The Twilight Saga: Sunset
5 Viagem
Notas iniciais
Mil perdões pela demora, mas me deu um trabaaaaalho esse capítulo.
Eu torci o pé, caiu um toró, caiu tempestade, acabou a luz, aconteceu TUDO!
Mas enfim, espero que gostem ;)
ps: look Evelyn
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Evelyn Wright
–Toc toc.-Trey simulou uma batida enquanto entrava em meu escritório sem bater.
–Você adora me perturbar não é?!-fazendo careta, desvirei a cadeira que estava de frente para a janela e o encarei.
–Adoro, você fica linda irritada.-ele disse sincero e eu agradeci mentalmente por não ruborizar.
–O que quer?-perguntei ajeitando-me na cadeira.
–Sua mãe está te chamando para ver a decoração do casório ai fora.-como um digno morador de cidade pequena, ele me informou sobre o estado do casamento que seria realizado no restaurante.
–Ah, o bendito casamento!
Eu grunhi, irônica. Estava totalmente sem paciência.
Desde a idéia de Libby, de arranjar um namorado lobo, eu não tinha paz.
A começar com o fedor.
Impregnava nos tapetes, nas cortinas, nas toalhas. A casa fedia a cachorro molhado.
Nem Hera e Zeus aguentavam tanta catinga, evitando brincar com ela, apenas Atena, a traidora filhote ainda dava idéia para a traidora.
Francamente, eles eram cães muito melhores que Derek, o vira-lata de estimação da família.
É claro que ele permanecia em La Push, devido a não oficialização de alteração do tal tratado dos Cullen com os lobos, então ele não podia vir, o que fazia Liberty passar o dia todo em La Push, nadando com os cães, desenterrando ossos, rosnando e correndo atrás da bolinha.
Sinceramente, não me admiraria se ela passasse a correr quando ouvisse “esquilo!”.
E também tinham os Cullen. Lib soubera de outros vampiros próximos e contara ao resto da família, o que fez com que eles passassem a me pressionar para procura-los, como líder do clã, e estabelecer uma espécie de “clausula de paz” entre nós, mas eu queria evitar contato com eles. Queria no máximo, observá-los de longe, até que os benditos se casassem, ele a transformasse e minha missão terminasse.
Alice, a vidente que Aro desejava, estava me observando há semanas, já que Edward havia apenas me visto, mas meu espelho bloqueava as visões dela, deixando-a louca e eu podendo analisar os passos dos Cullen.
Eles queriam vigiar primeiro, analisar meu comportamento, e eu, é claro, adorava o anonimato deles.
Quanto menos contato deles com minha família, para mim, era melhor.
–Evelyn, é sério, precisa ver isso, colocaram milhos como decoração!-Trey chamou minha atenção e eu despertei de meus pensamentos.
–Isso só pode ser sacanagem!-eu disse chocada, colocando-me de pé e passando por Trey na porta, já que o mesmo não se movera para que eu saísse, forçando um contato físico.-E é Srta. Wright pra você.-o corrigi, ignorando o fato de que toda vez que eu me aproximava dele, o fluxo sanguíneo e as batidas do coração vívido do rapaz se agitavam.
“Isso é que é mulher!”
Forçando o escudo mental que eu havia criado para manter os pensamentos alheios distantes, eu empurrei-o para a direção de Trey, ouvindo sua opinião sobre mim.
Eu tinha sorte. Diferente de Edward, que não podia “desligar nunca”, eu conseguia, após um pequeno esforço, manter as vozes fora de minha cabeça e voi la, agir normalmente, ouvindo apenas o que eu desejava.
–Ela foi a rainha do milho em uma das festas idiotas da cidade da avó, por isso as espigas no enfeite de centro.-Laurie justificou ao ver minha careta.
Em uma decoração amarela gema de ovo, as toalhas rendadas eram brancas com uma outra toalha amarela por cima e no centro, substituindo um suntuoso e belo arranjo que eu optaria, a noiva havia escolhido um maldito arranjo de espiga de milho.
–É tão bizarro quanto o casal.-Trey disse, fazendo uma careta bem parecida com a minha.
–Trey!-Libby o corrigiu.
–Não corrija meu funcionário.-eu sibilei a ela.
Ah é, nós não estávamos nos falando.
