The Ultimate Salvation
1 O ultimo amanhecer
Notas iniciais
Ainda dava para sentir o cheiro do perfume dela entre os lençóis, e como de costume ela acordava primeiro que eu, para pegar o plantão dela no hospital Matsuzawa, bem próximo ao centro de Tókio. Emi não era como as outras mulheres da sua idade, era sempre aplicada e bondosa, não gostava muito de chamar atenção, e sua beleza era interessante, todos dias parecia que eu descobria algo novo em seus traços delicados.
Mesmo estando na primavera, fazia um pouco de frio lá fora, o que me deixou com uma enorme preguiça de levantar, agarrei por uma ultima vez o travesseiro que ela tinha usado, para tentar recordar os ótimos momentos que passamos juntos na ultima noite. E antes mesmo do despertador tocar me levantei e me vesti , fui para a cozinha ver o que tinha de comestível hoje na geladeira. Como sempre Emi fez algumas panquecas e deizou em prato encima da mesa, com um pequeno bilhete:
“A noite passada foi revigorante , mas vamos repetir hoje no meu apartamento, bom apetite e beijos”
Emi
Após o café da manhã peguei minha mochila e fui para meu trabalho que era muito próximo ao meu apartamento , como de costume usei a bicicleta para me locomover, era engraçado como todos os dias eram as mesmas pessoas que eu encontrava no caminho,mas especialmente hoje percebi que o casal de velhinhos não estava no parque ao lado, e nem a loja de conveniências estava aberta, não me lembrava de nenhum feriado ou algum evento que mudasse a rotina das pessoas hoje.
Continuei pedalando e curioso por não ter visto muitas pessoas no caminho hoje. Chegando na entrada do estúdio de ilustração, onde trabalhava, guardei minha bicicleta e antes de entrar levei um susto com um enorme espirro que ecoou de dentro do prédio , e logo em seguida saiu um senhor calvo, seu olhar caído e seu nariz vermelho denunciava que não era uma gripe qualquer. Me preocupei e logo depois de subir as escadas corri para um banheiro e lavar minhas mãos. Uma gripe só iria estragar os planos para o final de semana.
- Que bom que você não está doente Tatsuya ! — Exclamou Norio , que acabava de entrar no banheiro para também lavar as mãos.
- Mas porque está dizendo isso Norio-san?
- Metade do pessoal hoje não vieram, parece que está tendo algum tipo de epidemia, você não viu o noticiário ontem?
- Acho que dormi ontem antes do noticiário- Respondi entre um sorriso amarelado, pois na verdade ontem eu só tinha tempo para Emi.
Já na minha mesa percebi que tinha trabalho em dobro hoje, devido a ausência dos demais funcionários. Desenhei os mangás até minha mão doer e não poder mais fazer nem mesmo um risco no papel.
Cada minuto era uma tortura, pois não esperava a hora de sentir o corpo de Emi ao meu , o cheiro do seu doce perfume entre seus cabelos. Eu com certeza estava incondicionalmente apaixonado por ela, e cada minuto sem ela era como ficar sem ar.
A noite veio como um raio engolindo o belo dia que estava por fim se acabando, arrumei minha mesa e peguei a chave reserva do apartamento da Emi , e logo depois de me despedir do pessoal peguei meu casaco e fui pegar o próximo ônibus que passava em dez minutos.
Sentado no ponto do ônibus fiquei imaginando como seria minha noite , mas meu transe foi quebrado por um homem do outro lado da rua , ele me encarava como se me conhecesse, seu sobretudo escondia todo seu corpo. Por um minuto fiquei com medo pois eramos as únicas pessoas na rua deserta , mas coloquei a mão no bolso e alcancei o chaveiro- canivete que tinha ganhado de aniversario, e fiquei atento a qualquer movimento, mas o alto e forte homem misterioso não se movia , apenas me observava .
Fique tão concentrado que não percebi o ônibus chegar ,o motorista abriu a porto e eu entrei com um enorme alivio. Continuei olhando o homem até ele sumir com o ônibus em movimento.
