Notas iniciais
Prontas para mais um capítulo?
Espero que gostem e me desculpem os erros, mas como moro em Angra e tem chovido HORRORES AQUI, a luz sempre acaba, fico sem net e o tempo pra postar e betar é MÍNIMO!
ps:
Novos personagens:
Trey Thorm: http://www.vampire-diaries.net/gallery/albums/userpics/10001/IanS3promo.jpg
Olivia Foot: http://www.wearysloth.com/Gallery/ActorsC/83757-29774.jpg

Evelyn Wright


O dia seguinte foi chuvoso.

E o que se seguiu também. E os outros também.

Dias se passaram e o tempo não mudou. Nada acontecia de diferente. Eu não avistara Isabella Swan ou algum dos Cullen e nem havia feito questão de procura-los.

–Terminou ai?-Laurie questionou enquanto me entregava uma pasta cheia de papéis e se sentava ao meu lado em uma das mesas do restaurante. Ela arrastou a cadeira que ocupava para o meu lado, fez com que eu desapoiasse minha cabeça de meu braço sobre a mesa e apoiasse em seu ombro. O restaurante abria bem cedo e eu passava quase o dia todo lá, cuidando de cada mínimo detalhe. Todos os dias eram igualmente tranquilos e aquilo estava me deixando realmente incomodada.

–Que cidade mais chata.-murmurei com a voz chorosa.

–Acostume-se, gata. Bem-vinda a Forks!

Uma voz grossa chamou minha atenção, fazendo-me erguer o rosto e buscar o dono da voz.

Alto, com um ar selvagem, ele cheirava bem. Seu perfume sem dúvidas era amadeirado.

A barba mal feita, o rosto másculo com traços fortes, os cabelos e as roupas coladas no corpo, encharcadas graças a chuva constante me fizeram encará-lo por alguns minutos... Até que eu vi que era hora de acordar.

–Ah, ér... Com licença, está procurando por alguém?-indaguei, colocando-me de pé e ajeitando minha saia social preta em minha cintura. Conferi se minha blusa social branca estava amassada, se todos seus botões estavam fechados e soltei meu cabelo do nó bagunçado no topo de minha cabeça, fazendo com que uma cascata negra de cachos frouxos que iam até o meio de minhas costas brotasse sobre meus ombros.

–Todos procuram por alguém.-ele respondeu sarcástico enquanto passava as mãos pelos cabelos molhados.-Mas eu procuro, na verdade, por meu emprego. Sou Trey Thorm.

Então, ele era Trey. O irresponsável cozinheiro, atrasado há dias, finalmente aparecera.

Cruzei meus braços e fiz uma careta, batendo meu salto no piso de madeira.

Quanta irresponsabilidade!

–A Srta. Wright está?-ele pareceu decidir irgnorar-me durante minha pausa e encarou Laurie.

–Sim, estava falando com ela.-Laurei ajeitou-se na cadeira. Trey ruborizou e voltou a me encarar.

–Está demitido!-eu disse unicamente, dando as costas a ele e caminhando até meu escritório.

–O que? Quer dizer,... O que?-ele disse chocado, seguindo-me. Logo ele alcançou-me e com seus dedos firmes, puxou-me pelo braço, mas como eu suspeitei que ele faria, logo me largou. Não sei se por meu olhar assassino ou por minha pele extremamente fria.

–Olha, eu juro! Juro que tenho um hálibi!-dando um passo para trás, ele juntou as mãos, como se fizesse uma prece a Deus.

–Tem vinte e cinco segundos.-novamente de braços cruzados, eu comecei a contar.

–Você é mandona, hein!-ele chocou-se.

–Vinte segundos.-reforcei sem amolecer.

–Ok, tudo bem, tudo bem... Eu tive sérios problemas essa semana. Tenho uma irmã, ela é mais velha, se chama Monique... E ela tem uma filha chamada May. O pai dela as abandonou e minha irmã a cria sozinha, então ela teve que viajar e deixar minha sobrinha conosco, mas minha mãe está velha, caduca e doente, então eu tive que ficar cuidando das duas.-apavorado, gesticulando e transpirando, ele tentava me convencer.

–Ainda tem três segundos.-arqueei as sobrancelhas.

–Eu preciso de uma segunda chance.

A distância de um passo que existia ali, tornou-se a distância de um suspiro enquanto ele me implorava, encarando-me olho no olho. Ele estava sendo sincero.

E eu nem precisei vasculhar a mente dele para isso.

