The Wedding Date
6 I'm not gonna teach your boyfriend
Rachel resmungou um palavrão e apertou os olhos ao sentir Finn pisar em seu pé pela quinta vez.
– Desculpe. – Finn murmurou impaciente – Eu avisei que não sabia dançar.
– Só tente não pisar mais no meu pé, será que dá para ser?! – Rachel disse ríspida – As minhas unhas já devem ter ido para o espaço.
Ele tentava manter o ritmo dela, mas a cada passo que dava, sentia que pisaria no pé de Rachel. O único conforto dele era saber que Puck e Quinn também estavam tendo dificuldades. Percebeu o afastamento da professora diante do casal para aproximar-se dela e de Finn. Neste momento esforçou-se ao máximo para manter a compostura, porém a situação ficava cada vez mais complicada ao ver Rachel com uma expressão irritada.
– Hey, algum problema aqui? Vamos lá! Vocês estão indo bem. – A professora tentou animá-los. – Só tente não olhar para o chão, Finn.
– Desculpe, mas isso não dá mais para mim. – Finn afastou-se de Rachel que se controlava para manter uma expressão calma. – Será que podemos fazer uma pausa?
– É, eu também gostaria. Acho que precisamos de um pouco de ar. – Rachel se manifestou.
– Claro, claro! Podem ir, acho que tudo bem por hoje. Já podemos encerrar.
Rachel recolheu seu sobretudo e celular que deixara em cima da mesa e seguiu em direção a porta de saída onde Finn a esperava.
– Eu disse que não...
– Nem comece a ladainha, Finn. Ainda teremos outras aulas. – Rachel o cortou. – Eu preciso do seu comprometimento, tenho que fazer isso funcionar e entrar nesse papel. Eu realmente preciso ser a irmã mais velha, bem sucedida e comprometida. Isso não tem importância para você? Ok, mas para mim tem. Não faça por mim, faça por você, afinal nós temos um acordo, não é? – Finn observou ela arquear as sobrancelhas .
Odiava quando ela usa esse artifício contra ele. O trabalho dele era uma das coisas que mais importava em sua vida. Sua família não o apoiava muito. Na verdade, Christopher, seu pai, era o que mais implicava com o trabalho de Finn, dizia nunca entender qual era exatamente a função de um editor, que era o maior sonho dele. Queria que Finn administrasse os negócios da família na cidade Natal deles, onde seus familiares ainda moravam e irritava-se ao perceber que ele nunca se demonstrava a vontade com essa ideia e sempre o retrucava persistindo com o trabalho no qual ele nunca entendia para o quê servia.
Quando Rachel viera com essa proposta o primeiro pensamento fora “essa mulher está louca”. Porém quando ela propôs uma promoção, Finn viu uma chance de ouro aparecer bem a sua frente, não havia maneira alguma de não aceitar. Até porque não que fosse uma tarefa muito difícil, já que na opinião dele, Rachel era uma das mulheres mais bonitas que já vira, se não a mais bonita. Irritada, grossa, chata, implicante, porém linda. Isso ele tinha que admitir.
Quando Rachel fez menção para continuar retrucando, viu que Puck e Quinn aproximavam dos dois e sua única reação fora abraçá-la. Assim, simplesmente. Ela tentava se soltar dele porém Finn continuou a apertá-la contra si em um gesto carinhoso. Rachel estava de costas e não se dera conta de que Puck e Quinn estavam se aproximando e foi então que entendera a reação de Finn, com isso revirou os olhos e apertou-o contra si enterrando o rosto no pescoço dele.
– Mas que cena fofa! – Quinn fazia uma cara infantil. Ao ouvir essas palavras, Rachel revirou os olhos mais uma vez ainda de costas e ao virar-se forçou um sorriso.
– Cara, será que eu poderia falar com você? – Puck dirigiu a palavra a Finn. – Vamos comigo no carro, Quinn e Rachel vão no outro. Preciso deixar você a par da minha despedida de solteiro. – fez uma cara maliciosa e com isso recebeu um tapinha de Quinn em seu braço.
– Ai amor – Puck esfregou a mão no braço onde Quinn havia batido – você sabe que só tenho olhos para você, não é?
– Acho bom mesmo, Noah. – Quinn disse cruzando os braços.
– Sem me chamar pelo primeiro nome, Srt. Berry e futuramente Puckerman. – Puck disse dando-lhe um selinho.
– Tá bem, tá bem. Será que podemos ir, Quinn? Nossos pais já devem estar colocando o almoço na mesa e meu estômago já está reclamando de fome. – Rachel tentava apressá-la.