Me senti seguro no vazio do ônibus, e se não fosse o tossido constante da senhora que sentava na parte frontal do ônibus , eu podia jurar que não tinha ninguém no ônibus. Coloquei a mão no meu rosto, tentando proteger de alguma forma meu nariz e minha boca do que podia ser expelido do frenético tossido da velha.Sua tosse aumentava a cada minuto e minha atenção foi direcionada totalmente a ela. Mas meu imóvel corpo foi contido quando a velha se jogou ao chão em uma tosse que não parava , me levantei e corri em sua direção na intenção de ajudar.
Algumas das pouquíssimas pessoas que estavam no ônibus também tentaram ajudar a senhora. Tentei acudir a senhora que estava com os olhos virados e tossindo de uma forma estranha, coloquei sua cabeça em meu colo tentando posicionar seu corpo de uma forma onde ela pudesse respirar com mais facilidade,mas não adiantava, algumas pessoas ligavam para a emergência. Mas de repente o silencio cortou toda a agonia, a velha parou de tossir e não se mexia.
- Droga! Acho que ela morreu!- Gritava uma mulher próxima a mim.
- Não, ela ainda está respirando!- Disse a ela observando os pulmões da senhora.
Mas um zumbido veio de dentro da senhora e mesma começou a se movimentar de forma impaciente , e de uma forma tremendamente rápida a velha se colocou em pé. Me jogando para trás, ela olhava para todos como se não entendesse nada, e logo que seu nariz começou a sangrar , ela avançou no pescoço da moça ao meu lado e arrancou um pedaço de sua carne com uma enorme mordida.
O ônibus parou e todos começaram a descer do ônibus , fugindo do frenesi da velha, eu fiquei para trás imóvel deitado ao chão, e quando a velha me encarou eu tentei ser mais rápido e corri para fora do ônibus, não olhava para trás e também não sabia para onde estava correndo. E quando percebi que já estava em segurança parei para respirar e tentar entender o ocorrido. Percebi que estava a poucos minutos do apartamento de Emi, e fui o mais rápido para lá.
Subi as escadas do prédio tentando entender de alguma forma o que tinha acontecido. Procurei pela chave , e das cincos que se encontrava no chaveiro consegui abrir apenas com a ultima chave, pois estava em choque e não reconhecia nem mesmo qual era a chave. Quando entrei procurei por Emi, mas não encontrei ninguém,ela já devia estar em casa! Me sentei no sofá e liguei a televisão tentando procurar por algo que respondesse minhas perguntas, mas o noticiário ainda não tinha começado.
Dormi sem perceber no sofá , e quando acordei já era de madrugada , vasculhei pela casa procurando por Emi, mas nada dela. Procurei no celular o telefone no hospital onde ela trabalhava para saber se ela ainda estava por lá.
- Hospital Matsuzawa, em que posso ajudar?
- Boa noite , eu estou procurando por uma enfermeira chamada Emi, ela se encontra?
- Desculpe senhor , mas aqui no sistema diz que o plantão dela já acabou.
- Você tem certeza?- Insisti.
- Um momento- A musica de espera me torturava enquanto esperava uma resposta positiva.
- Senhor?
- Sim! Você a encontrou?
- Acho que o senhor vai ter que vir até aqui- falava a atendente como se escondesse algo.
- Mas porque?
- Isso é tudo que posso dizer senhor, se quiser saber mais ,por favor venha até o nosso hospital.
O atendente desligou antes mesmo de eu tentar perguntar algo, ela escondia algo, e não parecia ser nada satisfatório.
Ainda com o celular nas mãos olhei para o belo rosto de Emi que estava no porta retrato, sua pele de porcelana e seu cabelo longo a tornava extremamente bela , eu precisava toca- La novamente.Tudo parecia um pesadelo , aquela noite estava totalmente surreal. Saindo do choque , guardei o celular, peguei meu casaco e fui em direção ao hospital para saber alguma coisa que explicasse toda essa loucura que estava acontecendo naquela noite.
Notas finais
Espero que gostem desse primeiro capitulo, e me ajudem a chegar no próximo. Abraços a todos.
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