–Corra para a cozinha. Peça ao Joseph um uniforme e se alguém reclamar da sua comida, eu mesma te coloco pra fora daqui.

Ele sorriu e eu, apesar de tentar segurar, sorri de leve.

–Você é um anjo, Evelyn.-empolgado e molhado, o rapaz correu para a cozinha, me deixando um pouco fora de órbita, mas logo, eu acordei.

–É “Srta. Wright” para você!-gritei, corrigindo-o.

–Shhh, sem gritos!-Laurie brincou, fingindo me corrigir.

–É um abusado esse Sr. Thorm.

–É um gato!

–Mãe!-inacreditavelmente, ela olhava para a direção em que ele havia ido.

–Que foi?! Não posso ficar chocada com a beleza rústica do rapaz?!

–Não! Você é casada!

–Ai, que velha, Evelyn!-ela balançou a cabeça em desaprovação e fomos conversando para a recepção.-Você é mesmo “idosa”. Que coisa careta, eu sou casada, não cega... E ele ficou encantado com você.-Laurie comentou enquanto abria o livro de registros

–Como assim?-indaguei enquanto a ajudava a organizar as coisas.

–Ah, primeiro ele chegou te cantando, depois te pega pelo braço, fica extremamente próximo de você e no final te da um beijo... Acho que ele gostou de você!-como uma típica mãe, ela opinou e revelou que estava mesmo me observando de longe.

–Estava me espionando, Laurie?-com as mãos na cintura, eu indaguei. Ela deu de ombros.

–Só acho que, apesar dos pesares e você sabe de qual pesar estou falando, eu acho que você já é grande e velha o suficiente para saber dos seus limites e saber até onde pode chegar com um homem, então,... Não custa nada curtir, filha.-ela discursou despreocupada enquanto eu observava um casal do lado de fora do restaurante. O casal estava usando capas de chuva e seguravam sombrinhas, mas a chuva com vento entortava as frágeis estruturas de ferro fino. Os dois sorriam, apesar do momento complicado. Pareciam felizes.

–Vou dar um pulo em casa.-respondi somente, pegando a bolsa atrás do balcão e as chaves do carro.

–Pense no que eu te disse!-Laurie gritou e eu bati a porta do carro, girando a chave, pisando na embreagem e logo dando a partida.

Laurie estava louca, eu tinha certeza.

Ela não podia estar falando sério. Haviam vários fatores que me impediam de ter uma vida normal. O primeiro: eu era uma imortal. Isso praticamente queria dizer que eu só deveria me envolver com “gente do meu tipo”, o que me levava ao segundo ponto: Pierre. Nós estávamos juntos e planejávamos estar sempre juntos, mas nossos planos não deram certo, o que me levava ao terceiro ponto: minha falta de sorte na vida amorosa jamais me permitiria sentir algo por um humano e que ele sentisse o mesmo.

E eu mal conhecia Trey. Não é só porque Laurie tivera essa ideia estúpida que eu era obrigada a sentir algum tipo de atração por ele.

–Vou marcar para as 10h.-uma voz feminina chamou minha atenção assim que eu parei o carro em um sinal.

Duas garotas estavam na posta de um salão de beleza, conversando com a provável recepcionista.

–Acha que da tempo, Jessica?-a outra garota indagou.

–Bella marcou o casamento para cedo. Só quero fazer uma escova, nada demais, Angela.

–Então está marcado. Dia 13 de agosto, as 10h da manhã.-a atendente disse, escrevendo em um caderno.

–Nem acredito que a Bella vai casar com Edward Cullen!-a tal Angela disse empolgada.

–É nem eu!-a primeira menina –Jessica- comentou com uma expressão enojada.

Tirando o fato de ser uma extrema invejosa, ao que eu pudera perceber, Jessica me dera uma incrível e valiosa informação enquanto eu ouvia a conversa das moças, absortas a uma vampira esperando o sinal abrir na rua mais movimentada de Forks.

Isabella e Edward iriam se casar. Meu alvo havia sido pedida em casamento por Edward e o casamento estava próximo, já que as supostas amigas da noiva já marcavam seus horários no salão de beleza.

Isso só podia significar que Bella se tornaria vampira logo logo.

Em praticamente, um mês e meio.

E o prazo dos Volturi ia até novembro.

Isso era bom.

Os dois se casariam e provavelmente sairiam da cidade, para que ele a transformasse.

Talvez eu os seguisse e ao constatar que ela havia sido transformada, viajaria até Volterra, entregaria a missão concluída para Aro e fim. Eu estaria livre, ou temporariamente livre.

