The edge of the death
7 Capítulo 7
Saí sem rumo pelos claros corredores do abrigo. A raiva, a tristeza e a dor era tanta que eu nem conseguia pensar direito. Minha visão estava turva por causa de todas as lágrimas que se acumulavam em meus olhos. Eu não queria chorar. Eu não deveria chorar. Eu não podia me dar ao luxo de desabar. Tinha que ser forte como nunca fui. E, na verdade, nunca fui forte.
Estava perdida nos pensamentos e afogada na mistura de sentimentos, quando esbarrei em uma pessoa. Passei o dorso das mãos em meus olhos para limpar as lágrimas acumuladas e só então vi que era um garoto. Ele era um pouco mais alto que eu, tinha cabelos pretos e parecia assustado. Pedi desculpas, mas ele apenas me encarou. Alguns segundos depois, saiu às pressas pelo corredor. Fiz o mesmo, mas fui obrigada a parar. Para onde eu estava indo? Tinha que pensar, não podia sair por aí que nem uma maluca. Só então percebi que os dormitórios estavam divididos por letras. Como não pensei nisso antes? Bom, não tinha tempo nem estrutura para me sentir uma idiota por não ter pensado nisso antes. Saí correndo, dessa vez tomando cuidado para não esbarrar em ninguém. Cheguei ao dormitório ''D'' e parei.
''Ok, agora pergunte a alguém sobre Derek. Ou melhor, caracterize-o. Deve haver muitos homens com o nome Derek por aqui.'' — Pensei. A essa altura, já estava sendo quase obrigada a me mandar fazer as coisas. Tudo isso estava me abalando demais, sobretudo a morte da minha mãe. Nem pude me despedir.
Abordei a primeira pessoa que passava pelo corredor. Era uma mulher. Sua estatura era média, tinha cabelos longos de cor castanho escuro. Não pude deixar de reparar em como ela era bonita. Confesso que senti um pouquinho de inveja. Não foi difícil abordá-la, já que ela olhava diretamente para mim enquanto andava pelo largo corredor.
– Com licença, você viu por aqui um homem alto, com cabelo castanho, 45 anos mais ou menos...
– Desculpe, mas não vi. — respondeu a menina -É seu pai?
– Sim. Obrigada, tenho que procurá-lo.
– Posso te ajudar se quiser.
– Desculpe, mas nem sei seu nome.
– Ah, é verdade. Sempre esqueço de me apresentar. Meu nome é Donatella.
– Prazer em conhecê-la, Donatella. Meu nome é Sophie. — eu estava me esforçando ao máximo para tratar a menina bem. Ela estava sendo muito simpática comigo. Até demais... Não sei se seria tão simpática com um estranho, mas tudo bem. Isso não vem ao caso. Tenho que encontrar meu pai o mais rápido possível. Henry, precisa de nós. E para ser bem sincera, também preciso do meu pai.
– Posso te fazer uma pergunta? — Donatella disse enquanto saíamos do dormitório.
– Pode, claro.
– Você parece muito abatida. Aconteceu alguma coisa, além de estar perdida de seu pai? — sabia que ela perguntaria alguma coisa assim. Mas, mesmo assim, hesitei antes de responder.
– Infelizmente, sim. Minha mãe não conseguiu entrar no abrigo e meu irmãozinho está no hospital, sozinho. Por isso preciso encontrar meu pai urgentemente. — não entrei em detalhes, até porque tinha acabado de conhecê-la, apesar de parecer uma boa pessoa.
– Oh, sinto muito. Também perdi minha mãe. Na verdade, perdi minha família inteira. Nossa casa era um pouco afastada da cidade. Por sorte eu estudava aqui perto.
Eu não sabia o que dizer a ela. Quando o assunto era consolar as pessoas, eu era uma negação. Fiquei quieta por alguns segundos, buscando algumas palavras reconfortantes para dizer a Donatella, mas nada vinha a minha cabeça.
– Tudo bem, não precisa dizer nada. — disse Donatella, percebendo que eu estava sem palavras.
– Então, vamos ao que interessa agora? Pelo visto temos de encontrar seu pai bem rápido. — isso era verdade. Não fazia a menor ideia de como encontrar meu pai, já que seu nome não estava nos registros e o abrigo é enorme. Só sei que Henry depende dele... E eu também.
Fale com o autor