The first snow
10 Oscilações de humor
Notas iniciais
— Obrigada! Digo me curvando à enfermeira que sorri e se despede com um aceno, aceno de volta e me encaminho para a saída. — Yuu?
Surpreendo-me em vê-lo parado do lado de fora encostado na parede, todo o tempo em que estive aqui ele nem aparecera, suspiro, ele se desencosta e seguimos em silêncio para o elevador, obviamente ele está bravo, mas o que esperava, eu não podia simplesmente abandonar alguém ferido.
Assim que chegamos no quarto penso em me desculpar, mas não parece certo, suspiro balançando a cabeça, ele pega um livro e se senta a mesa. Ótimo, eu também preciso ler, dou uma olhada nos livros e opto por um que fala das habilidades da inocência coração.
Sento-me na cama e abro o livro, a introdução explica que na verdade a inocência é fortemente influenciada por seu portador, podendo tomar a forma que mais lhe agrada e adaptando suas habilidades para melhor servi-lo. Será por isso que eu não tenho nenhum poder bélico?
Suspiro me sentindo deprimida, fecho o livro e o coloco junto com os outros que já li, estamos aqui há horas, já estou mais que entediada, levanto e me espreguiço, olho o relógio, já são quase duas da tarde, decido ir ao refeitório comer algo.
Assim que abro a porta ele se levanta, não consigo evitar lhe lançar um olhar de lado, por que vai vir comigo se está me ignorando, penso cruzando os braços e seguindo para o elevador. Encostamo-nos a paredes opostas e olhamos para pontos diferentes, por quanto tempo ele pretende continuar com isso, penso começando a me sentir irritada.
Entramos na fila, pegamos a comida e sentamo-nos ainda em completo silêncio, isso está me enlouquecendo, não que Kanda seja extremamente falante, mas ele está fazendo de propósito.
— Hey chica! Surpreendo-me quando uma bandeja é colocada ao meu lado. — Está melhor?
Aceno com a cabeça, sorrindo, não esperava que ele viesse falar comigo, nunca tínhamos nos falado antes e com os boatos de que eu era uma traidora, não achei que seria agora que ele iria querer começar.
— Obrigada por ter me curado. Ele sorri. — Era bem feio, eu não teria sobrevivido se não fosse por você.
Sinto-me completamente incrédula, eu tinha visto por sua mente que ele acreditava nos boatos sobre mim, por que havia mudado de ideia?
— Eu estou atrapalhando? Minha cabeça pende para o lado. — Não sei, vocês tem tipo um voto de silencio durante a refeição?
— Não! Minhas bochechas esquentam, que idiota, eu o estava encarando sem abrir a boca, obvio que ele iria estranhar. — Desculpe, acho que só fiquei muito surpresa de você ter vindo se sentar comigo.
— Ah, por causa dos boatos? Concordo com a cabeça. — Eu vou ser honesto, achava mesmo que você não estava do nosso lado, todas as provas estavam contra você, mas depois do que fez por mim, bom, não sei o que ganharia forçando seu corpo daquela maneira, você ficou apagada por um bom tempo.
— Entendo. Murmuro para não voltar a ficar em completo silêncio.
— Mas me mata uma curiosidade. Olho para ele, que me da um grande sorriso. — Quem foi que inventou tanta baboseira sem sentido?
Rio, balançando a cabeça, ele muda de opinião bem rápido e nem se importa de assumir que acreditava em algo que agora pensa ser uma total besteira.
— Digamos que Leverrier não gosta muito de mim.
— Aquele cara?! Sua expressão é de pura descrença. — Acho que ele não gosta nem de si mesmo.
Desatamos a rir, fico feliz de ter tido a chance de conversar com Miguel e conhecê-lo direito, ele é muito divertido e parece estar sempre de bom humor, o que me faz sentir muito melhor.
Depois que terminamos de comer, voltamos para o quarto, decido deixar de lado a razão, não vale a pena ficar brava por mais tempo e eu não aguento mais este silêncio enlouquecedor.
