The first snow
4 Aliados?
Notas iniciais
O que havia gritado agarra meu pulso, puxando-me para frente, desvio os olhos, isto parece irrita-lo, pois ele aumenta seu aperto, deixo um gemido escapar e ele me chacoalha.
— O que foi, o gato comeu sua língua? Ele me chacoalha mais, mal sou capaz de me manter de pé. — Olhe para mim quando falo com você.
Ele solta, me empurrando para trás, tropeço em meus próprios pés e caio sentada no chão, não vou chorar, digo a mim mesma, lutando fortemente contra as lágrimas.
— Fala sério, esta é a tão incrível inocência coração? Eles desatam a rir, encolho-me. — Patético!
Começo a sentir falta de ar, quero sair daqui, minha cabeça está doendo de novo, abraço meus joelhos a colocando no meio deles, por que dói tanto?
— Ohhh, você fez ela chorar. As gargalhadas aumentam.
Parem, parem, pare…
O som de algo se quebrando me tira de meu transe, levanto os olhos e vejo o que havia agarrado meu pulso caído no chão e pela quantidade de sangue em seu rosto, suponho que o som tenha sido o seu nariz, levanto os olhos.
— Yuu. Murmuro, sentindo a vontade de chorar aumentar.
Ele está concentrado no finder que está segurando contra a parede, sinto-me enjoada, não quero isso, nossa imagem já está completamente destruída, ainda assim, não quero mais violência, não posso deixar Kanda se rebaixar ao nível deles.
Levanto-me trêmula e me aproximo, o outro finder está recuando aterrorizado, sei que é completamente idiota, mas sinto pena dele, seu olhar é de muito medo, de fato, o general está dando medo até em mim, levanto a mão e a ponho no braço do moreno, que se vira para me encarar, sua expressão completamente ausente de sentimentos.
— Chega. Não sai mais alto que um sussurro, mas sei que ele me ouviu, vejo que o finder está praticamente sem ar e sinto meus olhos se encherem de água. — Por favor.
Aquilo parece chamar Kanda de volta a razão, ele solta o finder que cai completamente desmaiado no chão, agacho-me para cura-la, mas sinto-me sendo pega.
— Kanda?! Sem me dar ouvidos, ele passa o braço por minha cintura e me levanta me carregando como se fosse um fardo de roupa.
O moreno só me solta quando chegamos ao elevador, não ouso abrir a boca, brinco com a barra de minha camisa, não tento ver o que se passa na mente do general, honestamente, nem sei o que se passa na minha.
Assim que a porta abre, Kanda pega meu pulso e me puxa consigo, engulo um gemido, foi logo o mesmo braço, entramos no quarto e ele bate a porta com mais força que o necessário, encolho-me com o barulho, o general não se vira, continua a encarar a porta.
— Eu… Não sei o que dizer, me desculpe, obrigada, foi mal?
O moreno passa a mão pelos cabelos parecendo tentar controlar sua raiva, ele está bravo comigo, sei disso, foi ridículo, eu só fiquei lá, sentada no chão quase chorando, realmente foi…
— Você está bem? A voz dele é baixa e controlada, parece que ele está fazendo um enorme esforço para mantê-la assim.
— Estou. Murmuro, engulo em seco, não posso ficar dando tanto trabalho a ele, coloco o melhor sorriso que consigo, minha bochecha dói. — Estou sim, não foi nada, obrigada por me salvar.
— Tsk. Ele volta a ficar irritado, Kanda vira-se para mim e sua expressão me surpreende, ele não parece bravo, sua expressão é mais de cansaço, como se seu dia tivesse 40 horas. — Me desculpe.
Meus olhos se arregalam, deveria ser eu a estar falando esta frase, levanto minhas mãos, pronta a lhe dizer que eu que sinto muito, quando o moreno me puxa para mais perto de si, fazendo com que eu o encare, sinto minhas bochechas esquentarem.
— Yuu? Indago me sentindo constrangida.
— Você é realmente muito chorona. Mordo meu lábio, eu não queria chorar, ele ri. — Queria sim.
Começo a rir junto dele, e então soluços começam a cortar minha risada que se torna um choro compulsivo, patético, aquela palavra não sai da minha cabeça, de fato, não consigo imaginar algo melhor para descrever meu estado agora. Ele me solta, agarro sua camisa encostando a cabeça em seu peito, por que tudo que eu faço é chorar?
##
— Mas eu quero vê-la! Viro-me para o outro lado, puxando mais a coberta.
— Não! Hunf, por que tem tanto barulho, será que não podiam baixar um pouquinho, eu só quero dormir.
— Ela é minha melhor amiga e não vai ser você quem vai me impedir de vê-la. Ouço um Tch e logo em seguido barulho de briga, abro meus olhos contra minha vontade, olho o relógio, 7:15, é tão cedo.
Ao virar-me para ver o horário no relógio reparo que a cama do moreno está vazia, olho para a porta e vejo-a entreaberta, será que eu não estava sonhando?
Levanto-me e sigo até a porta, puxo-a e a cena me surpreende, Kanda segura Layla que tenta se soltar do mesmo para se aproximar de minha porta e Aki parece tentar fazer com que os dois se calem, do contrário vão me acordar. No momento em que notam minha presença, os dois param, contudo, Lala não tendo me visto, aproveita e se atira contra a porta, bem onde estou.
— Ouch!
— FUYU! Minha amiga aproveita para me abraçar ali mesmo, rio a abraçando de volta, senti tanta falta dela. — Eu fiquei tão preocupada! Como pode nos deixar sem notícia?
Dou uma risadinha sem graça, acho que vou ouvir bastante esta pergunta. Ela se afasta um pouco de mim e sua expressão demonstra choque.
— Seu cabelo! Layla pega uma mecha levantando-a, por algum motivo ela parece decepcionada. — Por que cortou?
— É mais prático. Digo levando a mão a ele e passando os dedos por entre as mechas. — Viu, se arruma sozinho.
— Você gostava dele comprido. Olho para a loira que me sorri, porém o sorriso não atinge seus olhos. — Ficou lindo.
Ela se levanta e me estica a mão, aceito-a e ela me puxa para dentro do quarto batendo a porta atrás de si, rio e a abro, pedindo aos dois que esperam um pouco enquanto me troco.
Procuro por uma roupa e noto que sobre o resto da pilha há um uniforme da ordem, ao desdobra-lo sinto minha boca se abrir em um perfeito “o”.
— Lala? Viro a roupa para ela e seus olhos se arregalam.
— Que lindo! Grita minha amiga tirando de minha mão e me virando de frente para o espelho, colocando-o a minha frente, rio.
— Muito! Falo olhando-o, parece do tamanho certo.
— Vista-o! Diz a loira, já me ajudando, abrindo os botões do conjunto.
Retiro meu pijama, e começo a pegar as peças conforme ela me entrega, é tão fofo, não parece com nenhum dos outros uniformes da Ordem, me pergunto por que.
— Ficou perfeito! Elogia Layla. — Você deve agradecer Johnny, ele disse que você e Kanda precisariam de uniformes quando voltassem, o dele deve estar ai também.
Sorrio, mas sinto meu coração apertado, Johnny ainda está do nosso lado, Layla também, porém me pergunto sobre os outros, o que eu devo esperar?
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