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5 The other side
Notas iniciais
– Eu já estou indo pessoal, até amanhã — Kise avisou seus colegas de time.
Os outros acenaram enquanto ele se afastava. Sem perder mais tempo, o loiro pegou seu celular, que no mesmo momento começou a tocar. Na tela, em letras rosas, apareceu um nome feminino. Satsuki Momoi. Com um suspiro, ele cogitou recusar a ligação, porém conhecendo a dona do número, ela não o deixaria em paz.
– Alô? Kise? Aonde você está?
Sorrindo, dirigiu-se à saída da escola. Seu dia consistira em estudos e treino de basquete, como vinha acontecendo nos últimos tempos. Gostava do fato de sua rotina estar mais leve, mesmo que estivesse estudando mais do que o normal para o período de provas, mas sentia falta de suas audiências e seções como modelo.
– Estou saindo da escola, Momoi — respondeu.
– Você já deveria estar aqui! Todos já chegaram, só falta você.
Seus amigos haviam combinado de sair naquele dia, para aproveitar uma tarde que nenhum deles precisaria estudar. Sabia que estava atrasado, mas não pode evitar, o treino fora estendido, e ele realmente precisava de algo para distrair sua mente.
– Eu já estou chegando... Hã... Onde mesmo deveríamos nos encontrar? — perguntou já temendo a resposta.
– Kise! Você não sabe nem onde nós marcamos? — Segurando-se pra não rir da bronca que recebeu, sentiu-se parcialmente arrependido por não ter prestado atenção quando lhe foi avisado. Ouviu uma voz grave masculina ao fundo, que reconheceu ser de Aomine. Podia não estar lá, mas viu claramente a cena do moreno pegando o celular das mãos de Momoi. — Ei, loira, nós estamos te esperando na sorveteria. Você tem dez minutos se não a gente te deixa.
Parou um segundo para orientar-se. Tinha quase certeza do local ao qual Aomine se referia, teria que arriscar se quisesse chegar a tempo. Olhou para o céu, estava completamente claro, sem indícios de chuva. Um vento forte se abateu sobre ele enquanto caminhava.
– Loira? Que gentil da sua parte, Aomine — riu. — E por que vocês estão em uma sorveteria?
Uma risada forte ecoou do outro lado da linha, seguida por várias vozes, até enfim sua resposta.
– Murasakibara queria um sorvete, e Kuroko, um Milkshake. Então paramos aqui.
Teve a sensação de ouvir Kagami implicando com Aomine, dizendo que ele também havia comprado um sorvete, o que rendou um xingamento do moreno.
– Ok, eu já estou indo pra aí. Me esperem.
Tinha certeza que os dois estavam brigando, porque demorou para ouvir o outro na linha novamente.
– Tá, tá, vem logo.
Ouviu o barulho de algo sendo derrubado, e em seguida a linha foi cortada. Rindo, guardou o celular novamente. Aquelas pessoas não tinham jeito mesmo. Poderiam se matar a qualquer segundo, mas sempre estariam juntas, rindo.
Sentindo a estranheza do silêncio, seguiu seu caminho sem tamanha pressa. Sem aparentemente nada melhor para fazer, sua mente voltou ao assunto que não o deixou em paz nos últimos tempos. Kasamatsu. Perguntou-se, pela milésima vez, como ele estava. Pensar no fotógrafo fez um sorriso surgir em seus lábios. Sabia ser estranho, quantos dias havia passado com o outro? Não tiveram nem uma semana juntos, mas ele já sentia como se conhecesse aquele rapaz carrancudo desde sempre.
Lembrava-se que quando era pequeno, uma vez sua irmã havia lhe contado uma história, e mencionou uma expressão"koi no yokan", "A sensação de encontrar alguém e saber que é inevitável não se apaixonar por ela".
"A única diferença, é que não tenho nenhum sentimento romântico por ele. Mas Kasamatsu realmente atraiu minha atenção, nunca vi alguém como ele."
