The very last christmas
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O caminho de volta a estação de trem durante o inverno era reconfortante para a maioria dos grifinórios, exceto para um. Para ele, significava escutar as lamúrias, reclamações e depreciações dos puros-sangues. E como ele odiava essa denominação e o que ela significava em sua família. Por um segundo encontrou os grandes olhos de uma das primas em meio às serpentes, e até pensou em aproximar-se dela se não tivesse notado uma cabeleira cacheada ao lado de Andromeda. Sim, ele evitava Bellatrix quando alguém estivesse por perto. Não respondia por ele quando estava com ela, no melhor e no pior dos sentidos. James e Remus o acompanharam durante todo o caminho, discutindo sobre o último jogo de quadribol contra a Lufa-lufa e como eles deveriam melhorar as táticas de jogo contra a Corvinal. Já dentro da cabine, ele dava palpites corriqueiramente na conversa dos outros dois, mas eles já haviam notado que Sirius estava quieto demais.
Remus: O que foi, Sirius?
Sirius: Hã...? Nada.
James: Isso é por causa do plano? – Sim, ele já havia discutido sobre isso com os marotos há algum tempo e eles já tinham um consenso, mas isso não evitava que o Sirius se sentisse um pouco nervoso. Ele acenou com a cabeça positivamente. – Vai dar tudo certo, cara.
Ele saiu um pouco da cabine e foi para o fundo do trem, procurando um ar mais fresco, quando topou com a prima mais velha do lado de fora.
Bellatrix: Ah, é só você. – Ela o olhou com desdém e virou-se para a grade de novo. Ele se aproximou e tentou abraçar de leve a cintura da sonserina, que não demonstrou preferência ou resistência ao ato.
Sirius: Só eu? Não foi isso que você disse na-
Bellatrix: Eu sei o que eu disse, mas não pense que vai ganhar qualquer tratamento diferente vindo de mim depois daquele dia.
Sirius: Tá bom senhorita Bellatrix eu sou fria e calculista Black, o que está fazendo aqui? Achei que estivesse com a sua corja intimidando algum primeiranista.
Bellatrix: Eu queria me livrar de Rodolphus, ele é pegajoso demais. Ele acha que eu sou igual à Cissa. – Eles riram levemente da hipótese e logo ela ficou um pouco séria. – E você?
Sirius: Quis espairecer um pouco, sabe? Me preparar pra maratona de “você é a desonra da família” desse ano. – Ela deu um breve olhar de cumplicidade e se aproximou levemente do primo.
Bellatrix: Não se esqueça de trocar suas vestimentas, pode ser o tio Alphard que nos pegue, mas você sabe que toda vez que pisa em casa com o uniforme a tia Walburga se dedica a gritar durante o feriado inteiro a decepção de ter um grifinório na família.
Ela passou por ele e entrou no vagão. Ele ficou mais alguns momentos ali, repensando sobre o que ele levaria e como contaria que estava saindo de vez de casa. Não que ele não fosse mais o mesmo rebelde de sempre, na verdade ele estava louco pra se livrar da família, mas ainda sim era a família dele. Eram as pessoas com quem ele cresceu e se esforçou para agradar, por mais que não gostasse de admitir, mas todo aquele culto às famílias nobres enojava ele. Ele se trocou, voltou para a cabine, acertou os últimos detalhes da fuga e desceu, se despedindo dos amigos. Ele avistou o tio um pouco mais afastado, e abriu um sorriso enorme ao aproximar-se. Alphard era o tio favorito de Sirius, principalmente porque não ligava nem um pouco para a história dos sangues-puro nem para a família como a “nobre casa dos Black”, embora amasse muito a irmã, mãe de Sirius. As outras primas e o irmão os encontraram logo em seguida e aparataram todos juntos para o Largo Grimmauld 12.
Chegando lá eles foram recepcionados por Orion já no final da tarde. Eles entraram, comeram e conversaram sobre trivialidades. Os mais novos ficaram até altas horas comendo, conversando e brincando, Sirius foi o primeiro a se retirar, e esperou que os outros fossem dormir para se esgueirar.
Bellatrix pegou no sono enquanto jogava com Regulus, e por um instante pensou ter visto uma silhueta longa indo pro corredor e voltou a tentar prestar mais atenção no jogo, mas quando escutou um bater suave da porta da frente, ela levantou e foi até o corredor. Quando não achou ninguém, resolveu ir para o quarto e dormir num lugar mais confortável.
No dia seguinte, Walburga acordou cedo e ordenou que o elfo começasse com o café da manhã e foi chamar os filhos para descerem, como sempre. Ela adentrou no quarto de Sirius, o encontrando um pouco mais arrumado do que o comum. Ela abriu a porta do armário e não achou nenhuma roupa lá. Tinha um bilhete na cama que estava estranhamente bem feita.
“Talvez algum dia vocês me desculpem, mãe e pai.”
Ela acordou o resto da casa com um grito de ódio e várias maldições. As irmãs, achando que fosse alguma pegadinha do primo, deitaram outra vez e tentaram dormir, mas quando Regulus apareceu no batente da porta, elas viram que era algo mais grave.
Narcissa: O que houve? Por que essa gritaria toda?
Regulus: É o Sirius... Parece que ele fugiu de casa.