–Trey tem razão, isso é promiscuamente feio.-Olivia murmurou em meu ouvido.
–Dou graças a Deus que não ficarei para assistir esse casamento de terror.-caminhando em direção a cozinha, eu comentei comigo mesma.
A noiva era Grace, uma menina que havia se formado há pouco na Forks High School. Grávida de sete meses aos 19 anos, ela estava casando-se com um careca nanico de 38 que se mudara há pouco mais de dois anos para a cidade e começara um caso com a jovem. Quando os pais de Grace descobriram que o homem era casado e que havia deixado a esposa e os filhos em Washington, ela já estava no terceiro mês de gestação de gêmeos. O que fazia dela uma grande noiva, grande garota e grande azarada, devido à largura física que ela assumira. O careca divorciou-se da mulher, trouxe as duas filhas de 14 e 17 anos para Forks e pedira Grace em casamento.
No mínimo, uma história bizarra.
Libby conhecera a menina no mercado e conversado com a figura bizarra do noivo, dera a idéia da cerimônia ser no restaurante, já que o reverendo Weber havia se negado a realizar a cerimônia religiosa.
Mas eles casariam no civil e o primo ex-seminarista do noivo iria fazer a parte negada pelo reverendo... Em meu restaurante.
–É quase um crime o que está havendo ai fora.-Joseph resmungou comigo quando cheguei a cozinha.
–Brigue com a sua filha fã de vira-latas.-rebati.
–Não aguento mais ver milho, o cardápio da festa é baseado em milho!
–Pelo menos estão pagando um bolão.-Luis disse com seu sotaque mexicano carregado.
–E as músicas são terríveis! Me pediram pra cantar as coisas mais bregas que eu já ouvi.-Omar, da banda, comentou enquanto comia uma maçã, encostado no balcão da cozinha.
–Tá, tá, entendi!-eu gemi, tapando os ouvidos.-Mas o Sr. Noivo Careca tem uma boa grana e está pagando o dobro de um casamento normal, só para mostrar a cidade que ele é promiscuo, porém rico, então vamos parar de reclamar e sorrir. Joseph... Digo, pai, cuide de tudo em minha ausência. Até mais tarde.-eu despedi-me de todos.
–Vai aonde?-Lib perguntou, surgindo na cozinha.
–Não é da sua conta.-afiada, eu continuei andando com Trey em meu encalce, sem eu entender o motivo ao certo.
–Evelyn, ele não é o responsável por aquilo.-me alcançando, ela defendeu o totó.
–Ele é da mesma... família.-omitindo a palavra “raça”, entrei em meu escritório, batendo a porta que não ficou fechada por muito tempo. Ouvi a porta batendo e sem prestar atenção no cheiro, indaguei, ainda de costas para a porta.
–Libby?
–Não. Melhor ainda... Eu.-Trey respondeu sorrindo enquanto eu virava para encará-lo.
–O que quer?-indaguei ao vê-lo desabotoar o uniforme de cheff.
–Bom, soube que a entrega dos pratos de porcelana atrasou e que está indo buscar.
–Então...-forçando-me a não olhar o abdome definido do rapaz, agora exposto, eu cruzei os braços.
–Eu vim trocar de roupas para ir com você.
–O que? Não te convidei!-respondi, ainda chocada por vê-lo arrancando a calça, os sapatos do uniforme e pegando suas roupas normais, que ele havia deixado no sofá de meu escritório, sabia Deus quando.
–Não vai sozinha. Você não está bem. Não fala com sua irmã há dias, o que eu acho bobagem. Seja o que for, deve perdoá-la. Irmãos mais novos fazem besteiras.-ele dizia sereno, ainda apenas de cueca.
Branca.
–Uma vez minha irmã e eu brigamos e...-colocando a calça jeans e a blusa de manga comprida, ele começou a tagarelar.
–Ah, deixa eu te perguntar, só pra confirmar... Isso de você desabafar, manter uma linha de intimidade, me contar dos seus traumas, medos e receios vai virar um hábito? É porque eu ainda não entendi a razão disso.-irônica, com cara de quem não estava entendendo a situação, eu dei um passo a frente. Ele bufou e deu dois passos para frente, ficando bem mais próximo a mim. Eu travei minha costumeira e desnecessária respiração enquanto ele estendia a mão direita, tocando meu rosto. Instintivamente, fechei meus olhos, mas logo os abri.