Era espontâneo com todos, pois achava que valia a pena. Perguntava-se o que iria ganhar se fechando e espantando as pessoas. Era melhor ser feliz e viver do que se esconder, e sentia que era isso que o moreno fazia. Lhe parecia que ele queria falar, mas não conseguia, era desconfiado e cuidadoso. Na primeira vez, quando saíram para almoçar, percebeu muitas coisas sobre ele — algo que nenhuma pessoa achava que ele era capaz, observar. Naquele mesmo dia, enquanto voltavam para o estúdio, para ser preciso, havia prometido a si mesmo que iria fazê-lo se abrir. Pensava que o outro era alguém que valia a pena, além de que, a ideia de poder ter mais alguém próximo a si era muito atrativa.
Depois de pouco tempo de caminhada, chegou em frente ao possível local do encontro. E para sua sorte, havia acertado precisamente. Havia uma fila de cabelos coloridos de costas para a janela, parecendo receber uma bronca. E quem estava em frente a todos, era o ex-capitão do seu time de basquete do fundamental, Shouzou Nijimura.
Rindo da situação, entrou na sorveteria, sendo recepcionado por Takao e Himuro, que estavam sentados despreocupadamente em uma mesa.
– Oi, Kise — chamou o moreno mais baixo.
Acenando para os dois, aproximou-se.
– O que eles fizeram dessa vez? — Perguntou.
Himuro desviou os olhos para os outros rapazes, sendo acompanhando pelo loiro. Vendo-os daquela maneira, parados em frente a uma parede, variando de feições entediadas a arrependidas, sendo censurados, não pode conter um sorriso. "Isso não é algo que se vê todo dia"
– Nijimura foi o último a chegar, e achou que eles estavam fazendo muito estardalhaço em um local público.
Voltando sua atenção para o moreno maior, Kise concordou com um aceno.
– E aposto que ele tinha razão.
– Aomine e Kagami estavam "brigando" — recebeu como resposta. Aquilo explicava os barulhos que ouviu no meio de sua ligação.
– Espero que alguém tenha fotografado isso — o loiro falou de forma divertida, fazendo os outros dois rirem.
– Claro que sim — Takao respondeu pegando seu celular e mostrando uma foto.
Os três riram, tentando não chamar a atenção.
– Você vai me passar isso depois, Takao — falou em tom baixo.
O moreno fez um movimento afirmativo com a cabeça. Uma coisa Kise tinha certeza, aquela não era a primeira vez que algo como aquilo acontecia, nem seria a última. Ele mesmo já havia participado de várias brincadeiras, e recebido muitos xingamentos. Enquanto observava, percebeu o olhar de Murasakibara, que estava com uma bengala doce na boca, recair sobre si.
– Oh, Kise chegou.
No mesmo instante a atenção de todos foi desviada para sua figura sentada com os outros dois. Aomine e Kagami sorriram, como se ele fosse a salvação divina — e provavelmente era, pois os dois eram o foco da repreensão.
– Finalmente — começou Kagami. — Acho que podemos ir então, está todo mundo aqui.
O moreno ao lado dele se espreguiçou, como se tivesse acabado de acordar. O ex-capitão resmungou algo, baixo demais para qualquer um entender, indo para a saída do estabelecimento.
– Você nos salvou, loira. Valeu — Aomine riu passando por ele.
Levantou-se, dando um soco no ombro do amigo que começou a rir. Todos se retiraram as sorveteria, indo para um local onde pudessem conversar. Enquanto sentavam-se em um parque próximo, Kise observou os amigos. Os mais "novos" naquele grupo eram Himuro, Takao e Kagami, arrastados por Murasakibara, Midorima e Kuroko respectivamente. Nijimura havia começado a se comunicar com eles a pouco tempo também, porém o ex-capitão os conhecia melhor do que várias pessoas, contando que sempre os observou em quadra. Eram um grupo estranho, enorme, porém todos ligados pela mesma coisa. O basquete. A geração dos Milagres.
