The Woman Of Mafia
8 Broken People
Notas iniciais
“Grande reputação, grande reputação,
Você e eu temos grandes reputações
Ah, e você ouviu falar de mim
Eu tenho alguns grandes inimigos, sim”
— Taylor Swift
Eu estava extremamente cansada de correr.
Avistava Piper e Leo ao longe, porém quanto mais eu corria, mais parecia que estavam longe de mim. Minhas pernas pediam uma pausa urgentemente, mas eu sabia que não poderia arriscar uma parada com tudo que estava acontecendo. Só ouvia tiros e explosões atrás de mim, e de alguma forma estranha isso me deixou feliz. Minha corrida para salvação se extinguiu e eu esbarrei no carro, ofegante, procurando algo pra me apoiar, enquanto analisava o local em volta. Piper se posicionou encostada no carro, finalmente percebendo minha presença ali. A mesma correu até mim, me puxando para perto.
— Thalia! Você não tem noção de como estávamos preocupados. – Piper disse, enquanto Leo se aproximava de nós.
O moreno sorriu, batendo em minha mão como cumprimento. – Eai gracinha. Nico me avisou que você estava vindo para cá. É só entrar no carro, o resto eles resolvem.
— Sério, é entediante ficar aqui sem fazer nada. – Falei, abrindo a porta do carro e sentando-me de mau gosto no banco. – Parece que nunca posso me divertir.
Leo deu uma risada, ainda mexendo freneticamente no notebook. – Ah, não diria que eu fico com uma parte chata e entediante. Talvez você e Piper sim, mas eu não. – Virei pra ele, não entendendo muito bem oque o mesmo disse. Fiz uma pergunta silenciosa, e o mesmo prosseguiu com as informações. – As bombas que eles estão utilizando são ativadas por mim. O sensor é ativado para o notebook quando a bomba é jogada ou ativada por eles. Combinamos de um tempo total de dez segundos para cada bomba explodir. Eu conto esse tempo, e quando o tempo bate os dez segundos, eu explodo a bomba por aqui. Em partes é legal, em outras não porque eu não posso ver o estrago que meus bebês fazem.
— Fiquei preocupada com você, sabia? – Disse Piper sorrindo, e me puxou para um abraço apertado. – Se alguém quiser te deixar novamente saiba que meu voto é não! Mas olhe pelo lado bom, pensamos que fosse para o seu bem. Nico ficou muito preocupado com Martínez, já que eles a viram...
Franzi o cenho. Ah, eu realmente não acredito. Sério que votaram para saber se eu ficaria ou iria embora? Que merda de consideração! – Sério, Piper? Só não te dou um soco agora porque estou cansada pra caralho.
— Aliás, eu votei para você ficar. Por isso sou um amigo nota dez. – Leo sorriu convencido. – Na verdade sou nota mil, porque sou foda.
— Mesmo assim, Thalia... – Piper me olhou de uma forma preocupada. – Nós sabemos que tudo isso é meio novo para você. Jason ficou preocupado demais depois da festa do Dionísio. Você sabe como ele pode ser super protetor com as pessoas que ama.
— É, até demais. – Disse, relembrando a pequena briga que tive com Nico em minha mente, alguns dias antes de voltar para Seattle.
Fiquei realmente chateada com ele. Chateada com todos, na verdade. Talvez eu não fosse a pessoa mais inteligente, mais ágil, porém eu poderia fazer algo. Todo mundo sabe fazer alguma coisa, seja ela a mais inútil que for. Mas depois de tudo que aconteceu, de tudo que fizemos... ele ainda me mandou embora. E de repente, toda a raiva que senti naquele dia voltou como uma chama alta, que não queria se apagar. Eu tinha muita coisa pra resolver com ele. E se ele pensava que eu iria cair em seus braços quando o visse, ele estava extremamente correto. Porém eu não me orgulho disso e tentaria – como uma pessoa madura que sei que não sou – ter uma conversa séria com ele.