Mas tudo era melhor do que estar de sobreaviso, pronta para ter de matar uma humana.

Isso me tranquilizara por tempo suficiente para ir para casa e tomar um longo banho quente, nem me importando com a estranheza de Libby e Nate.

Eles provavelmente haviam feito algo de errado e estavam me escondendo há dias, já que todas as suas conversas eram escritas e queimadas em seguida. A prova disso era a lareira da biblioteca, constantemente acesa.

Sem falar que eu não os tocava com a intenção de ler seus pensamentos há dias, devido a visível distância proposital que eles mantinham ali.

Eu tinha quase certeza que eles haviam feito algo errado em La Push e estavam tentando concerta, já que quando uma chuva torrencial derrubou barreiras entre La Push e Forks na estrada e dois de meus funcionários ficaram presos em um ônibus, do lado de lá, eu já estava entrando no carro para ir busca-los quando, prestativamente os dois se ofereceram para fazer isso por mim. Sem motivos interesseiros, aparentemente. Mais suspeito que isso, impossível.

Mas eu estava feliz demais hoje para ligar para isso. Uma das provas disso era minha cantoria em francês enquanto saia do banheiro, invadia meu closet e depois seguia para o quarto, cantarolando em francês enquanto escolhia um vestido preto curto que era justo até a cintura e depois abria-se levemente em algumas camadas ainda negras, porém com um sombreado xadrez bem fraco. Calcei meu par favorito de scarpins cor de rosa e me adornei com uma leve maquiagem rosa, batom nude e um bracelete dourado para combinar com os brincos.

–Perfeita!-murmurei sorrindo enquanto encarava meu reflexo no espelho. Peguei novamente a bolsa e as chaves e desci as escadas, provocando um efeito de silêncio em meus irmãos que jogava videogame na sala.

–Um dia vocês vão ter que me contar o que fizeram e eu vou ter que matar vocês, é simples.-sorrindo, eu mandei um beijinho no ar para cada um dos dois e entrei no carro, correndo para o restaurante, onde minha felicidade logo acabaria.

–Temos uma emergência!-Laurie murmurou nervosa, assim que eu pisei no restaurante.

–O crítico esta aqui!-Olivia, minha assistente disse entredentes.

O crtítico?

–Mas... Ele não viria só amanhã?-indaguei confusa a elas.

–Sim, mas ele disse que teve de vir de surpresa, é um novo método dele!-a jovem justificou-se com o coração agitado, bombeando forte. O cheiro do sangue que era o responsável pelo rubor em seu rosto nervoso fazia com que Laurie evitasse ao máximo inspirar o oxigênio carregado pelo perfume doce de nosso alimento natural.

–Ok, vamos pensar. Peça pro papai fazer sua especialidade e...

–Acontece que seu pai não veio hoje!-Laurie arqueou as sobrancelhas.

–O que? Como assim?

–Ele foi resolver umas “coisas”.-tentando me mandar uma mensagem entrelinhas, mas eu não conseguia entender, então toquei discretamente as mãos eternamente gélidas de minha mãe, e então eu pude ver tudo. Vasculhando cada canto de sua mente, eu tentei “adiantar” a fita mental de Laurie para o ponto que eu precisava saber: onde estava Joseph.

–Ah!

Ele havia ido caçar. Era a primeira vez que ele caçava em Forks, já que por viver enfiado na cozinha do restaurante, ele estava sem tempo.

–O que faremos?! Ah, já sei... Olivia, me arranje um uniforme e eu mesma irei...-largando a bolsa no balcão da recepção, onde estava uma funcionária qualquer substituía Laurie, continuei caminhando em direção a cozinha enquanto a menina guardava minha bolsa em baixo do balcão, no local de sempre. Já estava prestes a entrar no vestiário, quando Laurie me parou com apenas uma frase.

–Trey está preparando o prato para o crítico.

3...2...1. Eu explodi.

–O que?

–Calma, filha, calma!

–Não tem calma! O Sr. Atrasado está fazendo o prato para o crítico que pode acabar com nossa reputação! Eu nem sei se esse cara é realmente bom como as cartas de recomendação diziam!

–Pare de gritar, olhe o escândalo na frente dos clientes!-Laurie vociferou e eu cruzei os braços, forçando-me a fechar a boca. O momento de calma apenas durou por cinco minutos, antes que eu empurrasse com força a porta da cozinha.