Encostando-se em uma árvore, deixou seu corpo cair no chão. Sua mente voltou a vagar. Vendo todos juntos daquele jeito, sentia-se um pouco menos sozinho, porém ainda não era o suficiente. Podia perceber as "preferencia" dos amigos. Takao estava sentado encostado em Midorima que fingia não se importar; Himuro conversava com Murasakibara; Momoi brigava com Aomine por algo qualquer; Nijimura havia puxado Akashi para sentar-se com ele; E Kagami tentava fazer com que Kuroko lhe desse um pouco de seu Milkshake. Em resumo, Kise sempre ficava sobrando. Pensou que se Kasamatsu estivesse ali, poderia fazer-lhe companhia. Gostava de conversar com o fotografo.
Fechou os olhos tentando relaxar e se concentrar no rosto do dono de seus pensamentos, porém a tarefa ficava cada dia mais complicada. De repente ouviu o barulho de passos. Abriu os olhos para ver Aomine a sua frente.
– E aí, loira?
Kise riu sem muita vontade.
– Você não vai parar de me chamar assim, não é?
– Aomine riu sentando-se ao seu lado. Claro que não. É o meu trabalho te encher o saco.
Os dois riram. Kise abraçou os joelhos, apoiando o queixo sobre eles.
– Vai falar o que tá pegando? — O moreno virou-se pra ele perguntado.
Virou o olhos dourados em direção ao amigo. Captou uma leve preocupação consigo naquele rosto sempre despreocupado.
– Estou sentindo falta do Sr. kasamatsu — falou sem nem mesmo pensar.
O outro levantou uma sobrancelha e suspirou.
– Vocês mal conviveram, e ele é só o fotógrafo que bateu fotos suas para uma edição de revista. Você parece uma menininha.
Kise riu e colocou a língua para Aomine.
– Eu sei que é estranho, mas já expliquei.
Ele pode sentir o amigo bufar.
– Você precisa é de uma namorada. Ou um namorado, quem sabe?
O sorriso na cara de Aomine fez com que ele risse. Deu um tapa na cabeça do outro, que parecia achar aquilo cada vez mais divertido.
– Já discutimos isso milhões de vezes, Aomine. Eu não sou gay, obrigado.
– Ah, mas aposto que se você imaginasse esse seu fotógrafo aí, seminu na cama esperando por você, ficaria com tesão.
O rosto do loiro tingiu-se de tal tom de vermelho, que até mesmo Kuroko — que estava do outro lado do parque — poderia ver, o que deixou Aomine satisfeito.
– C-claro que não. Deixa disso, eu não sou gay.
– Continue acreditando nisso, loira — o outro se levantou, puxando Kise consigo. — Vamos lá.
Tentando fazer seu rosto voltar ao normal, Kise seguiu Aomine. Perguntava-se porque havia corado, não deveria ter essa reação, se tratando de outra cara, não de Kasamatsu. Naquele momento sentiu como se realmente fosse uma menina apaixonada. Talvez, mas somente talvez, Aomine poderia estar com razão, e ele precisava de uma namorada.
"O que diabos foi aquilo? Eu nem sequer imaginei nada demais... Se Kasamatsu descobrisse aquilo, ele provavelmente não olharia mais na minha cara. Ele parece o tipo de pessoa que não perdoaria isso... Mas o que é isso agora, argh, para com isso Ryouta, mas que droga"
Tentou ao máximo afastar aqueles pensamentos, por mais complicada que fosse a tarefa. Não era gay, não podia — ou iria — se deixar levar por Aomine — se fizesse isso, já teria cometido loucuras.
– Então, nós vamos ver o filme, ou não? — Midorima perguntou levantando-se. Takao que estava encostado em seu ombro caiu batendo com a cabeça e reclamando como o outro era cruel.
_ Vamos, a sessão começa daqui mais ou menos meia hora — Momoi respondeu.
Todos começaram uma barulhenta caminhada até o cinema. Era um milagre não os mandarem ficar quietos, apostava que até mesmo o outro lado da cidade podia ouvi-los. Chegando no local, compraram os ingressos para um filme de romance — as únicas seções disponíveis eram de um filme de terror ou de romance e nenhum deles queria terror.
Kise foi um dos que mais protestou contra a escolha do filme "feminino" — segundo Kagami — porém, uma hora e meia depois, ao final da seção, ele, Momoi e Takao estavam quase em prantos.
