Notas iniciais
Desde criança sempre gostei da fantasia e do imaginário, sempre gostei de tudo que me levasse pra um lugar novo e diferente. Hoje continuo a mesma coisa, adoro os quadrinhos orientais e ocidentais e algumas vezes me paro pensando em cenas épicas com personagens da minha mente. Então chegou um dia que decidir expor tudo isso que passava pela minha cabeça. Hoje eu estudo um pouco de ocultismo e mitologia, e ai unir o útil ao agradável, e assim nasceu o Witchcraft. Vejo escrever este conto mais como uma necessidade própria, não sei se alguém vai acompanhar ou até mesmo ler essas palavras de agora, mas sinto-me mal quando não expomos criatividade. Realmente espero que me perdoem pela escrita, não sei escrever de uma maneira legal, e espero que minhas palavras não sejam tão maçantes, hahaha. Recentemente minha melhor amiga conhecida aqui como Briana, está me ajudando a escrever o conto (para ver se desamarra kkk), esperamos que gostem. >.< Obrigado se alguém acompanhar. Chu chu chu ~~~

O Sol começava a adormecer, desaparecendo preguiçosamente entre o aglomerado de pequenos edifícios, enquanto seus raios pintavam de laranja o céu e as nuvens. Todos os dias naquele horário as pedras das precárias construções daquela parte da cidade ganhavam um brilho especial por causa do crepúsculo. Isso dava aos seus moradores uma rápida sensação de felicidade ou nostalgia, porém bastava olhar mais atento ao redor para que os sentimentos ruins sufocassem qualquer outra emoção. Pequenos prédios bem parecidos entre si brotavam de um mar de areia e escombros. Com uma arquitetura bem quadrada e seca, tinham no máximo três andares que eram divididos por famílias marginais.

Em uma dessas casas, no ultimo andar, havia um pequeno quarto em que a luz do ocaso preenchia todos os cantos. Dele podia-se ouvir as preces de uma mulher em uma língua muito antiga e esquecida pela história. Ela estava ajoelhada de frente a um altar bem simples em uma das paredes sem pintura do quarto. O altar era formado por um batente de cimento com algumas velas, flores e uma antiga e bruta estatueta feita por mãos não muito hábeis. O quarto tinha grandes aberturas nas paredes, espaços reservados para janelas que nunca foram colocadas, e era por essas clareiras que a luz solar entrava tingindo tudo e dando aos cachos ruivos e longos da mulher uma linda e viva cor cobre. Ela estava de olhos fechados e as mãos juntas em oração. Uma figura angelical. Mesmo com sua aparência grosseira e personalidade forte. A beleza sempre a acompanhava.

Após alguns minutos a mulher abre os olhos e respira profundamente. Seus braços estão abertos acima de sua cabeça e seu olhar é distante.

— Oh, Minha Senhora, sei que o meu futuro é doloroso. Sei que o meu sangue já não me pertence. Então nestes tempos difíceis dai-me forças, dai-me coragem, Oh Andrasta, para me manter cada fez mais forte!

Boadiceia sempre se sentia melhor depois das suas preces, seu corpo cansado se recarregava, e sua alma agitada encontrava um pouco de paz. Ela levantou-se lentamente do chão e limpou os joelhos sujos de areia. Uma brisa fria invadiu o quase vazio e já escuro quarto, e fez seu vestido de tecido fino e colorido esvoaçar, revelando suas pernas definidas e torneadas. Ela dá uma última olhada ao redor e desce pela escada improvisada de madeira no canto do quarto.

A mulher caminhava pelas ruas estreitas da favela onde morava. A iluminação era formada por poucas lâmpadas fracas em amontoados de fios. Nas alamedas havia sempre sucatas de veículos quebrados, carcaças de microjatos e peças velhas pelo chão. Ela andava a passos largos e em cada esquina cumprimentava alguém. Era bastante respeitada naquela área. Depois de poucos minutos caminhando pelas ruas arenosas, escuras e iguais, ela chega a um salão pavimentado com pedras. A luz ali era mais forte e algumas poucas árvores com galhos retorcidos ousavam crescer ao redor do lugar. As peças, sucatas de veículos e maquinas que viviam espalhadas pela favela existiam em maior número naquele local, e formavam pilhas por toda a parte. No meio do salão havia um pequeno coreto enferrujado, onde um grupo de pessoas se reunia. Eles usavam roupas sujas de couro escuro e a maioria estava carregando pesadas armas e munições. Um homem alto de cabelo curto e prateado se afastou do grupo e foi em direção a ruiva que se aproximava. Sua barba por fazer e vestes surradas indicava que este era um homem que há muito tempo já não se preocupava consigo mesmo. Ele sorriu pra ela e estendeu as mãos em sua direção. Os olhos castanhos da mulher, da cor de um escuro mel, apertaram-se enquanto retribuia o sorriso.

