The World Of Ever After High

2 A Festa Encantada de Apple - parte 2


Notas iniciais
Apple agora tem um problema. O pássaro mágico sumiu, e tudo indica que é tudo culpa sua. Já Raven está tendo problemas com uma velhota que está completamente decidida em fazer com que Raven mate Apple. O que fazer?
PS:Não esqueçam que a historia são divididas em duas partes. A versão da Apple (The Royal) e a versão da Raven (The Rebel).

The Royal

– Está ótimo! Amei, amei muito a decoração! – falou Apple dando pulinhos de felicidade – Obrigada Briar! Por essa decoração maravilhosa!

– Querida, você pediu ajuda para Briar Beauty, a maior design já vista! – gabou-se Briar.

Apple riu. A festa seria a noite. Ela estava realmente muito ansiosa por isso. Já tinha recebido a notícia de que Raven estaria presente em sua festa, o que melhorava bastante as coisas.

– Agora, precisamos escolher o vestido perfeito para você! – falou Briar puxando o braço da amiga para perto do closet.

– Tem certeza? Eu e Raven precisamos fazer o resumo de etiqueta e ela já deve estar me esperando na biblioteca, então eu não vou ter tempo para isso...

– Mas o que é isso Apple White? O que você disse? – falou Briar arregalando os olhos – Trocar um momento divino, com vestidos, por um na biblioteca estudando? A não, isso não!

– Briar temos o que ainda? O dia todo para escolher meu vestido! – falou Apple – Eu preciso mesmo ir, está bem?

– Apple... Está bem, não irei teimar com você – falou Briar triste – Qualquer coisa, estou no quarto de Ashlyn escolhendo alguns sapatos com ela – disse isso e sumiu da vista de Apple.

Apple pegou a bolsa vermelha na cama da amiga e foi rumo à biblioteca.


Se você tem medo de espelhos falantes então o quarto de Apple não era o melhor lugar para você ir.

Antes de ela ir ao encontro de Raven, passou em seu quarto para pegar alguns acessórios e dar uma retocada na maquiagem.

A questão foi quando ela ia sair do quarto, algo atrás dela disse:

– Iai, ô da realeza! De boa?

Apple virou devagar e olhou ao seu redor. Nada.

– Quem está ai? – perguntou Apple – Eu tenho um... Batom e não tenho medo de usá-lo!

– Sério que essa é a sua maior ameaça? – falou a voz misteriosa.

– Onde está você? – falou Apple – Mostre-se!

– Olha o espelho, lerdinha – suspirou a voz.

Quando se virou, Apple viu uma fisionomia masculina refletindo no espelho. Gritou muito alto.

– Calme ai! – falou o espelho – Só podia ser filha da Branca de Neve... Tão escandalosa.

– Olha como fala da minha mãe! – falou Apple serrando os punhos.

– Tanto faz, mocinha – falou ele – Queria bater um papo com você!

– Primeiro: quem é você?

– O espelho mágico de Raven. É tão difícil de entender isso?

– A é!... A mãe dela tem um espelho. Tinha me esquecido – falou Apple.

– Tanto faz – falou ele – Só queria falar com você.

– Diga então – falou Apple.

– Mas não pode contar para ninguém! Tipo, ninguém mesmo, entendido?

– O.K. Agora conte logo vai! – falou Apple passando as mãos nos cabelos loiros.

– O pássaro encantado – falou o espelho – Irá precisar de você.

– Como assim?! Espere... Que pássaro? – disfarçou Apple. O pássaro havia pedido que não contasse para ninguém sobre ele. Mas como o espelho sabia? Ela não havia contado... Será que o pássaro tinha contado a ele?

– Eu sei o pássaro lhe pediu segredo – falou o espelho – Olhe, eu não sou inimigo, fique tranquila. Só mantenha esse segredo longe das outras pessoas. Infelizmente, até de Raven.

– Está tudo bem – falou Apple. Pensando bem, o espelho não era tão assustador. Parecia ser até um pouco legal.

– Mas quero lhe dar um aviso – falou Apple – Você, Apple White, será a ruína do pássaro.