– Vocês estão chorando por causa de um filme de mulher, ridículo — Kagami comentou.
Kuroko, que ninguém havia percebido estar ao lado do ruivo, entregou-o.
– Kagami, você não pode falar nada, você estava quase chorando no meio da história.
O maior sobressaltou-se, olhando para o de olhos azuis.
– Cala a boca, Kuroko, eu não estava chorando! — Defendeu-se. Porém, seu rosto denunciou-o tingindo-se de um leve vermelho.
Todos riram do ruivo, que xingava aquele que o entregou, de forma baixa. O clima estava tão agradável, que o loiro não se importaria de permanecer lá por mais tempo, porém, teria que ir para casa. Mesmo não tendo testes para os quais estudar, tinha horário para voltar.
Não demorou para que todos se despedissem, tomando seus caminhos. Kise seguia sozinho, novamente. Já estava escurecendo, o ar tornava-se mais frio. Naquele momento se arrependeu de não ter um casaco. Sorriu de forma terna, lembrando-se da noite que encontrou Kasamatsu na rua. Ficava ainda mais alegre pensando em sua falta de senso, naquela noite estava indo para o outro lado da cidade, mas ver o fotógrafo andando sozinho em uma noite fria o fez esquecer completamente. Acabou por acompanhar o outro até em casa, descobrindo onde esta ficava. "Eu deveria ter anotado o endereço" Repreendeu-se. "Ou pelo menos ter pego o telefone dele". Sua mente voltou a imagem de Kasamatsu encolhendo-se por causa do frio, e mais uma vez seu sorriso se alargou. Claro, havia pegado um pequeno resfriado no outro dia, mas para ele, havia valido a pena. Lembrava-se da postura relaxada e do visível — nem tão visível assim -alívio nas feições do mais baixo.
"Se pelo menos eu pudesse falar com ele. Por que raios minhas sessões com ele foram canceladas? O que foi que o Aijima fez?"
Seu produtor, Nezumi Aijima, havia lhe avisado um dia depois de seu "encontro acidental" com Kasamatsu, que suas seções haviam sido transferidas e que o fotógrafo havia mudado. Quando Kise perguntou o por que, a resposta não podia tê-lo irritado mais.
"- Ele não é um fotógrafo conhecido. Será melhor para sua carreira ter alguém com nome batendo suas fotos, não um qualquer."
Argumentou dizendo as fotos eram incríveis, porém o homem não lhe deu ouvidos, começando um discurso sobre como seria mais rentável ter alguém mais conhecido, como melhoraria seu nome, que não podia arriscar e blá, blá, blá. Kise perdeu mais de uma hora ouvindo tudo aquilo, até conseguir pedir para pelo menos pegar o telefone de Kasamatsu, porém, fora proibido de qualquer contato com o fotógrafo, o que o deixou muito mal.
Depois daquele dia, suas seções foram feitas por uma mulher muito renomada, segundo Aijima. Uma coisa ele tinha certeza, não havia gostado dela. Era jovem e muito bonita, ele admitia, mas o jeito como o tratava o enojava. Seu primeiro pensamento quando encontrou-se com a mulher, foi que ela era completamente oferecida. E tinha um certo palpite de como ela havia conseguido fazer um nome, e não era bom. Para sua sorte, não muito tempo depois, entrou em seu período de provas, o que o fez ter um tempo sem trabalho. "Notas primeiro, trabalho depois". Era o que sua família dizia, por mais que considerassem demasiadamente sua carreira.
Uma semana e meia, fotografando com 'aquela mulher' outra e meia de provas. Assim que se folgasse dos exames, voltaria ao trabalho. Obviamente, ainda amava ficar em frente às câmeras, era tudo que mais desejava, porém, com a pessoa certa batendo as fotos. Não via amor no trabalho de sua fotógrafa, não como via no de Kasamatsu, não como pode perceber o olhar do moreno para si, para a câmera. Sentiu na primeira vez que o outro o fotografou, como se estivesse sendo estudado; Como se fosse um espécime fascinante que estava sendo descoberto. E depois, como se o flash da câmera fosse um teste, aquele que diria se era digno de continuar ou não. Então por fim, ao ver a reação do fotógrafo, foi tomado de alegria por saber que havia passado. Nada daquilo era um teste real, mas sentir-se aprovado pelo moreno o havia alegrado.
