Notas iniciais
Eu esqueci de comentar no capítulo passado, não sei se já estão sabendo, mas a Katsura Hoshino voltou a escrever. Eu li o 219, bom, foi meio chocante, mas ainda assim, pretendo tentar acopla-lo a história, porém não posso prometer nada quanto aos próximos, já que isso poderia mudar muito o rumo da minha história e eu gostaria de me manter fiel ao que já tinha planejado. Desculpem a nota enorme e boa leitura = )

Deito-me, olhando para a janela, após minha revelação, eles rapidamente mudaram de assunto, ninguém parecia confortável, então logo decidiram que deveríamos ir dormir, começou-se uma discussão sobre a divisão de quartos, mas no fim, ninguém pode discordar de Daniel, se haviam três moças e três rapazes, fazia mais sentido que fizéssemos dois quarto, um feminino e um masculino, desde o começo, o loiro nunca se sentira confortável em dividir o quarto comigo e Beatrice. No quarto as duas começam uma nova discussão, dessa vez em torno de quem iria dividir a cama comigo, que apenas se encerrou quando ambas reparam em quão cansada eu estava, Beatrice acabou cedendo e Layla deitou-se comigo.

Abro novamente os olhos, nem havia reparado que os fechara, devo ter cochilado em meio a meus pensamentos, viro-me e reparo na ausência da loira, sento na cama e tenho a impressão de que a outra cama também está vazia, levanto-me e vou até ela, confirmando que a morena também não está. Saio do quarto e paro, não sei se vou primeiro ao quarto dos meninos ou ao andar debaixo, depois de um momento, decido pela segunda opção.

Conforme desço os degraus, não consigo deixar de olhar para trás, mesmo sabendo ser paranoia, não consigo evitar a sensação de que estou sendo seguida. O ranger do degrau apenas colabora com o ar ominoso, assim que chego ao primeiro andar, sinto um arrepio percorrer minha coluna. Ao tocar meu pé no chão, sinto algo quente e úmido, o que me faz reparar que esqueci de calçar os sapatos, este porém parece ser o menor de meus problemas, retorno para o último degrau e agacho, tocando a mão no chão, ele está coberto por um liquido viscoso, trago minha mão para perto do rosto para avalia-lo, neste momento a luz da lua invade o local, e noto que o liquido que recobre o chão e agora meus dedos é nada mais nada menos que sangue.

O grito fica preso em minha garganta, o estado de choque é grande demais para que eu consiga até mesmo produzir um ruído. Acordo do transe ao me lembrar do motivo pelo qual desci, sinto meu estômago revirar com a possibilidade de aquele sangue pertencer a alguma delas. Sem mais me importar com a péssima sensação, corro até a entrada, por algum motivo sei se tratar do caminho certo.

A cena com a qual me deparo, me causa tontura, apoio-me no batente e sinto meu corpo escorregar até chegar ao chão, ao lado de fora o sangue se torna bem visível, e este cobre o corpo de todos os meus amigos, eles estão caídos sem vida e há sangue para todo lado, não consigo pensar, não consigo respirar, não consigo gritar, não consigo chorar. Sei que deveria desviar os olhos, mas nem disto sou capaz, apenas vejo o sangue carmesim sobre os corpos daqueles que me acompanhavam, ouço então uma risadinha vinda de trás de mim, viro minha cabeça e vejo um vulto se aproximando lentamente.

Assim que a luz da Lua incide sobre a figura, sinto meu sangue congelar, completamente manchada de sangue, com uma expressão de crueldade e sadismo, e uma lança que seria capaz de causar aqueles ferimentos, eu me aproximo cada vez mais dos corpos. Ouço um gemido baixo de dor, alguém ainda está vivo, me sinto tão aliviada que lágrimas vem a meus olhos, me levanto e corro em direção ao ruído, entretanto, vejo a minha figura suja de sangue passar em minha frente e por sua expressão, sei bem o que ela pretende, me jogo sobre ela antes que a mesma consiga alcançar sua vítima.

Ambas lutamos, ela para se livrar de mim e eu para detê-la, eu não fora capaz de proteger a todos, mas ao menos salvaria quem quer que seja que tivesse sobrevivido, custe o que custasse. Aperto seu pescoço com uma mão, e com a outra, pego sua lança, se aquela era a única maneira de para-la, então eu acabaria com ela.

FUYUKI!

FUYUKI!

FUYU-CHAN!

Abro meus olhos, e percebo que se tratava de um pesadelo, sinto tanto alívio que seria capaz de chorar, essa sensação, no entanto, não dura muito. A cena a minha frente não era menos estranha que a do sonho, Layla está encolhida na cama com a mão em seu pescoço e uma expressão assustada, Beatrice parece tão horrorizada quanto à loira, Daniel parece tentar acudir a Foster, mas também olha em minha direção com aparente desconforto, Aki tem uma expressão de partir o coração, ele parece arrasado, me pergunto onde está Kanda, mas logo percebo que meus pés não estão no chão, suponho então que o moreno esteja me segurando, a questão é, por quê?

Um som metálico quebra o silêncio do quarto, olho para o chão e percebo que eu deixara cair o que tinha em mãos, era a minha lança. Um grito horrorizado rasga minha garganta, mesmo sem explicação, eu já sei o que ocorreu, levanto minhas mãos e vejo novamente o sangue de meus companheiros nelas, começo a gritar e me debater, não, não pode ser, eu jamais os machucaria, nunca.

FUYU! Fuyuki, por favor, se acalme! Se acalme! O tom de voz e os olhos de Akihiko parecem hipnóticos, por um momento, há apenas ele no universo, e aos poucos vou cessando o movimento e não vejo mais motivo em gritar. — Vamos leva-la daqui, isso irá ajudar.

Não entendo o que ele diz, nem a quem se dirige, mas logo me sinto flutuando, é uma sensação bem engraçada, não estou me mexendo, mas estou me locomovendo.

Fuyuki. Volto do estado de estupor, ao reconhecer aquela voz, entendo que a sensação, não se tratava de nada menos que o general me carregando. — O que houve?

O sonho volta com força total, fazendo com que eu me encolha em uma bola, aterrorizada, tendo o moreno como referência, sei que estou tremendo, provavelmente, tremendo tanto que seria incapaz de ficar em pé.

Está tudo bem, aquilo foi um pesadelo. A culpa não é sua. Diz Aki, abaixando-se ao nível de meus olhos, quando Kanda me coloca sentada em um sofá.

Eu a machuquei. Nada parece ter coerência, tudo parece pouco nítido e desfocado. — Eu poderia tê-la matado…

Akihiko sai de minha frente, mantenho-me olhando fixamente para frente, tudo parece tão quieto, tão sem vida, é como se eu estivesse sozinha no mundo, não havia mais ninguém, não precisava de ninguém mais.

Sozinha…