–Tinha um fiapo solto aqui.-segurando um fio de cabelo meu, ele tirou-o de meu rosto e deu um passo para trás.-Pode respirar agora, não vou te morder.-malicioso, ele sorria.
Eu havia achado que ele me beijaria. E ele percebera.
–Idiota!-eu xinguei, lançando um livro na direção dele que corria com os tênis nas mãos para fora da sala.-Está demitido!-eu gritei.
–Você me demite três vezes, toda semana!-gargalhando, ele disse batendo a porta.
Essa era a décima sétima falsa demissão dele.
Eu estava perdendo a moral.
–Já vai?-Laurie perguntou enquanto eu calçava as luvas que combinavam com as botas, a caminho da recepção.
–Sim, tenho que chegar lá antes que fechem.-respondi, agora fechando o sobretudo branco completamente.
–Não se esqueça do cachecol e dos protetores de orelha. Está nevando.-ela disse por instinto, colocando um cachecol cinza prateado em torno de meu pescoço e os protetores brancos felpudos em minhas orelhas.
–Mãe, não é necessário...-eu lembrei a ela com um sorriso enquanto ajeitava meus cabelos.
–Eu sei, eu sei... Mas eu gosto de cuidar de você.-ela tocou meu rosto de uma forma doce, derretendo a geleira que eu costumeiramente carregava em meu peito.-Você foi a primeira filha que eu pude criar.
–Mas,... Nate já era nascido quando aquilo ocorreu.-referi-me a transformação dela, sem entender direito. Nossa conversa era baixa. Nenhum humano poderia ouvir, mas nós duas entendíamos tudo perfeitamente.
–Eu sei, meu bem, mas fui transformada apenas dois meses após o nascimento dele. Mal pude aproveitá-lo, me acostumar... E quando eu fui resgatada por você, quando você me ensinou a ser algo mais próximo de uma pessoa normal. Acho que você é mais minha mãe do que ao contrário, na verdade. Criou todos nós. Criou o que nos tornamos, criou o que somos, nossos caráteres foram formados a partir do seu e do que você nos ensinou.
–Laurie, qual é?!-disse sem jeito. Eu não era uma pessoa de expressar bem sentimentos em palavras.
–É sério, Eve. Nunca fez mal a ninguém, e as vidas que você teve de tirar naquela época, bem, você apenas as livrava de um sofrimento maior ou mais prolongado e nunca sequer alimentou-se do que a sua natureza pede. Você não é o monstro que acredita ser. Nem a rainha do gelo, a chatonilda, a evil queen, nem a culpada pelo que houve com Pierre.-tocando nas feridas mais profundas e nunca saradas, eu dei um passo para trás, afastando-me dela.
–Tenho que ir.
–Eve...-ela me chamou, mas eu já havia pego a chave na bolsa e em passos rápidos, eu estava dentro do Bentley branco.
Inspirei e respirei pelo menos três vezes antes de abrir os olhos.
Eu era um monstro e aquilo não era um assunto em pauta.
Haviam sido 107 pessoas, ao todo, durante os dias que eu permaneci sem me alimentar.
Todo dia eu recebia um humano extremamente ferido.
Todos os dias, o sangue humano impregnava aquela cela.
Todos os dias eu tinha de matar alguém.
“Shhh, eu sei, sei que dói, mas vai passar. Não tenha medo de mim, eu não sou como eles. Veja meus olhos!” era minha fala de todos os dias, quando a vítima diária, assustada, fugia de mim. Logo, ela via meus olhos escuros, negros de fome e acalmava-se, deixando que eu me aproximasse o bastante para findar seu sofrimento.
–Pronta?
–Merda!-eu gritei, assustada. A coisa mais difícil do mundo era assustar um vampiro e Trey parecia ter esse dom.-O que faz aqui? -encarando-o sentado no banco do carona ao meu lado, perguntei em meio a meu teatro barato enquanto respirava ofegante, fingindo estar assustada e com o coração descompassado.
–Vou com você, esqueceu?-ele disse prático.
–Quase.-murmurei enquanto arrancava com o carro em direção a nosso destino.
