The royal family have a terrible taste for women
2 Era uma vez
— Não acredito nisso! — grita a princesa, furiosamente abrindo a porta de seu quarto e a fechando de volta com força
— Bem vinda de volta. — cantarolo sem dar importância para ela me mantendo focada no livro que eu estava lendo
— Não vai acreditar no que meu pai fez dessa vez! — pula na cama e aterrissa perto de mim
— Ah, não, parece terrível mesmo. — digo sem empolgação ainda lendo atentamente
— É serio! — ela parece um pouco irritada
— Ok, ok... — abaixo o livro encima do meu peito e olho para ela — O que ele fez dessa vez?
— Ele me obrigou a ir num baile!
— Ah! — digo com uma voz surpresa e a mão na frente da boca, mas ainda com expressão neutra no rosto — Que terrível, e eu aqui achando que gente rica não tinha nenhum problema
— Pode parar de brincar um segundo? — ela pergunta desanimada enfiando a cabeça no meio das cobertas da cama
— Qual o problema? E só um baile, você já foi em vários
— Mas dessa vez ele convidou vários príncipes de reinos distantes. — ela fala com a voz sendo abafada pelos lençóis onde ela havia enfiado o rosto, meu coração dá uma descompassada, eu já sabia onde essa conversa ia acabar, então antes que ela dissesse, eu me precipitei para que não doesse tanto quanto se saísse de sua boca
— Propostas de casamento, hum? — tento me manter na maior neutralidade que eu poderia, mas só eu sabia o quão dolorosa essas palavras foram
— Ele está tentando me usar como moeda de troca de novo! "Ah, sejam bem vindos, sejam bem vindos, essa daqui é a minha filha, ela vai fazer 16 e é muito bonita, vocês não querem leva-la e me prover uma aliança economicamente financeira em troca?" — ela fala imitando seu pai com um tom de voz ridiculamente estupido, eu mordo minha língua me segurando para não fazer ou dizer nada imprudente
— Então... por que não faz eles não gostarem de você?
— Na verdade... essa é uma ótima ideia. — ela levanta a cabeça sorrindo
— Mesmo? — pergunto confusa, pois tinha certeza que essa era, na verdade, uma ideia muito ruim que traria problemas para nós duas
— Isso, eu posso simplesmente agir de forma sutil e incrivelmente irritante, assim eles não vão querer falar comigo! — fala animada — Você pode ate mesmo vir comigo!
— Não, eu acho que não
— Por que?
— Seu pai já odeia quando eu venho pra cá. — digo olhando o grande quarto em volta — Não imagino que ele ira pular de alegria se eu fosse ao baile também, você já tem ate que me emprestar suas roupas quando eu venho pra cá porque ele sempre reclama de como eu me visto
— Quem se importa com ele? Eu quero que você vá comigo. — ela segura minhas mãos contra as dela e me olha com aquela cara de cachorrinho triste — Você não quer?
Isso é mal, muito mal, sinto que não estava raciocinando direito assim, ela estava jogando baixo comigo para me manipular e eu, como sempre, dançava o ritmo que ela escolhia bem na palma de sua mão.
— Tudo bem... — eu cedo desviando o olhar
— Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada! — ela repete me abraçando forte e eu suspiro dando um tapinha em suas costas — Ei... — a animação dela para de repente — Você não quer dormir aqui hoje? — diz timidamente
— O que? — pergunto mais surpresa do que deveria, me forço a manter a calma novamente enquanto finjo limpar a garganta com um barulho um tanto alto
— Sabe,... só por cauda do baile, você pode ficar aqui e se preparar para amanhã à noite comigo
— Quanto tempo você acha que eu vou ficar me arrumando?
— Vamos, por favor, nós podemos dormir abraçadas como quando éramos crianças. — abre os braços pra mim
— Não tenho certeza, meu pai não sabe que eu vou estar aqui e ele me pediu para comprar comida para o jantar na volta... — ela pega um sininho no criado-mudo e o toca 2 vezes, em poucos segundos, um dos seus mordomos bate à porta pedindo licença e entrando
— Chamou, senhorita? — ele se curva diante dela
— Será que poderia pegar a carruagem e dar o recado ao senhor Nithercott, o ferreiro, avisando que a filha dele irá passar a noite no castelo?