Uma explosão chamou a atenção de nós três, e vimos o teto do antigo quartel ir aos ares. Olhando ao longe, parecia até um filme de ação ou coisa do tipo, que era divertido de se ver. Mas acho que quem estava lá dentro não estava nem um pouco feliz de ter virado churrasquinho. E foi ai que eu me lembrei de Phil e Becker. Claro que o filho da puta do Phil não faria nenhuma diferença pra mim, porque sinceramente ele poderia morrer de uma forma mais torturante do que queimado, ao contrário de Becker, que apesar de ter me mantido sequestrada, de uma forma nojenta, sem me proporcionar banho ou pelo menos comida decente – que no caso ele achava uma delícia, mas era uma merda –, me tirava o tédio daquele lugar infernal.
— Hey, Annabeth me mandou uma mensagem. Já estão saindo de lá e disse que já podemos ir embora – Piper dizia enquanto olhava o celular. Fez uma cara confusa e me olhou. – Ela mandou um emoticon de uma abelha e disse que ela estava morrendo de saudades.
Dei uma risada nasal. – Uma piada interna nossa. Também estou morrendo de saudades da abelhuda. – Piper levantou uma sobrancelha. – Vamos, só preciso de um banho e uma cama gostosa agora.
Ponto de Vista: Bee Stoll
Existia apenas uma palavra que conseguia me definir neste exato momento: PUTA.
Não puta do tipo safada, prostituta, ou coisas do tipo. Puta no estilo de estressada, com raiva, ódio mortal pela vida e pelas pessoas que a compõem. Eu havia feito de tudo, tudo mesmo, pra pirralha da Grace sumir do mapa. E o que me acontece? Exato, eles salvam ela.
Não me orgulhava exatamente do que eu havia feito. Sempre fui fiel ao Nico e sua gangue, porém é como nosso querido Maquiavel diz, “os fins justificam os meios”. A Grace atrapalhava mais do que ajudava, por isso eu deveria tirá-la de jogada. E eu tentei, mas fracassei. Na verdade, os embustes dos empregados do Martínez que fracassaram, pois minha parte eu já havia feito. Caralho, é tão difícil dar um tiro na testa daquela infeliz? E pra fechar com chave de ouro sobre a minha putisse, a Grace estava lá, conversando com o meu homem, enquanto eu estou aqui, sentadinha que nem uma planta.
Deus, que ódio.
Meus novos planos mirabolantes foram cortados de minha mente quando vi a porta do quarto ser aberta, mostrando Annabeth entrar com um sorriso fraco.
— Hey, está tudo bem? – Perguntou a loira, fechando a porta e recostando-se na mesma.
Revirei os olhos e deitei na cama, virando para o lado contrário à Chase. – Sim, está. – Dei um sorrisinho irônico. – Tudo está bem merda.
Annie riu. Fazia tempo que eu não a via sorrir de forma verdadeira. Lembro-me de quando a conheci. Era totalmente diferente da pessoa impassível que se tornou hoje... ela havia se tornado a verdadeira pedra. Annabeth sempre foi meio frágil, porém isso não se via mais em seu rosto. Ela exalava confiança, mesmo que efêmera, por seu corpo.
— Você sabe que não estou tão feliz com o retorno da Thalia. – Falei, sentando-me novamente na cama de frente à Annabeth.
— Sei até mais que isso. – Disse a loira, arqueando uma sobrancelha. – Acredite Bee, eu não queria saber. Mas a vida anda querendo foder comigo, e ela não vai parar até que não reste mais nada de mim. Eu realmente gostava de você, assim como todos aqui.
Me levantei da cama relutante. Annie deixava brechas em sua fala que não eram totalmente perceptíveis. Ela... realmente sabia? Ou só desconfiava e queria tirar informações de mim?
— Sei o que fez, Bee. Sei que falou com seus irmãos. Sei que eles trabalham com o Martínez agora, sei que você não está lá com eles por causa disso! Sei que deu todas as informações sobre Thalia para eles... que avisou onde ela estaria e quando estaria. Só não entendo o por quê de nos trair dessa forma – Annabeth rosnava, suas palavras com um desgosto visível. – Você é só mais uma vaca falsa.
