Estou dizendo. A minha vida é um filme... De terror.

Eu me desesperei. Dick estava caído no chão, respirando com dificuldade e eu não tive reação nenhuma. Graças a Deus que deixei minhas irmãs virem comigo. Sammy ligou para a emergência e a ambulância chegou em menos de 10 minutos. A partir daí não me lembro de mais nada, pois desmaiei.

Acordei deitada ao lado de Dick no hospital Metrópoles. Ele ainda estava desacordado e não encontrei nenhuma enfermeira por perto. E... Onde estava o meu celular? Sentei na cama, chamei a enfermeira apertando um botão e nada. Mas na sexta tentativa, apareceu uma adolescente morena de olhos verdes vindo em minha direção. Ela parou, olhou para mim com um sorriso tímido e depois olhou para Dick. Ela sentou-se na poltrona ao lado dele e começou a chorar. Depois ela olhou para mim.

- Você é a Selina? Selina Kyle? – Disse a morena.

- Sim, sou eu. E você é...?

- Eu sou a ex-namorada do Dick. Prazer, meu nome é Hanna. Hanna Jackson. – Disse ela, se levantando para um aperto de mão.

- Eu sinto muito. Eu não pude ajudá-lo.

- Eu acho que não foi a sua culpa. Como isso aconteceu?

Pensei bem se falaria ou não para ela a verdade entre nós dois, porque pelo o que parecia, ela ainda o amava.

- Ele estava atravessando a rua para me dizer um ‘oi’ e eu o vi sendo atropelado por um carro. O ou ‘a’ motorista não parou para prestar socorros e parecia que estava bêbado(a). – Disse, tentando ser a mais sincera possível.

- Se ele não sobreviver, eu juro que morro junto. – Disse ela, começando a chorar.

Aqueles suspiros me fizeram voltar à realidade. Ele não acordara desde que desmaiei e por quanto tempo fiquei desacordada? De repente, Sammy e Marie chegam com Jason Todd, meu melhor amigo. Ele era alto, encorpado e bonito. Tinha cabelos loiros e olhos castanhos brilhantes. Qualquer uma se apaixonaria, mas meu foco era Dick. O meu Dick Gray.

No mesmo instante que Jason me deu um beijo na testa e me abraçou, Hanna arregalou os olhos.

- Primeiro: quem lhe deu a permissão para desmaiar? Segundo: por que não me chamou? Terceiro: por que ela está olhando assim para mim? – Disse Jason, envergonhado.

- Para a primeira e segunda pergunta a resposta é: desculpa, foi de última hora. E para a terceira... Bom, pergunte a ela. Hanna. Está tudo bem? – Perguntei.

Hanna não piscava. Ficava olhando fixamente para Jason. Quando falamos que íamos chamar a enfermeira, ela saiu daquele transe e disse que estava tudo bem, se desculpou e saiu correndo do quarto. Mais soluços ecoaram pelo corredor. Ninguém soube o motivo daquele momento inesperado, mas deixamos para lá, porque tínhamos certeza que nós discutiríamos isso depois.

- Maninha, mais uma dessa e eu vou me jogar do Everest chorando lágrimas de sangue. Eu sei que sou irresistível... Muitas meninas correndo atrás de mim, sabe!? – Disse Jason, olhando para o alto e assoprando suas unhas.

- Cale a boca convencido. – Disse Sammy, dando uma risada sarcástica.

Esse momento de distração foi bom, mas quando olhei para Dick de novo, a dor voltou. Não sabia o que fazer. O desespero tomou conta de mim, mais uma vez.

Recebi alta naquele mesmo dia, e eu, Sammy, Marie e Jason saímos juntos do hospital. Só de saber que o deixaria sozinho. Ele tem que acordar. Agora. Minhas irmãs pegaram o carro e deixaram Todd em sua casa. Logo após, passamos em frente ao Starbucks. Não aguentei e comecei a chorar. Quando chegamos no hotel, eu gostaria muito de falar com o meu pai, mas ele estava ocupado. Como sempre.

Subi o elevador ainda chorando, com as minhas irmãs me consolando.

- Sabe Seli, eu acho melhor você dormir. Prometo que, se alguém ligar, eu te acordo imediatamente. – Disse Marie.

Eu não queria dormir, mas estava super cansada e os meus olhos estavam pesando. Então, deitei a cabeça em um travesseiro, e antes de cair no sono, pensei: será que tudo isso foi minha culpa?