— Certamente, senhorita
— Ah, e pegue algumas moedas de prata e compre alguma comida como um presente meu para ele
— Agora mesmo, senhorita. — ele se curva novamente e sai do quarto fechando a porta
— E agora? — me olha sorrindo
— Pode mandar eles destruírem o rei demônio também? — dou uma risada
— Até gostaria... — sorri tristemente — Se ele não tivesse aparecido....
— Ei, ei... — eu fico de joelhos na cama e me aproximo dela colocando uma mão em se ombro — Ninguém poderia prever que algo assim voltaria em tão pouco tempo
— Mas se não tivesse vindo... minha mãe continuaria aqui, eu não estaria sendo tão pressionada a me casar com algum palhaço real apenas para aumentar o numero dos nossos soldados junto com os de outro reino, foi tudo tão rápido que... — ela se interrompe batendo os punhos no travesseiro, algumas lagrimas começam a se formar nos seus olhos por conta da frustração, eu apenas a puxo para uma abraço e acaricio sua cabeça
— O que aconteceu com a sua mãe foi.... ninguém imaginaria que tantos monstros poderiam atacar o reino assim do nada, o nascimento do rei demônio é um desastre inevitável, mas ei... — levanto o rosto dela e seus olhos se encontram com os meus — Fique sabendo que estão montando uma linha de frente com soldados e cidadãos com habilidade de espada para abrir caminho até o mar, se formos capaz de criar um caminho até o litoral e fazer um porto, então boa parte dos problemas vão embora, principalmente os econômicos! — sorrio tentando anima-la
— Tem razão... — ela suspira — Que princesa patética que eu sou.... — sorri tristemente mais uma vez
— Eu não acho. — murmuro para mim mesma
— Mas ainda assim... — ela se joga para trás na cama e se estica — Eu seria forçada a me casar de algum jeito
— O que quer dizer? — pergunto deitando ao seu lado
— Se nosso reino for mesmo capaz de abrir caminho ao litoral graças aos "valentes heróis"... — fala em tom de desgosto — Eu provavelmente vou ser vista como uma premio a ser entregue ao "herói" de maiores feitos durante a missão, então no lugar de me casar com um palhaço real, eu me casaria com uma homem de meia idade com um cérebro de mosquito
— Isso é... — começo a falar em tom irritando, mas logo me dou conta de uma coisa — Brilhante... — sussurro pra mim mesma
— O que disse?
— Ah, nada, apenas disse que era uma absurdo. — tento disfarçar
— Eu sei disso... — coloca um travesseiro no rosto e começa a fazer grunhidos irritados como se discutisse com alguém
Era o plano perfeito, mas ridiculamente imbecil ao mesmo tempo, eu poderia me juntar ao exercito que sairia do reino para abrir caminho, eles farão um teste para ver quem na população é adequado, se eu conseguir, então.... menos que com a mínima chance... eu poderia... olho para o lado vendo aquela princesa idiota batendo seus pés na cama e ainda reclamando sozinha, ela me deixa tão feliz, então... mesmo com a menor chance do mundo, eu ainda queria tentar fazer isso por ela e... mesmo que de um jeito egoísta, por mim também.
Eu me lembro da primeira vez que realmente usei uma espada, eu tinha 8 anos e a princesa 6, desde essa época ela odeia que eu a chame de princesa e não de Eleanor, mas, como éramos crianças, eu ainda não entendia toda a diferença que existia entre nós duas, então as vezes eu a chamava de Abby por causa de seu segundo nome, me lembro de chama-la assim da primeira vez que ela teve que fazer um discurso diplomático no lugar do rei, ela estava bem bonita naquele terno, e eu estava a ajudando a dar nó na gravata enquanto ela nervosamente tentava relembrar tudo o que tinha que dizer.
