The beauty, the beast and the jew
3 Nova paixão
Eu ainda estava em frente ao meu primo com uma expressão ainda mais tímida e ele, chocada. Qual é o problema dele? Está com ciúmes? Ficamos alguns segundos calados e logo, falei novamente:
– Bom,...eu não sei o que vi naquele garoto, mas... – tentei explicar de uma maneira muito tímida – Mas, parece que quando eu vi ele passando por aqui, meu coração tocou forte e senti uma certa atração – meu primo ainda não reagiu novamente, continuava parado na minha frente ainda com uma expressão chocada – Kyle, você está me ouvindo? – perguntei e mesmo assim, ele não reagiu. Passei a mão na frente dele e de repente, ele deu um “hum” com uma expressão de desconfiado – “Hum”? – estranhei – Por que esse “hum”?
– Hum... – disse de novo.
– Kyle, você está com uma expressão desconfiada – afirmei.
– Eu!? Que é isso!? – finalmente ele pôde reagir e desta vez, nervoso.
– Está sim – afirmei.
– Eu não.
– Está sim, irmão – afirmou Ike.
– Cale a boca, Ike! – berrou Kyle se virando para o seu irmão caçula. Meus irmãos também concordaram. Logo Kyle se virou novamente para mim, dando um suspiro – Ta bom, vocês me pegaram – fiz uma expressão de suspeita.
– Mas, por que você está desconfiado? – perguntei.
– Kyle é o maior rival de Cartman – afirmou Ike.
– Porra, Ike! – berrou Kyle se virando novamente para Ike.
– É sério, é? – perguntei – Por quê? – Kyle se virou novamente para mim, dando um outro suspiro.
– Bom, além de eu ser rival dele, o que eu não queria contar agora para você, ele é um egoísta, nazista, ignorante, mimado, irritante, ganancioso, invejoso, babaca e o maior bunda gorda que eu já vi nesse mundo! – disse, berrando na última palavra. Olhei chocada para ele – E todo mundo odeia ele. Com certeza, você não vai querer ficar com ele – completou. Continuei olhando chocada para ele, mas logo, me acalmei e pensei um pouco, inclinando a cabeça para baixo.
– Bom, talvez ele tenha algum sentimento positivo. Afinal, todo mundo tem, por mais que uma pessoa tenha essa maldade toda que você disse – afirmei calmamente.
– Impossível! – afirmou.
– E se eu tentar ser amiga dele? – perguntei.
– Mas, não vai.
– Por que não? Você não manda na minha vida!
– Priminha querida, entenda, o Cartman é insensível, ele não tem e nunca terá sentimentos positivos – não respondi mais nada, dei apenas um suspiro com uma expressão de raiva.
– Tudo bem, primo. Já que é assim, ta bem – afirmei com uma expressão desconfiada. Kyle logo foi para minha frente junto com Ike e meus irmãos, seguindo o caminho de casa e logo fui atrás deles.
Eu estava com a cabeça abaixada ainda com um pouco de raiva do meu primo, enquanto continuávamos a andar para casa. Depois de alguns minutos, avistei Cartman logo a frente, prestes a entrar em sua casa.
– Ei, Cartman! – gritei correndo para ele.
– Nate! Grrrrr! – gritou o meu primo dando um grunhido. Cartman logo parou na frente da porta de sua casa e se virou para mim, enquanto dava os últimos passos em direção a ele.
– Ah, olá, garota nova! – cumprimentou Cartman – Eu não pedi para o seu primo não deixar você se aproximar de mim?
– Eu sei, mas... – respondi ficando tímida de novo – Mas, é que, sei lá... – fiquei ainda mais tímida – É que você parece ser engraçado – afirmei meio sem jeito.
– Posso até ser engraçado em certas situações – afirmou – Mas, eu não sou o tipo de pessoa que você deve se aproximar de mim – Ele logo se virou para a porta, quase abrindo, mas foi interrompido por mim de novo.
– Não, espera! – disse e ele logo parou – É que...quando eu te vi pela a primeira vez, ou seja, na hora da saída da escola, eu... – não consegui completar a frase de tão tímida que eu estava.
– Você o quê? – perguntou – Vai, continua! – me encorajou.
– Eu...te achei tão legal – ele logo começou a rir.
– Menina, você ouviu o que eu disse para o seu primo na hora da saída da escola? – perguntou dando as últimas risadas.
– Sim, mas... – fiquei mais nervosa ainda – Acho que...acho que eu gostei de você – ele logo parou de rir, me olhando com uma expressão chocada. Meus primos também ficaram chocados e meus irmãos apenas admiravam a cena normalmente. Kyle logo deu uma expressão de raiva e Cartman continuava paralisado na minha frente.
– Você... – disse Cartman em um tom baixo – Gostou de mim?
– É – falei timidamente – Eu não sei por que, mas, quando eu te vi pela a primeira vez, meu coração bateu forte e senti uma certa atração por você – finalmente pude completar o que eu mais queria falar. Cartman me olhou meio encantado e Kyle continuava com raiva da cena.
– Bom, só existe um “pequeno” problema – afirmou Cartman fazendo sinal de dois nas mãos e mexendo os dois dedos inclinados para cima e para baixo ao dizer “pequeno”.
– O quê? – perguntei.
– Você...é...prima...DO KYLE! – afirmou, berrando ao dizer a última palavra. Fiquei meio assustada e Kyle ficou aliviado – Ou seja, além de ser ruiva, você também deve ser judia – afirmou em um tom ignorante, enquanto abria a porta de sua casa e entrava. Ele se virou novamente para mim com a porta ainda aberta – Mas, se quer saber, você até que não é uma ruivinha tão feinha – falou um pouco calmo. Deixei escapar um sorriso ao ouvir aquilo – Mas, não se aproxime de mim – disse fechando a porta na minha cara. Kyle, Ike e meus irmãos logo vieram na minha direção.
– É, pelo o visto, ele não te quis – afirmou Kyle – Vamos para casa, Nate – nos viramos e fomos em direção as nossas casas. Dei uma última olhadinha na casa de Cartman e logo segui em frente. Mas, eu não entendi o porquê eu devo ser judia só porque eu sou prima de Kyle. Na verdade, eu sou ateia, por mais que minha família toda seja judia. Eu era a única ateia da família.
E por que eu tinha que ser feia só porque eu era ruiva? Mas enfim, eu não liguei muito para isso, pois eu tinha quase certeza que Cartman não era só um garoto ignorante.
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