The first snow
30 Dia especial
Notas iniciais
Abro os olhos preguiçosamente, está tão friozinho, não estou com vontade de sair da cama, viro-me reparando que Kanda já levantou, o que não é muita novidade, bocejo e olho o relógio, 8:20, provavelmente o que me acordou foi meu estomago, suspiro não querendo sair da cama, é uma raridade ninguém ter vindo me chamar ainda.
Meu estomago ronca novamente e eu me rendo, jogo as pernas para fora da cama me sentando e estremeço com o frio, sigo até a janela e meus olhos se arregalam, sinto um sorriso de ponta a ponta se formar em meu rosto e sem esperar abro a porta e desço correndo as escadas.
— Aonde voc... Mãe fala do pé da escada.
— Neve! Digo rindo sozinha, porém quando chego ao último degrau, ela me para, olho-a sem entender. — O que foi?
— É bom que esteja tão animada, suponho que já que gosta tanto assim de neve, não vai se importar de ir até a cidade para mim, certo? Pisco algumas vezes um pouco incerta se ouvi direito, quer dizer, ela nunca me pedia nada, a única coisa que faço desde que cheguei aqui é treinar, obviamente eu amaria ter uma folga, mesmo se for para ir fazer alguma tarefa para ela.
— Não me importo nem um pouco. Respondo aquiescendo fervorosamente e rezando para que ninguém apareça e me diga para ir treinar. — O que quer que eu faça?
— Tem algumas coisas faltando em casa, quero que vá compra-las para mim, porém, terá que ir a próxima cidade, já que algumas delas, não se encontra nessa cidade pequena. Sinto meu sorriso aumentar ainda mais.
— Sem problemas! Pego a lista de sua mão e me viro, seguindo a passadas largas até a porta.
— Tudo isso é pressa pra fugir do treinamento? Paro com a mão na maçaneta e sinto minha expressão murchar, enquanto me viro tentando não parecer tão decepcionada.
— Não é bem isso, eu só...
— Ia dar um passeio na neve de pijama. Desço os olhos e sinto meu rosto ferver, a empolgação foi tão grande que até me esqueci de trocar de roupa, rio sem graça. — Vá se trocar, vamos sair assim que estiver pronta.
— Sair?! Não consigo evitar que um pouco de esperança transborde em minha voz, Yuu realmente vai me deixar pular o treinamento hoje e ir a cidade?
- Vá logo, antes que eu mude de ideia.
Assim que ele termina a frase subo correndo, me arrumo em tempo recorde e 8:35 já estou correndo escada a baixo.
— Pronta! Falo assim que chego ao último degrau da escada.
— Quanta pressa. Provoca Kanda, ao que rio sem graça, nos despedimos de Mãe e saímos de casa.
Ando olhando tudo com muita animação, finalmente o primeiro dia de neve, não tenho como descrever o quanto gosto de neve, honestamente, eu amaria me jogar no chão agora mesmo e fazer um anjo de neve, também queria fazer guerra de neve, Lala sempre fazia comigo, o primeiro dia de neve no orfanato era tão divertido, brincávamos o dia todo, eu amava…
— Fuyuki. Dou alguns passos para trás, após atingir algo, levanto os olhos e descubro se tratar de Yuu, que está parado de frente para mim, com uma expressão descrente.
— Desculpe, disse algo? Falo rindo. — Eu estava distraída.
— Distraída? O moreno arqueia uma sobrancelha, o que me faz rir ainda mais. — Eu te perguntei o que vamos comer.
— Tanto faz, você pode… Ele estreita os olhos, coço minha cabeça sorrindo constrangida, obviamente sou eu que vou escolher, acho que faz tanto tempo que não saio sozinha com ele que já até desacostumei. — Podemos ir a uma padaria.
— Aonde você quer ir? Pergunta voltando a andar, penso um pouco, não conheço nada desta cidade, o primeiro lugar de boa aparência é a minha opção. — Escolha.
Olho para os dois lados, na rua em que estamos tem bastante comercio, nem reparei que já tínhamos chego a cidade, vejo uma loja de tortas e meus olhos brilham, parece tão boa. Sinto meu pulso sendo agarrado e Kanda me puxa em direção a loja.
— Yuu não… Antes que eu termine, já estamos dentro do estabelecimento, o cheiro faz meu estomago roncar fortemente, sinto minhas bochechas corarem, sentamo-nos e uma garçonete nos traz cardápios. - E você?
