The (my) Bodyguard
12 #12. Irresponsáveis.
Notas iniciais
Tobias
– Delegacia de Chicago, Clayton Sullivan na linha, quem fala?
– Minha mamãe morreu. Ela morreu! Eu matei minha mamãe!
– Alô? Se acalme! É uma criança que fala?
– Ela morreu! Eu matei minha mamãe! Eu falhei. Eu falhei.
– Olha, respire fundo. Fale comigo com calma. Quem morreu?
– Minha mamãe, eu matei ela! Me ajuda, ela está sangrando. Ela morreu!
– Vamos te ajudar, ok? Quantos anos você tem?
– Oi... Oito.
– Qual é seu nome?
– Tob...Tobias Johnson.
– E o nome da sua mamãe?
– Evelyn Johnson.
– Você sabe seu endereço, Tobias?
– Sim... Sim.
– Não precisa chorar, ok? Você vai me dizer seu endereço e nós vamos te ajudar.
*****
Acordei abruptamente assustado. Eu tinha sonhado com aquele dia. Há anos eu não sonhava com Evelyn, e eu sabia o porquê de sonhar com ela agora. Minha vontade de se machucar tinha voltado, e com ela voltou também todas as lembranças ruins. O sol ainda não nascera, o céu ainda estava escuro, à luz do quarto ainda estava acesa e Tris não estava mais comigo.
Ignorei a dor súbita que estava sentindo por sua ausência e me virei para ver às horas em meu celular e notar que eram 4:00 da manhã. Por quê Tris saiu da cama tão cedo? Melhor, por quê Tris saiu da cama? Contudo, mesmo com todas essas perguntas sacudindo minha cabeça eu já sabia a resposta. Ela estava arrependida. Olho para o outro lado da cama, onde Tris estava há poucas horas atrás, pode parecer psicopata, mas eu consigo sentir seu cheiro e ele me faz recordar tudo o que vivi noite passada.
Eu acho que a minha ficha não caiu ainda. Eu beijei Tris. Eu dormi com Beatrice Prior. Eu deveria me sentir feliz, certo? Porque tudo o que sempre mais quis em onze anos era ter Tris, então porque eu me sinto apavorado?
Porque mesmo tendo a melhor noite de sua vida ela ainda não te pertence, Tobias.
Levantei-me da cama, me vesti em uma calça de pijama e fui procurar à loira.
– Tris? — Bati em sua porta.
– Estou dormindo.
– Eu percebo. — Não pude evitar de sorrir. — Posso... uh... entrar?
– Depende, o que você quer?– Ela indagou.
– Conversar? Saber se você está bem?
– Entra.
E eu faço, abro a fechadura e pela primeira vez em uma semana, entro em seu quarto. Eu não poderia imaginar nenhum outro com a cara de Tris. Ele é branco com uma parede cinza atrás de sua cama e nelas há posteres, recortes de Jornais e fotos dela com seus amigos. Paro de analisar o quarto e olho para Tris, que está em sua cama enrolada em um edredom azul marinho. Pulo em sua cama e me sento ao seu lado.
– Oi, baixinha.
– Eu vou me poupar de te repreender. — Ela suspirou, se sentando também. — O que você quer?
– Por que você saiu da cama? — Perguntei, não conseguindo esconder minha decepção.
– Porque eu preciso de um tempo para processar tudo o que aconteceu. E você está me atrapalhando.
– Você se arrepende? — Prendi minha respiração automaticamente. Se Tris estivesse arrependida eu me sentiria mais culpado ainda.
– Não, não é isso. É que sabe, eu deveria estar te ajudando e acabei na cama com você. Meu guarda-costas. Um maso... — Sua voz falhou e ela me olhou culpada. — Oh, Tobias, eu não quis dizer isso. Me desculpe.
– Não se desculpe. É o que sou. — Desviei meu olhar do seu não conseguindo encara-la. Não tenho orgulho de ser um masoquista, tenho vergonha. Ela não estava arrependida, ouvir isso me fez esquecer tudo.
– Por quê? — Tris indagou.
– Precisa ter motivos para ser um masoquista?
– Sim. — Ela assentiu. — Por que?