Com 8 anos foi a primeira vez que entrei no castelo como convidada dela e, como a criança curiosa que eu era, acabei tombando com um dos guardas reais e fazendo varias perguntas sobre a espada que ele tinha em sua cintura, Eleanor ficou furiosa que eu não brinquei com ela o dia todo, porque o guarda, Mycen Albein, gentilmente se propôs para me ensinar a usar uma espada corretamente, foi tão divertido na época que eu nem notei que algumas horas já haviam se passado, desde desse dia, Mycen vem me ajudando com minha habilidades com a espada sempre que ele pode, até mesmo pude confronta-lo algumas vezes quando fiz 15 anos, e algumas vezes até cheguei perto de ganhar.
Ele era um homem gentil, ajudou à mim e meu pai quando precisamos algumas vezes, até mesmo me deixava polir a espada dele, mas apenas depois de pedir muito, aquela espada era realmente a menina dos olhos dele. Com todo o treino, quando fiz 16, eu já era perfeitamente capaz de derrubar todos os guardas reais sozinha, a não ser, é claro, por Mycen, apesar de Eleanor nunca ter descoberto isso, ela provavelmente diria algo como "se pode passar tanto tempo brincando de espada com os guardas, poderia passar mais tempo comigo também". Foi assim que consegui certa posição de respeito dentro do castelo e me senti menos mal por estar lá dentro, ao menos não me sentia tão deslocada, já que os guardas eram tão gentis e me viam como uma deles.
— Maggie~ — ela cantarola cutucando minha bochecha e me tirando da minha linha de pensamento — Você está ao menos me ouvindo?
— Ah, desculpe, eu acho que... distrai um pouco...
— Eu pedi pra você me contar uma historia
— Você não tem mais 6 anos, não pode dormir sem uma?
— Mas eu gosto de ouvir sua voz antes de dormir. — maldita manipuladora, à olho com cara emburrada
— Ok, o que quer ouvir hoje?
— Um conto de fadas
— Eu vou pegar algum livro então. — me levanto e vou na estante de livros dela, pego A Bela Adormecida para ler, volto para cama e começo — "Era uma vez..."
— Não quero com príncipes
— Bem... então acho que a Aurora vai ter que dormir pra sempre no fim
— Ou podemos criar outra coisa. — ela fecha o livro na minha mão
— Certo, então, como a senhorita desejar. — eu respiro fundo e penso em alguma coisa — Era uma vez, um princesa de um reino muito distante...
— Qual era o nome dela?
— Lenora
— Você apenas mudou meu nome um pouco. — ela ri suavemente
— Ela vivia em um reino bem próximo à uma grande floresta. Um dia andando ali por perto para...... hum....
— Colher flores?
— Pode ser, colher flores, ela viu uma pequena luz flutuando na frente dos olhos dela...
— A luz à levou para o fundo da floresta... — complementa sorrindo e se aconchegando no meu ombro me fazendo passar o braço em volta dela
— Onde ela achou a casinha de uma bruxa
— Mas não era uma bruxa velha como ela sempre havia visto nos seus livros de historia, ela era jovem como ela e tinha.... — ela para por um segundo olhando nos meus olhos e mexendo suavemente com uma mecha do meu cabelo — Belos cabelos negros
— Qual era o nome da bruxa?
— Margarette. — ela sorri e eu rio de volta
— Mas a bruxa não era tão boazinha quanto parecia, ela lançou um feitiço na princesa
— Que tipo de feitiço?
— Um feitiço que faria com que nenhum homem jamais se apaixonasse pela princesa
— E como ela se sentiu? — ela parecia mais interessada agora
— Muito feliz. — sorrio — A princesa alegremente agradeceu a bruxa
— E à chamou para sair. — diz com voz sonolenta
— Isso, isso. — eu rio — Ela chamou a bruxa para sair com ela, mas sabia o quão difícil seria para estar com ela, já que ela era uma princesa e...
Eu olho para ela e ela havia pego no sono, seus olhos fechados e seus lábios entreabertos deixando uma respiração leve entrar e sair, sorrio para ela e desligo as luzes com o menor movimento possível para que ela não acordasse de cima do meu braço, acaricio gentilmente sua bochecha decorando cada detalhe de seu rosto.
— Quem se importa com o resto? — digo baixinho — E elas viveram felizes para sempre
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