Aproximadamente duas horas depois, graças a minha velocidade, estávamos entrando na balsa das três da tarde, em Seattle.
–Ela é a criança mais doce e a mais bagunceira que eu conheço em minha vida.-extremamente coruja, ele me passou o iphone com a foto da famosa May. Na foto, estavam ele, a irmã Monique e no meio, a pequena menina de três anos com duas tranças muito louras. Uma de cada lado da cabeça. Era impossível não sorrir diante do sorriso da menina.
–Ela é mesmo linda.-comentei lhe devolvendo o celular.
–Espere vê-la na hora de dormir. Vai mudar esse adjetivo.-ele comentou rolando os olhos, porém o sorriso continuava lá.-Ela simplesmente parece estar ligada no 220 e não deixa ninguém dormir.
Foram em média, mais 80 minutos conversando sobre May, suas manias, seus gracejos, suas pirraças e etc, o que nos deu tempo de sair da balsa e circular pela chuvosa Seattle ás quatro meia da tarde, em busca do endereço que nos havia sido dado pela distribuidora de louças.
–Deve ser maravilhoso ter uma criança morando com você.-comentei despreocupada.
–Sem duvidas. Eu posso estar cansado de ter você me demitindo sem parar, mas quando eu chego em casa e escuto aqueles passinhos descendo a escada e pedindo colo com o tutu de balé, eu me desmancho.
–Eu imagino. Sempre o achei molenga demais.-o alfinetei sorrindo.
–Ah, sua opinião não conta. Você é durona demais, ice queen.–ele me chamou por um dos apelidos que eu mais detestava, mas eu simplesmente não consegui ficar ofendida ou magoada.
–E me orgulho disso!-falei escondendo um sorriso.
–Olha só esse nariz empinado. Ela gosta de ser mandona, senhoras e senhores!-totalmente descontraído, ele agitava os braços para os céus.
–Cala a boca antes que eu te jogue fora do carro.
–Não abuse, eu sou mais forte que você!-vou roubar seu carro e sua carteira recheada.-ele parou de falar, mas logo continuou a conversa.-Caramba, é um Bentley Continental! Que garota tem um desses?
–Eu.
–Não, uma garota normal... No mínimo, além de ser podre de rica, você é viciada em velocidade.-ele explicou, soltando o cinto de segurança e inclinando-se para mim.
Eu sorri quando ele falou sobre a velocidade.
Sem dúvidas, eu adorava aquilo.
–Se me ajudar a pegar as coisas sem me perturbar, prometo que te mostro meu amor por velocidade.-estacionando o carro, eu sorri para ele.
Finalmente havíamos chego.
Pela segunda vez, eu toquei o maldito sino de balcão da sala da recepção da distribuidora francesa.
–Evelyn, vai quebrar essa droga.-afastando o sino de mim, Trey segurou-me pelos ombros e me afastou do balcão.
–Eu estou dizendo, tem alguém naquela saleta alí atrás, e esse alguém incompetente não quer nos atender!-quase berrando a palavra “incompetente”, eu vi que havia atingido os limites.
–Sente-se, Eve.
–É Srta. Wright pra...
–Eu sei, eu sei...-ele me cortou.-Só que não estamos no local de trabalho e nem pago por essa viagem eu estou sendo, então é Evelyn e você vai ficar quietinha ai.-empurrando-me para o sofá velho na sala, ele me fez sentar e foi se encostar no balcão, na mais absoluta paz.
Mas a paz durou pouco.
–Droga de funcionários de incompetentes!-socando o sino e me fazendo gargalhar, Trey começou a fazer o escândalo necessário para que um homem viesse até nós.
–Céus. Crianças! Que barulheira é essa!
–Eu me chamo Trey Thorm e essa é Evelyn Wright, viemos buscar a maldita encomenda que vocês não puderam enviar.
–E todo esse escândalo por pouca coisa? E tem mais, essa Wright foi muito mal educada comigo no telefone. Muito deselegante.
–Pouca coisa? Deselegante? Mal educada?-ofendida, eu me coloquei de pé.
–Agora ela vai exigir desconto!-Trey murmurou para o homem que deu um passo para trás.
–50% de desconto. Engole essa!-colocando a caixa no porta-malas, ele gargalhava impressionado.