–Você!-eu gritei ao apontar para Trey que estava flambando alguma coisa.

–Santo Deus!-ele murmurou, abaixando o fogo.

–É bom falar com Deus mesmo...-quase enfiando meu indicador direito nos olhos dele já que a mão esquerda estava ocupada, puxando-o pelo colarinho do uniforme.-... porque é pra Ele que eu vou te mandar se eu ganhar menos que três estrelas!

–Filhinha, existem testemunhas...

–Danem-se as testemunhas, danem-se as pessoas... Eu só quero saber de uma coisa: ou você cozinha muito bem e impressiona esse bendito crítico, ou eu juro, eu arranco a sua cabeça!-largando-o, sai da cozinha com as pessoas afastando-se e abrindo espaço para mim.

Vinte minutos depois, Laurie bateu na porta de meu escritório, onde eu estava bufando, tentando manter o controle e não assassinar ninguém.

–Tudo pronto.


–Belíssima Srta. Wright, é uma pena que seu pai não esteja aqui hoje, mas devo dizer, é um enorme prazer conhecer a senhorita e sua mãe.-o Sr. Polgue, o nanico e careca crítico, excessivamente simpático não cansava de nos elogiar, o que estava me cansando.

–Mercy, Sr. Polgue, é um grande prazer para nós que você esteja conosco e que seja o senhor a dar a nota a nosso restaurante. Eu adoraria conversar com o senhor a noite toda, mas vamos à entrada, já que logo o prato principal virá.

Para minha alegria, o velhote concordou e logo, o jantar estava servido. No momento correto, Trey foi convocado e de pé, ele, eu e Laurie aguardávamos a nota.

–Bom, devo admitir que fiquei chateado por não ter encontrado Joseph Wright, o tão elogiado chefe francês, que aliás, carrega o nome de seu avô.-ele fez uma pausa, fazendo com que eu me lembrasse da mentira deslavada para apresentarmos Joseph a sociedade de culinária americana. Ele havia trabalhado na Itália e anteriormente em Roma, como um mero mortal, então decidimos alegar que ele era o neto desconhecido e idêntico que carregava o nome do avô falecido, junto com o grande talento para cozinhar.-Mas bem, vamos ao veredicto. O atendimento foi impecável, as representantes da administração do restaurante, além de belíssimas, são extremamente educadas... Mas a comida.-ele calou-se e eu prendi o ar.

Seria uma pena assassinar Trey. Ele era deveras bonito.

–Magnific!-o Sr. Polgue me fez arregalar os olhos. –A comida estava estupendamente fabulosa, e a sobremesa então!? Estou apaixonado! Portanto, eu lhes darei cinco estrelas!

–Oh meu Deus!-chocada, eu elevei minhas mãos a boca enquanto Laurie abraçava Olivia. Quando dei por mim, eu estava abraçada a Trey que pareceu ignorar minha temperatura corporal.

Logo, após alguns flertes assustadoramente diretos, o Sr. Polgue foi embora e o restaurante esvaziou, restando apenas os músicos, alguns cozinheiros, as responsáveis pela limpeza e eu, já que Joseph havia chego da caçada e dissera que levaria Laurie para comemorar as cinco estrelas fora da cidade.

–Mais uma?-Olivia propôs e os rapazes da cozinha concordaram. “Droga!” xinguei mentalmente enquanto virava mais uma dose de tequila com o grupo de funcionários, já “alegrinhos”.

Eu, na verdade, teria de colocar tudo para fora, mais tarde, mas valeria a pena.

Era a primeira “quebra de gelo” que acontecia entre eu e os funcionários, que antes acreditavam mesmo que eu assassinaria, de fato, Trey.

–Hora de dançar!

Como se lesse meus pensamentos, Trey surgiu na mesa, puxando-me.

–Uou, eu te ameacei de morte hoje e quer dançar comigo? Gosta de perigo!-brinquei.

–Eu curto isso de perigo.-ele respondeu, colocando-se em posição de dança, colando meu corpo ao dele, agora sem uniforme, trajando roupas comuns.

–Não podemos dançar sem música.-justifiquei-me, dando um passo para trás mas um som de gaita surgiu e eu tratei de localizar o dono da música. Luis, um dos cozinheiros, especializados em comida Mexicana, e é claro, fã de Maná declarado, já que começou a fazer o solo de gaita pertencente a uma das músicas mais belas da banda.

–Valeu, Omar.-Trey agradeceu enquanto a banda começava a acompanhar a gaita.