— Boadiceia, sabe que não gosto quando fica sozinha por muito tempo. – Ele beija a testa dela e passa o seu polegar por sua bochecha.

— Meu querido você sabe que não sou este tipo de mulher, sabe que preciso do seu amor e não de sua proteção. – Ela segura a mão do homem sobre o seu rosto e a aperta com carinho, enquanto mantém seus olhos firmes.

— É eu sei... Mas não consigo pensar em mim sem você.

— E nem precisa, porque eu sempre, e em qualquer situação, estarei com você, Govannon. Agora vamos, já devo está muito atrasada.

De mãos dadas os dois voltaram para o coreto onde um grupo de três pessoas os esperavam. Entre eles estava uma mulher madura que usava um longo e pesado vestido roxo, acompanhado de uma capa com capuz que lhe cobria a cabeça e escondia o seu rosto nas sombras. Preso ao seu vestido havia um cinto feito de cobre e bronze cravejadas com algumas pedras sem brilho; ao seu lado estava outra mulher um pouco mais nova. Essa tinha cabelos pretos bem volumosos e cacheados, olhos verdes pintados com uma maquiagem escura e sobrancelhas bem fortes. Usava uma calça de couro preta e coldres com armas e munição; a sua esquerda um grande homem escorava-se nos ferros da grade, tinha uma aparência bruta, o ralo cabelo loiro dividia a sua cabeça com a calvície, os braços musculosos estavam cruzados sobre o peito, ele vestia um sobretudo marrom, luvas rasgadas e do seu lado uma enorme arma estava encostada. O grupo parecia sempre atento ao que acontecia nos arredores.

— Que bom que chegou Boadiceia, por mim começamos tudo agora mesmo. – Exclamou o homem loiro.

— Pra você tudo é assim não é Bran? Tudo é muito fácil – diz a figura encapuzada virando-se para encarar o homem ao seu lado. – Mesmo vivendo de maneira perigosa, o que estamos planejando é algo muito arriscado. Você pode não ter medo de morrer, mas eu preso por minha vida.

— Calma Sin. – Disse a mulher morena, segurando a outra pelo ombro. – Essas discussões que você anda tendo com o Bran ultimamente só atrapalham as coisas, irmã. – sua voz era suave, porém firme. – Apesar de ter nos guiado com seus ensinamentos, você sabe que todos nós temos um bom conhecimento em magia, principalmente agora nesta nova era, que tudo está mais fácil. Não somos tolos, conhecemos os perigos. Eu entendo o Bran e sua sede por mudanças.

— Sede que cega, Sulis. – Respondeu Sin imediatamente.

— É bom saber que você não está amolecendo como sua irmã, Sulis. Parece que os demônios do governo central conseguiram dominá-la. – Bran destacou enquanto saia de sua posição inicial para se colocar ao lado de Boadiceia. A velha lhe lançou um sorriso desdenhoso e voltou a se esconder nas sombras

Govannon que escutava a tudo calado, caminhou até centro do circulo, e disse em um tom mais alto do que os demais.

— Meus amigos, a única coisa que não precisamos agora é deste clima. Todos nós queremos o mesmo. Ou melhor, todo nosso povo quer o mesmo, queremos liberdade, e nós somos a ferramenta para isto. – dizia enquanto segurava a correia do coldre que sustentava sua arma nas costas. Ele notou que esse gesto havia se tornado frequente. – Entreguei minha vida a esta causa para pelo menos ter uma nobre razão de viver nesta nossa realidade miserável. Mesmo assim nossas vidas são preciosas. Temos que assegurar um futuro suportável para nosso povo, por isso que te peço calma, Bran, pelo menos até que eu possa criar armas mais poderosas.

— E triunfaremos! – Boadiceia deu um passo a frente de maneira imponente. – Não vou mentir, também estou com medo de fazer o que estamos planejando, mas oro para que este medo se transforme em coragem. Não desistirei agora, e se conheço cada um de vocês, sei que também não irão. – Govannon observava orgulhoso sua mulher falar. Boadiceia tinha conquistado o respeito de todos os rebeldes e com suas palavras inspirava cada um deles na batalha.

