The Tolomei - A história por trás de Shakespeare.
18 A família é um bem precioso
Fiquei pensando e pensando.. Até que me dei conta de que amanheci acordada pensando em meus problemas.
Liguei para Andrea, queria saber o quê ela sabia e por quê estava fazendo isso com a própria prima (ou não). Eu achei o celular dela na agenda de Jullie, então quando ela finalmente atendeu eu falei:
– Andrea, como você tá? — Comecei a conversa normalmente, tentei manter a maior calma possível pra não demonstrar o medo que eu sentia.
– Andrea está dormindo, eu a mantenho como refém agora. — Não era Andrea, ela Alexandre. Ele estava querendo algo, e essa coisa que ele estava querendo não poderia ser coisa boa, até que ele continuou. — Pobre Samantha, eu lhe dei um prazo tá lembrada? E sim, Andrea pegou aquele livro pra mim. Por que eu quero saber aonde fica localizado as tumbas de Romeo e Giulietta. Mas não se preocupe, sua prima é mais burra que você, ela nem se deu conta que estava namorando um cara mal, tipo eu. — A medida que ele foi falando, sua voz foi ficando mais forte e mais confiante. E eu tinha certeza de uma coisa, ele estava me provocando.
– O que você quer Alexandre? Deixe minha prima fora disso, ela não tem nada a ver com isso. — Eu tentei falar com a maior calma do mundo, mas o que saiu foi apenas palavras expressas com raiva, e irritação. Eu estava caindo na lábia dele.
– O que eu quero? Muito simples. Quero que você venha aqui, e eu solto ela. Uma vida pela outra, entendeu?! E você não pode contar a James e nem a ninguém que está vindo aqui, ta? Por que como sabemos, eu sou seu Romeo.. — Ele não terminou de falar, pois eu o interrompi.
– Você não é do clã Tolomei e muito menos dos Marescotti. Me fale de qual você é, você é aquele que Giulietta foi obrigada a casar e Giulietta jogou uma maldição em sua família... Se me lembro bem, o nome é Salimbeni. — Fui falando mais confiante dessa vez. Quer jogar um jogo, querido Alexandre? Pois bem, vou lhe mostrar como se joga.
– Boa aluna! Vejo que aprendeu um pouco com os Becker, mas você tem um prazo pra vir aqui. E eu vou lhe dar 3 horas pra vir aqui, nos encontramos na Pinacoteca Nacional de Siena, boa sorte. — E ele desligou na minha cara.
Fiquei com o celular na mão, até perceber que tinha alguém na porta. Era James.
– Com quem você estava conversando tão tarde assim? — Ele veio em minha direção. E eu não falei nada, eu apenas o abracei.
Ficamos abraçados por um bom tempo, até que eu falei:
– James, eu sei que você é um detetive, mais por favor, não siga meus rastros. Eu vou embora, e dessa vez é pra sempre. — Fui chegando mais perto dele até que nossos narizes se encostaram e pude sentir a respiração dele.
– Aonde você vai? — Ele revisava o olhar pra minha boca e pros meus olhos. Ele estava preocupado, e eu sabia que tudo que eu falasse ele ia simplesmente fazer ao contrário.
Então, eu o beijei. O beijo passava amor, carinho. Mais não podia ficar beijando ele a madrugada toda, tinha uma prima pra salvar. E ele não iria me impedir.
Quando o beijo acabou, eu olhei no fundo dos olhos dele e disse:
– Até algum dia James, sentirei saudades. Eu te amo.
Não poderia saber o que ele tinha pra dizer, eu estava com medo, mais mesmo assim, tinha que salvar minha família.
E sai da casa com pijama mesmo, não estava ligando pra o quê eu estava vestindo. Eu corri o mais rápido que eu podia, até chegar na Pinacoteca de Siena, onde estava exausta.
Até que avistei Alexandre com minha prima, e ela estava totalmente amarrada, com lágrimas saindo pelos olhos. Ela estava assustada, e com medo.
– Olha olha, o que temos aqui. Você está uma belezinha Sam, se é que me permite dizer. — E ele passou os olhos por todo o meu corpo, até que eu cruzei os braços e ele voltou a olhar meu rosto.
– Vai pro inferno. Eu estou aqui, tá? Agora deixe Andrea sair. Seu problema é comigo, não com ela. — Fui desamarrando Andrea quando ele segurou meus braços e olhou no fundo dos meus olhos.
– Ela não vai sair, por que sabe demais. E pela sua cara, você não contou a James onde ia, e isso é bom. Vocês vão ficar juntas e descobrir onde as tumbas ficam pra mim, já que são irmãs.– Ele olhou pra mim e deu um sorriso, eu olhei pra Andrea e ela estava completamente assustada, e confusa, como eu.
– Você está mentindo. Eu não tenho irmã ou irmão. Ela não pode ser minha irmã, ela é minha prima. — Quando eu falei isso, ele me colocou do lado dela e analisou bem o rosto das duas.
– Vocês são gêmeas, não perceberam isso? Que felicidade! Giannozza e Giulietta Tolomei bem na minha frente. As últimas gêmeas Tolomei vivas. — Ele não pôde deixar de sorrir, e quando olhou pra minha cara de desentendida disse. — Ora, não é obvio? Sua mãe Katherine, deu á Jéssica uma filha pois não sabia o que aconteceria se nós, os Krueger descobrissem. Mais nós descobrimos e sua mãe foi uma tola mesmo, por que só pelo nome já dá pra saber: A mais velha, Giulietta Amélia Tolomei e a mais nova Giannozza Andrea Tolomei. Vocês são muito tapadas mesmo. — Ele começou a rir, e colocou a mão na boca, em sinônimo de felicidade.
– Você é um Krueger? O que está querendo dizer? — Lágrimas escorriam pelo meu rosto, eu estava em choque. Como assim Andrea era minha gêmea? Se bem que as semelhanças do rosto não dizem que não somos irmãs.
– Claro que sim, sobrinha. Sou seu tio, sou casado com Elenna Krueger.
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