— Surpreendentemente patético, mesmo vindo de você. – Falei, dando uma risada falsa. O que ela achava mesmo? Havia esquecido que por trás da cara de sonsa e retardada, tinha uma mente extremamente brilhante. – Ela vai foder com todos vocês. Me poupe, eu estava fazendo um favor!
— FAVOR PARA QUEM, BEE? — Gritou Annabeth. Seus olhos marejavam ódio. Os punhos estavam fechados fortemente em posição de ataque. – O único favor que você faria aqui é sumir, vadia. Você tem duas horas. Exatamente duas horas para se extinguir da minha frente, e ir o mais longe que puder. Do contrário...
— O que, Chase? – Rosnei com um tom irônico na voz. – O que vai fazer? Jogar um notebook na minha testa? – Ri com o comentário nada engraçado. – Você não é nada.
Annabeth abriu a porta e virou-se para sair, mas antes falou de forma baixa e clara. – Duas horas Bee, ou eu conto para todos eles. E o resto que sobrar do seu corpo vai ser mandado para seus irmãos de presentinho.
Ponto de Vista: Nico di Ângelo
Meu tênis pisava em mais um cigarro acabado na grama verde e meio queimada pela pequena chama do tabaco caído ali. Tudo aquilo conseguia ser novo até para mim. Era difícil reconhecer meus sentimentos naquele momento. Mesmo sendo quem sou, nunca fui de apelar para uma mini-guerra como aquela. Não é de hoje que temos rivalidade com Martínez, mas as coisas nunca saíram daquele jeito. Nunca foi tão potente como hoje, e agora mais do que nunca eu sei que não é mais seguro estar em Nova Iorque.
Já fazia algum tempo que eu havia pensado em nos mudarmos. O trabalho estava se tornando cada vez mais difícil, levando em conta outras máfias que pairavam o lugar. Claramente não era o meu emprego dos sonhos – se isso realmente era um emprego -, mas era o que precisávamos para sobreviver. Além de que as pessoas que roubávamos não eram de forma alguma santas. Tinha muita gente suja naquele lixo de cidade.
Levantei e bati as mãos aos lados da calça, tentando tirar alguma poeira que era inexistente. Virei-me para entrar na casa e dei de cara com Thalia, que segurava um cobertor sobre os ombros, me olhando com um pequeno sorriso no delicado rosto.
— Desde que voltamos que você não diz nada. – Disse com a voz suave. Ah, aquela voz... que saudade. – Sei que não sou a melhor pessoa para você desabafar – fez um sinal de aspas com a mão, dando ênfase na última palavra e sorriu – mas eu estou aqui se precisar, saiba disso.
— É, você realmente não é a melhor pessoa. – Falei debochado. Seu rosto tomou uma feição de falsa mágoa, o que me fez rir mais um pouco. – Só estou pensativo, nada mais.
Thalia se aproximou de mim, me fazendo sentar nas espreguiçadeiras novamente, colocando sua mão em meu ombro esquerdo e sentando-se ao meu lado. – Sou infantil, Nico. Pra caralho, e quem mais sabe disso é você. – Assenti com a cabeça, um sorriso tomando conta de meus lábios. – Mas reconheço quando alguém está mal. Sei ser séria quando é necessário.
Arqueei uma sobrancelha e virei o rosto na direção da morena.
Grace revirou os olhos e riu. – Ok, ok, mentira! Não sei ser séria. – Cruzou as pernas na espreguiçadeira e apoiou sua cabeça em meu ombro. – Mas juro que me esforço. Ao máximo, porém é impossível. O que me resta é lamentar.
— Só não lembro como tudo começou a chegar nesse extremo. – Suspirei.
— Quando eu cheguei aqui, você só faltou chutar minha bunda para fora, lembra? – Comentou, de forma pensativa. – Eu jurei para mim mesma que você ia se arrepender do que fez. Jurei que você iria precisar de mim, que iria gostar de mim. Não sei se precisa de mim ainda, mas sei que pelo menos um por cento de mim você gosta.
Sorri. – Eu me esforço.
— Apesar de qualquer interesse que eu tenha em você, respeito tudo que fazem aqui, mesmo sendo errado. Sei que foi o necessário. Gosto de você, Nico. De verdade.
