The edge of the death
2 Capítulo 2
Seis e meia da manhã. O despertador toca. Não estou com a mínima vontade de levantar. Estou naqueles dias em que tudo o que você quer é ficar na cama e dormir por semanas. E foi isso que eu fiz. Fiquei deitada, esperando que minha mãe não viesse me acordar. Mas, eu já sabia que ela viria, só estava esperando sua batida na porta. Um minuto depois, ela aparece.
– Bom dia, filha! Vamos acordar, você vai acabar chegando atrasada na escola! — dizia ela com uma calma e uma disposição que eu nunca conseguia entender. Afinal, quem está calmo e disposto às 6:30 da manhã? Bom, pelo menos não eu.
– Só mais cinco minutinhos, mãe. — falei, com a rosto enterrado no travesseiro.
– Sophie, é sério. Levante agora. — Ah, essa facilidade que ela tinha em mudar o tom de voz de uma hora para outra. Também estava me esforçando para entender.
Espera... Ah, não. Ela está abrindo as cortinas?! Não tem jeito. Vou ter que levantar. Infelizmente. Não me leve a mal. Só não gosto de acordar cedo. Isso não é comigo.
Levantei com relutância e fui me vestir. Vesti uma calça jeans, uma blusa qualquer e um casaco leve. Não tinha muita paciência para escolher roupas. Arrumei rapidamente meu material e desci. Todos já estavam tomando café.
– Bom dia, família. — disse eu, ainda com sono.
– Finalmente acordou! — disse minha mãe.
– Bom dia, sopinha! — disse meu irmão. Ele só tinha 7 anos. Sempre implicava comigo. Uma figura.
Meu pai não desviou os olhos do jornal. Era sempre assim, já estava até acostumada. Na verdade, não foi sempre assim. Quando eu era criança ele costumava ser mais carinhoso. Eu também. Mas acho que fui esfriando conforme ele foi esfriando também.
– Vamos, Henry, coma tudo! Não queremos chegar atrasados, não é mesmo?
– Aposto que termino antes de você. — Eu sempre dizia isso. Evitava as súplicas da minha mãe e meu irmão acabava comendo tudo.
Acabando o café, minha mãe deixava meu irmão na escola e depois era a minha vez.
– Tchau, querida! Boa aula, te amo.
– Tchau, mãe. Também te amo.
Eu realmente amava a minha mãe. E também a admirava. Admirava muito. Ela sempre estava calma, mas sabia ser firme nos momentos certos. Ela também era muito carinhosa. Acho que ela percebia a frieza do meu pai e tentava compensar.
Assim que cheguei na escola, recebi uma mensagem de texto da minha melhor amiga. Ela havia se mudado para outra cidade um ano antes, ou seja, eu não tinha amigos naquela escola. Mas a gente sempre se falava por telefone, e-mail ou mensagens de texto. No começo propus que trocássemos cartas, mas ela achou muito ultrapassado.
Sentei-me em um banco perto da quadra. Um banco meio isolado, para falar a verdade.
''Bom dia, sopinha! E boa sorte aí na escola, bjs''
Só meu irmão e Annie me chamavam de sopinha. Eu deixava. Afinal, eu gostava deles.
''Bom dia, bananie! Obrigada, boa sorte para você também! Como você está?''
''Estou bem. Depois a gente se fala, o sinal acabou de tocar. Bjs!''
''Ok, o sinal aqui também acabou de tocar. Atés mais, bjs!''
Mas eu não estava nenhum pouco a fim de assistir a primeira aula. Então fiquei ali mesmo, lendo e ouvindo música. Foi quando eu ouvi a sirene, já no finalzinho da primeira aula. Tudo parou. E eu sabia que alguma coisa estava muito, muito errada.
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