–Sabe dançar, Srta. Wright?-ele indagou e eu arqueei as sobrancelhas como se a pergunta fosse uma ofensa.

–Eu já fiz todos os tipos de dança possíveis.-respondi a ele enquanto ajeitava minha postura, segurando uma das mãos do rapaz e apoiando a outra em seu ombro largo. Ele soltou uma risada rouca e me fez girar uma fez, trazendo-me para ele logo em seguida e inclinando o corpo sobre o meu, ele realizou um famoso paço de dança.

–Ótimo, porque minha mãe era professora de dança e obrigou a mim e a minha irmã aprendermos a dançar de tudo um pouco.

–Ótimo.-ligeiramente maravilhada, repeti as palavras dele antes de começarmos a dançar pela espaçosa pista de dança do restaurante.

–Devo admitir, achei que a senhorita fosse me matar mesmo, mais cedo, na cozinha.

–Bom, eram meus planos, devo admitir.-ponderei, sorrindo de lado.

–A senhorita tem mesmo cara de psicopata, com todo respeito.-ele brincou e eu neguei com a cabeça.

–Estamos bêbados e dançando, então me chame de Evelyn.-eu gargalhei, fingindo estar alcoolizada e não responsável por meus atos.

–Sendo assim, Evelyn, vamos dançar mais uma música?-ele pediu, mas eu me afastei.

–Seria até agradável, mas eu preciso ir embora, Trey.-anunciei enquanto olhava para Olivia, lembrando-a que ela era a responsável por fechar, hoje.

–Você mora no Olympic, certo?-ele me perguntou enquanto eu dava um tchau geral e pegava minha bolsa no balcão. Ele fez o mesmo, pegando sua mochila.

–Isso. Por que?

–Bom, eu pensei que a senhori... Você poderia me dar uma carona. Hoje eu tive que vir a pé porque minha irmã estava com o carro, por isso cheguei encharcado.

–Onde mora?-perguntei com uma careta. Aquilo era intimidade demais.

–Logo aqui perto, depois da loja dos Newton, a senhora vai dirigir uns 10 ou 15 minutos e logo chega.-ele explicou e eu pensei por alguns segundos.

–Entre no carro.-murmurei enquanto destravava o mesmo e corria em velocidade humana para não me molhar muito no caminho até o mesmo.

O caminho até a casa dos Thorm foi silencioso. Ouvíamos a rádio que parecia querer que houvesse algo alí. Até nas rádios de Rock estava tocando Love Metal. Droga de destino.

–Vai demorar muito para chegar?-em uma rua longa, ladeada por árvores, eu indguei, desistindo do rádio que tocava “I Don’t Wanna Miss a Thing” do Aerosmith.

–Não, não. É só virar a esquina, depois da casa do Chefe Swan. A minha é a quarta.-ele me informou, mas eu travei ao ouvir o nome Swan.

–Chefe Swan?

–Sim, é o Cherife. Muito gente boa. A filha dele veio morar aqui há algum tempo, mas antes ele morava sozinho, o que fazia com que eu e ele as vezes nos encontrássemos no bar para algumas cervejas.

–Ah sim... Conhece a filha dele?

–Não, ela é bem mais nova do que eu, tem uns 18, 19, sei lá...-ele deu de ombros.-Falando nisso, quantos anos a senhorita tem? Digo, você.

–Ah, ér, 26. Sou a mais velha. Nate tem 20 e Libby tem 15.-respondi nervosa. Outra mentira sobre a idade.

–Quase a mesma idade.-ele murmurou.-Tenho 27.

–Parece mais novo.-comentei enquanto passávamos em frente a tal casa dos Swan.

Onde o cheiro de vampiro era incrivelmente forte.

Então, eu a vi.

Apesar da chuva, a magricela menina estava na varanda, encostada na porta de entrada da casa, enrolada em um casaco, conversando com alguém.

Conversando com ele.

O cheiro dele era inconfundível. O cheiro de nossa raça. Fator esse que o fez virar o pescoço imediatamente para trás, encarando-me.

A princípio, tudo que ouvi foram os comentários de Trey sobre serem Edward Cullen e Bella na varanda. Ele contou sobre o noivado que estava movendo comentários na cidade e também ouvi Bella, indagando a Edward o que estava acontecendo e porque ele encarava o carro, mas depois uma confusão atingiu minha cabeça.

Eu estava ouvindo os pensamentos de todos naquela rua.

–Merda!-eu xinguei, freando bruscamente e colocando as mãos em minha cabeça.