Pergunto ao ver que só tem doces, ele da de ombros, penso em tentar convencê-lo a irmos a outro lugar, mas ele se vira olhando para fora, suspiro, batalha perdida, olho o cardápio e começo a sentir ainda mais fome, tem tanta coisa com cara boa.
— Já decidiram? Indaga a garçonete voltando.
— Eu quero um café com chantilly e… Olho para o cardápio indecisa. — Você já as provou? Qual é melhor, frutas vermelhas, café, chocolate, nozes ou pêssego?
— Bom… Ela parece um pouco surpresa. — Todas são boas. Chocolate, frutas vermelhas e pêssego são mais doces, as outras são um…
— Traga todas. Ambas olhamos para Kanda surpresas, ele nem se quer havia desviado o olhar da janela.
— Hum, Yuu...
— Você consegue comer, não? Ele se volta para mim, aquiesço. — Então traga todas.
A garçonete parece perplexa, porém anota o pedido e sai, olho para o general que agora me encara.
— Só doces e cinco fatias ainda por cima, sendo que você não vai comer absolutamente nada, muito suspeito. Estreito um pouco os olhos, desconfiada, novamente ele da de ombros.
Quando as tortas chegam pego um pedaço de cada e ainda assim não consigo decidir qual a melhor, vou alternando entre elas, são todas tão gostosas.
— Seu rosto está sujo. Rio, limpando-o.
— Você deveria comer alguma coisa, sabe, essa de café é tão forte que eu acho que até você iria gostar. Falo cortando um pedaço, me pegando completamente desprevenida, Kanda estica a mão e pega o garfo, levando a fatia à boca, sinto minhas bochechas corarem fortemente.
— É doce. Ele diz fazendo careta, o que me faz rir muito.
Depois que termino as tortas e saímos da loja, pego a lista de compras em meu bolso, não tem muitos itens e para mim, a maioria parece coisas que se consegue com facilidade até mesmo em uma cidade pequena.
— Tem um armazém lá na frente, não? Tento enxergar o fim da rua, porém ainda não tenho certeza. — Acho que conseguiremos tudo lá.
Yuu acena afirmativamente, seguimos pela rua, a neve caindo da um efeito tão bonito a tudo, a cidade está coberta de branco e as crianças correm de um lado para o outro brincando, sorrio. Passamos por uma loja onde há um lindo cachecol de um tom entre o verde e o azul, olho-o encantada, de repente percebo que Kanda está entrando na loja, sem entender, sigo-o.
— Yuu, o que… Começo, mas ele já estava pedindo ao vendedor o cachecol da vitrine. Saímos da loja e ele me estica a sacola. — O natal é só no próximo mês, sabe.
Ele volta a dar de ombros, se vira e continua a seguir em direção ao armazém, tem algo muito estranho nisso, penso pegando o cachecol e o enrolando no pescoço.
Isso se repete em mais duas ou três lojas, é só impressão minha ou Kanda decidiu tirar o dia para me agradar? Decido tirar a prova, sugiro que entremos em uma loja de joias e experimento várias, pedindo por sua opinião, ele de fato diz que todas ficaram boas, afasto-me dele por um segundo tentando entender, será que ele está tentando me recompensar por termos ficado tanto tempo trancados na casa de Mãe?
Saímos da loja de joias e reparo que já gastamos muito dinheiro, paramos em várias lojas e até agora ele comprou tudo que eu gostei, sei que Aki tinha lhe dado dinheiro, mas não é típico dele gastar desse jeito, balanço minha cabeça confusa, o que está acontecendo?
Finalmente compramos o que Mãe havia pedido e eu me impeço de olhar para as vitrines na saída. Só que com o tempo que gastamos, acaba sendo hora do almoço, o general faz com que eu escolha onde comer e para testar minha teoria, digo que quero comer bolo. Não chega a ser surpresa ele concordar, ao menos hoje, já que em um dia comum ele sem dúvida me obrigaria a comer um salgado primeiro. Seguimos até um lugar que tenha bolo e eu como enquanto ele só olha, decidia a ver o quanto ele está levando a sério isso de fazer minhas vontades, tento outra coisa.
— É desconfortável comer enquanto você só olha. Digo, fingindo estar incomodada. — Você podia ao menos comer um pedacinho de bolo também, não vai matar.
Mesmo muito a contragosto, o moreno come uma fatia, desacredito, ele está fazendo absolutamente todas as minhas vontades, mas por quê?