– Oi? – Apple não acreditava no que estava escutando.

– Isso mesmo. Uma pessoa tão bondosa será a ruína do pássaro. Porém, o pássaro diz que você é de confiança e que quer correr o risco.

– Mas... Mas... – Apple queria chorar. Não suportava a ideia de fazer mal a uma pessoa (ou no seu caso, um pássaro) – Mas porque está me dizendo isso? Quem garante que está me dizendo à verdade? Afinal, você é um espelho da Rainha Má, ou quase isso...

– Sua garotinha ingênua – falou o espelho rindo – Este é meu dever. Alertar as pessoas com base em minhas profecias.

– Eu... – falou Apple – Preciso ir!

Apple bateu a porta de seu quarto com muita força e correu. Para onde? A Floresta Encantada é claro.


Ao chegar lá tudo o que avistou foi árvores e mais árvores. Nada de pássaro.

Apple assoviou num tom que o pássaro saberia que era ela lhe chamando.

Nada.

Muito estranho, pensou Apple.

Algo estava errada na floresta encantada. Não havia som algum, nem mesmo o canto dos pássaros. Pela primeira vez, e Apple deu graças por isso, não havia nem um inseto lhe picando.

Há algo muito errado, pensou Apple.

Então vasculhou pela floresta. Precisava saber o que estava acontecendo. Precisava falar com o pássaro, sobre a profecia do espelho, que ela nunca seria a ruína de alguém.

Porém, seu esforço foi em vão. Não havia nada nas árvores. Nem mesmo as flores não cheiravam tão bem quanto antes.

– Pássaro Azul, você está ai? – gritou Apple. E tudo o que escutou foi o eco de sua voz – Está bem, estou oficialmente muito preocupada.

Apple realmente não sabia o que fazer. O único amigo que lhe entendia havia sumido. A Floresta Encantada não era nem de longe a mesma. E tudo o que lhe vinha à cabeça era a frase do espelho falante “Você será a ruína dele”.

– Será que tudo isso está interligado? – falou Apple confusa – Será que, como se não bastasse, eu também serei a ruína da Floresta Encantada?

Apple queria chorar e muito. Queria suas amigas, queria poder desabafar com elas. Porém, não seria nada fácil. Até porque a parte do pássaro mágico era segredo. Ninguém poderia saber. E como o pássaro disse: principalmente o diretor.

Seus pensamentos foram interrompidos por barulhos na Floresta. Alguém a observava.

Apple virou-se rapidamente e encarou a árvore atrás dela. Uma silhueta se forma atrás dela.

– Está bem... – falou Apple – Quem quer que seja saia daí agora!

Nada aconteceu. A silhueta continuava imóvel atrás da árvore.

Apple decidiu então que teria que arrancar a pessoa de lá, gentilmente é claro.

E se essa pessoa tiver escutado minhas palavras? pensou Apple O pássaro terá sido descoberto... E isso não será nada bom.

Apple, rapidamente, correu para trás da árvore. Para a surpresa de Apple, não havia ninguém atrás da árvore.

– Mas como...

E então quando se deu conta Apple estava caída no mato. Quando se levantou e olhou para o lado avistou uma silhueta lhe encarando. Alguém de capuz vermelho.

– Q-Quem... É você? – perguntou Apple até perceber que conhecia o rosto debaixo do capuz.

– Sinto informar que não é você quem faz as perguntas – disse Cerise – Agora diga, o que você fez e como conhece o pássaro mágico.


Apple realmente não acreditava no que estava vendo. Se ela estivesse certa, Cerise havia escutado sua conversa com sigo mesma. Mas sem saber porque, a menina que pensava ser tímida e meiga, a estava acusando de fazer algo que parecia meio que uma... Tragédia.

– Vamos, me responda garota! – falou Cerise – E não pense que sou boba em acreditar em um comentário do tipo: do que você está falando? Eu não fiz nada, só estava cantando com os pássaros de costume.

– Mas eu... Não sei o que está acontecendo – falou Apple gentilmente.

