The secrets about me
3 O novo professor
Sempre imaginei o dia em que voltaria a vê-lo. Achava que não iria reconhecê-lo por estar com barba grande, bebendo com os amigos, rindo alto, com garotas ao seu redor. E muito mais imaturo do que quando o deixei. Não sei por quais motivos duvidei de sua capacidade. Ele estava igual, só que de terno e muito mais maduro do que parecia. Ele havia crescido.
—Ele é gato!-Tyn virou para me dizer.Acho que ela percebeu minha expressão, porque logo completou. -Não acredito que está apaixonada por ele só de olhar.
—Não estou apaixonada!-disse sem tirar os olhos de Daven.
—Conheço esse olhar. Só dirigiu ele para Daven, quando estava apaixonada por ele.
—Sr. Wynne...-falei baixo demais,mas ela ouviu.-Sabia que conhecia esse sobrenome de algum lugar.-ela parou de me olhar e dirigiu o olhar a Daven, como se estivesse tentando encaixar as peças do quebra-cabeça. Então ela virou rápido e me olhou como se estivesse confusa, triste e amorosa ao mesmo tempo.
—Daven é nosso professor de história?!-ela perguntou meio que afirmando.-E você ainda está apaixonada por ele?-ela estava um pouco com raiva, mas triste por mim. Eu não contara para ela sobre não ter esquecido Daven. Porque achava que isso ocorreria cedo ou tarde. E não queria preocupar minha melhor amiga.
—Classe.-falou Daven.-Sou Sr. Wynne, o professor de história de vocês.-As meninas ficaram de boca aberta.-Gostaria que cada um de vocês se apresentassem. Quero nome e um sobrenome, idade e saber quem é novato aqui. Por ordem.-concluiu e apontou para a primeira garota da fila.
—Me chamo Wandy Hord. Tenho 17 anos e sou novata.
—Sou Peter Gyn. 17 anos.
As pessoas foram falando. E conforme ia chegando minha vez, ia me escondendo atrás de Tyn.
—Sou Ashtyn Fain.Tenho 16 anos.-enquanto Tyn ia falando, pareceu que Daven se lembrava dela,mas não tinha tanta certeza.
Por fim,chegou minha vez. Me levantei envergonhada. Quando nosso olhar se encontrou, deu para perceber algo o atingindo, mas nao saberia descrever. Tentei desviar o olhar, mas não conseguia. Como eu sentira saudade dele!
—Me chamo Maree Pennegyn, tenho 16 anos.-me sentei e abaixei o rosto.Conseguia sentir os olhares em mim,as pessoas sentiram a tensão. Mas também sentia o olhar de Daven sobre mim.
Era impressionante, como em apenas alguns minutos algo que você passou anos fazendo é destruído. Foi apenas vê-lo que tudo o que passei cinco anos tentando esquecer voltou, se é que tinha saído.
O sinal tocou. A aula havia acabado e eu poderia ir finalmente para casa, depois desse dia...
—Espere.-Ele falou bem baixo quando passei por ele.
O que poderia fazer? Então resolvi esperar. Se passou uns cinco minutos até que o último aluno saísse. Daven foi até a saída e fechou as portas. Se virou para mim.
—Por que?
—Era o certo. Eu tinha que me afastar! Me descul...-ele me abraçou,eu fiquei atônita e nem terminei a frase. Como eu sentira saudade de seu abraço.
—Eu que não persisti. Fui fraco! Você é como uma irmã para mim...- isso doeu.-mas mesmo assim te deixei ir.-disse por fim.-Eu senti saudades!-Ele disse já fora do abraço me olhando.- Você não tem noção.
—Tenho sim. Eu também senti sua falta.- admiti.
—Mas então... Por que?-ele estava confuso.
—É melhor conversarmos em outro lugar.-ele assentiu.