– Ok. Até mais, amorzinho. – Quinn beijava Puck demoradamente. Eles eram fofos, mas qualquer um admitia que o açúcar deles era exagerado. Rachel revirava os olhos impaciente enquanto pecebera a aproximação de Finn com um sorriso malicioso. Quando ele tocou seu rosto com as duas mãos, fez uma cara de desesperada que imaginou ser cômica aos olhos dele.
– Fique calma, eu não vou te beijar. – Finn sussurrou no ouvido dela de forma sedutora e afastou-se a olhando nos olhos. – A não ser que você queira. – completou com um sorriso malicioso nos lábios. Rachel retirou as mãos dele de seu rosto e afastou-se soltando o ar que prendera durante todo o tempo em que Finn estivera próximo dela.
– Vamos, Quinn? – chamou a irmã pela segunda vez tentando regularizar sua respiração. – Você sabe que nossos pais odeiam quando chegamos atrasadas.
– Ok, vamos. – Deu um último selinho em Puck que se afastou em direção ao carro com Finn.
– Até mais, amor. – Finn acenou piscando para Rachel. Ela por si sorriu minimamente com uma vontade enorme de socá-lo. O que ele estava fazendo brincando com ela desta maneira? Com certeza iria dar uma bela de uma bronca nele assim que tiverem um momento a sós e Finn não escaparia.
Enquanto via Puck dar partida no carro, Finn deixou seus pensamentos voarem para o que tinha acabado de acontecer. Estava adorando essa provocação toda. Nunca iria esquecer a cara que ela fez quando ele mencionou beijá-la. Era uma situação engraçada, mas Finn tinha que admitir que tivera vontade sim. Durante os anos que trabalhara com ela, nunca demonstrou querer algo mais além da relação chefe-empregado que eles mantinham. Mas vontade fora algo que nunca faltou, pelo menos para ele. Desde que batera os olhos em Rachel pela primeira vez, teve consciência de que ela era uma das mulheres mais bonitas que tivera o prazer ou o desprazer de conhecer. Afastou os pensamentos ao ouvir Puck manifestar-se.
– Então cara, gostaria de conversar com você sobre a despedida de solteiro e também saber mais sobre você. Seria legal ter um amigo, sabe. Jesse, meu melhor amigo, tem se mantido muito afastado ultimamente, principalmente depois de terminar com Rachel, as coisas ficaram meio estranhas.
– Oh, claro, entendo... – Finn não soube o que dizer.
– Desculpe tocar nesse assunto, nós não costumamos falar muito dele perto dela também. Eles ainda se veem e tudo mais, porém eles preferem manter a distância, entende. – Puck disse dando os ombros enquanto mantinha a atenção na estrada.
– Entendo...
– É uma situação complicada, ele nunca quis me falar muito a respeito. – Puck explicou.
– É... Rachel também nunca... mencionou muito a respeito. – Finn disse perdido entre as palavras, não esperava que Puck fosse mencionar esse assunto e não sabia o que dizer ou como reagir. – Ela só mencionou um relacionamento de longa data, porém não quis estender o assunto e eu também não forcei. Percebi que a incomodava e deixei para lá. – Finn tentou agir normalmente e parecer convincente, deu de ombros como se não fosse um assunto muito importante.
– Pois é, cara. A questão é que Jesse estará lá e eu gostaria de saber se isso o incomoda? – Puck parecia realmente interessado em permanecer com esse assunto e Finn já não sabia mais o que falar — Se sim, eu poderia conversar com ele sobre seu relacionamento com a Rachel e pedir para que ele mantenha distância e tudo mais.
– Bom, por mim tudo bem, longe de mim arrumar alguma confusão. Mas eu teria que conversar com Rachel...
– Ok, conte comigo para o que precisar. Você parece um cara legal. – Puck disse dando um tapinha no ombro de Finn. Este apenas deu um breve sorriso sem saber o que dizer. Não queria prolongar o assunto também por isso tentou desviar um pouco.
– E aí? Animado para o casamento? – Finn tentou iniciar outra conversa oferecendo um sorriso.
– Ah, com certeza. Quinn é a mulher da minha vida sem sombras de dúvidas. Eu quero ter filhos com aquela mulher. – Puck mostrava-se totalmente animado e com isso Finn riu baixinho.
– Que legal, cara. Vocês já pensam em ter filhos?
– Com certeza. Quando você encontra o amor, sua maior vontade é construir uma família ao lado da pessoa e com isso viver eternamente com ela. – Finn segurou uma risadinha.