— Yuu. Sento-me de frente para o moreno. — Me desculpe.
Ele levanta os olhos do livro que está lendo, por sua expressão sei que tem algo errado, respiro fundo, ele vai me dar bronca penso, resignada.
— Seu humor está piorando. Minha cabeça pende para o lado e deixo um ahm escapar. — Você gritou com seu irmão, brigou com os cardeais, brigou com seu irmão novamente e gritou comigo.
Engulo em seco, não ando boa em controlar minha raiva, o que não é normal, eu não sou uma pessoa que costuma se irritar fácil. Por que ando tão brava?
— Eu não estava bravo, mas queria ver quanto tempo você demoraria a vir falar comigo. Ele estava me testando, não acredito. — Já está brava de novo.
Meus olhos se arregalam a sua constatação, é verdade, eu ando tão “sensível”, tenho explodido por tão pouco, o que está acontecendo?
— Eu não sei, Akihiko também notou e está preocupado.
Pisco diversas vezes, eles tinham conservado sobre isso, respiro fundo, eles só estão preocupados comigo, é normal, Aki é meu irmão e Kanda meu guardião. Então por que isso me incomoda tanto?
Levanto-me e pego um bolo de relatórios da Ordem que Aki havia me entregue, de acordo com ele eram coisas que eu precisava saber, sento-me na cama e tento focar minha atenção nos papéis, porém minha mente continua se desviando e voltando a mesma questão, o que está acontecendo comigo?
— Fuyu-chan.
Olho para a porta, Kanda havia acabado de se levantar e abri-la, revelando Akihiko, vê-los um ao lado do outro faz voltar àquela sensação desconfortável, chacoalho a cabeça tentando me livrar dela.
— Oi. Digo sem conseguir pensar em nada melhor e com medo de meu próprio tom.
— Eu pensei que talvez você gostaria de ir ao centro de comando, Komui disse que está livre e não se importa de te mostrar o como as coisas funcionam.
Aquiesço, colocando os papeis de lado e me levantado, sair um pouco deve me fazer bem, além do mais, ainda falta meu “tour” aqui na sede britânica.
Encontramos Komui em sua sala, ele nos guia por todas as diferentes áreas de pesquisa, nos explicando quais as diferenças entre os diversos setores da área de ciências. Quando entramos na área de inteligência, encarregada dos finders, percebo todos os olhares se voltarem para mim, encolho-me mais entre Kanda e Aki, nesse momento sou muito grata por minha baixa estatura.
— Aqui é a seção médica. Diz Komui nos deixando entrar na sala.
— Komui, eu estive pensando… Os três param e se viram para mim. — Sem dúvida a equipe médica é eficiente, mas eles são pessoas normais, tem coisas que estão além de seu poder.
Depois de ter curado Miguel, fiquei por dois dias na enfermaria, durante os quais me dei conta do quanto é limitada a área de ação dos médicos.
— Por que não colocamos um curandeiro a disposição da Ordem? Viro-me para Aki, que parece ser pego surpresa.
— Bom, não é uma má ideia, contudo, eu não sei se algum deles aceitaria.
— Não acho que eles podem contestar uma ordem do chefe da família. Digo impassível, o encarando.
— Supervisor. O comunicador de Komui apita, chamando nossa atenção.
— Sim.
— Arystar Krory e o general Tiedoll estão a sua espera em seu escritório. Pisco algumas vezes, eles estavam em missão, estavam junto de Layla. — Eles têm uma mensagem importante para o senhor.
Viro-me sem esperar pelo outros e ando o mais rápido que consigo de volta até a sala do supervisor, onde está Layla?
— Fuyu-chan?! O general parece surpreso ao me ver entrar na sala.
— Onde está Layla? Vejo os outros entrando atrás de mim.
— Fuyuki-chan… Krory parece a beira de lágrimas, sinto algo ferver dentro de mim.
— Onde está Layla?!
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