Após um enorme bate-boca e conversar com o gerente da empresa local, nós conseguimos 50% de desconto na compra dos pratos e ainda ganhamos um lote de xícaras e taças de brinde.
–Você sabe mesmo pechinchar!-admiti enquanto entrava no carro.
–Pode ser a chata de sempre, mas é graças a mim que você ganhou louças extras!-ele disse enquanto fechava a porta.-Bom, boa sorte no volante, senhorita velocidade, estamos em horário de pico. A balsa vai estar cheia, o trânsito uma merda... E isso é claro, é uma hipótese, porque talvez tenhamos que dormir aqui.
–O que?-eu praticamente gritei.-De jeito nenhum! Vamos pelo acostamento, calçada, voando, mas eu tenho que ver o estado do meu restaurante depois daquela festa de roceiros.
–Então eu sugiro que o faça logo, mocinha. Ah, e não se esqueça que estou com fome. Se não me paga um extra, vai me pagar um jantar.
–Jantar?-indaguei baixo. Aquilo era um convite distorcido para jantarmos?
–Sim, jantar.
–Você quer mesmo jantar comigo?-eu perguntei.
–Bom, eu pensei em você me pagando um jantar, mas já que convidou...-ele justificou e eu dei um pulo do banco.
–O que? Eu convidei? Eu apenas perguntei se você queria jantar, mas não comigo. Apenas jantar, comer, ingerir proteínas... Se estava com fome.
–Aham, sei...-ele deu de ombros com um sorriso malicioso nos lábios.-Vou fingir que acredito. Au!
Ele gemeu quando eu lhe dei um belo tabefe no braço.
–Cale a boca e veja nesse bendito celular a última balsa.-pedi, entregando a ele meu celular. Após alguns minutos, ele pareceu achar o site dos horários.
–Tem uma sete e alguma coisa, outra nove horas e a última é as dez.
–Hmmm...-eu gemi enquanto raciocinava. O trânsito estava uma porcaria, ele com fome e eram apenas cinco da tarde. Podíamos jantar.-Conheço um lugar aqui perto.
–Uau, extremamente charmoso.-Trey assoviou quando descemos em frente ao Tulio na quinta avenida de Seattle.-Quer me seduzir, Srta. Wright?-o abusado arqueou as sobrancelhas enquanto saíamos do carro e nos direcionávamos a entrada do local.
–Escuta, você sempre foi idiota assim ou isso é uma doença adquirida?-revirando os olhos, eu retirei meu sobretudo e joguei em cima dele, agradecendo pelos protetores de orelha dentro do carro, ou ele comeria os mesmos.
–Uau.-ele murmurara, mas eu pudera ouvir. Eu permanecera o dia inteiro com o sobretudo fechado ou semifechado, mas era a primeira vez que ele me via sem o sobretudo.
Realmente, eu estava consideravelmente atraente.
–Vamos logo, Thorm!-eu gritei e ele correu para me alcançar, despertando do transe.
–Mesa reservada pra dois.-eu pedi e a recepcionista nos levou até a espécie de área VIP do restaurante. Era mais simples que a área VIP do Le Grand, mas iria bastar.
–Por favor.-Trey disse educado, puxando a cadeira para que eu me sentasse.
–Obrigada.-agradeci ajeitando a bolsa no encosto da cadeira e o sobretudo também.
–Você costuma a andar como se fosse para uma premiação do Oscar sempre ou só as vezes?-ele me perguntou com a típica sinceridade que ele carregava. Eu adorava isso nele.
–Hoje estou simples.-dei de ombros enquanto pegava um dos menus em cima da mesa.
–Uau, não quero ver como vai a um jantar importante, casamento, velório,... Você, sem dúvidas, não é para Forks.
–Por que não?
–Lá ninguém se veste assim. Só as garotas Cullen, é claro.
–Garotas Cullen?-eu fingi não conhece-los.
–Sim, Rosalie, Alice e a Sra. Esme Cullen. Elas iam para a escola vestidas para festas.
–Estudou com elas?-indaguei.
–Não, mas elas sempre passavam em frente ao restaurante onde eu trabalhava. Uma vez eu falei com elas sabia?!-ele gabou-se, como se eles fossem estrelas de cinema.