– Nossa, cara, que profundo.
– Pois é. Mas isso vai acontecer com você também, Finn ou já aconteceu... – Puck disse significativo. Finn riu nervosamente esfregando as mãos na calça jeans.
– É, talvez. Rachel é legal. Ela me faz... feliz. – Disse tentando encontrar palavras certas.
– É isso aí, cara. É esse o caminho. – Puck disse após afrouxar o cinto de segurança. – Chegamos.
O almoço fora tranquilo. Falaram de assuntos aleatórios e mencionaram o casamento algumas vezes. Ninguém mencionou algo sobre Jesse e ninguém se importava. Pelo menos era o que parecia. Mas Finn sabia que não. Rachel se importava e muito. Após o almoço, todos se reuniram na sala para uma sessão de filmes. No começo os dois se esforçavam bastante para parecerem naturais mas depois as coisas foram rolando mais naturalmente. Finn estava sentado no sofá e Rachel estava deitada com as pernas apoiadas nas suas. Ao perceber que a naturalidade da situação Rachel pareceu ficar tensa e olhou discretamente para Finn e devolveu o olhar e parou de brincar com os dedos dos pés dela.
Após isso nenhum dos dois conseguiu manter mais a atenção fixa no filme. Então Rachel preferiu se retirar e subir as escadas em direção ao quarto. Quando ia bater a porta percebeu a presença de Finn.
– Ei.
– Entra. – Rachel pediu. – Nós temos mesmo é que conversar.
Finn entrou no quartou e acomodou-se na cama colocando os braços atrás na cabeça.
– Ok. Podemos começar. – disse Finn.
– Primeiramente, que negócio foi aquele de quase me beijar hoje? Quem te deu o direito disso? – Finn observa ela andar no quarto de um lado para o outro com impaciência. – Eu quis dizer que você tem que ser comprometido e não abusivo. Será que você consegue perceber esta diferença? – lançou um olhar irônico na direção dele.
– Ah, vai me dizer que você não queria... – Rachel ignorou o que ele falou e continuou.
– Segundo... O que Puck conversou com você hoje no carro? Ele me lançou um olhar tenso quando ele deu de cara comigo assim que desceu do carro e ele só fica tenso dessa maneira quando o assunto é Jesse. O que ele falou sobre Jesse?
– Ah, sobre isso... – Finn sentou na cama.
– Sim, vamos desembucha.
– Calma. Ele não falou nada demais. Apenas mencionou que todos preferem não falar sobre ele perto de você e que ninguém sabe exatamente o porquê de vocês terem terminado.
– Hm, e mais o que?
– Ele queria saber se eu estava bem com a presença de Jesse na despedida de solteiro. Eu disse que tudo bem e que não queria nenhum tipo de confusão.
– Sim. E o que mais vocês falaram?
– Bom, eu não queria mais estender sobre esse assunto por isso perguntei sobre seu casamento com a Quinn e tudo mais. Ele parece bem empolgado, eles já pensam em filhos, sabia disso? – Finn disse com um sorriso – Eu fiquei surpreso.
Rachel não tinha reação, apenas mantinha um olhar distante e foi então que Finn se lembrou. — Ele também perguntou se gostaríamos que ele conversasse com Jesse sobre nosso relacionamento.
– Como assim nosso relacionamento?
– Ué, Rachel, nosso relacionamento. Todos pensam que estamos namorando. Eu hein, você está estranha. Isso tudo por causa do assunto “Jesse” ou por causa do nosso quase beijo hoje? – Finn provocou com um sorriso malicioso brincando nos lábios.
– Não faça o engraçadinho, Hudson. – Rachel tentou controlar o nervosismo. Odiava essas provocações dele.
– Bom, por mim tudo bem se acontecesse. Nós estamos passando por essa situação tensa mesmo. Poderíamos dar uma relaxada. – Finn deitou-se novamente e passou aos mãos na cama demonstrando o que queria dizer.
– Céus, como você é ridículo! – Rachel disse indignada batendo os pés no chão. Finn riu com a reação dela. – Sem mais brincadeirinhas, Hudson. Como eu disse, comprometido sem ser abusivo tentando se aproveitar da situação e fim de papo. – Manteve-se séria.
– Hm, tudo bem, então. Mas a partir de agora para te beijar você terá de me pedir... – Finn elevou os braços atrás da cabeça.
– Ah, pode ter certeza de que isso não irá acontecer. – Ela deu uma risada irônica.
– Tenho certeza que sim. – Ele disse com um ar convencido.
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