The first snow
5 Por você
Notas iniciais
Ichinose Akihiko POV
— O que aconteceu? Questiono quando minha irmã volta a fechar a porta. — Ontem à noite os sentimentos de vocês estavam um bagunça.
Kanda suspira, passando a mão pelos cabelos, seus sentimentos voltam a ficar ruins só a menção do ocorrido, o que não me agrada nem um pouco.
— Fuyuki foi “atacada”. Arqueio uma sobrancelha. — Ela esteve se atualizando sobre a situação na ordem e houve um boato em nossa ausência, parece que ele cresceu bastante e agora muitas pessoas odeiam Fuyu.
Rio, acho que é a primeira vez na vida que ouço esta frase, não, a segunda, mas uma raridade de qualquer jeito, é quase impossível que alguém a odeie. Percebo que os sentimentos do moreno se tornam mais negros, ele não parece achar graça nenhuma.
— O quão ruim foi o ataque? Pergunto, percebendo que é bem mais grave do que eu imaginava.
— Algo nela estava… Kanda suspira, parecendo procurar a melhor maneira de explicar, começo a sentir meu sangue esquentar. — Algo tentou tomar o controle, e eu acho que conseguiu, não sei ao certo, eu sem dúvida estava com raiva, mas não estava pensando direito, era como quando ela perde o controle, eu sabia que iria acontecer e tentei impedir, depois disso…
Engulo em seco, os sentimentos deles de fato estavam bagunçados demais então não consegui distingui-los, mas talvez fosse apenas o fato de que Kanda havia mesmo pego os sentimento de Fuyu.
— Eu só voltei a mim quando ela se acalmou um pouco, mas Fuyu não estava com raiva. Ele balança a cabeça parecendo tentar entender, aposto que não é nem um pouco fácil. — Ela queria cura-lo.
O moreno abre um sorriso sem nenhum humor.
— Cura-lo, o que houve com ele? Kanda arqueia uma sobrancelha.
— Eles. Sinto meu nível de autocontrole diminuindo, quero muito saber seus nomes. — Não se preocupe, aposto que eles não vão voltar a incomoda-la tão cedo.
Sorrio junto do moreno, sei que Fuyu nos odiaria por isso, mas simplesmente não podemos deixar que as pessoas a machuquem e saiam impune, ser bondosa é a parte dela, e a nossa é garantir que ela possa continuar assim.
— Vou garantir que mais ninguém ouse incomoda-la.
Digo sentindo meu coração acelerar com a adrenalina, não terei o prazer de esmurra-los como Kanda, mas me contento em saber que posso garantir que isto não volte a acontecer, nessas horas acho bem vantajoso meu sobrenome.
— Yuu. Fuyu-chan abre a porta, um grande sorriso estampado em seu rosto, desço os olhos, ela veste um uniforme da Ordem. — Lala me disse que Johnny te fez um uniforme, deve estar na sua parte do armário.
Ele acena com a cabeça e segue para dentro do quarto, a morena se vira para mim, com a Foster ao seu lado.
— Eu vou ao banheiro…
— Não! Ambas me olham parecendo confusas. — Vamos esperar Kanda, vamos todos juntos.
— Você sabe que os banheiros são separados, certo? Diz Layla parecendo me achar louco, suspiro irritado.
— Os banheiros dos exorcistas sim, mas os visitantes tem banheiros exclusivos.
As duas parecem surpresas, será que Fuyu ainda não usou o banheiro da torre? Finalmente chego a conclusão, a conhecendo como conheço, aposto que ela saiu por ai caçando o banheiro que ela já conhecia, suspiro, por que não arriscou bater na porta a sua frente.
— Ah, Fuyu-chan sou eu que estou neste quarto, certo? Ela sorri radiante. - Qualquer coisa pode me chamar, a qualquer hora.
Minha irmã aquiesce e agradece, Kanda sai do quarto vestindo seu novo uniforme, vejo Fuyu corar, suspiro, nessas horas eu realmente preferia não saber seus sentimentos.
— Vamos logo, eu já estou ficando com fome. Sinto-me grato a loira, quando ela agarra a mão de Fuyu e a sai arrastando para o elevador, as seguimos.
— É aqui. Fuyuki suspira, se sentindo idiota por ter passado tanto tempo procurando um banheiro quando haviam tantos a sua disposição.
Ela segue para um e Kanda para outro, Layla fica imediatamente desconfortável com o silencio, contudo não sabe o que falar.
— Obrigada. Ela me olha sem entender, rio. — Por não falar do cabelo.
— Ah, eu imaginei que havia algo a mais. A Foster suspira olhando para o chão.
— Fuyu não queria dar trabalho como sempre, ela de fato gosta dele comprido, mas não estava conseguindo cuidar, então ela preferiu corta-lo. Ela aquiesce. — Ao menos Kanda teve o bom senso de dizer a ela que ficou bonito, ela até passou a gostar mais dele curto.
Desatamos a rir, Fuyu é sempre tão transparente, logo os dois estavam de volta. Seguimos para a cafeteria, no caminho os sentimentos da morena começaram a se tornar cada vez mais agitados. Ela estava preocupada e assustada, sabia que ninguém iria tentar nada conosco por perto, mas só o clima pesado já a deixava mal.
Assim que pisamos na entrada do refeitório, todos os olhos se voltaram para nós, ao meu lado minha irmã engoliu em seco e se encolheu para mais perto de Kanda, este por sua vez parecia inabalável, contudo eu sabia que ele estava de olho nos sentimentos dela.
— Kanda! Olhamos a direção da voz. — Fuyuki-chan!
Johnny acenava contente para nós, os outros em sua mesa também nos sorriam, daquela mesa todos estavam genuinamente contentes em vê-los.
— Por que não vai se sentar? Fuyu vira para mim. — Eu pego a comida para você.
— Ah, não precisa, mas obrigada!
— E você Layla, o que vai querer? Ela me olha sem entender. — De comida.
— Você vai pegar pra mim?! Rio de sua expressão de descrença.
— Se a Layla for, você também aceita se sentar, né Fuyu? Sua bochecha cora, rio, tão transparente.
— Eu quero suco de uva e torta de palmito. Aquiesço e começo a me afastar. — Espera, e a Fuyu?
— Eu vou querer brownie! Diz Fuyu parecendo animada.
— Mas primeiro vai comer algo salgado. Rebate Kanda, eu e Layla rimos da cara da morena, que parece pensar profundamente sobre o que comer. — Você pode fazer isso sentada, eu vou saber o que você quer de qualquer jeito.
As duas se afastam e vejo que a loira parece confusa com o que acabou de ouvir, porém quando se juntam aos outros, ela parece esquecer.
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