The secrets about me
5 Principezinho
Notas iniciais
Acordei com Tyn me chamando, parece que não teríamos o verdadeiro luxo de morar no palácio como o idiota do principezinho havia dito. Pelo que haviam falado, os criados já tinham voltado para casa, perto da família. Só nós não tínhamos esse verdadeiro luxo.
–Vamos Maree.-Tyn disse.-Já são 5:20!
Fui olhar no espelho, eu estava horrível.
–Pode ir Tyn, devo me atrasar um pouco.-ela foi.
Me arrumei o mais rápido que pude, mas mesmo assim cheguei 15 minutos atrasada para o café. Quando cheguei na sala, o principezinho foi em minha direção.
–Parece que a garota dormiu demais.-falou com desprezo para mim.-Somos rígidos em relação aos horários.-ele gritou para que todos ouvissem e eu pagasse mico. -Se vocês não receberam o panfleto,-continuou-ou são idiotas mesmo,-falou para que apenas eu ouvisse.-avise-nos.-todos olharam para mim, eu sentia meu rosto queimando, mas não era de vergonha, era de raiva. Aquele garoto pagaria caro.
Sentei em um lugar vago ao lado de Tyn. Comemos em silêncio. Depois fomos para a sala de aula, segundo os horários teríamos todas as matérias todos os dias. E graças a Deus o principezinho não assistiria as aulas conosco, ele era mais velho e mais avançado. Assistimos à aula de química e matemática, e agora viria a aula de história.
–Bom dia.-disse Daven ao entrar na sala. Não acredito que ele seria meu professor ali também. Mas não pude deixar de sentir um pouco de alívio de saber que ele estava bem.-Sou o Sr. Wynne.-e daí ele começou a aula.
As outras aulas foram se arrastando, quando terminaram eu estava cansada e ia andando para a saída daquele prédio. Foi quando uma mão me puxou para dentro de uma sala.
–Ei.-falei antes de ver Daven com um sorriso enorme.-Você está bem?
–Sim.-respondeu.-Eu já tinha uma profissão, então vou continuar sendo professor.
Uma batida na porta nos interrompeu.
–Sr. Wynne?-reconhecia aquela voz, não tinha como esquecer. Era do principezinho.
–Pode entrar.-Daven respondeu, em seguida o garoto entrou.-Só estava tirando uma dúvida da Srta. Pennegyn.-O príncipe me olhou com os olhos semicerrados.
–Garota.-disse tentando parecer educado.
–Principezinho.-falei no mesmo tom. Ele tentou ignorar.
–Só vim avisar que o treinamento e os testes serão mesmo no horário marcado no panfleto. E o Sr. não dará aula no seu primeiro tempo da tarde, porque os testes serão prolongados.
–Certo.-Daven respondeu.-Obrigado Sr. Frowall.
–Não há de que.-foi a resposta do garoto.
–E quanto a Srta., sua argumentação foi ótima e pesquisarei mais sobre o assunto.
–Ok.-respondi, o príncipe se virou para sair.
–Vejo como vocês se dão bem.-Daven cochichou.-Tome cuidado, ok?Ele é o príncipe.-assenti com a cabeça. Comecei a ficar com raiva, não é porque ele é o príncipe que pode ser um idiota.
–Obrigada professor.-falei antes de me virar para sair também.
–Que argumentação?-o garoto perguntou quando sai da sala.
–Não te interessa.-respondi grosseiramente.
–Eu sou o príncipe, você me deve respeito.-Eu estava começando a irritar ele.
–Eu não te devo nada, principezinho!
–Parece que seus pais não te educaram bem.
–Vá ao inferno, príncipe.
–Parece que toquei no ponto fraco.-provocava com uma risada forçada.-Vai chorar garotinha?-eu estava com raiva, com muita raiva. Só fechei a mão e o acertei em cheio no rosto.
Ele colocou a mão no local onde o havia acertado e a tirou com sangue.
–Precisa treinar mais garota.-mesmo sangrando ele conseguia ser muito idiota.-Isso não machuca nem uma criancinha.-tentei me aguentar para não xinga-lo, não daria essa satisfação a ele. Então simplesmente me virei e sai andando. De longe consegui ouvi-lo gritar "Agora vai embora né? Sabia que você era fraca na hora em que te vi."
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Estava diante do rei, ele que faria meu teste para descobrir se eu realmente era imune ao vírus, ou se eu possuía uma peculiaridade.
–Boa tarde.-ele disse.
–Boa tarde!-respondi.
–Gostaríamos de tirar um pouco de seu sangue para analisarmos e obtermos resposta sobre a Srta.
–Claro.-falei, eu estava realmente feliz pelo rei ser simpático como eu imaginava.
–Maree Pennegyn, certo?
–Sim.
–Meu neto fala da srta.-Antes que eu pudesse falar qualquer coisa colocaram uma seringa em mim. Senti uma certa dor, não imaginava que fossem colocar aquilo tão de repente.-Foi bom conhecê-la.-o rei disse assim que tiraram a seringa da minha pele.-Jenn é um bom garoto.-falou sorrindo. Ele parecia se divertir muito sabendo de minhas brigas com seu neto.
Sorri de volta e sai da sala. Ficamos cerca de 20 minutos esperando todas as retiradas de sangue acabarem.
–Boa tarde.-o rei gritou indicando sua entrada no salão.-Gostaria de informa-los que os senhores e senhoritas já fizeram a sua parte e agora serve a nós estudarmos as condições dos senhores. Amanhã serão os treinamentos, é basicamente uma aula de educação física enquanto vocês não sabem seus...-ele fez uma pausa.-poderes, digamos. Agora, podem ir para as aulas.
