The Vampire And The Maid: Akai
8 All you told me.
Notas iniciais
Gerard
Sabe aqueles dias em que tudo dá errado e, por mais que tente, só recebe fracasso como resposta as suas ações? Esse é um desses dias. Peguei o celular e disquei para Usui. Ele era o único que poderia me salvar; ele tinha que me salvar. Tocou uma, duas, na terceira ele atendeu:
–Que bom que ligou, preciso falar com você sobre- o cortei, mesmo que sem querer.
–O Aoi esta ai? – silencio como resposta e já era o suficiente para saber; não, ele não estava.
–Como assim? O que aconteceu com ele? – como eu temia, Usui não fazia idéia de onde ele estava.
Olhei para Sayuki, andando de um lado a outro na sala. Desde que chegou não parou nem por um instante; ora andava sem rumo, ora roia as próprias unhas ou, como por algumas vezes, simplesmente ficava a se balançar. Seu nervosismo era palpável, e incomodo. Massageei as têmporas, fazia pouco mais de uma hora que ele havia sumido e nenhum de meus esforços de achá-lo estava se mostrando bem sucedido. Nem mesmo um remoto rastro de seu paradeiro fora encontrado. Eu sabia que seu sumiço era recente, mas também sabia que cada segundo poderia ser fatal.
Ao menos tínhamos uma certeza; ele saiu por conta própria. Isso era um fato já que ninguém entrou ou saiu da mansão e, se fosse um seqüestro ou ataque, haveriam rastros. E nem isso tinha.
–Ele sumiu – disse por fim
Miyazono estava encostada na minha mesa, toda a esperança que ela havia morrido sumiu naquele simples momento; aquilo me incomodou de uma maneira inexplicável.
–Quando?
–Há, mais ou menos, uma hora. – olhei para o relógio. – Se souber de algo, me avise
Antes que eu pudesse desligar, ele se pronunciou
–Sei que não é uma boa hora, mas aconteceu algo
E aquela noite se tornava uma candidata à pior da minha vida.
~~
Aoi
Em cima da arvore conseguia ver tudo apesar da chuva que começava a cair. Estava sujo, corri ao máximo para poder acompanhá-lo. Inclinei-me levemente. Ele conversava com um dos seguranças na porta; atrás deles, uma espécie de castelo em ruínas. De um lado uma floresta densa se encontrava e eu usava suas arvores para me esconder, do outro um abismo que dava a uma tormenta. Eu conhecia aquele lugar.
Parece meio clichê, mas é um fato; vampiros se atraem por lugares de porte antigo, castelos ou mansões. Isso é algo fácil de perceber. Aquele era um dos quatro castelos da região, o maior e de longe o mais devastado. Seu antigo dono estava morto há anos e desde então ninguém se atreveu a morar ali. Isso por que, antes mesmo do sangue puro dali morrer, o castelo já se mostrava em péssimas condições; era uma construção perigosa, em um abismo que parecia prestes a desmoronar e levar parte do local consigo, sem falar nas constantes tempestades que assolam o local e da localização praticamente remota.
No inicio, alguns homens vigiavam o local, mas rondas se fizeram desnecessária quando a parte traseira do castelo veio abaixo. Isso tornava o local impossível de se habitar, contudo se estavam ali e por que no mínimo reconstruíram a parte caída.
Estava ali por um simples motivo; rastros. Tudo começou há mais ou menos uma hora atrás. Estava no quarto, perdido em meus pensamentos quando fui até a janela ver o tempo e acabei por ver outra coisa; um homem suspeito conversava com um dos seguranças. Algo me incomodou naquilo. Observei por uns instantes e não hesitei em segui-lo.
Coloquei um sobretudo negro que ia até o pé; o mesmo que usei no dia do enterro das meninas, e fui. O caminho foi árduo e a maior dificuldade foi me manter imperceptível. Por duas vezes o homem pareceu perceber minha presença, mas depois que eu me cobri com terra e lama, ele passou a seguir sem interrupções. E como eu estava sujo de lama. Um truque que Honoka me ensinou.
Flash back
Ela falava e escrevia naquele maldito quadro negro; um desperdício do meu tempo. Olhei para a janela, através do vidro a paisagem de outono se mostrava mais atraente que o normal. Remexi-me na cadeira, Honoka estava a ponderar como uma professora irritante do colegial, e tudo isso pra me ensinar a combater criaturas que jamais verei na vida.
