Notas iniciais
Boa leitura ; *

Ichinose Akihiko POV

O que aconteceu? Questiono quando minha irmã volta a fechar a porta. — Ontem à noite os sentimentos de vocês estavam um bagunça.

Kanda suspira, passando a mão pelos cabelos, seus sentimentos voltam a ficar ruins só a menção do ocorrido, o que não me agrada nem um pouco.

Fuyuki foi “atacada”. Arqueio uma sobrancelha. — Ela esteve se atualizando sobre a situação na ordem e houve um boato em nossa ausência, parece que ele cresceu bastante e agora muitas pessoas odeiam Fuyu.

Rio, acho que é a primeira vez na vida que ouço esta frase, não, a segunda, mas uma raridade de qualquer jeito, é quase impossível que alguém a odeie. Percebo que os sentimentos do moreno se tornam mais negros, ele não parece achar graça nenhuma.

O quão ruim foi o ataque? Pergunto, percebendo que é bem mais grave do que eu imaginava.

Algo nela estava… Kanda suspira, parecendo procurar a melhor maneira de explicar, começo a sentir meu sangue esquentar. — Algo tentou tomar o controle, e eu acho que conseguiu, não sei ao certo, eu sem dúvida estava com raiva, mas não estava pensando direito, era como quando ela perde o controle, eu sabia que iria acontecer e tentei impedir, depois disso…

Engulo em seco, os sentimentos deles de fato estavam bagunçados demais então não consegui distingui-los, mas talvez fosse apenas o fato de que Kanda havia mesmo pego os sentimento de Fuyu.

Eu só voltei a mim quando ela se acalmou um pouco, mas Fuyu não estava com raiva. Ele balança a cabeça parecendo tentar entender, aposto que não é nem um pouco fácil. — Ela queria cura-lo.

O moreno abre um sorriso sem nenhum humor.

Cura-lo, o que houve com ele? Kanda arqueia uma sobrancelha.

Eles. Sinto meu nível de autocontrole diminuindo, quero muito saber seus nomes. — Não se preocupe, aposto que eles não vão voltar a incomoda-la tão cedo.

Sorrio junto do moreno, sei que Fuyu nos odiaria por isso, mas simplesmente não podemos deixar que as pessoas a machuquem e saiam impune, ser bondosa é a parte dela, e a nossa é garantir que ela possa continuar assim.

Vou garantir que mais ninguém ouse incomoda-la.

Digo sentindo meu coração acelerar com a adrenalina, não terei o prazer de esmurra-los como Kanda, mas me contento em saber que posso garantir que isto não volte a acontecer, nessas horas acho bem vantajoso meu sobrenome.

Yuu. Fuyu-chan abre a porta, um grande sorriso estampado em seu rosto, desço os olhos, ela veste um uniforme da Ordem. — Lala me disse que Johnny te fez um uniforme, deve estar na sua parte do armário.

Ele acena com a cabeça e segue para dentro do quarto, a morena se vira para mim, com a Foster ao seu lado.

Eu vou ao banheiro…

Não! Ambas me olham parecendo confusas. — Vamos esperar Kanda, vamos todos juntos.

Você sabe que os banheiros são separados, certo? Diz Layla parecendo me achar louco, suspiro irritado.

Os banheiros dos exorcistas sim, mas os visitantes tem banheiros exclusivos.

As duas parecem surpresas, será que Fuyu ainda não usou o banheiro da torre? Finalmente chego a conclusão, a conhecendo como conheço, aposto que ela saiu por ai caçando o banheiro que ela já conhecia, suspiro, por que não arriscou bater na porta a sua frente.

Ah, Fuyu-chan sou eu que estou neste quarto, certo? Ela sorri radiante. - Qualquer coisa pode me chamar, a qualquer hora.

Minha irmã aquiesce e agradece, Kanda sai do quarto vestindo seu novo uniforme, vejo Fuyu corar, suspiro, nessas horas eu realmente preferia não saber seus sentimentos.

Vamos logo, eu já estou ficando com fome. Sinto-me grato a loira, quando ela agarra a mão de Fuyu e a sai arrastando para o elevador, as seguimos.

É aqui. Fuyuki suspira, se sentindo idiota por ter passado tanto tempo procurando um banheiro quando haviam tantos a sua disposição.

Ela segue para um e Kanda para outro, Layla fica imediatamente desconfortável com o silencio, contudo não sabe o que falar.

Obrigada. Ela me olha sem entender, rio. — Por não falar do cabelo.

Ah, eu imaginei que havia algo a mais. A Foster suspira olhando para o chão.

Fuyu não queria dar trabalho como sempre, ela de fato gosta dele comprido, mas não estava conseguindo cuidar, então ela preferiu corta-lo. Ela aquiesce. — Ao menos Kanda teve o bom senso de dizer a ela que ficou bonito, ela até passou a gostar mais dele curto.

Desatamos a rir, Fuyu é sempre tão transparente, logo os dois estavam de volta. Seguimos para a cafeteria, no caminho os sentimentos da morena começaram a se tornar cada vez mais agitados. Ela estava preocupada e assustada, sabia que ninguém iria tentar nada conosco por perto, mas só o clima pesado já a deixava mal.

Assim que pisamos na entrada do refeitório, todos os olhos se voltaram para nós, ao meu lado minha irmã engoliu em seco e se encolheu para mais perto de Kanda, este por sua vez parecia inabalável, contudo eu sabia que ele estava de olho nos sentimentos dela.

Kanda! Olhamos a direção da voz. — Fuyuki-chan!

Johnny acenava contente para nós, os outros em sua mesa também nos sorriam, daquela mesa todos estavam genuinamente contentes em vê-los.

Por que não vai se sentar? Fuyu vira para mim. — Eu pego a comida para você.

Ah, não precisa, mas obrigada!

E você Layla, o que vai querer? Ela me olha sem entender. — De comida.

Você vai pegar pra mim?! Rio de sua expressão de descrença.

Se a Layla for, você também aceita se sentar, né Fuyu? Sua bochecha cora, rio, tão transparente.

Eu quero suco de uva e torta de palmito. Aquiesço e começo a me afastar. — Espera, e a Fuyu?

Eu vou querer brownie! Diz Fuyu parecendo animada.

Mas primeiro vai comer algo salgado. Rebate Kanda, eu e Layla rimos da cara da morena, que parece pensar profundamente sobre o que comer. — Você pode fazer isso sentada, eu vou saber o que você quer de qualquer jeito.

As duas se afastam e vejo que a loira parece confusa com o que acabou de ouvir, porém quando se juntam aos outros, ela parece esquecer.