The beauty, the beast and the jew
6 Achei que você nunca mais iria voltar
Não conseguia parar de pensar naquilo desde o dia anterior. Eu estava muito envergonhada, não tinha vontade de conversar com ninguém, nem mesmo com o Cartman.
Assim que entrei na escola e tirei, e coloquei algumas coisas dentro do meu armário, Cartman me chamou para ficarmos a sós em um lugar escondido no parque da escola, durante o recreio. Fiquei mais envergonhada ainda quando ele disse isso, mas concordei.
Durante o recreio, fiquei andando com Cartman a sós até o tal lugar que ele disse para ficarmos, ainda com vergonha. Ao chegarmos, ele se virou para mim.
– O seu primo te contou? – perguntou.
– O quê? – fiquei em dúvida. Ele abaixou a cabeça com uma expressão um pouco tímida.
– Sobre o que aconteceu ontem à noite – respondeu – Na sua casa – fiquei com ainda mais vergonha.
– S-sim – respondi nervosa.
– Eu... – deu uma pausa – Só queria te pedir desculpas.
– T-tudo bem... – disse eu. Ele logo levanta a cabeça de frente a mim novamente.
– Nate,... – continuou – Acontece que eu te amo. Mesmo sendo prima do meu rival – fiquei com o rosto avermelhado ao ouvir isso – Desde que eu te vi pela a primeira vez, quando ainda éramos mais novos, eu sentia uma certa paixão por você – fiquei em dúvida quando ele disse isso. Nós já nos encontramos antes? Bem que eu estava suspeitando quando o vi pela a primeira vez na escola, mas eu não conseguia me lembrar. Por causa disso, ficava tentando me lembrar – Mas, eu nunca tive coragem de me declarar a você. Além do mais, achei que não adiantaria mais, porque... – deu uma pausa e um suspiro – Porque achei que você nunca mais iria voltar – fiquei pensando um pouco sobre aquilo, enquanto tentava me lembrar do meu passado – Quando você voltou, eu fiquei impressionado, mas eu não tinha certeza se era você mesmo, porque você mudou bastante ao longo desse tempo. Ao conhecer você um pouco mais, percebi que era realmente você, então, pensei que teria alguma chance de, finalmente, me declarar a você. Por isso, te beijei para provar isso, mas fiz sem pensar.
– Mas, na primeira vez que nos encontramos aqui na escola, você disse para eu não se aproximar de você – afirmei, me virando para ele com uma expressão duvidosa.
– Eu sei – afirmou – Mas, era só porque o Kyle estava por perto – fiz uma expressão de “ah”. Vai ver ele não queria ver o meu primo com raiva.
De repente, Cartman me agarrou pela a cintura e tentou me beijar novamente, mas foi interrompido, pois eu coloquei a mão em cima de sua boca que estava fazendo bico. Ele logo desfez o bico, me soltou e me olhou com dúvida.
– O que foi? – perguntou.
– Cartman, me conhecendo ou não desde que éramos mais novos, acho que a gente ainda não deve ter um relacionamento sério – afirmei – Eu também te amo, mas precisamos de mais tempo de nos conhecer melhor. Por enquanto, somos só amigos, tá? – Cartman abaixou a cabeça para pensar um pouco e logo concordou – Mas, isso ainda não explicou como você entrou no meu quarto e como o meu primo te pegou me beijando.
– Eu fiquei escalando a parede da sua casa até chegar na janela do seu quarto – disse meio envergonhado.
– E como conseguiu escalar? – perguntei.
– Eu estava usando desentupidores – respondeu.
– Ta, mas como descobriu o endereço da minha casa? – perguntei.
– Eu invadi o banco de dados da escola – respondeu ainda mais envergonhado – Assim que eu cheguei perto da janela do seu quarto, abri e pulei para dentro. Logo te vi dormindo como uma princesa – dei uma pequena risada de satisfação ao ouvi-lo dizer que eu dormia como uma princesa – Afastei um pouco de seu cabelo que estava cobrindo metade de seu rosto e beijei sua boca. Só que Kyle entrou no seu quarto bem na hora que fiz isso e eu não sabia que ele estava dormindo na sua casa. Ele tinha ficado com raiva bem na hora e tentei explicar alguma coisa, mas ele tinha se jogado para cima de mim e começou a me bater, enquanto me defendia.
“Depois de eu ter conseguido impedi-lo de me bater mais, ele pegou um bastão de beisebol que estava perto de um móvel e bateu o no meu peito. Fiquei fugindo dele, correndo no seu quarto até a janela, enquanto ele me seguia, tentando me bater mais com o bastão. Assim que eu cheguei na janela, pulei para fora e cai no chão, e sai correndo para a minha casa”.
Agora sim estava tudo esclarecido. Eu podia até ficado com raiva, mas apenas dei um sorriso, dando algumas risadas e o abracei.
– Você é muito bobo, Cartman – disse eu sarcasticamente. Ele me abraçou de volta e depois, o segundo sinal toca e voltamos juntos para a sala de aula.
Fale com o autor