— Também não gosto de esperar muito, mas por hora vamos nos arriscar a conseguir os ingredientes que faltam para realizar o feitiço que nos trará a liberdade. – Ela agora encarava cada um com os olhos mais abertos e atentos. – Daqui a dois dias, quando a noite cair, Bran e Sulis irão comigo e mais alguns outros homens atrás desses ingredientes, sei que pode ser um caminho para a morte, mas se conseguirmos voltar com o que precisamos nos tornaremos mais fortes. – a multidão eufórica berrava e aplaudia.

Boadiceia caminhou até Sin, segurou firmemente em seu ombro e a encarou com uma doce expressão no rosto. – Minha velha amiga preciso de você aqui ao lado de Govannon quando partirmos, você pode ajudá-lo com seus conhecimentos e também irá proteger nosso povo!

— Confio em você, Boadicie. Sei que voltará vitoriosa. – Sin respondeu por baixo do capuz.

* * *

Muitos anos se passaram desde o findar do velho mundo, tudo quanto físico e etéreo mudou ou misturou-se, e desde então o mundo conhece um novo e onipotente império. Um reinado de sangue e injustiça é decretado, um reinado usurpador e sujo, um reinado das trevas. As pessoas vivem suas vidas sobrevivendo às inúmeras dificuldades que lhes são impostas, seus sonhos já não existem mais. Vivem apenas para mover um grande sistema que abastece a maquina do governo com suas energias. Em outras palavras, são escravos modernos. Mas existem aqueles que resistem. Os rebeldes. Um povo nômade e marginal que sobrevive em uma eterna batalha contra o governo, escondendo-se da morte e aprendendo a lutar, alimentar-se e construir tudo o que tem com o que para muitos é lixo. Um povo que vive das sombras.

O governo tem sua Sede na chamada Cidade do Meio, onde se concentra toda a tecnologia da região. A economia de todas as nações é ditada pela Sede. A Cidade do Meio é o monopólio de tudo. Os políticos, ou como algumas pessoas preferem “Os Imperadores”, vivem na Cidade do Meio, as outras nações que agem como várias colônias são dirigidas e observadas por militares, que por sua vez são submissos ao parlamento. Esta pirâmide social imutável é a nova forma de política de todas as nações, que foi estabelecida após o final de uma longa era.

...

A noite já caíra, o vento frio cortava a pele, era uma noite manchada de nuvens mal agourentas vermelhas e pesadas. Ao lado dos pequenos edifícios abandonados que os rebeldes estavam usando como um lar, havia um terreno vazio. Era um campo arenoso tomado por mato seco. Ao redor, peças mecânicas enferrujadas estavam espalhadas em pequenos montes, e as poucas luzes do local vinham de fogueiras feitas pelos grupos de pessoas que estavam espalhadas por lá. Govannon estava encostado em uma carcaça de um mini-helicóptero de guerra tombado há algum tempo naquele campo. Os braços cruzados ajudavam a aquecer um pouco mais o corpo. Seu olhar parecia distante. Vez ou outra ele olhava para um grupo de crianças que brincavam com os resto de um androide destruído. Normalmente Govannon reclamaria com as crianças. Recitaria o seu discurso batido de que elas podiam está desperdiçando o que poderia ser precioso, e iria levar o androide pra sua oficina improvisada e ver o que poderia criar com aquelas peças, mas ele não o fez. Continuou parado e introspectivo, parecia exausto e talvez receoso. Faltavam poucas horas para a sua mulher e seus amigos partirem em uma viagem perigosa. Mais perigosa do que as coisas que eles costumavam passar para sobreviver diariamente.

Govannon achava que deveria ir com os outros, não podia haver margens para erros. Depois de um grande suspiro, ele voltou a encarar as crianças e um sorrisinho leve e cansado se formou em seus lábios. As crianças precisavam daquilo. Daquele momento em que a fantasia superava a realidade, e o vilão sempre era derrotado pelo mocinho. Por vezes imaginou seu filho ali, no meio das outras crianças brincando de ser herói, muitas vezes insistiu à Boadiceia que lhe desse um filho, mas a mulher não desejava trazer uma criança para aquele mundo. E ela como sempre estava certa.

Passado algum tempo, o homem se desencostou da superfície enferrujada e caminhou de cabeça baixa em direção A Casa, onde seus amigos estavam reunidos.
O homem de cabelo prateado passou por algumas cortinas rasgadas em um corredor escuro com paredes rebocadas, e finalmente chegou a uma sala. No lugar havia muitas peças mecânicas e ferramentas espalhadas sobre uma mesa improvisada de madeira e arames. Uma fraca luz azulada deixava tudo em penumbras, o que não impedia Gobanno de reconhecer as quatro pessoas sentada ao redor da mesa

— Venha querido não podemos perder mais tempo. – Boadiceia estendeu a mão para o seu marido, sinalizando para ele se sentasse, também. – Hoje é um dia decisivo para todos. O futuro de nosso povo, e o nosso próprio, depende de nós. Se tudo acontecer como planejado, finalmente poderemos lutar de igual para igual contra os cães do governo.