–Aoi, esta prestando atenção?! – deu um leve tapa na minha cabeça.
–Claro que estou – menti descaradamente; tudo o que eu queria era sair dali.
–Certo – cruzou os braços e me olhou, desafiadora; nada bom – Me dê duas maneiras de se livrar do cheiro pra um lobisomem não segui-lo – droga – Se acertar, deixarei você ir, se não ficara a tarde toda nessa sala – DROGA!
Fingi ter alguma anotação no caderno; inútil. Nada alem de reclamações escritas e desenhos de vestidos. Por fim me dei por vencido
–Não sei – disse com o pior dos humores
Ela suspirou:
–Água é a primeira – ela foi até o quadro – Se se molhar, pode ser que eles percam seu rastro. Mas digo algo como cair em um rio, ou no mar talvez. São boas rotas de fuga. A outra e cobrir seu rastro com outro cheiro.
–Mudar de perfume? – acabei comentando de maneira debochada.
–Claro que não. Se cobrir com cheiros comuns, como de terra, lama, folhas, flores silvestres ou algo do tipo. – ela percebeu que eu estava começando a perder o foco na aula, então veio até mim e deu um peteleco na minha testa – Devia prestar atenção
–E por quê? Nunca vi um lobisomem e é provável que eu nunca veja – resmunguei balançando os pés, inquieto
–Sua tia me pediu pra ensinar sobre eles por que é provável que veja um. – ela assumiu seu tom mais sombrio – Você deveria dar valor ao que tentamos ensinar a você – Subaru e Erika também me davam aulas – Talvez você viva o suficiente para poder usar aquilo que ensinamos a você. – deu um sorriso – Agora quero uma redação de quinhentas linhas abordando todos os tópicos de sobrevivência que aprendeu até hoje
Naquele dia eu reclamei loucamente, quase chorei pra fazer aquela redação e abusei de adjetivos redundantes e parágrafos só para completar a meta estabelecida. Honoka me dava aulas de sobrevivência, Subaru de primeiros socorros
–Se estiver com um sangramento muito grande o melhor a se fazer é um torniquete – pegou um pedaço de pano e me deu – Vamos fingir que seu braço esta ferido, como faria o torniquete?
Com falta de jeito, enrolei o pano a meu braço e demorei um bom tempo para fazer um nó; um nó torto e fraco. Tentei refazê-lo, mas era inútil. Bufei
–Pra que um torniquete – puxei o pano, desfazendo facilmente o nó; na verdade, uma tentativa – Sou um vampiro, minhas feridas saram rápido – revirei os olhos
–Existem armas que podem atrasar nossa regeneração. Se isso acontecer, a atitude mais sabia seria estancar o sangramento. Deixe me mostrar como fazer.
Demorei uma tarde inteira pra conseguir fazer um nó que não se desmanchasse com um movimento. Erika me ensinava a lutar, ao menos nessa aula eu não reclamava. Passávamos horas lutando e por vezes minha tia nos olhava; sempre com aquele sorriso terno no rosto. Eu era feliz... Então por que só percebo isso agora?
Flash back off
Desci da arvore e passei um pouco mais de lama no meu rosto, sobretudo e até mesmo em meus cabelos, estava sem peruca. Eu tinha que entrar, então precisava ser o mais sutil possível. Dei a volta, usando as sombras das arvores para me ocultar. Escolhi um ponto e corri, dando um salto sobre o muro. Quando cai do outro lado, me escondi à sombra do muro e fui para um canto. O pátio estava em estado lamentável, buracos para todos os lados e entulho, algumas pilhas de concreto quebrado e montes e montes de pedra e areia; alguns desses montes eram suficientemente grandes para me esconder. Havia tantos pontos cegos quando poderia pedir e se esconder se tornou uma tarefa fácil. Para ser sincero tudo aquilo se mostrava mais fácil do que eu poderia supor. A segurança não era forte, talvez nos tivessem subestimado. Isso sem falar na falta de batedores no perímetro do castelo.
