The Wrong
20 ASSUNTO: Hospital Beds
Notas iniciais
Boa tarde! Tudo bom?
Eu to indo né, bom aí está mais um. Para os que disseram que a Vic ia ser atropelada... ops, spoiler :x
A música Hospital Beds é do Cold War Kids (www.youtube.com/watch?v=08HfyT2WP2w), achei genial o nome da banda, é tipo crianças da guerra fria, ou sei lá o quê (me disseram que é isso e, pelo que eu sei, é mesmo KK).
Boa leitura.
Acordei com um barulho repetitivo no meu ouvido. Abri os olhos mais pesados do que o normal em uma sala branca com um homem de branco tocando na minha perna. Tentei mexê-la, mas não conseguia.
Olhei ao redor e eu estava deitada em uma maca de hospital. Tinham tubos enfiados no meu nariz, espalhados pelo meu braço e eu respirava com dificuldade.
Havia uma mesa ao meu lado com uma bandeja de comida. Do outro lado havia um aparelho alto, de onde vinha o barulho repetitivo.
Na minha frente (atrás do homem), havia uma televisão suspensa e embaixo uma mini-estante repleta de livros, infantis e não.
O homem me olhou e eu tentei olhar para o seu rosto, mas a imagem estava um pouco embaçada. Eu vi um crachá na sua roupa branca — no jaleco, para ser mais exata -; me esforcei para ler, mas estava muito difícil, acabei desistindo.
- Olá, Victoria.
Rapidamente reconheci sua voz.
- Doutor Ron! — Falei o mais alto que podia.
- Descanse, você ainda está muito debilitada.
- Eu fui atropelada, não fui?
- Foi.
- E depois?
Ele pareceu ficar um pouco tenso, pelo que eu conseguia enxergar.
- Uh, eu não sei direito.
- Como não sabe? Você é meu médico!
- Eu sei, mas... Erm, você não quer ver seus pais?
- Quero!
Ele saiu rapidamente e trouxe meus pais, que praticamente pularam em cima de mim.
- Mãe! Pai!
- Filha, você não olhou quando atravessou a rua? — Perguntou meu pai depois do abraço, quando minha mãe já me olhava com seu olhar repreensivo.
- Da próxima vez que acontecer alguma coisa por falta de atenção, você vai apanhar é de mim, mocinha!
- Tudo bem, mãe. Eu acho que já entendi.
- Pois não parece.
- Estou em uma maca toda entubada e você acha que eu não aprendi a lição? — Perguntei e ela ficou quieta. Estranho, ela nunca ficava quieta. — Enfim, quantas horas estou aqui?
- Acho que duas. — Respondeu meu pai, analisando uma prancheta que estava em cima da estante, e depois confirmou. — É, duas e alguns minutos.
- Hum... Posso comer? — Apontei para a bandeja.
- Claro, filha. — Respondeu minha mãe. — Quer que eu chame a enfermeira pra te ajudar ou quer que a mamãe te ajude?
- Não precisa, mãe. — Revirei os olhos fazendo força para me levantar. Ela negou, mas eu disse para ela ficar calma e consegui sentar na cama. Ela colocou a mesa mais perto. — Ponha no meu colo.
- Não, filha! Ficou doida?
- Por quê?
- Sua perna está quebrada!
- Quebrada? — Repeti assustada.
- É, filha! O doutor Ron não te disse?
- Acho que ele esqueceu esse detalhe. — Respondi entre os dentes.
Eu e meus pais conversamos e eu comi. Todos dizem que comida de hospital é ruim, mas nem era tão ruim assim. Era uma sopa até que gostosa e uma vitamina de abacate. Ou como eu gosto de dizer, abacatada.
Assim que acabei, quis resolver um assunto pendente.
- Pai, e sobre Julien e Daniel?
- Pois bem, minha filha. Eu já conversei com o diretor e nossa reunião vai ser amanhã.
- Tomara que eles sejam presos!
- Não sei, filha. Nesse país por mais que a justiça seja feita, é um processo difícil para prender um menor, em qualquer lugar do mundo. Os pais podem até alegar que os filhos têm problemas psicológicos.
- Mas é mentira!
- Eu sei, filha. De qualquer jeito, vamos dar tempo ao tempo.
O doutor entrou e abriu um largo sorriso, verificando outra prancheta que tinha trazido.
- Tenho uma ótima notícia, Victoria.
- Eu vou ter alta?!
- Sim. Ainda vai ter que ficar um dia aqui para verificarmos se realmente não danificou alguma outra parte do seu corpo além da sua perna...
- Falando nisso, ela só está quebrada, não é?
- Por isso vamos fazer alguns exames, quero ter certeza. — piscou, mas eu ainda não tinha me sentido segura.
Ele saiu e ficamos mais uma vez só eu e meus pais.
- Vocês podem ir embora agora. — Comentei.
- Não quer que a gente fique? — Papai perguntou.
- Não quero que percam o que têm para fazer.
- Filha, você é mais importante do que tudo. — Minha mãe sorriu e pegou minha mão.
- Podem ir, sério.
- Tem certeza?
- Tenho.
Eles me abraçaram e prometeram voltar no dia seguinte para me buscar e, só de prache, minha mãe pediu:
- Qualquer coisa, me ligue.
Passei o dia inteiro fazendo exames. Raio-X, exame de sangue, exame de urina, exame disso, exame daquilo... Muitos exames e muitos remédios! Quando finalmente pude voltar ao meu "quarto", a enfermeira me ajudou a deitar e pegou um livro para mim.
- Qual você quer?
- Tem Fall of Giants? — Sorri esperançosa, até gostei daquele livro, queria poder terminá-lo.
- Hum... — procurou. — Não.
- Ah... Quais tem?
- Barney, Clifford, Sponge Bob...
- Não tem nenhum normal?
- Além dos de filosofia? Acho que não...
- Tudo bem.
- Ah, espere aí. Tem As Crônicas de Nárnia.
Rolei os olhos. Era um bom livro, mas eu já tinha-o lido várias vezes, além de já ter assistido ao filme.
- Qual?
- O primeiro, "O Sobrinho do Mago".
- OK, pode trazer. — Me convenci. Eu não tinha opção, tinha? Era isso ou Barney!
Ela trouxe e saiu. Fiquei analisando a capa e tomei coragem antes de ler.
Abri o livro e comecei. Já na parte que Digory conta as coisas para Polly comecei a chorar. Mas eu não chorava de ficar berrando por aí, eu chorava "só nos olhos", como gosto de dizer. Um pouco depois da parte de Polly ter desaparecido por pegar o anel, eu caí no sono e só fui acordar no dia seguinte. Talvez por causa dos remédios que tinham me dado.
Notas finais
Beijos.
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