Eu não fiquei lá muito tempo falando com meus padrinhos.. Afinal, eles me disseram que existia um Romeo, meu Romeo. Seria Alexandre meu Romeo? Espero que não seja, por que se for, essa Giulietta vai ficar sem Romeo, e essa história iria acabar a hora que eu descobrisse quem é meu Romeo.

Quando cheguei no hotel, Andrea estava á minha espera na portaria. Logo que ela me viu, seus olhos logo se encheram de alegria e ela veio me abraçar, sussurrando:

– Que saudades que eu senti de você, prima. — Ela parou de me abraçar e começou a olhar no fundo dos meus olhos. — Por que você está com essa cara tão abatida? O que aconteceu?

– Vamos subir, no quarto eu te conto tudo. — E assim subimos para o meu quarto, ela estava mais preocupada comigo do que seu cabelo molhado.

Chegamos no meu quarto e contei toda a história pra ela, de eu ser a nova Giulietta, das gêmeas Tolomei, dos descendentes de Romeo, mais não expliquei com muitos detalhes, pois não queria que ela soubesse de tudo o que eu havia descoberto. Ela se mostrou paciente enquanto eu falava. Paciente até demais.

– Da onde você conseguiu essas informações, Sam? — Sam???? Ela começou a me olhar com aquele olhar frio que eu só o via com uma pessoa: Auguste. Comecei a pensar aonde ele estava, e se o Alexandre estava me vigiando o tempo todo, ou não. Até que eu me dei conta que estava em um devaneio.

– Oi? Me desculpe. Eu não dormi muito bem essa noite. — Forcei um sorriso e continuei. — Ahn.. Uma moradora por aí me falou, por que o interesse?

– Ah, por nada. Sabe o que dizem, nunca confie em estranhos. Principalmente por que você é carne nova por aqui. Eles adoram enganar estrangeiros.. — Ela me olhou, mas no momento em que ela ia dizer alguma coisa, foi interrompida por batimentos insistentes de alguém na porta.

Quando abri a porta, era a pessoa a última pessoa que eu queria ver na minha vida. Era James Becker.

– O que você quer agora? Quer roubar as fotos da minha mãe? Por que o meu exemplar de Romeu e Julieta você já roubou né.. — Quando terminei a frase, ele me olhou de um jeito confuso, mais eu sabia que tudo aquilo era manipulação. Só podia ser.

– Do que você está falando? Eu não peguei nada! — Ele me olhou nos olhos, ah, aqueles olhos azuis... Só que meu momento de paixonite temporária foi interrompido quando ele olhou por trás do meu ombro e viu Andrea. — Precisamos conversar. Sozinhos.

– Ok prima, vou deixar vocês conversarem sozinhos. Deixei meu celular marcado numa folha que está em cima da mesa. Qualquer emergência me liga. — Antes de sair Andrea olhou de cima a baixo para James.

Quando fechei a porta, James logo pegou o papel que estava escrito o telefone de Andrea, rasgou e jogou no lixo.

– O que você está fazendo aqui? — Comecei a olhar pra ele como se ele fosse um retardado mental. Talvez ele fosse mesmo, nenhuma pessoa em plena sanidade faria isso.

Mas ele não respondeu nada, só estava procurando alguma coisa na parede, logo depois que ele tirou a tal coisa que eu não consegui ver direito, ele foi procurar no banheiro a mesma coisa. E assim eu pude ver o que era: eram câmeras.

– Que diabos é isso? Você pode me explicar? — Coloquei as mãos na cintura e olhei pra ele, e quando ele não respondeu, continuei. — Você é mais louco do que eu pensei, quando me explicar o que está acontecendo pode sumir do meu quarto, e nunca mais voltar.

– Isso, Samantha, são câmeras. E não fui eu que as coloquei aqui, foram Alexandre. E se você está se perguntando do livro, acho bem provável que sua amada priminha tenha o pegado, por que como você viu, Jullie e eu não tínhamos nada em mãos, enquanto sua prima tinha uma bolsa enorme. E sabe como eu sei de tudo isso? Por que eu jurei que ia te proteger, e é exatamente isso que eu estou fazendo. — Depois que ele terminou de falar, ele pisou em cima das câmeras, e ele voltou a me encarar. — Quando você estiver salva, longe do perigo eu juro que saio da sua vida e nunca mais volto, mais deixe eu fazer esse favor á você. Por que pela primeira vez que eu tentei te proteger, você ficou com uma cicatriz na perna. — E quando ele falou da minha cicatriz, não pude deixar de rir. E ele riu junto, aquele sorriso que eu tanto amava.

– Samantha, me deixe cuidar de você, você não precisa fazer tudo isso sozinha.. — Ele veio me abraçando, mais eu o impedi. Como poderia confiar nele de novo. – Ok, você não confia em mim. — Ele levantou as duas mãos, fazendo sinal de redenção. — Mais vou lhe mostrar digno dessa confiança. Me deixe levá-la pra tomar um sorvete amanhã, por favor. — Aqueles olhos azuis me imploravam, não sabia mais o que fazer. A resposta estava na ponta da língua: SIM!

– Tá bom. Venha me buscar, e se tentar fazer alguma gracinha, saiba que eu luto judô e karate. Então nem tente. — Assim que eu terminei de falar, eu sorri, e ele retribuiu o sorriso.

– Não vou tentar nada, juro. Amanhã venho te pegar as 10 horas da manhã, esteja pronta até lá. Se não eu venho aqui e te acordo. — E assim ele me deu um beijo na bochecha que me fez me sentir como uma garotinha de 11 anos.

E ele foi embora, me deixando naquele quarto. Com tanta coisa pra pensar, com tanta coisa pra resolver, que eu não sabia nem por onde começar.