The first snow
35 Estratégia vs Poder
Notas iniciais
Sem me dar tempo para pensar, o Apocrypho se joga contra mim, pisco surpresa, não vai dar tempo de desviar penso fechando os olhos com força e me preparando para o impacto.
Sinto que o impacto está demorando muito a chegar, abro os olhos e noto que há um escudo a minha volta, mas o mais surpreendente é que não foi o escudo que impediu o ataque e sim Allen e Lenalee.
— Vocês não devem lutar contra ele. Digo indo em direção a eles. — A inocência…
Sinto meu pulso ser segurado levemente, viro-me e dou de cara com Lavi.
— Nós podemos combatê-lo agora. Pisco confusa, Marie e Kanda param ao lado do ruivo.
— Você fez alguma coisa que nos permite lutar contra ele. Fala Marie, olho para Yuu na expectativa de que ele me explique.
— Quando você foi arremessada nós fomos liberados, o Apocrypho tentou nos atacar, porém conseguimos acerta-lo. Resume o moreno. — De alguma maneira, você anulou os poderes dele.
Suspiro aliviada, entretanto, volto meus olhos para a batalha, chacoalho a cabeça e baixo os olhos, virando-me para eles.
— Ainda assim há muita diferença no poder, vocês não devem lutar contra ele, essa é a minha batalha. Digo apertando minhas mãos em punhos, não posso permitir que meus amigos se machuquem.
Para minha total surpresa, Lavi passa a mão em minha cabeça, levanto os olhos para os três que ostentam expressões compassivas semelhantes.
— Fuyuki-chan, você está machucada? Fala Miranda se juntando a nós. — Eu vou ativar o Time Record...
— Não! Seguro a mão da morena para impedi-la. — Você não deve desperdiçar sua energia comigo, eu estou bem.
— Desperdiçar? Indaga Marie. — Você protegeu todos nós.
— É o meu dever, eu... Sem me deixar terminar, Lavi volta a passar a mão em minha cabeça dessa vez, contudo, bagunçando meu cabelo.
— Não se faça de durona, você já lutou o suficiente por todos nós, agora é nossa vez de retribuir. Olho para os quatro, Miranda e Marie aquiescem, enquanto o ruivo passa o braço em torno de meus ombros. — Deixe Miranda curar você, nós cuidaremos do Apocrypho.
— Vocês não podem derrota-lo. Tento soar o menos ofensiva possível.
— Mas podemos atrasa-lo, até que esteja pronta. Rebate Lavi, olho para Yuu na esperança de que ele me apoie.
— Você precisa recuperar sua energia, não está em condições de lutar agora e não vai derrota-lo sem um plano.
Suspiro me dando por vencida, os três se juntam a batalha, enquanto eu e Miranda nos juntamos a Link, que também se oferece para me curar, porém consigo dissuadi-lo uma vez que não tenho nenhum ferimento muito grave.
Sento no chão assistindo a batalha, não consigo pensar em nada capaz de acabar com o Apocrypho, quer dizer, não pretendo mata-lo de jeito algum, mas tirando essa opção, como posso fazer para detê-lo?
Como será que eles conseguiram atacar o Apocrypho? Quer dizer, eles dizem que foi algo que eu fiz, entretanto não me recordo de ter feito nada, tudo bem, também não me lembro de ter usado a arca, mas essa é a única explicação plausível de como os três mudaram de lugar.
Por que mesmo depois de tanto treinamento tudo que faço é inconsciente? A essa altura já se esperava que no mínimo eu soubesse o que estava fazendo. Cubro meu rosto com as mãos inclinando-me para frente, só então reparo que estou sentada em posição de flor de Lotus, acho que passei tanto tempo nessa posição nos últimos tempos que já a assumo inconscientemente.
Uma ideia brota em minha cabeça, fecho os olhos regularizando minha respiração, ouço o som dos impactos ficando cada vez mais distante, aos poucos vou sentindo minha mente mais e mais clara, se eu quero compreender meu poder, primeiro preciso entrar em contato com ele, essa foi a base do meu treinamento. Sinto a magia dentro de mim, concentro-me unicamente nela em busca de entender o que eu fiz, abro os olhos surpresa, não é possível. Passo os olhos em um por um para confirmar, não pode ser, viro-me para Miranda e não há como negar, em volta de cada um dos meus amigos há uma camada de energia, mais precisamente da minha energia, mas como?
Eu os recobri com magia, causando assim uma interferência no poder de Apocrypho, isso foi brilhante! Constato chocada, talvez eu deva continuar a lutar inconsciente, acabo me saindo melhor do que quando planejo.
O Apocrypho arremessa Allen contra Lavi, chacoalho a cabeça, não é hora de ficar impressionada, tenho que achar um modo de para-lo. Talvez eu possa bloqueá-lo assim como fiz com os outros, se de alguma forma eu conseguir “atingi-lo” com minha magia...
— Já teve uma ideia? Indaga Kanda se aproximando, levanto-me sentindo uma agitação crescente.
— É uma espécie de ideia, mas não sei como colocá-la em prática. O moreno me fita atentamente, respiro fundo. — Eu preciso atingi-lo diretamente com a minha magia, uma vez que ele esteja em contato com ela poderei bloquear seus poderes na fonte.
— E assim não precisará mata-lo. Anuo mesmo sendo uma retórica, Yuu me da um sorriso melancólico. — Sabe que não poderá evitar isso para sempre, certo?
Suspirando ele se volta para a batalha, mesmo que diga isso, sei que ele está pensando em um modo de me ajudar.
— Você disse que pode canalizar seu poder em outras inocências, não é Fuyuki—chan? Ambos olhamos para Miranda, ela parece vacilar um pouco mediante Kanda, porém sorrio de forma reconfortante, ao que ela conclui. — Não poderia aproveitar então a inocência de alguém que esteja batalhando?
— Isso é brilhante Miranda! Ela pisca surpresa quando a abraço. — Você é genial, muito obrigada.
— Yuu, eu…
— Eu farei isso.
— De jeito nenhum! Rebato estreitando meus olhos. — Você sabe bem quais as consequências para outra pessoa que não eu, usar meus poderes.
— Então vai simplesmente atacar o Apocrypho com uma arma de verdade. Ele me encara seriamente. — Terá a coragem de machuca-lo?
— Não é uma questão de coragem, eu sou a única que pode para-lo, não posso deixar que continue a machucar meus amigos. Respiro fundo, balançando a cabeça. — Farei o que for necessário para proteger meus amigos, essa é minha prioridade!
Estico minha mão olhando firmemente para o moreno, dessa vez não vou recuar nem hesitar, já passou da hora de enfrentar meus medos. Dando de ombros Kanda me entrega a Mugen, sinto um peso se depositar em meu estômago, acho que nunca vou gostar muito de armas, penso suspirando.
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