—______,____________,__________
Estávamos no seu apartamento. Mais uma prova de que eu o havia julgado mal. Ele realmente havia crescido, ganhava o próprio salário, e vivia sozinho-ou com a namorada.-doeu pensar isso.
—Então...-ele resolveu quebrar o silêncio.-Por que você se afastou?-fiquei vermelha.Eu não podia falar para ele.-Maree...-ele percebeu que eu não ia falar.-Você me deixou! Você não ligou para os meus sentimentos!
—Eu estava me protegendo dos meus próprios sentimentos!-o interrompi, falando sem pensar.
—Como?-ele estava voltando a ficar calmo.-Que sentimentos?-ele estava se aproximando.
Eu fiquei parada, quando ele percebeu que eu não iria responder, e conseguiu entender quais seriam os sentimentos, resolveu perguntar.
—Caramba. Eu não acredito que agora, depois de cinco anos vou te perguntar isso.-ele estava muito perto,a cerca de um palmo de distância.- Mas...posso te beijar?-ele nem esperou minha resposta.
O mundo tinha parado, não ouvia nada, e eu só sentia meu corpo grudado ao dele, como se fossemos um só. Eu esperaria mais cinco anos se fosse preciso, só para ter mais um beijo dele. Mas ele aos poucos foi se afastando, ele estava sério, e foi aí que entendi o motivo, e também fiquei.
—Desculpa.-ele foi o primeiro a falar.-Eu não deveria ter feito isso, você é minha aluna.
Eu estava segurando o choro, mas não consegui. Lágrimas começaram a rolar pela minha bochecha. Eu realmente o amava! Meu coração estava brincando comigo.
—Não, por favor! Eu não sei o que fazer, não aguento te ver chorando. -ele fez uma pausa.-Eu te amo!-e então sem se importar com meu rosto todo molhado, manchado de rímel, meu nariz escorrendo, o fato dele ser meu professor e de há cinco anos atrás nós(ele) nos considerarmos irmãos, ele me beijou.
Fomos interrompidos pelo som familiar avisando que teríamos que ir ao teatro. Era uma fala real, por mais que houvesse ministro e nossas vidas não fossem como as das histórias(em relação a ter um rei),ainda tínhamos a obrigação de ir -sempre que esse barulho ecoa pelo país-em direção ao teatro mais próximo. E era o que Daven e eu estávamos fazendo. Mas ele havia se afastado de mim, não sentaríamos juntos, não poderíamos.
—Boa tarde cidadãos de Bertham.-o rei,um senhor de idade, mas por quem sempre tive muita simpatia, falava.-Hoje venho avisar vocês de uma péssima notícia.Tem morrido pessoas por toda a parte, com uma espécie de vírus, e minha nora, esposa de meu filho mais velho, Finn, foi vítima desse vírus.-ele fez uma pausa.-Estamos estudando o vírus e parece que algumas pessoas que nasceram há no máximo 23 anos são imunes a ele. Meu neto, Jenn, resolveu se oferecer para participar dos testes. O que comprovou que alguns serão imunes ao vírus e mais, possuem peculiaridade.-ele parou de falar por um instante,enquanto todos murmuravam.-Todos os habitantes com menos de 23 anos irão para o palácio, para testes e melhorar a educação, caso reste apenas vocês.
Nossa cidade possui poucos habitantes e o palácio é enorme, certamente teremos luxo lá. Talvez eu não tivesse nada a perder, mas tenho. Meu irmão mais velho, Leonard, ele tem 24 anos. Um ano a mais que a idade imune, eu o perderia! E não suportaria. Ele foi meu pai,mãe e irmão ao mesmo tempo. Perdemos nosso pai e mãe em um incêndio, não os conheci.Eu era bebê. E ele ficou no controle das coisas, cuidou de mim, me deu comida, bebida, estudou, brincou comigo. Eu amo meu irmão e não suportaria perdê-lo. Eu NÃO vou ao palácio!
Fale com o autor