The warmth of Winter
11 Confronto
Notas iniciais
Eu observava Layla adormecida, sem duvidas, essa seria a parte mais difícil do plano.
– Tudo pronto. Me diz Kanda, olho para ele, que sustenta meu olhar, nós dois sabemos muito bem o que enfrentaremos daqui pra frente, porém, eu estou deixando uma amiga, e ele está indo encontrar o seu.
Aceno com a cabeça, levanto-me da cama, respiro fundo, e coloco o plano em prática.
– Lala! Layla! Acorde, akumas estão atacando. A loira acorda assustada.
– Akumas, onde? Aqui? Pergunta desnorteada.
– Não, eles estão na floresta, perto de onde estávamos. Ela veste o casaco, pega o arco, e nós três “corremos” para lá, eu fiquei para trás, pois meu pé ainda doía.
Ao chegarmos no começo da floresta, o moreno se vira para mim, engulo em seco e paro de andar, a Foster vira, já com o arco preparado.
– Onde eles estão? Questiona, mirando para todos os lados.
– Lala… Falo me aproximando dela, quando estou perto o suficiente, a abraço. — Me desculpe!
Implanto memórias de que enquanto voltávamos para a ordem, ocorre uma batalha, na qual um Akuma, ao perceber que eu estava machucada, se aproveitou e me raptou, Kanda sai atrás de mim, porém Layla não consegue acompanha-lo uma vez que ela está ocupada com seu próprio adversário, e assim nos separamos, ela desmaia em meus braços, coloco-a deitada no chão e beijo sua bochecha, sinto muito Lala, todavia, você não pode ir conosco, isso é algo que tenho que fazer sozinha, espero que você entenda.
– Vamos. Digo me levantando, eu e Kanda voltamos para a pousada em que estávamos hospedados, nós três dividíamos um quarto, o que facilitou muito a tarefa.
Depois que a loira dormiu, roubei metade das roupas dela, coisa da qual também tive de alterar sua memória, o general então desceu nossas malas, deixando a de Layla a mão, para que pudéssemos larga-la junto a ela, tive de ir ao quarto dos finders e alterar suas memórias também, e por ultimo, atrai a Foster para a floresta e alterei suas memórias. Uma vez que os finders iriam direto para outra missão, eu não tive de me preocupar com o fato de apenas Layla estar na floresta.
Mais cedo eu e o general já havíamos verificado os horários do trem, tínhamos passagem para o primeiro horário, o que ainda nos dava uma hora e meia, mesmo assim, fomos para a estação, acabei adormecendo no banco.
Novamente sou atormentada por um pesadelo, nele há um garoto sentado de costas para mim, ele toca um piano branco, sei que se trata de Allen, estico minha mão para toca-lo, contudo não consigo alcançar, decido então chamar pelo garoto, mas minha voz não sai, me desespero, tento me mexer, o que se mostra impossível, de repente estou afundando, o chão havia se tornado areia movediça, quando já estava afundada até a altura de meus ombros, consigo chamar pelo Walker, porém quando ele se vira, vejo o erro que cometi, o décimo quarto se aproxima com um sorriso sádico e me afunda o que falta. Acordo me debatendo, algo me prende, tento me soltar.
– Acalme-se! Para de se mexer. Reconheço a voz, e cesso o movimento. — Tch.
– Me desculpe! Digo na tentativa de me redimir, ele me solta, sento-me e percebo que todos nos olham, meu rosto cora profundamente. — Me desculpe, foi um pesadelo.
– Você estava gritando, e quase caiu do banco. Me informa o espadachim. — Você chamou o nome do Moyashi.
– Ele fazia parte do pesadelo, na verdade, eu acho que ele precisa da nossa ajuda o quanto antes, esse pesadelo me pareceu um presságio… Revejo todo o pesadelo em minha mente. - Eu acho que o décimo quarto está assumindo o controle. Falo preocupada.
Ficamos em silencio por alguns minutos, me sobressalto ao ouvir o apito do trem, Kanda levanta e pega as malas, o sigo, eu estou fazendo a coisa certa, digo a mim mesma, não vou abandonar nenhum exorcista, e nesse momento, quem mais precisa de mim é Allen.
Como não tenho certeza de onde o albino se encontra, decidimos que o mais inteligente, seria irmos primeiro para a capital, uma vez lá, podemos pegar trem para qualquer lugar.
– Tire seu uniforme. Diz o moreno, me tirando de meus pensamentos.