– Sim você sabe – falou Cerise – Vamos, me diga como sabe do pássaro mágico e o que fez com ele?

– Eu... – falou Apple aguentando-se para chorar – Como sabe que ele existe? Ele me disse que eu era a única, a saber, de sua existência...

– Como assim ele disse? – falou Cerise – Você já o viu?

– Você não?

– Claro que não – falou Cerise – Ele usa magia para se esconder dos outros, pois tem medo de lhe roubarem a magia. A historia diz que a única pessoa que conseguiria vê-lo seria a escolhida... Mas é claro que você não é a escolhida até porque se escutei bem, você disse ser a ruína do pássaro.

Apple não conseguia falar. Seria ela a escolhida? Ela tinha certeza que as conversas com o pássaro não eram alucinações.

– Mas... – falou Apple nervosa – Eu falava com ele.

– Mentirosa! – falou Cerise – Bom, tenho algo aqui para você – ela tirou um lobo de plástico de sua cesta e colocou ao lado de Apple – Isso aqui foi um artefato mágico que minha mãe me deu. Caso você minta esse lobinho de plástico se transformará em um lobo de verdade... E não fará coisas boas a você. Agora que já sabe o risco que corre, poderia repetir que já falou com o pássaro? Ele está faminto!

– Eu... – Apple estava nervosa. Apesar de saber que tudo era verdade ainda sim estava nervosa. Havia contado o segredo do pássaro a Cerise. Seu juramento de não contar a ninguém sobre ele havia sido em vão.

– Você...?

– Sim, eu falei com o pássaro mágico – falou Apple. Cerise riu alto, como se quisesse dizer “Adeus garota”, mas parou quando percebeu que a miniatura de plástico de seu lobo estava intacto no chão.

– Como assim? O lobo nunca falha... – e então Cerise percebeu o que tinha acontecido – Você... Não está mentindo... Você realmente falou com o pássaro.

– Sim – falou Apple – Por favor, não conte a ninguém! Ele pediu isso.

– Está bem – falou Cerise guardando a miniatura do lobo em sua cesta – Mas... Sabe o que aconteceu com ele? Ele sumiu.

– Não – falou Apple – Mas porque pergunta? Está procurando por ele?

– Na verdade estava procurando ele há muito tempo – falou Cerise – Porém, meu instinto simplesmente me trouxe aqui quando encontrei você falando sozinha sobre ele.

– Seu instinto? Que coisa mais... Brega – falou Apple – Sem ofensas!

– Está tudo bem – riu Cerise – Por mais estranho que pareça, sim do nada eu percebi que tinha que vir aqui. Não sabia por que, só sabia que devia vir.

– Legal – falou Apple – Mas voltando para a sua pergunta... Eu queria saber onde ele está. Ele simplesmente desapareceu. E com ele a vida na Floresta Encantada sumiu. Não percebe?

– Não percebi nada demais – falou Cerise – Deve ser um dos dons da escolhida. Ela percebe quando a algo errado com o pássaro e sua moradia.

– Mas... Esse papo de escolhida – falou Apple – é tudo tão... Estranho.

– Pois é – riu Cerise – Porém é tudo o que sei. Uma escolhida iria ajudar o pássaro mágico a recuperar sua magia total.

“Mas como eu posso ajudar” pensou Apple “Se, segundo o espelho, sou a ruína do pássaro?”.

– Bom, ele deve estar bem – mentiu Apple – Eu... Preciso ir. Tenho uma festa para terminar de ser organizada.

– Está bem – falou Cerise – Podemos nos encontrar... Amanhã, aqui neste mesmo lugar?

– Claro... – falou Apple. Pensando bem, ela não queria falar sobre aquilo. Não queria pensar na frase que estava o tempo todo em sua cabeça “Você será a ruína do pássaro...” – Podemos nos encontrar aqui amanhã depois do almoço?

– Ótima ideia! – falou Cerise – Nos vemos... Por aí – e saiu.

Apple suspirou. Não que tinha achado Cerise chata, pelo contrário, admirava a força de vontade dela. Mas ela realmente não queria pensar no pássaro. Só de pensar que o sumiço dele e a possível morte da Floresta Encantada era sua culpa... Causava-lhe arrepios.

