Mark estava caído no chão, machucado, dolorido e arranhado. Seu corpo pulsava de dor em vários locais que ele nem sabia que existia. Seus amigos se juntaram para defendê-lo, e em parte, Mark ficou muito agradecido, mas outra parte não queria a ajuda deles. Ele queria vencer aquela luta sozinho, mostrar que sabia lutar, que não era um completo inútil, mas nem se levantar conseguia. Jimmy estava à frente com Graham, Trinity e Agnes, pronto para enfrentar Henry.

No entanto, Frank aproximou-se deles, levantou a mão e gritou:

— Ei, ei! Chega. Isso não faz parte da disputa. Já disse que o vencedor é Henry. Agora, tratem de...

Ele foi interrompido quando Henry, sem nem olhar, deu-lhe um soco, mandando-o para longe.

— Ohhhhh! — exclamou os que assistiam na arquibancada.

Henry olhava para os amigos de Mark com os olhos estreitados, como se analisasse cada um.

— Podem vir. — disse ele.

Jimmy não hesitou, e com um movimento de sua mão, o cabelo de Henry começou a fumegar. O garoto mais velho gritou e começou a sacudir o cabelo com as mãos, enquanto na arquibancada todos riam. Graham avançou rapidamente para trás de Henry e enterrou alguma coisa na areia, depois sinalizou para Trinity. A garota sorriu e correu em direção a Henry, que ainda estava sacudindo os cabelos, e o chutou no peito fazendo com que ele caísse sentado em cima do local onde Graham enterrou o seu... sei lá o quê. Imediatamente, um som de peido ecoou pela a Arena. Gargalhadas explodiram entre os vários garotos e garotas que assistiam. Henry estava com o rosto vermelho de raiva, e quando tentou se levantar, uma mola o jogou para o alto com tudo. Quando ele caiu a Arena inteira tremeu.

O silêncio instalou-se no ambiente. Mark reuniu suas forças uma ultima vez e enfim pôde se levantar. Suas pernas tremiam e suas costas ardiam. Ele achou que Henry não se levantaria mais, no entanto estava errado. Henry se levantava, e em seu rosto estava uma expressão que lembrou a Mark um cachorro furioso. O corte em seu braço estava horrível, sangue misturado com areia, mas o cara parecia não sentir qualquer dor. Um calafrio subiu pelo corpo de Mark. Henry poderia ser muito forte quando queria, muito forte mesmo. Sua resistência aumentava e ele se tornava quase como se fosse um tanque de guerra, esmagando e destruindo tudo em seu caminho. Não havia sido boa ideia enfurecê-lo.

Um grito estrondoso veio de Henry, tirando Mark de seus pensamentos. O garoto veio correndo avançando impetuosamente contra o grupo de amigos de Mark.

— Pessoal, cuidado! — gritou Mark. Ele tinha a sensação de que mesmo estando sozinho Henry poderia vencer todos os seus amigos.

Jimmy foi o primeiro a receber o golpe de Henry. Ele tentou se desviar, mas Henry o pegou pelas pernas e o virou de cabeça para baixo com uma rapidez incrível. Mesmo com os seus poderes de fogo, Jimmy não era resistente.

— Ah! — gritou Jimmy, surpreso. — Me larga! Seu monstro estúpido! Seu... Aaaahhhh!

O garoto gritou terrivelmente quando Henry começou a apertar suas pernas com uma das mãos. E a julgar pelos gritos, o aperto não era fraco.

— Solta ele! — gritou Graham, correndo na direção de Henry. Graham tirou de seu bolso um objeto circular de metal e jogou sobre o peito de Henry. O objeto imediatamente grudou no corpo do rapaz e faíscas azuis começaram a saltar. Henry gritou, soltando as pernas de Jimmy, enquanto seu corpo era eletrocutado pelo brinquedinho de Graham.

Trinity, aproveitando o momento, tentou dar um chute nas costas de Henry para derrubá-lo no chão, mas no último momento ele a agarrou pela perna e a jogou para o outro lado da Arena.

— Trinity! — exclamou Mark.

A garota caiu rolando no chão e ficou imóvel.

Um ódio imenso cresceu no interior de Mark. Ele queria estrangular Henry até matá-lo, mas não estava em condições muito boas.

Agnes se aproximou de Henry, que havia conseguido arrancar o objeto de metal de seu corpo, e ficou parada. Quando Henry olhou para ela, a garota fez uma cara de criança tristonha e começou a enrolar o cabelo com o dedo indicador.

— Você não vai me machucar, vai? — perguntou ela, a voz doce e suave. — Sabe que eu sou fascinada por homens fortes? Homens musculosos... e robustos.

Agnes passou o dedo no queixo de Henry, cujo olhar demonstrava que ele estava caindo direitinho na cilada.

— Sabe o que eu faço com homens fortes, como você? — sussurrou ela, agarrando o queixo de Henry, como se fosse puxá-lo para um beijo. — Eu faço... ISSO!

Gritando a última palavra, Agnes recuou o braço e deu um murro no rosto de Henry. O garoto gritou e caiu no chão.

— Nunca confie numa menina bonita. — disse Agnes. — Especialmente em uma que se interesse por você.

Henry rosnou e atingiu as pernas de Agnes, dando-lhe uma rasteira. A menina caiu de costas e bateu a cabeça no chão, ficando imóvel. Houve alguns sons de espanto na arquibancada. Alguns olhares perplexos.

Mark não acreditava no que estava vendo. Seus amigos estavam sendo massacrados por um idiota metido a fortão. Não importava se ele fosse de fato fortão. Ele nunca deveria ter feito isso, principalmente com as suas amigas. Uma raiva mortal fervia no sangue de Mark. Trinity estava caída do outro lado da Arena, desacordada e provavelmente ferida. Agnes também. E Jimmy estava caído no chão sem poder se levantar por causa do golpe em suas pernas. Só restava Graham.

— O último a ser derrotado. — riu Henry, olhando para Graham, cerrando os punhos. — Vou te deixar que nem uma massa de pizza. Macia e achatada. Há-há-há!

Graham estava tremendo de medo, e isso foi o bastante para que Mark reagisse. Ele não iria ficar ali, parado como um poste, enquanto seu amigo era esmagado. Lutaria novamente, mesmo que estivesse em péssimas condições.

Foi então que algo aconteceu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.