A inocência praticamente grita em meus pensamentos, reparo então na frase que ele havia dito e sinto meu rosto esquentar, chacoalho a cabeça para tentar me acalmar.
– A ordem virá atrás de nós, além disso, você não deve atrair a atenção dos akumas uma vez que não é capaz de combatê-los. Completa o general, sem perceber a confusão que eu havia feito, brigo com coração por fazer tamanho alarde, por algo bobo.
– Certo. Respondo me levantando e tentando pegar a mala, Kanda a coloca sobre meu banco, agradeço e me sento para procurar uma roupa. — Você tem alguma ideia do clima de Londres?
– Chuvoso. Eu tive de rir, é uma ótima resposta, uma vez que lá passa a maior parte do tempo assim.
Como estávamos no meio de abril, optei por uma saia longa com abertura do lado, azul marinho, que eu havia pegado de Layla e uma camisa de botão, meia manga e branca. Quando me virei, percebi que o moreno já estava tirando o casaco da ordem, ele realmente é despreocupado, penso comigo mesma.
– Kanda, vou me trocar no banheiro, ok? Falo, já abrindo a porta, ele acena com a cabeça, deixo o vagão e me encaminho para o banheiro.
Para minha sorte estava vazio, me troquei e ajeitei meu cabelo, que havia ficado mais bagunçado que o normal por ter dormido no banco, decidi sair. Ao abrir a porta me deparei com um casal, eles pareciam ter em torno de trinta anos, a mulher tinha cabelos curtos, ruivos e lisos, e trajava um vestido bege, o homem era loiro e usava uma camisa social, verde clara e uma calça marrom. Senti um arrepio percorrer da ponta de minha coluna até meu pescoço, eram akumas, percebi no mesmo momento em que a mulher veio para cima de mim. O motivo para ter escolhido aquela saia era que sua abertura facilitava o acesso a minha arma, consegui abrir a lança, acertando o estômago da ruiva, ela deu dois passo para trás e se transformou, mostrando então ser um level 2.
O banheiro era muito estreito, de um lado estava a pia, que ocupava praticamente a parede inteira, no espaço que sobrava ficava o lixo e pendurada na parede a toalha, no fundo do banheiro ficava o vaso, que ficava virado para porta, e mal tinha espaço para duas pessoas ali, eu precisava sair, do contrário eles me encurralariam. Usei a ponta da lança, cravei-a no akuma que era antes a moça, e a empurrei para trás, em direção ao corredor, ela agarrou minha arma, e então um calor insuportável começou a irradiar da mesma, tive de soltá-la, o Akuma aproveitou para arremessar minha lança longe, droga, tentei esquivar do soco que ela mirara em mim, contudo o tamanho do banheiro não permitiu, acabei caindo sentada no vaso, ela pulou em minha direção, escorreguei para o chão e passeio pelo meio de suas pernas, chutei suas costas, fazendo-a cair de bruços no vaso, tentei atingir a saída e a encontrei bloqueada pelo outro Akuma.
Agachei pronta para lhe dar uma rasteira, ele consegui se esquivar, aproveitei para tentar um soco mirando em seu queixo, todavia fui agarrada por trás, tendo meus braços imobilizados, era a moça, ela já havia se recuperado, o que estava do lado de fora se aproximou, ele tinha uma arma que se parecia a uma adaga Sai, mirou-a em meu estomago, no momento em que o monstro tomou impulso, joguei minhas pernas para cima, dando um mortal e me liberando, o que fez com que a adaga acabasse por atingir seu colega. Eu me encontrava agachada sobre o vaso, olhei de relance para a janela, pequena demais para opção de fuga, eu teria que sair pela porta, aproveitei o momento de confusão, e os usei como apoio, saltei para a entrada do banheiro e sai de lá, eles se recuperaram mais rápido do que esperei, mas eu já tinha conseguido minha lança de volta, a lança e a adaga se cruzaram produzindo um som metálico, assim que nos separamos a ruiva veio em minha direção, eu não teria como desviar, uma vez que havia acabo de me separar de seu parceiro, então algo passou ao meu lado e a atingiu em cheio, Mugen, pensei contente, no momento seguinte, o general desenterrava a espada do Akuma morto e partia para cima do outro, soltei um suspiro de alívio e cai sentada no chão.
Assim que a adrenalina deixou meu corpo notei que meu tornozelo latejava, pensei por um segundo, no quanto havia abusado dele, nesse momento Kanda se aproximou, dei um sorriso sem graça.
– Acho que não vou conseguir usá-lo por algum tempo. Digo apontando para meu pé. — Se importa?
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