Notas iniciais
Effy se mostrou mais do que viva para seus amigos. Bom, para 4 deles até agora. Vamos ver até onde a incontrolável senhorita Stonem pode chegar!

Lembranças de James Cook. Por James Cook.
''Eu gritava alto, saltava de um lado para o outro, afinal era meu aniversário de 17 anos. Eram 6:30 da manhã, e eu sentia todos os os meus hormônios à flor da pele, parecia que algo grande estava para acontecer.
– Ei, pare de gritar, são 7 da manhã. Quer acordar todo mundo? — Disse Freddie.
– Ah, dane-se, cara! Hoje eu faço 17 anos, e nada vai mudar isso. — Eu disse, dando um saltinho para o lado.
– Mas não é com 18 que ficamos desse jeito, Cook? A idade maior, não é? — JJ retrucou, ao meu lado.
– Dane-se, JJ. Tanto faz, hoje é um dia importante! E vamos ficar muito chapados, certo? — Passei cada um dos meus braços pelo pescoço dos dois e me apoiei, dando um pulinho.
– Certo, senhor 17 anos! Vamos! — Disse Freddie, e todos rimos.
Lembro-me que aquele dia eu conheci a amiga retardada da Effy, Pandora. Ou Panda, como eu a costumava chamar, eu sempre a via de longe, nas sombras, ofuscada pela amiga. Ela era genial, engoliu toda a minha droga em segundos! Uau, toda vez que me lembro me bate uma nostalgia. Me lembro também que a amiga lésbica tinha ido, mas depois ela foi embora. Confesso, ela era gostosa, e eu a comeria, mas dava pra notar que se eu fizesse isso a Ems ia ficar mal. E a única coisa que eu evitava mais do que filhos, era briga entre meus amigos. Se é que me entendem, eu os amava pra caralho, só... Só nunca tive tempo pra demonstrar.''
–Porra, meu celular tá tocando. — Resmunguei em voz alta. — Mas que por...
– Cook? — Era a voz de Freds.
–Oi, cara. O que foi? — Senti minha amargura na voz, fazia 8 meses que não nos falávamos.
– Precisamos conversar. É sério.
– O que houve, Freds?
–Recebeu alguma encomenda nos últimos dias? Alguma coisa suspeita ou estranha?
–Não... Não que eu me lembre, não é? Mas espera, faz 2 semanas que eu não vejo minha caixa do correio.
–Porra, Cook.
–Calma, amigo. Vou lá embaixo dar uma olhada, te ligo em 5 minutos.
–Tudo bem. — Ele disse por fim. — Desliguei, peguei um cigarro da caixa e desci as escadas. Se é que me entende, eu moro do outro lado do país, Birmingham e convenhamos, faz bastante tempo que eu não recebo correspondências. Acho que foi um meio de fugir de tudo, principalmente dos fantasmas. Cheguei na portaria e perguntei ao porteiro se havia alguma coisa pra mim.
–Cook?
–Sim, senhor.
–James Cook? — Ele enrubesceu.
–Sim, eu mesmo. — Ele levantou os olhos, me fitou e deu um sorriso.
–Não é muito de receber cartas, não é?
–Sim. Mas isso não é da sua conta. Por favor. — Estalei a língua.
–Aqui. — Ele disse, por fim.
–Obrigado, Lorence.
–Disponha, senhor James. — Dei um aceno com a cabeça e saí porta à fora. O tempo já começava à esfriar, e eu sentia o asfalto gelado sobre os meus pés calçados. — Droga de lugar pra morar, hein. Pensei. Acendi o cigarro e me sentei sobre o murinho de concreto que serve de fachada para o condomínio. Olhei atentamente para o embrulho, feito de cortes de revistas. Deixei- o de lado e disquei o número de Freddie.
– Freds?
–Oi, e aí? — Sua voz aparentava ansiedade.
– Tem um embrulho aqui comigo. Parece que o recebi à uns dois ou três dias. O porteiro parecia encabulado.
– Como é o embrulho? -Ele perguntou. Dei um trago no cigarro e olhei para o pacote com atenção.
– É pequeno, cara. Parece que a pessoa usou cortes de revistas. — Senti um silêncio constrangedor pairando.
–Freds?
–Leia, Cook. Me ligue assim que der, okay? — Se cuide.
–Seu filha da puta! — Ele desligou. — Porra.
Abri o embrulho e havia uma carta preta com selo roxo, e em negrito, bem grande, havia uma frase que eu sem dúvida, nunca iria esquecer.
''I'm not scared.''
Li a carta umas duas ou três vezes, tinha um nó se formando na minha garganta. Tirei uma foto de dentro do pacote, uma foto nossa, no barco do meu pai. Esse dia ela me prometeu que não ia embora, não se eu não fosse, e eu soube ali que não adiantaria gostar dela, o coração dela era pior que o meu, porém o dela sangrava. E sangrava por Freddie.
Effy estava viva, disso eu sempre soube, sou o Cook porra, ninguém brinca comigo, mas ela brincou e mais uma vez eu caí no seu jogo. E por incrível que pareça, eu gosto dos jogos dela.
–Droga Effy. — Pensei. — Por que tem que ter que ser tão idiota? -Vamos Cook, pense. — Disse uma voz na minha cabeça.
Peguei o celular e disquei o número da Ems.
–Alô?
–Ems?
–Cook? Ai meu Deus, é você mesmo? Naoms, é o Cook, venha até aqui. — Ela gritou do outro lado da linha.
–Sou eu sim. — Abri um sorriso. Eu gostava da Ems. Foi a única que eu não tentei transar e acho que é por isso, não é? — Ri por dentro. — Coloque no viva voz, baby.
– Pronto. — Naoms disse.
–E aí suas lésbicas. Podem me arrumar um canto quando eu voltar pra Bristol?
–Pra quê, Cook? — Naoms soltou com uma certa rispidez. — Não está fugindo da polícia de novo, né?
–Ei, calma, Campbell. — Eu retruquei. — Preciso ficar em algum lugar, por que vou voltar pra rever nossa querida Effy. — Alguém suspirou do outro lado.
– Receberam a carta, certo?
– Certo. — Ems disse baixinho.
–Okay, então. Parto em duas horas. Esperando que vocês não morram de câncer com o tanto que fumam aí, espero vocês naquela praça que a gente costumava ir na época da escola. Às 20hr.
–Fechado então, Cook. — Ems disse.
– Até mais tarde, crianças. Titio Cook está à caminho. — Desliguei.

