma toma conta de mim.
– Fuyuki-san, por favor, você não pode… Sinto a enfermeira tocar meu ombro, meu corpo desaba.
– Você acordou, graças a Deus. Abro levemente os olhos, duas enormes orbes azuis me fitam, porém logo somem. — Enfermeira, rápido, Fuyu acordou. Ah, faz sentido, é Layla. Por que ela chamou a enfermeira, sinto uma mão em minha testa, abro novamente os olhos.
– Realmente, que ótima notícia, você nos assustou Kanashiro-san. Uma moça morena, que suponho ser a tal enfermeira, começa a fazer as checagens.
– Hey, o que aconteceu? Pergunto a inocência.
– Você é mais rápida do que eu pensava, conseguiu usar meus poderes mesmo sem ter sido ensinada, bom, atualmente eles estão sobre seu controle, ainda assim, isso foi irresponsável! Você ficou fora por dois dias.
– Dois dias!? Exclamo chocada.
– Está se referindo ao tempo que está aqui, foi sim. Mas como sabe disso? Olho desesperada para Foster em busca de ajuda.
– Eu a disse, estava justamente dizendo a ela que ficar tanto tempo assim desacordada estava deixando todos preocupados, quando ela acordou. A loira explica à enfermeira, suspiro aliviada.
– Foi a inocência? Questiona Lala assim que somos deixadas a sós, aquiesço, sei que ela não se sente muito confortável sobre o assunto, por essa razão não costumamos falar sobre isso. — Então é isso que ela faz?
– O que? Pergunto sem entender. Achei que falássemos sobre quem me disse sobre os dois dias.
– Você salvou um homem Fuyu, não se lembra de nada? Neguei com a cabeça. — A duas noites, um exorcista voltou extremamente ferido… Você o curou, e depois desmaiou. Ela completa apreensiva.
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