–O que houve?-preocupado, Trey inclinou-se para mim.

–Uma pontada forte em minha cabeça. Deve ser o stress.

–Quer ir ao médico?-ele questiono preocupado.

–Não, não, isso é apenas o efeito da bebida... E minha mãe se formou como enfermeira, então...-eu justifiquei enquanto ligava o carro de novo. Acelerei o mesmo e após fazer a curva, forçando minha mente a expulsar os pensamentos que tentavam invadi-la.

–É aqui.

–Bom, está entregue.-eu murmurei. Eu estava morta de dor de cabeça, o que era o cúmulo do absurdo. Vampiros não sentem dor.

–Tem certeza que não vai ao médico?

–Absoluta. Agora desce e vai dormir porque você me deu cinco estrelas, mas eu não perdoarei mais cinco minutos de atraso.-apesar de usar um tom leve, minha expressão era séria.

–Pode deixar, até amanhã Evelyn.

–É Srta. Wright.-o corrigi e após concordar, ele sorriu.

“Mulher complicada!”

Ele pensou e me provou que eu ainda estava refletindo as habilidades de Edward. Manobrando, eu voltei a rua de Bella e quando passei em frente a casa dela novamente. Dessa vez, Bella encontrava-se na janela do andar de cima, a provável janela do seu quarto, encarando o carro. Forcei-me a ler os pensamentos da garota, mas essa era uma tarefa realmente difícil. Quando parecia que eu estava entendendo algo, os sussurros mentais de Bella desapareciam de minha mente.

Ainda estourando de dor de cabeça, pisei no acelerador e corri para casa onde encontrei ainda na sala, Libby e Nate no vídeo-game.

–Chegou a chata!-brincalhão, Nate me chamou mas em paços humanos, tampei meus ouvidos e subi lentamente a escada.

Eu não queria ouvir nada, nem mais um pensamento.

–Espera...-eu parei no topo da escada e girei meu corpo, encarando agora Libby e Nate aos pés da escada.

–O que foi?-ela perguntou.

–O que vocês estão me escondendo?

Os dois se entreolharam, mas eu nem precisei que eles dissessem algo, porém eles permaneceram mudos, diferente de seus pensamentos.

Um fluxo de imagens de homens na floresta, um penhasco, água. Lobos.

Eles pensavam em lobos e lentamente eu juntei o quebra-cabeça mental dos dois, sem ainda dominar o dom recém-adquirido.

Haviam lobos alí, em La Push, na reserva ao lado de Forks.

Então eu forcei minha memória há anos atrás, buscando o local exato onde Pierre fora assassinado. Fora ali, em La Push.

Em 1797 os lobos nos atacaram e eu me lembrava que em uma de minhas pesquisas, a tribo fora funda em mil oitocentos e alguma coisa, mas eles já estavam lá.

Os lobos.

–Lobos...-eu murmurei e as expressões dos dois eram de puro choque.

“Como ela sabe sem ter nos tocado?” eram os pensamentos de Liberty, mas eu estava irada demais para dar ouvidos a qualquer voz ou pensamento.

–Ocultaram isso de mim. Ocultaram, me enganaram.-eu gritei enquanto atirava minha bolsa para longe. A mesma atingiu uma estante e quebrou algumas coisas, mas eu não me importava.

–Eve, nós sentimos muito...-Nate disse. Eu sabia que era verdade, mas doía demais.

Todas as lembranças sobre Pierre, a mentira deles, tudo me cortava.

–Vocês não sentem nada. São monstros! Animais, monstros, assassinos... Vampiros!

–Evelyn!-Libby gritou com a voz chorosa.

–Arrumem suas coisas, vamos embora!

E com toda velocidade possível, eu corri. Sem rumo ou direção, eu sai de casa.

Meus olhos ardiam. Meu choro silencioso ardia em meus olhos. O veneno amargava em minha boca, borbulhando de ódio.

Se fosse possível, eu mataria todos os lobos. Eu vingaria Pierre.

E faria, ao menos alguém, sentir a dor que eu sentia até hoje.

A dor de perder o único homem que me amara de verdade e se sacrificara por mim.

Eu não suportaria ficar ali mais nem um minuto. Eu iria embora.

Eu desejava, mas não podia.

–Volturi.-eu lembrei-me de minha missão.

Eu tinha de permanecer alí, ou minha família pagaria por mim. A família que mentia para mim.

A mesma que eu estava protegendo.


Notas finais
Não esqueçam do review s2