The floor

1 1- Incondicional


Notas iniciais
Eu precisava de um escape. Está doendo. Só estou aqui implorando que pare. Leiam de coração aberto.

Eu permanecia deitada no chão. Nada fazia muito sentido. A dor era muito real, mas eu sentia que não tinha nada mais a ser feito. Meu peito tinha um eco próprio, porque eu estava sozinha. Dentro do eco a voz dele era muito clara. Enquanto eu estivesse cercada por pessoas, não havia um espaço de tempo pra lembrar que esse vazio era do tamanho dele. Minhas amigas vinham até mim, em uma tentativa de desespero em me tirar do chão. Mas uma a uma elas falharam miseravelmente. As lembranças se intercalavam quase como uma briga pra ver qual delas machucava mais. Talvez a ultima lembrança acompanhada da rosa fosse a mais dolorosa. “Não se acostume...” Eu estou aqui e não me acostumei. Você não me ensinou que não seria fácil, mas também ninguém disse a mim que seria tão difícil. “Não temos que nos acostumar a ficar separados...” E o que está acontecendo? Deveria ter entendido de forma contrária? A rosa não era símbolo de um amor, mas sim de um enterro? Do meu enterro. Tá tudo bem eu não me sentir ok...?!

—Hey... –

Mais uma amiga. Ela olhava pra mim com seus olhos enormes e negros... Olhos negros... Olhos negros... Eram os seus que eu enxergava através dos dela.

—Você consegue...-

Eu estava escutando ela? Ela é real? Porque eu já não sei diferenciar o que é ou não verdade. “Nos vamos viver juntos para sempre.” Foi o ultimo beijo e se eu soubesse eu teria tirado o máximo de folego possível. Um terminal rodoviário tem tantas historias, tristes, felizes, pedidos de casamentos, encontros e despedidas. A maioria das despedidas é com um “até logo..” Você dizia “Nunca é um adeus, é um até logo.” O que aconteceu com nos dois?

Não existe medo agora me deixe ir e seja livre, mas isso não me impede de te amar incondicionalmente...

Ela parou de falar. Eu tinha um sorriso no rosto. Mas por dentro eu tinha uma faca que lentamente rasgava meu peito de fora a fora... Devo pedir uma encomenda de morfina? Tá doendo muito.

—Relembrando-

Pós réveillon. Estávamos no pequeno jardim de cactos. Apenas eu e ele. Havia uma musica tocando e nos levantamos e dançamos como se nossas almas se tocassem. Era um momento que eu não queria abrir mão. Será que alguém poderia apertar o pause? Eu estava tão feliz, que minha felicidade suprimia o medo que estava dentro de mim. Eu sentia o inicio, mas ao mesmo tempo pressagiava o fim e dentro de mim eu ficava “Não pense nisso, você está criando algo dentro de si pra sofrer sem necessidade”. Era um pressagio. Ainda tivemos um almoço antes de ir pegar o ônibus. Me sentei no banco da rodoviária aos prantos. Eu sabia o que viria pela frente? Lá estava eu com medo novamente.

—Telefone-

—Oi amor.

—Oi amor. (Chorosa)

—Você tá chorando?

—Não, estou gripada! (Metira)

—Você esteve quatro dias comigo e você não estava gripada. Tá chorando né? Quando você olhar pro horizonte você ficara feliz.

E você veio com uma rosa de plástico em mãos. Nosso ultimo beijo. Eu abri meus olhos e apenas confiei.

—Heartbreak day-

Aqui estou depois do adeus... Deitada no chão frio do meu trabalho, catando os caquinhos que estão saindo do meu peito esperando estar bem para me levantar.

Eu sempre vou estar aqui e as luzes vão te guiar nos horizontes até o meu coração e as estrelas irão te trazer pra casa.

Notas finais
Compartilhe comigo se você teve uma historia assim também que não tem uma explicação para o final.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!