"Assim que eu voltar, tento conseguir o telefone e o endereço dele. Yukio Kasamatsu. Você não vai se livrar de mim tão facilmente."
Sorriu parado em frente de sua casa. Não havia percebido o tempo passar enquanto sua mente corria. Sentiu-se subitamente tranquilo, um plano que se formava em sua mente. E iria conseguir concluí-lo , não importando os meios.
–--
No primeiro período da manhã, antes de seguir para o colégio, falou com seu empresário pelo telefone, marcando um encontro para a hora do almoço. Iria iniciar a ideia que se formara em sua mente na noite anterior, mas para isso, precisava de Aijima, e alguém de confiança para ajuda-lo.
– Então, porque você nos chamou aqui, Kise? — Akashi perguntou.
– Estou perdendo meu intervalo, é bom que isso seja importante, loira — Aomine acrescentou.
Havia chamado os outros membros da Geração dos Milagres para pedir ajuda, afinal, em quem poderia confiar se não em seus ex-colegas de time e amigos?
Estavam reunidos em frente ao prédio do colégio de Kise, todos haviam deixado as respectivas escolas no intervalo para atender ao seu pedido.
– Eu preciso de ajuda — começou. — Tenho uma ideia para conseguir contatar o Sr. Kasamatsu, mas não vou conseguir se tiver que lidar com Aijima sozinho. Ele não vai me deixar fazer isso.
Todos os amigos já sabiam sobre sua situação com Kasamatsu. Que estava desesperado para encontrar o fotógrafo novamente, que sentia saudades, que o considerava muito.
– Você bolou um esquema só pra poder falar com o cara de novo? — Aomine ralhou. — Nunca mais peça pra mim falar que você é hétero, quebrou todo fio de esperança que eu tinha com essa.
Os outros concordaram, fazendo Kise sentir-se desconfortável.
– Eu já disse mil vezes, eu não sou gay, nem gosto dele desse jeito. Só quero falar com ele. Ele parece ser uma pessoa legal. Aposto que se daria bem com vocês. — rolou os olhos.
– Kise não deixa de ter razão em uma coisa, ele não parece ser uma pessoa ruim. Mesmo que seja estranho. E uma idade meio considerável mais velho que você, não é Kise? — Murasakibara colocou-se.
O loiro sentiu-se meio atordoado. Naquele momento lembrou-se que Murasakibara havia conhecido Kasamatsu, porém, não sabia que os dois já haviam conversado fora de sua vista.
– Se você diz, Atsushi — Akashi respondeu por todos. — Mas não confie muito nesse aí, Ryouta, ele pode estar tentando se aproveitar de você.
– Não é ele que está tentando se aproximar de mim, sou eu que estou tentando me aproximar dele Akashi, não seja tão malvado assim. O Sr. Kasamatsu nunca faria isso.
– Mesmo assim, você se deixa enganar com muita facilidade.
Por um segundo, Kise cogitou a possibilidade de Akashi ter razão sobre tudo, como sempre. Porém, logo espantou aquilo. Tinha a sensação de que se não tivesse convidado Kasamastsu para acompanha-lo naquele almoço, o fotógrafo nunca teria falado com ele.
_ Ok, ok. Todos já entendemos. Kise, se você tiver cuidado, nós ajudamos. Agora, desembucha, qual é o plano?
Explicou seu plano passo a passo. Disse que queria alguém para acompanha-lo na hora do almoço, quando falaria com Aijima e que dissesse que tinha interesse em contatar a editora, para pedir o número. Também avisou que precisaria de alguém para que quando voltasse a trabalhar realmente entrasse em contato, pedindo para falar com o chefe, ou mesmo com o próprio Kasamatsu, pois se ele mesmo ligasse, qualquer um poderia contar para seu empresário que ele havia entrado em contrato, e se isso acontecesse, correria risco de perder tudo.