De repente, algo tremeu em sua bolsa. O celular estava vibrando. Apple abriu o celular e percebeu que Ashlyn, sua amiga, havia lhe mandado uma mensagem.

“Eu e Briar estamos te esperando em nosso quarto, para escolhermos os sapatos perfeitos. Venha logo!”

Apple guardou o celular em sua bolsa e foi rumo ao quarto das amigas. Mas ela não fazia ideia o que lhe aguardava lá.


Ao chegar ao quarto das amigas, Apple recebeu um grande e apertado abraço de Ashlyn e um beijinho na bochecha de Briar.

– Sem enrolações – falou Ashlyn pegando dois pares de sapatos. Os dois incrivelmente bonitos – Estou em dúvida de qual desses usar. Briar disse ser este aqui – Ashlyn levantou o par de sapatos azul – E você Apple? O que acha?

– O azul está bom – falou Apple sentindo algo estranho naquele quarto. Olhou em volta. Estava tudo normal.

– E Ashlyn separou esses aqui para você – falou Briar pegando dois pares de sapatos.

Apple encantou-se com um vermelho. Era sua cor predileta, porém algo nele chamava-lhe bastante atenção.

– Ficarei com este aqui – falou Apple pegando os sapatos vermelhos da mão de Briar.

E então ao encarar o sapato, ela viu uma coisa preta surgindo nele. Um ponto preto, que se tornou uma mancha, que se tornou uma fisionomia humana...

Apple deu um grito. Havia uma pessoa refletindo em seu sapato.

“Eu estou com o pássaro” falou a imagem de uma mulher, que era bem feia por sinal “Venha aqui, e quem saiba eu decida poupa-lo. Caso você seja mesma a escolhida, saberá onde estou com ele”.

Apple jogou os sapatos do outro lado do quarto e começou a chorar. Suas amigas foram em seu encontro.

– O que foi? – falou Briar – Porque está chorando?

– E porque jogou o sapato do outro lado do quarto? – perguntou Ashlyn passando a mal nos cabelos de Apple – Se não gostou é só falar...

– Não é isso – falou Apple entre soluços – Eu... – Apple não conseguia contar. Na verdade, ela não poderia contar. Então, tudo o que fez foi a primeira coisa que lhe veio na cabeça. Ela correu para bem longe dali.


The Rebel

– Está bem – falou Madeline – O seu guarda-roupa é realmente assustador Raven!

– Não é culpa minha – justificou Raven olhando para o seu vestido roxo escuro – Todos são presentes de Apple.

– Caramba! – falou Madeline – Está bem, ela realmente é muito rica.

Raven riu. Só sua amiga, Madeline Hatter a rainha dos malucos, para lhe fazer rir naquele tipo de momento. Quando seus pesadelos estavam ganhando espaço em sua mente, quando suas visões no espelho só pioravam cada vez mais.

– Raven? – falou Madeline. Ela balançava a mão na frente do rosto branquelo de Raven.

– A! Desculpe-me... – falou Raven passando a mão no rosto – Eu realmente estou... Nervosa para a festa.

– É bom estar mesmo – falou Madeline preocupada – Você quer mostrar aos outros que não é má. Essas roupas aqui não vão deixar você transmitir isso aos outros de forma alguma! – e pegou um vestido vermelho cheio de olhos em sua borda – Esse aqui transmite: “Olhe como sou má, acabo de arrancar os olhos de meu gatinho de estimação”.

Raven riu, o que fez sua cabeça latejar.

– Preciso lavar o rosto – falou Raven. Ao entrar no banheiro um cansaço tomou seu corpo. Cambaleou para o lado e apoiou-se na porta.

– Raven... – falou Madeline preocupada.

– Eu estou bem – falou Raven – São só... Seus chás – e então se virou para o espelho e deu um grito. Um grito bem agudo. Algo refletia no espelho e lhe chamava pelo nome. Raven tentava gritar por ajuda para Madeline, mas sua voz simplesmente não saía. Era impressão sua ou o banheiro estava se enchendo de uma fumaça branca e quente?