Andromeda: Deve ser besteira... Aposto que ele deve ter ido em algum daqueles shows trouxas com o James e o Lupin.
Elas se trocaram e desceram as escadas, ainda ouvindo a tia gritar, quando passaram pelo quarto do Sirius, encontraram a tia quebrando e azarando o quarto inteiro, sendo amparada pelo Monstro e o tio Orion. Elas foram para a cozinha, e Bella aproveitou-se da distração das irmãs para sair de fininho, pegando uma velha vassoura perto da porta. Ela foi até a praça, se certificou que não havia ninguém por perto e alçou voo. Ela imaginava mais ou menos onde ele estaria, visto que ele não era nem louco de não ter um plano.
Sirius, por outro lado, estava acordando naquele momento sem gritaria nem nada parecido. Ele estava no quarto de James, e por uma fração de segundo tinha até se esquecido de onde estava e o que fizera. Ele desceu sem fazer muito barulho e encontrou Euphemia Potter cantarolando e fazendo, acreditem se quiserem, comida com as próprias mãos.
Sirius: Bom dia, tia. É, eu posso te chamar de tia, certo?
Euphemia: Claro que sim, querido! – Ela chegou perto do jovem e lhe deu um abraço de mãe. – Eu quero que se sinta em casa, Sirius. Eu entendo como é ter uma família tão... Apegada a crenças antigas, mas aqui nós somos mais receptivos.
Euphemia havia sido uma mãe tardia, mas mantinha um coração do tamanho do mundo, e se solidarizava com a atitude do filho em trazer Sirius para morar com eles, já que ela mesma tivera uma educação contra sangues-ruim e nunca concordara com aquilo.
Sirius: Obrigada, de novo. Tem alguma coisa na qual eu possa ajudar?
Euphemia: Ah, eu já estou quase acabando aqui, mas você pode por a mesa e chamar o James. – Sirius foi pegando os pratos e James apareceu na soleira da cozinha, ajudando-o logo em seguida. O pai de James se juntou a eles no café e eles começaram a comer e conversar sobre a escola.
Bellatrix chegou em Godric’s Hollow e lhe custou um pouco a achar a casa dos Potter, mas o palpite foi certeiro quando viu uma senhora já de certa idade, que presumiu ser Euphemia Potter, abrindo a porta com uma expressão alegre.
Euphemia: Pois não, mocinha?
Bellatrix: Ehr... Sirius Black está?
Euphemia: Bem...
Bellatrix: Eu sou a prima dele, Sra. Potter, eu não contei a ninguém que ia vir até aqui.
Euphemia: Okay. Sirius, é pra você. – Ele se aproximou da porta, em seus pijamas e com uma mancha recente na blusa.
Bellatrix: Então foi aqui aonde você veio parar, primo?
Sirius: Bella... O que você tá fazendo aqui?
Bellatrix: Tentando te fazer criar juízo e te levar pra casa.
Sirius: Eu não vou, eu saí de lá justamente pra não voltar.
Bellatrix:... Como você saiu assim de casa, Sirius? Peça desculpa a tia Walburga, ela está inconsolável, é bem capaz que ela vá te aceitar de volta!
Sirius: Você não entende, não é mesmo? Eu não sou igual a vocês. Eu não sou preconceituoso, eu não coloco num pedestal o fato da nossa família torta ser uma das sagradas 28 nem tenho essa fixação estranhíssima de manter a linhagem pura! Eu não quero fazer parte disso.
Bellatrix: E o que você vai fazer? Vai viver aqui durante as férias? E depois, Sirius? E a sua herança? O seu futuro? E o nosso sangue?
Sirius: Eu não sei, eu improviso, ou sei lá! Eu só não quero ficar lá, eu odeio todos eles, Bella! Eles querem enfiar na nossa goela que nós temos que odiar todo mestiço ou nascido-trouxa quando isso não é verdade! Eles são gente igual a gente.
Bellatrix: Você está louco ou o que? Ela vai te queimar da árvore! Você ainda se lembra do lema da família?
Sirius: Não Bellatrix, a única louca nesse momento é você, por ainda ouvir o que eles têm pra dizer. Eu prefiro que ela me queime e me deserde do que continuar ouvindo as maluquices dos Black. E eu estou pouco me fudendo pro lema da família!
Bellatrix: Você não pode fazer isso! Você sabe o que está para acontecer e sabe o custo de ficar do lado deles.
Sirius: Eu já fiz, agora vai pra casa, Bella. – Ele deu um abraço na prima, que parecia ter sido petrificada, e entrou em casa, deixando-a do lado de fora. Com um suspiro, Bellatrix se preparou para voltar para o Largo e ouvir mais gritarias da tia, e também para abandonar ali mesmo todo e qualquer sentimento positivo pelo primo.
Notas finais
Obs: E eu sei que a personalidade do Sirius aqui não é a mesma que é descrita nos livros, mas eu quis tentar mostrar o lado mais inseguro dele, visto que a ideia de virar as costas pra zona de conforto que os pais criam em volta dos filhos gera um certo desconforto. E do mesmo jeito eu tentei fazer uma Bellatrix um pouco mais convidativa, visto que, no final de tudo, eles eram primos.
Fale com o autor