Notas iniciais
Boa leitura ; D

Na manhã seguinte sou tirada da cama cedo, tomamos café com o pessoal da sede, todos parecem tristes com a minha partida, o que é engraçado, uma vez que não ficamos nem um dia inteiro juntos, na hora de ir embora Bak-san se aproxima de mim.

Você está melhor? Aquiesço, lhe sorrindo, de certo modo eu queria poder ficar nesta filial, todos são tão gentis. — Quanto ao que vimos ontem, não direi a ninguém, o conteúdo daquele livro só diz respeito aos Ichinose e aos Chang.

Obrigada! Falo, abraçando-o, vejo que ele congela e o solto rindo.

De nada. Ele responde com as bochechas vermelhas.

Despedimo-nos de todos e seguimos para a sede Norte Americana, assim que chegamos lá, somos recebidos por Renny, que como sempre é intimidadora, porém ainda é mais simpática que o pessoal da central.

Percebo logo que ela não está exatamente do meu lado, porém seu verdadeiro problema parece ser o fato de que sou muito mole e não sei me impor, palavras que ela disse quando lhe falei sobre minhas expectativas no comando da Ordem. De acordo com ela, as pessoas têm até que se aproximar para me ouvir, e isto mostra o quanto não sou apta a dar ordens. Ao menos Renny foi honesta e tenho de dar o braço a torcer que não tenho nem metade de sua confiança e não pareço em nada com uma figura de autoridade.

Da sucursal Sul Americana lembro-me especialmente do lugar lindo em que estava localizada, depois de ter passado por uma caverna subterrânea e uma pirâmide no meio do deserto, fiquei encantada com a visão da floresta amazônica. A parte superior da construção era toda de vidro, permitindo que víssemos quilômetros de floresta.

A sede Africana ficava localizada no Saara, o que significava mais deserto, meu corpo não sabia mais o que pensar, num dia enfrentávamos chuva e 10°C, no seguinte 40°C e um Sol escaldante. Mas o verdadeiro problema foi a noite, quando a temperatura despencou para 3°C, eu desacreditei completamente quando me disseram que a noite iria esfriar, porém tive a prova, e não foi nada agradável.

Quando chegamos à sede da Oceania eu estava me sentindo meio mal, muito provavelmente pelo fato de a temperatura ter mudado mais de 30°C em um mesmo dia, o que significa que mal prestei atenção ao que acontecia a minha volta, e despenquei na cama no final do dia, desejando que aquela fosse a última filial.

Acordei com febre no dia seguinte, o que não foi nenhuma surpresa para mim, contudo preferi que terminássemos com esses passeios de uma vez, então seguimos para a sede do Oriente Médio, tenho até pena de Louis, o chefe desta sede, eu quase dormia em pé, o que fez com que o tour fosse extremamente curto, e eu fosse arrastada de volta para meu quarto assim que ele terminou.

Finalmente estamos de volta. Diz Aki assim que atravessamos o portal.

Aquiesço, sem vontade de falar, parece que engoli fogo de tanto que minha garganta arde, meu irmão se aproxima e põe a mão em minha testa.

Eu vou cuidar dos assuntos burocráticos. Meu irmão retira a mão e beija minha testa. — Descanse, sua febre está bem alta.

Sua expressão é bem preocupada, tento lhe dar um sorriso reconfortante, mas estou tão cansada que sinto que poderia dormir ali mesmo. Ele se afasta e eu e Kanda seguimos para o quarto, assim que entramos no mesmo, sigo para minha cama, deito-me já praticamente dormindo.

Acordo com Yuu me cutucando gentilmente, ele diz que preciso comer para poder tomar o remédio, como sem sentir o gosto e depois tomo o remédio voltando a dormir logo em seguida.

Sinto falta de ar, parece que meu corpo está sendo esmagado por uma força invisível, isso não é real, digo a mim mesma, tento descobrir o que está acontecendo, um pesadelo? Uma memória? Um… finalmente consigo achar a razão, salto da cama, já correndo para a porta, preciso ajudá-lo.

Fuyu. Paro tão bruscamente que minha cabeça gira, vejo que trata-se de Kanda que agarrara meu braço.

Ele precisa que…

Você mal se aguenta em pé. Verdade seja dita, a tontura está bem ruim e é o moreno que está suportando meu peso.

Mas eu preciso… Minha visão embaça, sinto-me mais desesperada a cada momento, puxo meu braço com força. — Me larga!

Exijo, dando um forte tranco, não espero nem mais um segundo, volto a correr para fora do quarto, Miguel, o novo exorcista, está na enfermaria, ele foi infectado com o vírus akuma e também tem diversos outros ferimentos, o único motivo de ele ter conseguido chegar a Ordem foi por estar junto de Miranda.

Saio do elevador e disparo para a ala da enfermagem, Miranda havia aprendido a controlar sua inocência ainda melhor, sendo capaz de escolher exatamente que evento ela gostaria de anular, por essa razão, ela estava mantendo o vírus akuma fora enquanto os médicos tentavam tratar os ferimentos, contudo, até mesmo os ferimentos já eram perigosos e em algum momento ela teria que desativar por completo sua inocência, e eu sabia que não demoraria muito.

Ichinose-sama. Não paro para ouvir a enfermeira, continuo até chegar onde eles estão.

Fuyuki-chan?!

Miranda desative sua inocência, vou cura-lo. Ela parece atordoada. — Me deem licença!

Digo abrindo espaço entre os médicos e enfermeiros, minha cabeça continua girando, fecho os olhos e estico as mãos concentrando a inocência nelas. Uma sensação calmante toma conta de mim, ouço dizerem meu nome, porém ignoro, um sorriso se forma em meu rosto, fazia algum tempo que eu não usava a inocência, não imaginei que sentiria tanta falta.

Sinto o momento em que Miranda desativa sua inocência, ela também estava bem cansada, havia usado bastante sua inocência durante esta missão. Filtro o veneno akuma assim que ele da os primeiros sinais, abro os olhos para constatar os estado dos ferimentos e volto a me concentrar neles, Miguel pisca, sinto meu coração leve, ele está bem.

Uau! O moreno levanta a cabeça olhando para o lugar onde antes havia um enorme corte, e agora há apenas sangue seco e um pequeno machucado. — Isto é muito legal!

Rio, termino de fechar o ferimento e quando não há mais nem uma cicatriz, afasto-me com um sentimento de missão cumprida, ele me sorri.

Isto foi incrível, chica.

Tento lhe sorrir de volta, mas a sala se inclina em um ângulo estranho, sinto minhas pernas fraquejarem e segundos antes de tudo ficar escuro sinto-me atingindo algo quente.