The Vampire And The Maid: Akai
10 The blood
Notas iniciais
Hinata ~
Um leve cheiro de chuva começava a aparecer junto com uma brisa que mexeu minhas mechas. Olhei para a lua, mas tudo o que vi foram nuvens; e a brisa parou. Um leve sorriso correu meus lábios quando lembranças inundaram minha mente. Ver as irmãs Ayuzawa depois de tanto tempo foi realmente bom. Suzuna não mudara nada na personalidade e na parte física, bom, poucos centímetros se mostravam inéditos. Já Misaki... Não posso negar a felicidade em vê-la de novo, mas também o choque foi grande. Há poucos dias a vi em uma praça e, mesmo depois de ter esbarrado nela, não pude sentir nada de diferente nela, até mesmo o cheiro parecia ser o mesmo; e no entanto ela havia mudado.
Estávamos na casa dela quando Misaki recebeu uma ligação. Aparentemente um dos puro sangue havia sumido, quem foi ou quando foi não me importou. Sei que esses não são meus verdadeiros inimigos, mas a aversão a espécie é mais forte do que o raciocínio lógico. Eu devia ter me unido a eles. Também deveria ter lhes dito tudo o que sei, porém nada fiz. Suspirei pesadamente. Tudo começou da pior maneira, talvez se meu primeiro contato com os sangue puro tivesse acontecido em um ambiente amistoso, talvez as coisas saíssem melhores.
Parado sobre um pequeno prédio de três andares que ficava próximo a casa de Ayuzawa, deitei no concreto frio, olhando para o céu. Apesar de tudo, estava feliz. Tinha reencontrado Suzuna e Misaki e o andar das coisas parecia estar mais calmas. Depois de tantas represálias, eles pareceram ter me esquecido. Mesmo com o último confronto, que foi fruto de uma investida minha, eles não tem vindo mais atrás de mim. Se fosse há alguns meses atrás já estariam me atacando agora.
Permiti-me um tempo de descanso depois de tanto tempo. Fechei os olhos. Não sei quanto tempo fiquei ali, só sei que adormeci. Acordei com um aroma de sangue que, em poucos segundos, se tornou forte; e levemente familiar. Levantei de imediato e tão logo senti seu aroma; Suzuna. Foi o suficiente para correr o mais rápido que pude. Uma chuva forte começou a cair e o cheiro de terra molhada por vezes cobriu o de sangue, mas eu tinha certeza que era ali.
Tarde de mais. Logo ao chegar vi a porta arrombada e sangue no chão. Corri pela casa e no segundo andar vi a mãe de Misaki caída, sangrando. Abaixei perto dela e senti o cheiro de Suzuna. Meu coração foi a mil. Vasculhei seu quarto e fui rápido em perceber que ela não estava ali. Corri para a rua, tentando ao máximo captar um cheiro, um rastro, qualquer coisa. Nada. Olhei para todas as direções, com ambas as mãos na cabeça; estava perdido. Nem se quer um rastro. Todo o cheiro do mundo se limitou ao aroma da chuva. Desespero tomou conta de mim e gritei. Ódio e culpa, tão misturados que não saberia dizer qual era mais forte. Mas eu tinha que fazer algo. Corri para a casa; foi só então que percebi algumas marcas de pegadas e garras que passaram pelas paredes.
Fui ao encontro da senhora Ayuzawa. Ainda estava viva, um milagre; não, eles a deixaram viva por um propósito. Quando a vire, pude entender o por que; uma mordida. Lobisomens sangue puro são os únicos que podem transformar humanos; mas isso era antes de Naraku fazer o que fez. A mordida era enorme e o rubro que dali escorria já havia sujado sua roupa. Peguei em meus braços, colocando-a sob um dos meus ombros. Sai da casa e me transformei; a lua podia estar coberta, mas eu a sentia. Corri, era tudo o que eu podia fazer.
Ayuzawa ~
–A próxima vez que me der um susto desses eu mato você! — Sayuki gritava entre lágrimas e sorrisos.
–Vai matá-lo se continuar apertar ele assim. — disse Miyazono.
Aoi já havia sido devidamente cuidado, mas sua recuperação ainda era lenta por conta de uma mordida. A médica explicara que uma mordida de lobisomem é capaz de retardar a regeneração de vampiros; até dos sangue puro.
–Ele precisa descansar – a loira puxou a amiga pelo braço – vamos – meio puxando, meio carregando ela a tirou do quarto.
Permiti-me ficar um pouco mais, estava sentada ao lado da cama onde ele estava.
–Não me olhe assim – protestou depois de perceber como o observava – Eu logo levantarei, então não seja dramática como a Sayuki
E ela era, mas desta vez tinha razão. Aoi escapou da morte por pouco e foi sorte termos o achado antes do inimigo. Gerard havia enviado batedores e rastreadores por um longo perímetro, grupos bem armados e um deles encontrou Aoi. Estava na floresta próximo a estrada principal, caído perto de um rio. Tinha uma mordida profunda no braço, uma perna quebrada, fraturas múltiplas e havia perdido muito sangue. Mesmo depois de ter sido cuidado, ele ainda estava fraco; mesmo que tentasse parecer forte. Olhei para o relógio, já passavam das quatro da manhã e uma chuva torrencial caia lá fora.
–Eu sei que estará bem em breve – levantei – apenas descanse – sorri e sai do quarto. Descanso, era apenas isso que precisava.
A alvorada parecia próxima, mas a casa de Usui borbulhava de pessoas. No fim das contas todos vieram pra cá. Estava perdida em pensamentos, caminhando sem rumo no corredor quando senti um aroma; sangue. Parei, tentando ignorar o cheiro da chuva, me concentrando naquele doce aroma, mas foi inútil. Caminhei para o térreo, na direção do cheiro e tive uma sensação estranha. Corri. Algo em mim gritava que havia alguma coisa errada, mas não sabia dizer o que era.
Parei ao chegar às escadas. As portas estavam escancaradas, alguns seguranças estavam próximos, mas nenhum o impediu, o conheciam do incidente anterior. Era Hinata, e minha mãe, sangrando em seus braços.
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