— Kanda! Falo assim que saímos da loja de bolos, ele não vai mais se esquivar. — Por que está fazendo isso?
Encaro-o seriamente, finalmente me ocorreu que deve ter um motivo muito forte para isso e provavelmente, não é nada bom.
— Por que está fazendo tudo que eu quero? Você até comeu bolo. Comento começando a ficar histérica, cenários terríveis passam por minha mente, um após o outro. — O que aconteceu? O que não está me contando?!
— Não é nada. Respiro fundo, sentindo minha expressão mudar, será que ele pensa que sou tão idiota. — É um dia especial.
— Ahm?! Essa me pegou completamente de surpresa, dia especial? Por causa da neve, será?
Sem me dar chance para continuar, o general volta a andar, suspiro e o sigo, será então que não aconteceu nada de errado, porém, o que significa um dia especial? Olho para sua postura incomunmente relaxada e penso que talvez eu esteja exagerando, realmente não parece que aconteceu nenhuma tragédia.
22 de novembro, honestamente não me lembro de nada especial sobre esse dia, será que estou esquecendo algo? Enquanto minha mente vaga, olho para nossos arredores, sorrio ao ver um parque, está vazio uma vez que as crianças provavelmente estão aproveitando a neve, reparo no balanço, eu costumava ficar horas no balanço do orfanato, era meu brinquedo favorito.
Noto que Kanda está andando em direção ao parque e paro, ele não está pensando seriamente nisso, cruzo meus braços, não vou sair daqui até que ele me explique o que está acontecendo e de jeito nenhum pretendo ir naquele balanço.
Obviamente meu plano é frustrado quando Yuu me pega no colo e me carrega até o balanço, tento parecer indignada, mas ele parece achar graça, suspiro contrariada.
— É melhor se segurar. Mantenho meus braços bem cruzados, porém isso não impede que ele empurre o balanço, sou obrigada a agarrar as correntes e mesmo contra minha vontade, termino por rir.
Passamos um bom tempo no balanço, fazia tempo que eu não ia a um e estava com saudade. Quando finalmente me dou por satisfeita de brincar no balanço, nos sentamos um pouco em um banco, olhando o parque. Parece que não vai adiantar insistir no assunto, simplesmente tenho que aceitar que hoje ele tirou o dia para me agradar e ser grata a isso.
— Obrigada. Digo sorrindo para Kanda. — Foi divertido.
Levanto-me do banco e sou pega de surpresa por uma bola de neve, viro-me incrédula, ele jogou neve em mim? Pelo sorriso nada característico, sim, ele jogou neve em mim. Meus olhos se arregalam ao ver que ele pretende jogar mais, saio correndo e assim começamos uma guerra de neve.
Rio tentando esquivar e acerta-lo ao mesmo tempo, usamos os brinquedos de escudo, melhor dizendo, eu uso, por que Yuu só é acertado quando ele quer, tão injusto, sei que ele está me deixando acerta-lo, mas não posso negar que assim é mais divertido do que se só eu fosse atingida.
— Eu me rendo! Falo me atirando no chão, fecho os olhos extremamente cansada, eu podia facilmente dormir ali.
— Oe. Preguiçosamente abro só um olho, Kanda está em pé ao me lado, pingando água, desato a rir e ele me acompanha, aposto que meu estado deve estar ainda pior. — Você vai ficar doente se ficar deitada ai, vamos.
Ele estica a mão, sorrio, mas ao invés de pegar sua mão, movo minhas pernas e braços, abrindo-os e fechando, Yuu balança a cabeça, ao que rio e finalmente estico a mão agarrando a sua.
— Espera. Falo antes que ele me puxe. — Eu quero que você também faça um anjo de neve.
Provoco-o, soltando seu típico tch, ele se joga no chão ao meu lado, desato a rir, ele o faz o mais rapidamente possível, sem mais me dar tempo, ele se levanta me puxando consigo uma vez que ainda estávamos de mãos dadas, por fim ele me coloca em suas costas, dou uma risadinha.
— Vou ganhar carona? Pergunto já me ajeitando, sinceramente, estou com tanto sono que não me oponho nem um pouco.
Sem me responder ele pega as sacolas que havíamos deixado sobre o banco e volta a andar, sorrio, foi cansativo, mas tão divertido, fazia muito tempo que eu não ria tanto, parece que voltei a ser criança, mesmo que eu não saiba por que hoje é tão especial, estou feliz que tenhamos saído hoje.
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