–Mesmo?-perguntei, achando aquilo hilário.
–Sim. No mercado. Eu estava na sessão de enlatados e Rosalie, a loira, me pediu para pegar uma lata que estava no alto. É claro que como todo bom e velho tarado, eu travei quando olhei pro decote da loira.-ele contava envergonhado, apesar de sorrir e eu, gargalhava.-Ela deve ter percebido isso porque deu um sorriso, a exibida!
–Essa é das minhas, definitivamente.-comentei achando graça.
–Mas ai o grandalhão do namorado dela apareceu e estragou meus planos de cantá-la.-ele fingiu raiva.
–Claro, porque você teria chances com ela!-eu debochei.
–Ué, e por que não? Eu sou extremamente charmoso.-Trey gabou-se, me fazendo gargalhar mais ainda.-Pode rir e debochar o quanto quiser, mas eu sei que você fica alterada quando estou perto de você.
Eu travei.
–Sei que você fica nervosa, não sabe o que dizer,... Eu causo reações em você.-e dito isso, ele estendeu a mão direita, largando o menu e tocando a minha, por cima da mesa.
Por alguns minutos, permanecemos nos encarando e eu tive a desagradável e estranha impressão que ele me lia inteira, por dentro e por fora.
–Boa noite. Já escolheram?-o garçom, santo garçom, apareceu e fez com que recuássemos, de volta a nossos lugares.
–Ah, ér, eu vou querer apenas uma água.-disse seca.
–Como entrada, eu quero uma Focaccia de presunto cru e como prato principal Orecchiette com brócolis e uma taça de Blanc de Noirs. Sem sobremesa, obrigada.-Trey pediu sorridente e o rapaz assentiu, se retirando.
–Não vai comer nada?
–Eu não como.-respondi unicamente.
–O que? Massa? Carboidratos? É alguma dieta de pontos, porque se for, você definitivamente não precisa.
–Eu agradeço a gentileza, mas não é nenhuma dieta.-inclinei-me sobre a mesa, apoiando meus braços na mesma.-Eu simplesmente não como.
Minha tática era ser sincera.
E assustá-lo, é claro.
Estávamos ficando próximos demais, entrosados demais, o que não era bom para mim, mas especialmente para ele.
Bella estava jurada de morte graças a um vampiro. Trey não deveria ter o mesmo destino.
–Não come o que especificamente?-ele indagou, arqueando as sobrancelhas.
–Nada.-eu o encarava fixamente.
–Nada?-ele perguntou, parecendo estranhar aquilo.
–Nada.
–Nunca?
–Nunca.
–Aqui está: a água da senhorita e sua Focaccia, senhor.-o garçom voltou logo e após agradecermos, ele se foi.
–Isso é alguma religião? Tipo aquela onde você não come nada, usa verde todas as noites e tem que se amarrar aos pés da cama?! Porque eu vi um documentário...
–Não é nada disso.-eu murmurei por baixo do fôlego, me esforçando para parecer ao máximo com um monstro assustador. Uma Volturi típica.-Eu simplesmente não como.
–Estranho!-ele exclamou com uma careta enquanto cortava um pedaço da fatia de Focaccia em seu prato.
Decepcionada, eu concordei. Eu esperava, no mínimo, um extremo susto.
–A propósito, você não me assusta.-eu olhava fixamente para o copo d’água, quando ele me chamou atenção.-Comendo ou não, voando, girando a cabeça em 360° graus... Você não me assusta, nem sendo gelada como uma pedra de gelo. Eu soube que você não era normal desde a primeira vez que te vi, e isso só me fez me interessar mais por você, então a resposta é não. Não estou me afastando.
Natural, prático. Ele pegou meu copo de água e tomou um gole enquanto eu estava no mais perfeito silêncio.
O jantar seguiu em total silencio e enquanto ele deliciava-se com seu prato de Orecchiette, eu me consumia em desespero.
Como assim, ele sabia que eu não era normal desde o início?
Eu bebera, dançara, me fingira de bêbada, me permitia tomar sustos... Eu era quase uma humana.
Mas parecia que “quase” para Trey não era o bastante.
–Uau, que demora!-quase cinco horas depois, eu estacionei em frente a casa de Trey.