Raven virou-se para tentar chamar a atenção de sua amiga, mas reparou que a amiga estava parada, não se movia por nada. E então, de repente uma mão surgiu da fumaça quente e a puxou para baixo. Era como se Raven sufocasse naquela fumaça e quando tentava voltar à superfície a mão que a puxava não permitia. Raven sentiu seus pulmões queimarem e seus olhos começarem a se fechar. E então, a escuridão tomou conta dela.


Quando abriu seus olhos, Raven se deparou com uma sala totalmente branca e a fumaça quente e branca ainda estava ao seu redor. O que estava acontecendo?!

E então um rosto grisalho e amedrontador surgiu em meio a fumaça.

– Menina burra! – falou o rosto, porém seus lábios não se moviam em momento algum – Merece morte. Uma pessoa tão especial, se dedicando ao bem?

Raven esperava estar com a boca amordaçada e suas mãos amarradas, mas nada disso. Estava solta, livre para gritar. Mas ela duvidava se alguém a escutaria dali e se havia algum lugar por onde fugir.

– Garota – gritou a velha assustadora na mente de Raven – Está me ouvindo?

Raven não queria responder, ai quem sabe a mulher pensasse que Raven não a escutava e a deixava ir embora. Mas a curiosidade falou mais alto.

– S-Sim... – gaguejou Raven tremendo-se de medo.

– Acho bom – falou a velha – Tive que usar muita magia para poder entrar em sua mente.

– Então estamos em minha mente? – perguntou Raven.

– Mas é claro! – falou a senhora – Por favor, além de fraca é lerda?

Raven fechou a cara. Ninguém simplesmente entrava em sua mente, entrava em contato com sua privacidade e tudo mais, e a chamava de lerda. Ela pagaria por isso.

– Saia daqui sua... Velha! – vociferou Raven.

– Velha? Sério? É o que tem de melhor para me chamar? – falou a senhora – Voltando a nossa conversa misteriosa... Garota estúpida! Por que usa seus poderes para o bem? Por que não ajuda a destruir o pássaro mágico? Por que não ajuda a destruir a felicidade de Apple White?!

– Olha, não venha me dizer o que fazer – vociferou Raven – Detesto isso! E saia já da minha mente! Não lhe dei permissão para entrar nela!

– Por isso o feitiço ficou mais difícil de fazer – falou a velha – E, acabo de me lembrar, que por isso, temos pouco tempo – a velha fez surgir suas mãos em meio a fumaça e ela segurava uma cesta cheia de maças. Meteu a mão na cesta e tirou uma das maças. Não era qualquer delas, era a mais bonita de todas, que transmitia vida. Ao olhar para a maça, Raven teve vontade de dar um pulo dali e abocanhar a maça, apesar de tudo o que estava acontecendo. Foi ai que Raven entendeu o que a velha queria.

– Você quer que eu dê essa maça a Raven?! – falou Raven – Se quiser saber, eu não o farei de forma alguma!

– Você não entendeu peste? – vociferou a velha – Precisa apagar a única chance de o pássaro viver. Apple é a escolhida, é a chama da vida do pássaro encantado. Eu o tenho em minhas mãos, mas ele só morrerá caso você mate Apple White! Esse pássaro é um perigo para nós vilões... Um perigo Raven! Caso ele conseguir completar seu destino mágico, eu, você, sua mãe e todos os vilões dos contos de fadas sumirão! – De repente a fumaça começou a sumir e junto com ela o rosto da mulher, até que só se sobraram as mãos velhas com a maça – Dê essa maça a ela Raven Queen! Orgulhe-me!

A maça caiu em frente Raven e por impulso ela pegou.

– É claro que não darei isso a Apple! – gritou Raven – Ela é minha amiga!

E então tudo sumiu e Raven apagou novamente.


Se Raven tivesse uma lista de coisas que detesta que aconteça, a primeira seria desmaiar. Era a segunda vez que Raven desmaiava e o jeito com que a pessoa fica depois do desmaio não é nada bom. É meio como se você fosse um zumbi.