_ E se conseguirmos falar com o chefe, e não com o seu fotógrafo? — Midorima perguntou.
Respirou fundo, essa seria uma parte "arriscada", teria que tomar cuidado para não receber perguntas demais.
– Pediremos uma forma de contata-lo. Não sei se isso vai dar certo. Eles tem um certo sigilo a manter quando aos funcionários. Também termos que inventar uma desculpa para dar ao Aijima. Ainda tenho que arrumar os detalhes, mas o básico é isso.
Percebeu os amigos se entreolhando, e tinha a sensação que sabia a pergunta que viria naquele momento.
– Vale mesmo a pena correr o risco de perder toda sua carreira por um fotógrafo que trabalhou com você duas vezes?
Assim que ergueu os olhos, percebeu que nenhum deles esperava que mudasse de ideia. E com certeza não mudaria.
– Vale, eu sei que sim.
Por um minuto, nenhum deles ousou se mexer. Kise achou que iriam manda-lo desistir, e que não conseguiria ajuda. Então Aomine olhou para todos ali, e por último fixou seus olhos nele.
– Tudo bem, eu vou entrar nessa. Vou com você hoje, como também vou ligar pra editora quando você quiser — Kise sorriu para ele, que se manteve sério. — Mas se eu me ferrar nessa, juro que eu te mato, loira.
O modelo respirou aliviado, abrindo ainda mais seu sorriso.
– Não vai acontecer nada, Aomine. Vai dar tudo certo. Obrigado.
Os olhares dos outros recaíram sobre Aomine como se ele fosse louco, Kise percebeu, mas o moreno somente deu de ombros.
– Bom, eu tenho aula agora. Até mais pra vocês, me avisem se isso der certo — Murasakibara despediu-se, sendo seguido por Akashi e Midorima.
– Kise, se for mesmo fazer essa loucura, é melhor fazer hoje. O horóscopo diz que é o dia de sorte do signo Gêmeos. E deveria levar consigo um chaveiro em forma de bola, para garantir. — Midorima alertou-o.
Kise riu, sabia que na língua do outro aquilo era a mesma coisa que um "boa sorte", então agradeceu.
_ Kise — Kuroko chamou fazendo-o se sobressaltar. — Eu acho que você deve seguir em frente com isso. Se esse cara vale a pena. Boa sorte — o rapaz sorriu, afastando-se.
Queria correr atrás do mais baixo para agradecer, porém, uma movimentação o impediu.
_ Então, me explique como isso vai funcionar, loira.
–----
Ao meio dia em ponto Kise e Aomine estavam sentado em um café, olhando o empresário de do loiro sentar-se em frente a eles.
– Kise... Você não me falou que teria companhia — Aijima censurou-o.
– Não se preocupe comigo, não tem nada que você tenha que falar com o Kise que não possa dizer na minha frente — Aomine respondeu, encostando-se na cadeira de forma displicente.
– Tudo bem, Senhor Aijima, não precisa se preocupar com o Aomine — Kise confirmou.
Antes que pudessem continuar a conversa, uma garçonete chegou para anotar os pedidos. Assim que seus pratos chegaram, o homem começou a falar.
– Bem, eu já estou com a sua agenda, e você está melhorando bem rapidamente. Suas seções de fotos para a Zunon Boy irão voltar semana que vem e-
Antes que ele pudesse concluir, Kise apoio-se na mesa, sobressaltando Aomine.
– Que vai estar me fotografar? — Perguntou.
Percebeu quando seu amigo levantou as sobrancelhas e Aijima o fuzilou, arrancando do moreno uma carranca de raiva.
– A mesma fotografa de sempre. Não houveram mudanças.
A decepção ficou estampada em seu rosto. E o outro ao seu lado pareceu ter percebido, pois suas feições ficavam cada vez mais ferozes.
– Mas por quê? Eu não gosto daquela mulher. E pra início de conver-
– Kise, nós já discutimos isso — o homem o cortou.