– O homem que me trouxe para esse mundo. — Cerrei minha mandíbula.
– Seu pai? Ele é um masoquista?
– Não diga pai, por favor. E não, ele era um sádico.
Tris encontrou meu olhar novamente. Ela abriu a boca chocada, já sabendo o que isso queria dizer. Estava surpreso com Tris, ontem meu maior medo era que ela fugiria de mim por meu passado, por descobrir o meu verdadeiro eu, mas hoje ela está aqui, me ouvindo dizer sobre Marcus, o homem no qual eu nunca mencionei à ninguém.
Tirando Eric. O filho da puta sempre usou isso contra mim.
– Seu pai te... batia?
– Eu realmente não quero falar sobre isso.
– Ah, é? Você quer falar sobre o que então? — Levei um susto com seu tom de voz.
– Cristo, calma. — Levantei minhas mãos inocente, não querendo brigar e querendo esquecer o sonho, e com Tris me questionando assim eu não iria esquecer tão cedo. — Você está bem? Está dolorida? Com fome? Com sono?
– Estou querendo que você suma daqui, Tobias. — Mesmo sendo birrenta eu pude notar rubor e seu sorriso.
– Pensei que já estava pronta para uma segunda rodada. — Ousei, com um sorriso no rosto.
– Tobias! — A loira me repreendeu chocada. — Para seu quarto. Agora.
– Estou indo. Mas antes... — Virei minha cabeça para depositar um beijo em sua boca. E também para levar um tapa no rosto por ser tão petulante.
– Ok, você pode dormir comigo. — Disse ela, depois de meter a mão em minha bochecha direita. — Dormir. — Ela repetiu, possivelmente notando minha reação esperançosa.
– Eu não poderia ficar mais feliz. — Me inclino para outro beijo, mas ela me empurra.
Me arrumo debaixo de seu edredom assim como ela e por um momento fico pensando o que fazer em seguida. Eu nunca tive uma garota na minha cama, e com Tris sendo a primeira eu fico mais perdido ainda. Meu coração quase sai pela boca quando Tris pega meus braços e os rodeia em sua cintura. Seu rosto se posiciona em meu pescoço e sua respiração me causa calafrios e bem, eu sou homem, também me causam coisas.
– Suas costas doí? — Ela me perguntou, colocando uma perna em cima de mim.
– Não.
– Você quer tomar um banho?
– Eu não vou sair daqui Tris, muito menos você. Durma.
– Não mande em mim. — Ela grunhiu adoravelmente.
– Há algumas horas atrás você me mandou calar a boca, se bem me lembro. — Soltei uma risadinha entre seus cabelos.
– Oh, é claro que você se lembra. Bem, se eu mandei é porque posso, agora vai dormir. — Ela mandou.
– Sim senhora.
*****
Tris
Acordei com a campainha tocando insistentemente. Estava completamente devastada, meu corpo doia e meus olhos estavam lutando para ficarem abertos. Olhei para o lado e vi que Tobias não estava mais na cama e nem minhas cobertas. Quase cai na gargalhada quando vi onde o cidadão estava: No chão, rodeado de travesseiros e cobertores. Bem, a culpa não é minha de ser espaçosa. Dei de ombros e desci para ver quem era o condenado que estava tocando minha campainha loucamente.
– Tem como esperar?! — Gritei para a pessoa enquanto atravessava a sala.
– Desculpe. — A pessoa murmurou e eu senti uma vontade enorme de voltar para meu quarto e me enrolar no chão com Tobias quando reconheci à voz.
– Al. — Confirmei, abrindo a porta e me deparando com uma criatura grande, morena e musculosa com um enorme buque de flores na mão.
– Olha Tris, antes de você dizer qualquer coisa eu quero te pedir desculpas por ontem. Eu fui um imbecil e eu reconheço agora. Me perdoe por ofender seu segurança e jogar tudo aquilo sobre a demora de sua resposta sobre nós na sua cara. Eu espero o tempo que for, Tris. Eu gosto muito de você, é claro que você sabe, e eu não quero que isso acabe aqui. Por favor, só diz que você vai me perdoar e que vai me dar uma chance.