– Onfieotuo? – foi o que saiu da boca de Raven, apesar de ela querer dizer “Onde eu estou?”.

– Raven, graças ao chá mais maluco de todos, você está bem! – gritou Madeline pulando e dando um grande abraço na amiga recém-acordada.

– Madeline, cuidado com ela – falou uma silhueta, que logo Raven notou ser Apple White – Ela pode não estar muito bem ainda.

– Eu estou bem – gemeu Raven – Mas afinal... O que aconteceu?

– Você apagou – falou Madeline com o ar preocupado – Você disse que iria ao banheiro e depois simplesmente apagou lá.

– Mas... Você paralisou... – Raven tentou explicar, porém achou melhor não falar nada ali na frente de Apple – Eu passei mal. Acho que foram seus chás...

– Não mesmo! – defendeu-se Madeline – Meus chás são feitos com muito cuidado! A não ser que você tenha comido um biscoito de chocolate amargo junto. Não é uma boa combinação.

– Acho que foi isso – mentiu Raven.

– O importante é que você está melhor – falou Apple – Como fiquei preocupada Raven!

– O-Obrigada – gaguejou Raven. Não mataria Apple, por mais irritante que ela fosse às vezes, ainda sim ela era sua amiga.

“Dê essa maça a ela Raven Queen! Orgulhe-me!” Raven lembrou-se da última frase dita pela velha assustadora.

Raven olhou para a sua mesinha e tcharans lá estava à maça linda e chamativa.

– Bom eu estou melhor – falou Raven chamando a atenção de Apple para que ela não notasse a presença da maça ali – Eu... Gostaria de falar com Madeline a sós. Tudo bem, Apple?

– A sim eu me retiro – falou Apple dando um sorriso para Raven e Madeline – Melhoras Raven!

Ao notar que Apple saiu do quarto, Raven virou-se para a amiga desesperada.

– Madeline Hatter – falou Raven seriamente – Precisamos conversar!


– Sério? – falou Madeline com os olhos arregalados – Pelo santíssimo chá! Não acredito que essa tal velha adoidada falou isso.

– Pois é, eu também não – falou Raven enrolando uma mecha roxa de seu cabelo em um de seus dedos.

– Mas você vai dar a tal maça a Apple? – falou Madeline ainda com seus olhos arregalados.

– Claro que não Maddie! – falou Raven encarando a maça em sua mesa – Mas estou confusa. Apple está envolvida em alguma coisa doida com um tal de pássaro mágico.

– Isto está me soando doideiras demais – falou Madeline saltando de sua cadeira – Amei! Vamos mais a fundo nisso Raven. Rumo à biblioteca! Não a melhor lugar para um chá.

– Madeline... Biblioteca e chá? – falou Raven encarando a amiga – O que isso tem a ver?

– Nada! – falou Madeline puxando a amiga da cama – Vamos lá Raven. Quer ou não saber mais sobre isso?!

– Está bem você tem razão – falou Raven levantando-se de vez da cama – Vamos lá!


Ao chegarem à biblioteca Madeline correu ao centro de livros para pesquisa.

– Vamos lá Raven ajude ai! – falou Madeline – Procure por algum livro sobre o tal tigre.

– É um pássaro Maddie – falou Raven rindo.

– Foi o que disse! – falou Madeline – Mãos a obra!

Raven foi rumo à primeira prateleira cheia que viu. Não achou nada do tipo, então foi rumo a segunda onde achou alguns livros do tipo “Itens mágicos”, “Itens mágicos e suas magias”, “Itens e suas magias” e “Itens mágicos que possuem magia”.

– Isso... É estranho – falou Raven jogando os livros de volta a prateleira. Passaram-se trinta minutos e nada. Raven já estava prestes a desistir de achar alguma coisa naquela biblioteca quando escutou o grito de Madeline “Achei!”.

– O que achou? – perguntou Raven a sua amiga que segurava um livro grosso e que parecia intocado há séculos.