Antes que qualquer um dos dois pensasse em continuar, Aomine pigarreou de forma exagerada para lhes chamar a atenção.
– Então, eu estou aqui, Senhor Aijima, — o tom dele ao falar o nome do empresário era de total de boche — para pedir o número da editora das fotos do Kise.
– Pra que? — O homem foi curto e grosso. Aparentemente, nenhum dos dois havia gostado do outro.
– Estou precisando para um trabalho escolar, por quê? O senhor vai se recusar a me fornecer algo assim só porque não sou famoso?
– Não há certeza se posso fornecer esse número assim, rapaz — o homem respondeu irritado.
Aomine sorriu de forma presunçosa. Kise estava um pouco assustado com o rumo das coisas.
– Oh, então pode pedir essa "permissão". Nós temos tempo — ele se recostou na cadeira.
Aijima travou seu maxilar, irritado. Sem olhar para os dois, levantou-se pegando o celular e discando um número.
– Aomine... — Kise começou.
– Nós vamos fazer esse seu plano dar certo, nem que seja só pra quebrar a cara nojenta do seu empresário. Escreva o que eu digo.
O modelo calou-se no mesmo momento e um sorriso adornou seus lábios. Ver Aomine tão obstinado era bom, mesmo que não fosse exatamente pelo motivo certo, ainda valeria de algo. Pouco tempo depois, o Aijima voltou à mesa.
– Posso lhe transmitir o contato, mas você precisa se identificar ao ligar e terá que guardar sigilo, eles não querem isso caindo nas mãos da imprensa.
O mais velho dentre os três pegou um papel e escreveu o número, em seguida entregando-o para Aomine.
– É bom que você não tenha me passado o número errado, ou de uma secretária eletrônica, se não minha nota já era — o tom do rapaz era ameaçador.
– Não é. Agora, se você puder ir embora, eu agradeço.
– Não — Aomine respondeu. — Não posso, prometi pra Kise que ficaria com ele. Mas podem continuar a conversa.
O homem bufou, voltando-se para o modelo que havia se calado durante toda a discussão.
– Seus compromissos começam na segunda-feira. A primeira coisa é a seção de fotos, às nove horas. Você vai perder aula, mas poderá recuperar depois. Também terá na hora do almoço, uma entrevista. Não se atrase. E tem mais isso — ele tirou um pacote de sua maleta e entregou-o para Kise. — Me devolva em três dias. Até — E com isso retirou-se.
Kise pegou o embrulho e olhou para Aomine que estava visivelmente contente.
– Você o deixou irritado — comentou.
– Eu sei — Aomine sorriu. — Esse foi o ponto alto do meu dia. Não sou obrigado a ver um filho da puta zombando de você.
Kise sorriu.
_ Obrigado, Aomine.
_ De nada — o outro devolveu-lhe o sorriso. — Agora, vamos ver o que é isso — ele apontou para o pacote.
Pegando um faca, Kise abriu o topo da embalagem, tirando lá de dentro uma revista. Assim que olhou a capa, seu queixo caiu. Era a edição da Zunon Boy na qual estrelaria na capa. Seus olhos imediatamente recaíram sobre a foto principal. Não era egocêntrico, porém, estava perfeito. Nunca havia visto foto mais bonita do que aquela.
– Puxa. Foi o seu fotógrafo que bateu essa? — Aomine lhe perguntou.
– Sim.
– Ele é bom mesmo — o moreno olhava para a revista. Seu tom mostrava uma surpresa evidente, e uma certa pitada de respeito — Acho que entendo quando você falou que ele era o melhor.
O loiro avaliou cada detalhe daquela imagem. Não entendia muito de fotografia, mas aquela lhe parecia ser perfeita. Sabia que Kasamatsu havia ajudado na escolha de seu figurino, como também havia organizado suas posições em cada foto. Aquilo, somado com os jogos de luz e sombra mais alguns efeitos, como leves mudanças de posição da câmera — algo que se lembrava, não que percebeu diretamente nas fotos — tornava tudo incrível.
