The edge of the death
3 Capítulo 3
''Isto não é uma simulação. Por favor, dirijam-se à entrada mais próxima para o abrigo.''
Quando ouvi as sirenes, nem pensei direito. Apenas corri. Não tinha tempo para pensar, era questão de vida ou morte. Tudo aconteceu muito rápido. Em menos de um minuto eu já estava na rua, procurando as placas que indicavam a direção do abrigo. O povo na rua estava em pânico. Pelo caminho, policiais e bombeiros orientavam as pessoas a se dirigirem ao abrigo. De repente, me lembrei da minha família e quis voltar para encontrá-los.
– Aonde vai, menina? — disse um policial, ao ver que eu estava indo para a direção oposta.
– Tenho que encontrar a minha família!
– Não dá tempo. Você tem que entrar logo no abrigo. Provavelmente eles já estão a caminho, ou quem sabe, já estão lá dentro. Vocês podem acabar se desencontrando. E aí, menininha, você vai ter um problemão.
No começo hesitei. Não podia continuar sem eles. Havia uma multidão ali. Como eu poderia encontrar a minha família depois? Não queria admitir, mas eu estava tão desesperada, em pânico como todas as outras pessoas. Só que eu era muito ''durona'' e não queria demonstrar. Mesmo numa situação dessas.
– Mas, como vou encontrá-los depois?
– Menina, apenas entre, ok? Já temos problemas demais.
Hesitei, mais uma vez, por um segundo. Mas o que eu poderia fazer? Ou entrava e os esperava viva, ou voltava e nunca mais eles saberiam de mim. Se é que eles também sobreviveriam. Mas eu estava, com muito esforço, tentando afastar esse pensamento. Ele só me fazia ficar mais desesperada do que eu já estava.
Havia uma fila enorme nas entradas dos abrigos. Estava quase chegando a minha vez. Aproveitei o momento de espera para olhar em volta. Não era nada bonito de se ver: pessoas chorando, correndo desesperadamente para conseguir um lugar, mães procurando por seus filhos, que provavelmente se perderam na confusão. E não pude deixar de reparar em uma briga. Sim, uma briga. É inacreditável, não é? Em meio a toda aquela confusão, onde todos só queriam sobreviver, alguém consegue arrumar uma briga.
– Ei, o que você está fazendo? Vá para o final da fila como todo mundo! — exclamou um homem. Parecia que ele estava desesperado, com medo, assustado. Afinal, quem não estava?
– Calma, só quero chegar lá dentro! — a mulher parecia mais desesperada ainda.
– Todos estão tentando chegar lá dentro! Não vê? Você não é única, moça! Agora, vá para o final da fila!
A mulher encarou o homem durante alguns segundos. A mulher empurrou o homem. Ele estava prestes a agredi-la, mas um policial chegou na hora e mandou a mulher para o final da fila. E minha vez havia chegado.
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