O jantar, apesar de desagradável para mim, havia sido longo. O caminho até a balsa havia demorado mais que o planejado e tivemos de pegar a de nove horas, o que fez com que chegássemos em Forks as onze e quarenta.
–Nem me diga. Não aguento mais dirigir.-disse em um tom cansado, esticando os braços para frente, alongando os mesmos.
–Da próxima vez, eu dirijo.-ele comentou enquanto soltava o cinto de segurança e eu bufei.
Ele estava mesmo sendo insistente.
–Olha Trey, eu...-soltando o cinto de segurança, eu virei-me para o lado e me inclinei para falar com ele, mas fui pega de surpresa pela mão rápida de Trey em meu rosto, deslizando suavemente para minha nuca e colou nossos lábios de forma doce, porém, voraz.
Dois segundos depois, eu nos afastei, encarando-o chocada, mas pela segunda vez no dia, ele tomou as rédeas da situação e puxou-me de volta a ele, encontrando nossos lábios.
Eu agradeci por não precisar respirar, porque certamente eu teria parado de fazer aquilo assim que as mãos de Trey subiram de minha nuca para meus cabelos, puxando-os levemente para trás fazendo com que os lábios dele desencontrassem os meus e partissem para meu pescoço, o que era extremamente irônico e absolutamente delicioso.
Há 215 anos eu não beijava ninguém.
Como eu consegui ficar tanto tempo sem isso?
–Não podemos...-eu murmurei mas ele me calou, beijando-me novamente e eu rendi lentamente a cada toque dele. Na verdade, até fiquei ofendida quando ele parou, mas logo entendi o motivo.
Uma jovem do lado de fora do carro, na noite fria, batia na janela do meu lado.
Eu ainda estava fora de órbita, então ele esticou os dedos e fez o vidro descer.
–Olá Ginny.-ele sorriu sem graça para a garota que carregava uma criança encolhida nos braços.
May.
–Hey Trey, tenho prova de história amanhã. Quero as 50 pratas que me deve pra poder estudar. Passou do horário, disse no torpedo que viria cedo.-ela parecia chateada e eu estava sem fôlego, se é que isso era possível.
–Eu sei, mas o transito em Seattle estava péssimo.
–Transito, sei!-ela fez uma careta e o encarou.-May perguntou de você o dia todo e a Sra. Thorm está mais caduca que o costume. Me chamou de Anna o dia todo e me pedia chá de uva.
–Ela não parece bem.-Trey comentou cético enquanto saia do carro e pegava May dos braços da menina. Que deveria ter seus 15 anos.-Ah, Eve, tenho que pagar a diária da babá... Se importa de pegar minha carteira em meu bolso?-sem graça, ele pediu.
–Ah, claro.-tão sme graça quanto ele, eu peguei a carteira em seu bolso traseiro. Estava prestes a entregá-la, mas a menina estava tão bem acomodada nos braços fortes dele que fui forçada a abrir a carteira e tirar uma nota de cinquenta de dentro e passar para a menina.
–Valeu! Boa noite a vocês.-satisfeita, ela pegou a bicicleta jogada no gramado da casa de Trey e após subir na mesma, foi em direção ao final da rua.
–Essa é Ginny, afilhada da minha irmã. Eu a pago diariamente pra cuidar da May e olhar a mamãe.
–Que está caduca?-indaguei, cruzando os braços.
–Correto.
–Bom, tenho que ir...
–É, claro.-ele concordou, ajeitando May nos braços, que dormia pesada.
–Ela é linda.-comentei enquanto estendia a mão para tocar os cabelos da menina. Trey sorria.
–Ér, até mais.
–Até, Evelyn... Ah, e só reforçando o que eu disse antes... Você é estranha e eu gosto disso. Gosto de você.-e depois dessa frase de efeito, ele sorriu e virou-se para entrar em casa.
Eu, imbecil, permaneci o acompanhando, o que fez que no meio do caminho ele se virasse para trás e soltasse outra bomba.
–Da próxima vez, eu escolho para onde vamos. Precisamos repetir o beijo.
Isso foi o suficiente para que eu ligasse o carro e corresse dalí, passando pelo caminho oposto da casa de Bella.
Eu estava evitando mais confusões mentais naquela noite.
