The Wrong

29 ASSUNTO: Flying To My Home


Notas iniciais
Sexta-feira, 9 de março de 2012.
Desculpem não postar, mas agora tá aí!
Não matem, fiz quatorze anos na quarta e ainda quero muitos mais quatorze anos pela frente :X
A música é do Paul McCartney (http://www.youtube.com/watch?v=ppketd4kC6I)
Boa leitura.

Olá... Eu sei que já está tarde para te mandar este e-mail (aqui estamos às duas da manhã), mas eu precisava desabafar. Estou aqui para contar uma coisa muito importante, mas isso será depois. Voltemos...

Arrumei minhas malas e entrei no carro. Estava no Facebook, digitando de dentro do carro. Você deve estar pensando "e de onde você tirou o wireless?". Do 3G do meu IPod, óbvio. Eu sei que já estava tarde para ficar na internet (estávamos às duas da manhã), mas logo de manhã estaríamos em Albany.

Passaram alguns cervos e alces no caminho, o que eu estranhei, porque achava que isso só acontecia no Canadá, mas enfim... Minha mãe e meu pai conversavam normalmente achando que eu estava dormindo, e passei a fingir só para escutar a conversa (qual é, quem nunca fez isso?!).

– É sério, amor — minha mãe continuou. — Mamãe disse por telefone que ele não estava bem. Ele estava tossindo bastante, a asma tinha voltado...

Lembrei na hora que ela falava de vovô. Ele tinha asma quando era mais jovem, porém tinha se curado em um médico supercaro de Canberra.

Depois, acabei dormindo de verdade e só acordei quando senti o cheiro de bolo de laranja saindo da casa da vovó.

– Victoria, me ajude com as malas! — Gritou mamãe, do porta-malas. Logo Tio Joe saiu de dentro da casa e mamãe deixou as malas no chão para abraçá-lo, ou seja, eu tive que levá-las sozinha para dentro da casa. Meus pais ficaram conversando com os familiares e eu peguei meu Mac Air e levei-o para dentro. Logo vovó Sally (Sara) me mostrou meu quarto e eu joguei todas as minhas coisas dentro do armário. Era um quarto arejado, porém não deixava de ter alguns bichinhos irritantes, como besouros e mini-aranhas. Afinal, estávamos no meio do nada.

Tomei um banho, e fui tomar café. Como sempre, os outros deveriam estar dormindo. Estávam lá todos os meus primos June, August, September, April e May (eu sei, minha tia Ginny é fascinada por nomes de meses para bebês), mais os primos filhos do tio Joe: Larry e Bonnie, esses meus tios e seu marido/esposa — respectivamente — e meus avós. Somente meu avô estava na mesa. Não dissemos nada. Não ouvimos nada. Apenas comemos em silêncio, e era o nosso silêncio. Ele significava tudo e nada. Respeito, e talvez até carinho.

Depois do café fui tomar um banho de piscina junto com Larry, que tinha a minha idade, e ficamos meia hora dando caldo um no outro. O resto do dia planejei ficar no meu Mac conversando com Eddie (sim, o apelido dele tinha mudado) e Emy, mas minha mãe já veio fazer barulho para mim.

– Menina, você só fica nesse computador! Sai um pouquinho, você tem tudo aqui. Piscina, uma área verde linda, bichos para admirar e uma família linda e completa para conversar.

Sabe como é, papo de mãe. Além disso, ela me obrigou a cantar algumas cantigas antigas de roda com meus tios e primos e eu ainda tive que brincar com a May, que deveria estar no auge de seus cinco anos.

De noite, apenas jantei com eles, e fui dormir.

Não conseguia dormir pois havia um pernilongo que me picava a todo minuto, então fui tomar um copo d'água na cozinha. Ouvi gritos no terraço e fui ver o que era. Quando vi meu avô e mais dois homens grandes gritando bravos, me encostei na coluna para ver o que estava acontecendo.

– Saiam já daqui, não tem nada para roubar, somos apenas velhos humildes que querem viver em paz! — Gritava meu avô, repetidas vezes.

Os homens não ligavam para suas palavras, apenas empurravam meu avô para o outro lado do terraço, e perguntavam:

– Cadê a grana, velho? Cadê a grana?!

Meu avô continuava a teimar, e eu não sabia o que fazer. Quando, de repente, um dos homens grandes tirou uma arma do bolso e eu reconheci qual era. Aquele mesmo meu tio Joe tinha me ensinado algumas coisas sobre armas e bebidas, e meu pai complementava me ensinando sobre carros. Uma das coisas que aprendi com Joe foi que quando uma arma tem o cano longo e raiado é uma carabina, metralhadora, ou fuzil (rifle). Quando tem cano comprido e liso, é uma espingarda e quando tem cano curto, pode ser revólver, espingarda e garrucha. A que ele tinha tirado era uma garrucha, tive certeza quando vi. Havia apenas um tiro por cano, por isso reconheci. E pelos detalhes. Era uma Castelo, calibre 380 de 9,65mm, segundo o que meu tio dissera. Ele tinha até um livro de armas e se eram proibidas ou permitidas pelo governo.

O homem maior e mais escuro, que tinha tirado a arma do bolso do casaco, apontou-a para meu avô e sua parte de metal brilhou na escuridão da noite. Logo, aquele nosso tão gostoso silêncio foi quebrado pelo barulho de um tiro.

Notas finais
Beijos e desculpem por estar pequeno, é que é um dos malditos complementares. KKKKKK
- Rafa LALALA