Virei para seu rosto e vi seus olhos azuis tempestuosos me encararem de forma intensa. Thalia levou suas mãos a meu pescoço e me puxou para um beijo lento. Sua língua se entrelaçava com a minha, em algo sem pressa, como se fosse sincronizado. Seu beijo era bom, tinha um gosto adocicado. Coloquei minha mão em uma de suas coxas e passei a acaricia-la, sem forma maliciosa, apenas um carinho. Thalia fez menção em subir no meu colo, mas eu a parei, o que deixou a morena nada contente.
— Porra di Ângelo, vai continuar me dando foras? – Grace disse indignada.
— Eu não quero envolver você nisso. E quanto mais eu me apegar a você, mais caçada você será. Quero apenas proteger você, Thals. Vou garantir que isso aconteça, mas por hora quero você longe dessa situação. Quero você longe dos assuntos da máfia. – Levantei e fui de volta à casa, deixando possivelmente uma morena furiosa atrás.
Ponto de Vista: Leo Valdez
Minhas mãos passeavam de forma desconhecida pelo corpo de Bianca. Nosso beijo era rápido, quase desesperado, como se o mundo fosse acabar naquele instante. Seus dedos pressionavam minhas costas desnudas, e suas unhas grandes deixavam traços que ficariam marcados mais tarde. Meus beijos mudaram de curso e foram para seu pescoço, enquanto Bia ofegava e colocava suas pernas em torno de meu quadril, pressionando nossos corpos num desejo incessante.
— Leo... – Sussurrava em meu ouvido, me arrepiando. – Ele está em casa, se acabar vendo nós dois, vamos ter sérios problemas.
Parei de beijá-la e olhei para aqueles olhos negros profundos. Era incrível como Bianca conseguia ser linda. Passei minha mão por sua bochecha branca, fazendo contraste com minha pele morena. – Eu estou cansado de ficar me escondendo com você.
— Eu sei. – Bianca me empurrou para o lado da cama e sentou-se, cruzando as pernas. – Mas você sabe que meu irmão não ia aprovar isso! Nico é bem super protetor comigo.
Suspirei fundo, eu amava Bianca, mas já estava cansado dessa brincadeira de esconde-esconde. Olhei em seus olhos negros aflitos mais uma vez antes de envolvê-la e acomodá-la em meu peito.
— Nunca pense que isso vai dar em um final ruim, porque afinal, estamos falando de amor, não de máfia. — Sussurrei perto de seu ouvido, o suficiente pra ela se esconder mais em meu abraço. Depositei um beijo no topo da cabeça e me encostei-me à cabeceira da cama, tentando sugar todo o conforto daquele abraço pra dentro da minha bagunçada cabeça.
De repente, a porta foi aberta um estrondo, assustando nós dois. Bee entrou no quarto de forma amarga, mas parou e abriu um sorriso sarcástico quando viu nós dois abraçados na cama. Bianca num pulo saiu da cama antes de Bee sair do quarto.
— Bee, por favor, não fala nada pra ninguém! — Implorou Bianca quase chorosa. Eu não gostava da Bee, fui obrigado a conviver por causa do Di Ângelo, mas realmente a pior coisa que aconteceu foi ela ter voltado novamente pra cá.
— Hm, Bianca. -A forma que sibilou o nome dela me arrepiou de uma forma bem ruim. — Que tal você me fazer um favorzinho?
— Que favor? -Bianca já estava desconfiada, provavelmente já estava arrependida de ter implorado a Bee. Nesse ponto, eu já tinha me levantado da cama e fechado a porta do quarto, para que ninguém visse, e me posto ao lado de Bianca, como uma proteção. Bee ficou alguns minutos calada, dando voltas e voltas no quarto, encarando nós dois.
— Desembucha logo essa merda, antes que eu me estresse. — entonei de forma rude, o que vez ela vir em passos largos e parar na nossa frente, com sua cara exageradamente maquiada me fazendo pensar se era esse o motivo dos lixos estarem coloridos.
— Já sei! Vocês me defenderão para que eu permaneça, aqui! Com vocês, amorzinhos.
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