–Finalmente!-Joseph grito da varanda, deixando o violão com Libby.
–Desculpem se preocupei, o transito estava uma droga.-fiz careta enquanto trancava o carro e ameaçava entrar em casa.
–Hey, onde vai?-Laurie indagou, colocando uma jaqueta.
–Ah, ér... Tomar banho e dormir!?-eu estava confusa.
–Eve, hoje é dia da caçada semanal em família, esqueceu?
Ah! Isso.
–Ah, claro, me esqueci... Deixem apenas que eu troque esse vestido por um jeans e uma camiseta.-sorri de lado enquanto corria para o segundo andar e tirava a roupa em velocidade sobre-humana. Pendurei gentilmente a roupa usada na arara do closet e desci as escadas prendendo os cabelos
–Prontinha.-eu disse, aparecendo na varanda e sendo recebida por Laurie que passou o braço por minha cintura, caminhando a meu lado tranquila para o interior da floresta.-Me contem como foi o casamento, ou melhor, circo de horrores!-eu gargalhei.
–Ah, pelo amor de Deus, Eve.-Joseph lamentou-se.-Veja você mesma.-ele disse, estendendo a mão para mim, afim de que eu o tocasse e usando o dom de Laurie para ver como havia sido seu dia, porém não foi isso o que eu vi quando o toquei.
Assim que segurei as mãos de meu pai, minha mente escureceu costumeiramente como uma sala de cinema escura antes da exibição de um filme e logo, tudo começou a se passar em minha mente.
Eu vi um carro. Mais precisamente, um Porsche amarelo... Estacionado do outro lado da cidade e uma mulher caminhando em direção ao restaurante.
A mulher era Alice Cullen, a vidente. E ela observava doentiamente o restaurante, avistando Joseph no salão, conversando com os humanos parentes da noiva. Ele não sentia o cheiro dela, devido há quantidade de humanos alí, sem comentar que algum humano parecia ter se cortado com uma taça quebrada e enquanto Laurie escondia-se no escritório com Libby, para maior segurança, Joseph e Nate contornavam a situação, levando-a para o banheiro para que ela lavasse a ferida. O cheiro do sangue escondia o cheiro dela e de Edward, que ao seu lado observava tudo atento. Os dois estavam vigiando Joseph, já que não conseguiam me viagiar.
Eu tentara ver o que ocorrera com Joseph no casamento, mas as imagens que vinham até mim correspondiam a algo que nem ele, nem Laurie, ou Nate ou Lib tinham consciência.
Estávamos sendo vigiados pelos Cullen.
Enquanto eu pensava em Alice, as imagens pareceram sumir de foco e logo outra cena surgiu em minha mente.
Vi ela, o tal Carlisle e Edward conversando com Sam, o lobo da mente de Libby. Eles falavam sobre nós e Sam os tranquilizava, dizendo que sabia de nós e que tudo estava bem, inclusive o fato de Libby ser a única a ter acesso a La Push.
Novamente as cenas mudaram e eu pude ver todos nós, vestidos como estávamos agora, no meio de uma clareira, conversando com os Cullen.
Alice observara Joseph. Ela vira que iríamos caçar a noite e naturalmente, eles iriam até nós.
Ao que me parecia, eu havia adquirido oficialmente os poderes da vidente.
–Meu Deus!-murmurei, soltando Joseph e cambaleando para trás.
–O que foi, Eve?-Lib perguntou, impedindo que eu caísse.
–Os Cullen... Estavam nos observando.-eu murmurei chocada.
–Os vampiros? Qual o problema?-Laurie estava confusa assim como todos.
–Eles estão nos esperando na floresta, querem conversar.
–E o que tem de mal nisso? Vamos logo esclarecer tudo!-Nate disse, impetuoso.
–Não!-eu gritei em desespero.
–Por que, Eve? O que tem de mal nisso?-Joseph indagou e eu percebi que estava demonstrado mais do que deveria.
–Não quero problemas.-justifiquei.
–E não teremos.-ele afirmou.-Conversaremos com eles e tudo ficará bem.
–Acha mesmo?-questionei e todos concordaram. Merda!
–Tudo bem.-eu afastei-me de Liberty, ficando de pé sem apoio agora.-Se é o que querem, então iremos falar com os Cullen.
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