Afoito, abriu a revista. Passou os olhos por outras seções, observando as fotos, até chegar na página que falava sobre ele. Estava completamente absorto naquilo, quando o moreno ao seu lado verbalizou o pensamento dos dois.
– As fotos dele não se comparam a nenhuma outra dessa revista.
Balançou a cabeça sem realmente prestar atenção. Será que Kasamatsu havia visto aquilo? Será que havia aprovado? Como teria sido sua reação? Havia gostado de como Kise estava? Sua mente corria a mil. Precisava encontrar o dono da câmera que havia batido aquelas fotos, rápido. Tinha milhões de coisas pra fazer, para dizer. E era tudo para ele. Não achava que os outros iriam entender, como sabia que haviam coisas que Kasamatsu poderia dizer-lhe que não entenderia. Mas precisava ouvir.
Poderia passar o dia todo olhando aquelas imagens, porém algo o despertou.
– Que horas são?
– Quase uma e meia — Aomine disse olhando seu celular.
Sobressaltado, levantou-se.
– Merda, eu tenho que ir pra aula!
– Calma Kise, ninguém vai ligar se você se atrasar — o moreno falou levantando-se de forma arrastada.
– Espero que você tenha razão.
Os dois se dirigiram ao caixa, pagaram a conta e seguiram seu caminho, que por sorte dessa vez ficava na mesma direção. Falaram sobre coisa banais no caminho, pois Kise não conseguia se concentrar direito em nada que não fosse a revista que carregava. Assim que chegaram à Kaijou, despediu-se de Aomine.
– Obrigado por tudo, Aomine — falou sinceramente agradecido.
– Não me agradeça ainda, loira. Temos que realizar a segunda parte dessa sua loucura, não é? — Ele sorriu. — Só faço isso porque sou seu melhor amigo, ouviu?
O moreno pegou sua cabeça e lhe deu um cascudo, o que o fez rir.
– E ai de você que não fizesse o mesmo por mim.
Tentando se soltar, Kisere respondeu:
– Claro que não, quem você pensa que eu sou? — Os dois caíram na gargalhada. — Eu faria sim. Fico te devendo uma.
Aomine sorria. Kise já quase não acreditava que um dia havia perdido seu melhor amigo.
– Só tire o sorriso da cara daquele viado e seja feliz — ele deu de ombros. — Isso já é o suficiente.
– Isso soou tão gay — Kise desatava a rir.
– Ora, seu. Eu juro que ainda te pego — o moreno gritou se afastando.
O loiro acenou, enquanto tentava parar de rir. Algum dia ainda teria que pagar Aomine pela enorme ajuda, e tinha uma ideia de como. O moreno iria mata-lo, sabia que sim, mas seria uma boa ideia realizar um dos maiores desejos do amigo.
Satisfeito com o início do seu plano, voltou para a aula. Antes que começasse, por sorte, recebeu uma mensagem de Murasakibara no grupo que haviam criado.
"Deu tudo certo pra vocês?"
Como estava com alguns minutos livres ainda, respondeu:
"Sim"
"Sorte de vocês" Midorima mandou.
O loiro ergueu a sobrancelha, nunca achou que veria o de óculos mandando mensagens em horário de aula.
"Estava preocupado conosco, Midorima?" Perguntou.
"Não."
Assim que viu a mensagem, não conseguiu se segurar e começou a rir. Era bem típico do outro fazer aquilo. Naquele momento, Akashi e Aomine entraram na conversa, pegando no pé de Midorima também, mas o moreno retrucou dizendo que Akashi também tinha se preocupado e também Murasakibara e Kuroko — este surgiu quando foi mencionado -, o que gerou uma enorme discussão entre eles que só parou quando as aulas começaram.
Kise sorriu o dia todo. Ouviu varias vezes "Qual é a desse sorriso idiota, Kise?" Porém só inventou uma desculpa qualquer. Sempre que tinha um tempo voltava a olhar a revista e observar em letras pequenas o nome ao lado do editor do artigo "Fotógrafo: Yukio Kasamatsu". E no mesmo momento, o sorriso já estampado em suas feições aumentava. Com certeza iria ver kasamatsu de novo. Com toda certeza.
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