Um vampiro cauteloso poderia ver nessa facilidade uma armadilha, mas nunca fui cauteloso. O pátio mais se assemelhava a um labirinto de concreto e paredes quebradas. Do lado oposto ao portão principal havia um corredor. Foram poucas as vezes que eu pude entrar nesse castelo, e nessas raras ocasiões eu era pequeno; pouco me lembrava daquele lugar e menos ainda de como era o interior.
Passei pelo corredor, era enorme e subia, segui o mais rápido que pude. No lado oposto havia um pequeno salão que dava para alguns corredores e salas. Os corredores que seguiam para frente já não existiam, um abismo podia ser visto dali e pouco do que havia caído estava sendo reconstruído. Só sobraram dois corredores bons e uma sala com a porta de madeira em frangalhos. Logo de inicio pensei em entrar na sala, mas tão logo ouvi barulhos; alguém estava vindo. Algumas janelas altas se encontravam no pequeno salão, subi em uma delas, rezando para qualquer entidade divina para que eles não decidissem olhar pra cima.
Dois homens de colete conversavam e logo outro homem vinha atrás, esse com vestes vermelhas, mais chamativas do que os outros. Esse sem duvida não era um simples soldado. Nenhum deles se demorou no salão, logo seguiram para o corredor principal. Nesse momento meu alvo mudou; seguiria para o corredor no qual eles apareceram. Quando tive certeza de que tinham ido embora, desci de meu esconderijo improvisado e segui para o corredor. Era longo, contudo estranhamente estreito e só tinha um destino. Uma única porta.
Não estava trancada e não havia ninguém. Poderia ser mais uma porta insignificante, mas decidir conferir por mim mesmo. Passei por ela, adentrando a uma sala bem mobiliada. Peguei uma cadeira pesada e a coloquei atrás da porta, obstruindo a mesma. A sala tinha alguns armários e prateleiras, todas receadas de livros, pergaminhos e papeis. Havia também uma mesa, grande e cheia de papeis jogados sobre a madeira; foram os primeiros que revistei.
Tinha muito matéria e pouco tempo, ao lado da mesa, jogado ao chão, um tubo de plástico com tampa estava imerso entre mais papeis. Não tinha tempo e não podia me arriscar, então peguei o tubo e passei a colocar alguns papeis dentro. Alguns eu passei os olhos, mas a maioria joguei sem nem sequer ver se estavam escritos ou em branco. Também peguei alguns mapas, a maioria rabiscados ou rascados, mas não tinha tempo para selecionar.
Passei a mão por alguns livros das prateleiras, talvez uma ou duas paginas poderiam ser arrancadas. Na parede traseira da sala, uma janela alta e estreita se fazia presente, seu vidro era colorido, com um desenho; era uma mulher, jovem, tinha assas brancas e um sorriso bondoso. Por que um vampiro iria querer um anjo para enfeitar sua janela? Nunca entenderia, mas tinha que admitir; era linda. Fui pego de surpresa com batidas fortes na porta e depois gritos; meu pouco tempo se esgotou.
Com rapidez, peguei mais alguns papeis avulso e os coloquei no tubo, o fechando e prendendo em minha roupa com a fita que prendia o sobretudo, na altura da minha cintura. Tão pouco acabei de prendê-lo e a porta se abriu em um rombo. Os mesmos homens que passaram pelo salão agora estavam ali, com armas em punho e não hesitaram em atirar. Corri para o fundo do salão e me joguei pela janela, lamentando por dentro por ter destruído a bela imagem que antes havia. Fui ao chão junto com os cacos do anjo e as gotas de chuva.
Para minha sorte, havia um corredor aberto atrás da sala, para meu azar lobisomens vinham seguindo o chamado dos guardas. Eu podia lutar, mas não me atrevi, tinha informações e tinha que sobreviver o suficiente para entrega-las aos vampiros; se aquelas informações seriam uteis? Não me atrevi a pensar que não; na verdade, não me atrevi a pensar em mais nada. Corri para longe deles, o mais rápido que conseguia, o mais rápido que podia.
A chuva tornou o terreno lamacento e as pedras escorregadias, por duas vezes quase fui ao chão. Os vi se aproximando e por fim só sobrou uma rota de fuga. Parei a poucos centímetros do abismo. Só tive tempo de me virar quando um dos lobisomens caiu sobre mim, cravando uma de suas garras em meu ombro.
No instante seguinte, ambos estávamos caindo e tudo era trevas e dor.
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