Notas iniciais
Mais uma história de capítulo único, Essa é um pequeno mas lindo e inocente romance colegial que eu gostaria de ter um dia. Espero que gostem e comovam todos como me comove e mexe comigo. Uma sugestão de música:https://www.youtube.com/watch?v=w1oM3kQpXRo Estou ouvindo essa música direto, é linda. Boa leitura.P.s - Não foi intencional mas talvez um pouco da minha inspiração tenha vindo desse clipe.

"The first day forever"

Eu tinha 8 anos e nenhum amigo.

Foi em uma tarde chuvosa.

Eu tive que ficar no colégio após as aulas por causa da chuva. Eu voltaria a pé aquele dia mas esqueci o guarda-chuva

Me sentei no corredor para esperar. A escola já estava deserta a exceção de alguns poucos funcionários. E fiquei lá.

Enquanto esperava eu ouvi. Ouvi uma música ecoando pelos corredores. Tentei ignorar mas aquela música me envolveu e decidi descobrir de onde vinha.

Fui passando por salas de aula vazias e armários trancados, por toda a vida que parece parar ao tocar do sinal e fui levada a sala de música ao final do corredor.

A sala estava escura e a porta entreaberta. Empurrei-a e entrei.

–Olá?

– Olá.

E o vejo. Um garoto um pouco mais alto que eu, cabelos castanhos, olhos claros e sorriso gentil.

– Ah, desculpe eu não queria atrapalhar, eu só estava...

– Tudo bem, eu estava só passando o tempo. Fiquei preso por causa da chuva. — Ele olha para a janela a nosso lado onde as gotas batiam com força.

– É, eu também. Hum...Você toca muito bem. — Aponto para o violão e falo tentando puxar assunto para quebrar aquele silêncio constrangedor.

– Obrigado, é um talento. E você? Sabe tocar? — Ele me estica o violão que segurava até agora e o qual tinha muito habilidade.

– Não eu...nunca aprendi nenhum instrumento.

– Oh...- Ele olha para o violão acredito que sem saber o que dizer.

Percebo seu constrangimento e quebrando minha vergonha me sento no chão a sua frente, ele no banquinho, e pego minha prancheta de desenho, meu talento.

– O que está fazendo? — Ele pergunta curioso.

– É o meu talento. Eu desenho. Agora, fique parado.

Eu o desenhei sentado na cadeira com o violão no colo e olhando para a janela e ficamos conversando sem ver o tempo passar.

Naquele dia levei uma bronca mas nunca havia me divertido tanto nem me sentido tranquila daquele jeito conversando com alguém da minha idade.

No outro dia nos encontramos na cantina. Fui caminhando em sua direção com vergonha dos olhares para mim enquanto passava pelo corredor mas quando me sentei e começamos a conversar me senti bem, segura e não me importei se havia alguém olhando para nós ou o que poderiam dizer e nem ele parecia se importar.

No final do dia nos encontramos na sala de música e foi assim por vários meses e anos. Cada dia eu gostava mais de você e aquele dia chegou. O último dia de aula, no último ano, a última vez naquela sala, a sala de música. Eu estava em um vestido branco e você não estava lá. Eu sabia onde você estava e te encontrei na sala de música. Te encontrei em um terno cinza com o violão no colo, tocando aquela música.

– Sabia que viria. — Ele diz ainda tocando e para quando ergue a cabeça para me olhar.

– O que vamos fazer agora?

– Sobre o que? — Ele finge não saber. Quer que eu diga. Quer saber o que eu penso.

– Nunca mais voltaremos. O que fazemos agora?

– Nos encontramos fora daqui, no mundo.

– Onde? Como sabe que vamos nos encontrar?

– Eu sei. — Ele pega algo em seu paletó e vem perto de mim. — Se você quiser. — Ele pega minha mão e coloca sua palheta.

Fico confusa até finalmente entender o que aquele singelo gesto significava e o poder de seu significado. Em minha bolsa de lado pego meu sempre fiel estojo e lhe entrego meu lápis.

– Eu aceito.

– Então nos vemos para sempre.

– Sempre.

Notas finais
E viva os noivos!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!