– O livro “O pássaro mágico e sua historia” – falou Madeline sorrindo para Raven – Achei no fundo da ultima prateleira, bem escondido.

– Está bem vamos lá – falou Raven – O que tem ai?

– O resumo está apagado – falou Madeline – Aqui diz, o pássaro mágico e a historia de sua lendária saga em busca da verdadeira magia. O resto está muito apagado, parece que a poeira grudou aqui – Madeline abriu o livro para ler, mas acabou se surpreendendo, as páginas dos livros estavam todas rasgadas – Estou começando a achar que alguém não quer que ninguém leia sobre esse pássaro.

– Você acha? – falou Raven – Eu tenho certeza! Livro escondido, todo empoeirado e para completar páginas rasgadas... Mas quem iria querer que ninguém lesse sobre o pássaro? Meio como se ele fosse um... Segredo?

– Isso está estranho – falou Madeline tomando um gole de seu chá de sabe-se lá de onde ela tirou.

– Ótimo, o único livro que tem nessa biblioteca que poderia ajudar está nessa situação – falou Raven desmoronando. Não podia desistir, o pássaro tinha alguma coisa a ver com ela. E com Apple.

– Espere tive uma ideia! – falou Madeline entusiasmada – Minha colega de quarto, Kitty! Ela é filha do gato risonho e ajuda alunos a obterem respostas que não podem alcançar. Ela é perfeita!

– Não, espera ai – falou Raven segurando à amiga – Quanto mais gente saber pior fica!

– Mas Raven é a nossa única chance de descobrir o que esse tal pássaro mágico tem haver com você – falou Madeline – E descobrir quem é essa tal velha que diz que você deve matar Apple.

– Talvez eu não queira saber – mentiu Raven.

– Mas eu quero – falou Madeline puxando a amiga – Vamos lá! A Kitty vai saber nos ajudar. Ela ajuda todos.

– Tem certeza que essa é uma boa ideia? – falou Raven nervosa.

– Não – sorriu Madeline – Kitty deve estar em nosso quarto! Vamos lá! Missão tigre mágico em ação.

– Você quis dizer pássaro mágico? – falou Raven.

– Isso ai, isso ai...


Ao entrarem no quarto, as meninas avistaram uma menina travessa ronronando deitada em sua cama. O cabelo lilás da menina caia sobre seu rosto, muito charmoso por sinal, e deixava a mostra suas orelhas pontudas cinzentas iguais as de seu pai.

– Kitty? – chamou Madeline.

– Estamos fechados volte mais tarde – Kitty disse meio que automático.

– Sou eu, Madeline.

– É minha familiar? – perguntou Kitty, sem abrir os olhos.

– Não...

– Então pode voltar mais tarde – falou Kitty – Marque horas com minha assistente... A espere! Não tenho assistente. Lembre-me de contratar uma sim? Até mais.

– É um caso sério Kitty – falou Raven que até o momento só tinha tremido de nervosismo – Muita magia está em jogo.

– Disse magia? – Kitty deu um pulo da cama e então Raven notou que charmosa era um apelido para Kitty. Ela era maravilhosa! – Há quanto tempo não vejo um caso de magia?! Todo dia casos de “Ai Kitty será que ele me ama?” ou “Ai Kitty o que dar de presente para a minha namorada?”.

Raven tentou evitar rir, mas não conseguiu. Além de bonita, Kitty era muito engraçada.

– Ora, seus pais não lhe ensinaram que rir do problema dos outros é feio? – falou Kitty colocando um casaco preto sobre seu pijama lilás – Vamos logo, conte-me mais! Que tipo de magia?

– Alguma coisa que envolve um pássaro mágico – falou Raven.

Kitty ficou calada. Algo em seus olhos dizia que ela ficaria calada por muito tempo.

– Eu... Eu... Não sei de nada – falou Kitty deitando-se novamente em sua cama.

– Eu sei que sabe – falou Madeline – Eu vi o seu olhar! Foi você que rasgou aquele livro na biblioteca?

– Eu o que? – falou Kitty – Que livro?

– Antes fale mais sobre esse pássaro – falou Raven – Por Favor.