Me sentei no murinho novamente e dessa vez aspirei com força o cheiro das flores, fechei meus olhos e me imaginei com 17 anos. Hoje com 21, eu sinto falta, falta dela, falta de todos, falta de viver.

Subi para o quarto e arrumei minha mala com calma, fumei mais alguns cigarros, peguei o passaporte, os documentos e me dirigi até o táxi. Descendo as escadas pude ouvir um murmurio vindo do quarto ao lado. A mulher parecia chorar, enquanto uma voz retumbava alto, e pelo que me parecia, era um rapaz colocando toda a sua fúria para fora. Parei ao lado do vaso de plantas, e esperei.
–Não acredito que você pôde fazer isso. De novo? Eu confiei em você! — Ela gritava.
– Eu tentei, Cassie. Eu juro que tentei. — Ele dizia, agora com a voz mais calma.
–Vá embora, por favor! Não quero me meter nessa história, não de novo. Por favor, diga à eles que não posso voltar. Não agora. Por favor, vá! — Ela parecia chorar.
–Vai nos deixar? Ele precisa de você, e você sabe!- Agora a voz dele saía embargada. Não sei se de mágoa, ou de choro.
– Eu não sei... — Se fez um silêncio. — Me deixe sozinha, só isso. — Silêncio novamente. E a porta bateu com força.
–Pare de foder com os seus vizinhos e vá ajudar seus amigos, Cass!- Ele gritou. — Me abaixei rapidamente, fingi amarrar meu cardaço e fiquei ali por uns 15 segundos, até ver por entre o assoalho a sombra das pernas dele. Me levantei, peguei minha mala e desci.
– Lorence, eu vou ficar fora por mais um menos uma semana. Qualquer coisa eu ligo.
– Tudo bem, senhor James. Disponha. — Olhei para as minhas mãos enquanto ele finalizava tudo, no momento em que ia entregar-lhe as chaves, senti uma cotovelada nas costas.
–Mas que porra...? Me virei e dei de cara com o mesmo rapaz.
–Oh. Me desculpe. É que costumo olhar pra baixo enquanto ando. — Ele disse. Tinha uma expressão de culpa no olhar.
–É que er... Tudo bem, cara. — Entreguei as chaves para o porteiro sem tirar os olhos do tal rapaz, ele aparentava ser mais velho que eu, talvez uns 3 ou 4 anos, mas nada além, era bem branco, magro, braços finos, usava óculos quadrados, daqueles meio fundo de garrafa e usava uma touca preta por cima da cabeleira desgrenhada. Parecia ter um olhar distante, perdido, ou talvez estivesse chapado. Peguei minhas coisas, dei um aceno com a cabeça para Lorence e um para o rapaz. Eles retribuíram e eu saí.
Coloquei minhas malas no carro e fui até a janela do motorista, era um cara gordo, com uma barba mal feita, bermuda caqui, uma regata branca e sandálias ao invés de sapatos. Tipico para o frio daqui. Me peguei pensando em como ele conseguia.
– Ei, amigo. Vou fumar um cigarro e já entro.
–Tudo bem, irmão. Relaxa!
Acendi um cigarro e me encostei perto do carro, logo vi que o tal moço do apartamento se aproximava, mudei minha postura e sorri pra ele.
–Sidney, ou Sid. — Ele me estendeu a mão, e eu a apertei.
– James, ou Cook. — E ele sorriu. Ficamos em silêncio, pelo que me pareceu um longo tempo e quando finalmente criei coragem de perguntar algo, ele foi mais rápido.
–Bom, mas e aí. Para onde está indo?
–Vou pra Bristol. Rever uns amigos. — Sua expressão mudou, de serenidade para curiosidade.
– Sério? Eu vou pra lá, também. Ajeitar umas coisas e tal.
–Corrigir alguns erros? — Perguntei e ele assentiu.
–Entendo... Que horas é seu voo?
– Acho que às 19:30. E o seu?
– Mesmo horário, cara.- Dei o último trago. — Venha. — Toquei em seu ombro. — Te pago a carona.

Notas finais
Esse capítulo ficou meio curto, mas espero que a criatividade venha o mais rápido possível, hue. Por enquanto é isso!