Respirei fundo, processando tudo isso o que Al acabara de dizer. Eu não sabia o que responder e como reagir, eu certamente não iria correr para abraça-lo e agradecer pelas flores, nem de flores eu gosto. E Albert deveria saber mais do que ninguém.
– Tris? — Ouvi a voz de Tobias me chamar e Al me lançou um olhar surpreso e chocado.
– É o Quatro? Ele vive com você? — Ele me questionou como se isso fosse inacreditável.
– Ele é meu guarda-costas e, aparentemente, muito amigo de papai. — Revirei meus olhos para Al, mas algo me bateu forte no peito. Tobias não é mais apenas meu guarda-costas, eu dormi com ele. O que somos?
– Tris, ele está sem camiseta! Como seu pai é capaz de permitir isso?! Um homem que você nem conhece dormir na mesma casa que você?! — Al surtou. Me virei para ver Tobias de atrás de mim com os braços cruzados sobre seu peito nu e com apenas uma calça de pijama.
Droga, se ele se virasse Albert iria ver as marcas do cinto!
– Quatro, vá colocar uma blusa. — Digo ao meu... bem, à criatura atrás de mim. Ele claramente captou a mensagem, mas não foi pratica-la.
– Eu não vou deixar você sozinha com ele. — Ele apontou para Al.
Ah, que beleza, dois com ciúmes logo de manhã?
– Quatro, por favor. — Argumentei, lhe lançando um olhar suplicante.
Ele finalmente cedeu e eu fechei à porta ficando apenas com Al e seu buque de flores. Eu me perguntei quando ele iria me dar essa coisa.
– Al, foi muito bonito o que você disse, realmente me comoveu, mas eu não posso fazer o que você pede. Eu te amo, mas como amiga. Se você quiser minha amizade você vai ter, mas algo a mais não tem como. Me desculpe. — Disse finalmente, desesperada demais.
Al era uma pessoa muito importante para mim e eu realmente não queria perder sua amizade. Mesmo sendo um cabeça oca, eu ainda o amava, mas como eu disse, como amiga. Eu morria de medo de dizer isso à ele e por quê? Depois de ontem eu não conseguia mais nem pensar em ter um futuro com Al.
– Você também gosta dele, não é? — Al reencontrou sua voz. Havia lágrimas em seus olhos e eu me senti totalmente culpada. Eu poderia ser mais doce com minhas palavras?
Al é seu amigo, Tris! Você conhece ele há muito mais tempo que Tobias! Meu subconsciente me repreendeu.
– De quem? — Perguntei voltando para nossa conversa.
– Você sabe de quem! Ele não está apenas morando com você porque ele é seu guarda-costas, não é? Vocês estão tendo alguma coisa! — Al já estava gritando loucamente. — Mentirosa. Você é uma mentirosa, Tris.
– Al, pelo amor de Deus, do que você está falando? — Entrei em pânico. Al chorava descontroladamente e eu não senti a mesma coisa quando Tobias fez, não senti vontade de acariciar suas bochechas e dizer que está tudo bem. Al estava sofrendo, mas estava sendo meio dramático também, essa era a verdade.
– Mas que porra está acontecendo aqui? — Tobias abriu à porta já vestido com sua habitual roupa: Jeans e camiseta escuras. Eu pude até notar um vestígio de um sorriso zombeteiro quando viu Al chorando. Ignorei sabiamente e voltei para meu amigo destruído. Tobias é à última pessoa que pode zombar de Al.
– Al, por favor, pare com isso! Você está fora de si. — Toquei em seu ombro amigavelmente, mas ele me repeliu como se eu tivesse alguma doença.
– Fale a verdade, Tris! Você está dormindo com ele, não é? Está estampado na sua cara!
– Não é da sua conta! — Explodi. Mas antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, Al pulou em cima de Tobias e os dois estavam se batendo.
– PAREM AGORA! — Gritei em vão.
– Vocês usaram camisinha pelo menos? — Al provocou Tobias e aquela pergunta pegou nós dois de surpresa. Tobias parou de lutar abruptamente e nos encarávamos perplexos.
Não. Não tínhamos usado a porra da camisinha.
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