– Eu... – hesitou Kitty – Está bem. Sentem-se ali – a gata apontou para cadeiras no canto do quarto.

– O que sabe sobre isso? – falou Madeline sentando-se na cadeira.

– Eu... Não posso falar sobre. Esse assunto foi proibido em Ever After High – falou Kitty.

– Vamos logo – falou Raven – Diga! Eu preciso de ajuda... Tem uma mulher, uma velha que está me perseguindo dizendo que preciso matar a fonte da vida do pássaro...

– A escolhida – falou Kitty – Mas é impossível. A escolhida não nasceu ainda.

– Ela me disse... – Raven hesitou. Será que podia confiar naquela garota? Não tinha escolha – Ela disse que Apple White é a escolhida.

– Apple White?! – zombou Kitty – A garota fresca? Me recuso a acreditar!

– Raven mostre a ela! – falou Madeline – Mostre as lembranças a ela!

– Eu... – agora já era demais. Deixar que Kitty entrasse em contato com sua mente... Não podia permitir – Não posso. É um absurdo.

– Está vendo? – falou Kitty – Estão blefando! Por favor, nunca mais toquem nesse assunto comigo. Agora vão embora e se quiserem voltar marquem a hora com a minha assistente.

– Mas você não tem assistente – lembrou Madeline.

– Dane-se! – falou Kitty – Vão embora!

– Não pode me expulsar do meu próprio quarto – falou Madeline cruzando os braços.

De repente Kitty sumiu de sua cama e reapareceu ao lado de Madeline e Raven. Em seguida empurrou as meninas do quarto.

– O que disse? – zombou Kitty e bateu a porta com força.

– Está bem Kitty – falou Raven – Eu lhe mostro as lembranças do “sonho” que tive para lhe provar que digo a verdade.

Kitty não respondeu. Isso deixou Raven enfurecida, talvez por isso ela explodiu a porta do quarto de Kitty.

– Olha, eu entendo que você possa estar com raiva – falou Madeline acariciando a porá – Mas o senhor porta não tinha culpa disso. Coitado dele era um homem tão bom.

– Quem você acha que é? – falou Kitty.

– Por quê? Vai chamar a sua assistente? – zombou Raven. Não fazia a mínima ideia do porque de estar fazendo aquilo, só queria a resposta para aquilo. E a profecia do espelho... E tudo mais.

– Eu... – mas por algum motivo, Kitty também queria saber – Se estiverem mentindo...

– Não estamos – Raven falou. E então se concentrou em tudo aquilo. A mensagem do espelho para você, o sonho maluco e tudo o mais.

Lembranças em preto e branco surgiram no céu e Madeline começou a gritar de medo. Kitty estava completamente concentrada. Na verdade é como se ela meditasse.

– Vocês... – Kitty conseguiu falar, depois de as lembranças de Raven sumirem – Vocês não estão mentindo.

– Eu disse! – falou Madeline rindo – Agora tenho que ir. Um funeral para o senhor porta que Raven acabou de derrubar seria muito bom. Vejo vocês logo! – disse e saiu do quarto.

– E então? – falou Raven depois de rir – Pode me ajudar?

– A profecia... Está sem completando – falou Kitty – Eu preciso falar com uma pessoa. Que tal se nos encontrássemos amanhã depois das aulas?

– Seria ótimo – sorriu Raven – Mas...

– Ótimo – falou Kitty empurrando Raven – Até mais! – e bateu a porta.

Kitty correu rumo ao telefone e discou um número.

– Senhora? – falou Kitty – É Kitty e trago mais informações. A rebelde já sabe em parte da profecia e isso não é nada bom. E não parece disposta a fazer o que você deseja.

Kitty escutou a resposta de sua senhora, murmurou um “tudo bem” e desligou o telefone.

– Raven Queen e Apple White... – falou Kitty deitando-se em sua cama – Tenho pena de vocês duas. Ainda bem que não estou em suas peles.

E então, Kitty desligou a luz do quarto e voltou a dormir.


Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não saiam sem comentar está bem? Bjs :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.