— Então nos apressemos. – Sin diz, abrindo sobre a mesa, um livro que parecia existir a séculos. – Estamos prestes a realizar algo que vai abalar a energia deste planeta de uma maneira significativa, mas do que já está abalada. Um feitiço de conjuração de animal totem necessita que todos os que estiverem fazendo-o tenha um bom nível de experiência. Sem contar que, precisaremos de uma quantidade elevadíssima de energia para a quantidade de pessoas envolvidas.

“Em outras palavras, precisaremos de feiticeiros verdadeiramente fortes para isso. Por isso que sempre insistia para que todos estivessem sempre estudando. Como o planejado, iremos fundir este rito com os ritos de transfiguração, e é essa a parte mais perigosa, se o corpo de quem está conjurando o totem não estiver em um nível de energia alta, a transfiguração para está pessoa será letal, e é ai que entramos.”

Sin passa algumas páginas do velho livro com as pontas dos seus dedos.

— Como todos sabemos, após o fim da antiga era este mundo mudou completamente, a nova era não veio precedida apenas de catástrofes naturais, mas também de novas energias e realidades. O novo ciclo mudou nosso planeta e o fundiu com mundos desconhecidos. Portais para outros planos e dimensões foram naturalmente abertos, fazendo com que a essência da magia em si tomasse nossa realidade. Essa magia despertou como uma consciência coletiva nas pessoas, alguns tidos como bruxos já sabiam da existência da magia e de seus seres, que é o meu caso, mas hoje todos estão cientes de sua veracidade.

A mulher de idade mais avançada do que as dos demais, continuou falando com um tom de voz épico.

— Após estes acontecimentos quase todos podiam conjurar algum tipo de feitiço. Para que a sociedade não perdesse o controle com o uso demasiado da magia e para preservar o sistema político, o governo passou a proibir certos tipos de rituais, tornando a aquisição de materiais para estes feitiços quase impossíveis. Vocês sabem que existem três fontes principais na qual a magia retira suas forças para poder projetar-se: a Fonte do Poder Divino; a Fonte do Poder Pessoal; e a Fonte do Poder do Planeta, mesmo que as duas últimas retirem suas forças da primeira, é a Fonte do Planeta que nos interessa. Este poder reside nos próprios produtos naturais e geralmente é o que intensifica um feitiço ou protege dos seus perigos. É isto que vai nos ajudar em nosso rito de conjuração e transfiguração totem.

— Em resumo, é essencial termos todos os materiais para que nosso ritual tenha alguma chance de dar certo. – Diz Sulis, que antes estava ouvindo tudo um pouco afastada.

— Por sorte venho guardando alguns ingredientes mágicos e tenho a maioria dos materiais que precisaremos, mas ainda assim, não possuo os dois mais importantes. — Sin volta seus olhos para o livro. – Eu preciso que nesta noite vocês me tragam o cristal branco do esbat da Lua Cheia e raízes de mandrágora. mas como foi dito, o governo passou a proibir certos tipos de ervas e cristais, e como esses exemplares são de um imenso poder, será bem difícil sua aquisição. Volto a afirmar, é de extrema importância vocês conseguirem o cristal e a raiz para que possamos fazer o ritual.

Boadiceia, passa a mão pelo pescoço, ela sempre fazia isso quando estava cansada ou ansiosa.

— Há meses nossos homens têm investigado essas terras tidas como proibidas, esse tempo de espreita nos rendeu um mínimo de conhecimento territorial. Perdi alguns homens com isso, mas graças ao sacrifício deles, não estaremos totalmente no escuro. – Os olhos castanhos de Boadiceia conservaram-se por um momento em Sin. – Desde que eu e Sin começamos a pensar na ideia do ritual, eu sabia que precisaríamos de ingredientes proibidos, então me adiantei. Agora temos as coordenadas de como chegar lá.

— Diante disso, criei algumas coisas para ajudar vocês na batalha. – Interviu Govannon.

Notas finais
Bem é isso ai pessoal. Pra falar a verdade eu já tinha postado esse conto aqui, mas de alguma maneira ele desapareceu kkk. Realmente não sei escrever de maneira fluida e sou péssimo com o uso de virgulas. T-T Recentemente eu e a coautora estamos tentando revisar os capítulos antigos (sim, são antigos). Volta e meia sempre estaremos os editando.