Minha próxima aula era de inglês, com um rapaz que parecia ter menos de vinte anos, Sr. Huger foi como se apresentou. A aula foi bem interessante, teríamos que ler um livro de nossa preferência e falarmos sobre ele.
Na hora do jantar recebi um bilhete de Daven.
Me encontra as 21:00 no jardim.
Eram 20:50 e eu estava lá esperando por ele.
–Oi.-a voz dele vinha de trás. Me virei.-Você tá linda. Como está andando as coisas com Jenn?-fiz uma careta a menção daquele nome. Ele entendeu o significado.-Por que vocês se odeiam tanto?
–Ele é um idiota.-respondi.-Só liga para si mesmo. O garoto teve a cara de pau de falar que nós deveríamos estar super felizes de estarmos aqui.-Eu tinha que controlar a raiva.
–Te entendo.-foi o que Daven disse. E me puxou para si, eu estava com a cabeça em seu ombro.
–Eu te amo Daven. Sério, você não tem noção do quanto eu te amo.-eu estava segurando as lágrimas.
–Tenho sim. Também te amo Maree!-ele me olhou e me beijou.
Estava o mais completo silêncio, até uma voz que eu conhecia muito bem dizer debochadamente.
–Professor e aluna. Isso pode?-Daven e eu nos afastamos, parando o beijo.
–Desculpa príncipe.-Daven começou.-Foi coisa do momento, não esperava que o senhor...
–Quieto!-o garoto interrompeu.-Não pedi sua explicação.-eu tentava dizer algo, mas nada saia da minha boca.-Vocês deveriam ser expulsos.-Não podia deixar isso passar dos limites.
–Eu adoraria!-falei por impulso.-Mas não o tire daqui, eu lhe imploro.-tentei consertar.
–Isso eu adoraria ver.-o príncipe debochou.-A garota implorando...-riu.
–Deixe-a em paz!-Daven gritou.
–Que lindo a idiotice dos dois. Gritando comigo para proteger o outro.
–Isso se chama amor.-Daven disse.
–Algo que você nunca deve ter sentido, e provavelmente nunca será capaz de sentir.-completei. O principezinho estava ficando vermelho de raiva. Parece que estávamos vencendo, 1x0 pra gente.
–Eu amo.-o garoto balbuciou.
–O principezinho é capaz de amar? Estou chocada.-falei quase rindo.-Quem é a infeliz?
Ao invés de me responder o garoto simplesmente bateu em Daven. Por que aquele idiota fizera isso? Eu estava com raiva e chorando, eu e ele estávamos oficialmente em guerra.
–Não se metam mais comigo! E se eu ver vocês juntos juro que bato muito mais nesse idiota. E ele nunca mais será um professor na vida.
–Por que? Por que você fez isso?-perguntei entre soluços.-Sua guerra é comigo não com ele.-o garoto sumiu sem me responder.-Se você realmente ama vai entender, eu não posso ficar longe dele!-gritei tentando fazer com que Jenn escutasse. Foi em vão.
–Eu não ligo se ele bater em mim ou me tirar de meu cargo para sempre. A única coisa que me importa é ficar com você.-Daven sussurrou.
–Eu não serei a responsável por sua infelicidade.
–Eu nunca estarei infeliz se estiver ao seu lado.-fingi não ouvir. Eu não poderia mudar de ideia, não poderia ser egoísta, era o certo para ele. Agora entendia Leonard.
–Vou te levar para o seu quarto.-foi minha "resposta".
Chegando ao meu quarto, desabei. Não aguentava me fazer de forte, eu o amava, não poderia fazê-lo perder tudo. Não poderia pensar apenas em mim, ser egoísta. Teria que ser como Leonard, ser forte como ele. Quanta falta ele me fazia, como o queria por perto para me dizer o que fazer. Foi aí que me lembrei do presente, não havia aberto ele até agora.
Peguei o embrulho e o abri, dentro havia um cordão com uma pedra linda com uma tonalidade azul claro. Experimentei o colar, coube perfeitamente, ainda havia um anel transparente e um bilhete.
Lrv mvqhuvlvl, rllxn zvnv kvzh. Nxegr kxqr h ltr yvuzr. Whniuh-lh kxllv, ch rnv! Whveruq
Khunhwgv — Nvucv
Ratw zwruv — Ihn
Khuqh — Vcxnv
Uvsv — Qvhech
Muhcv — Yhuxqv
Era para eu descobrir o que significava, o que ele escreveu acima não fazia sentido para mim, mas as palavras eram fáceis de se traduzir. Estavam escritas em um uma língua que eu era talvez mais fluente que o próprio inglês: era a nossa língua, não era uma língua oficial, mas eu e Leonard conhecíamos cada regra e palavra dela, afinal, nós a havíamos criado. Traduzi:
São poderosos, assim como você. Minha vida e sua força. Lembre-se disso, te amo! Leonard
Vermelho — Morto
Azul claro — Bem
Verde — Ótimo
Roxo — doente
Preto — Ferido
Mesmo traduzindo não fazia sentido para mim, olhei para o colar, estava azul claro, será que significava que ele estava bem? Era bem improvável, mas eu desejava com todas as minhas forças que a carta quisesse me fazer entender isso. Mas sobre o anel...tinha haver com meu poder. Mas que poder? Leonard sempre enxergou além do real, sempre me fez parecer mais forte. Mas não passava de sua imaginação.
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