The Tales of Republic City

6 Um Teto para Duas (Korrasami)


Notas iniciais
Para fechar a trinca do dia, o meu ship, haha. Sinto que não vou resistir e vou acabar escrevendo muito sobre elas aqui porque eu sou emocionada demais. Essa one foi 100% inspirada nessa fanart: https://grrrrrlw.tumblr.com/image/627831889328259072 E apesar de não ser uma songfic, eu tava escutando essa versão de Make You Feel My Love (https://open.spotify.com/track/1BqUPu4AIJDJTox0gphQE6?si=YrJC0oXATKeutKYHvlNgdQ) repetidamente enquanto produzia a one, o que provavelmente influenciou no resultado super água com açúcar abaixo:

Asami retirou a pesada máscara de proteção que estava usando para fazer testes em seu novo protótipo e deu o dia de trabalho por encerrado. Estava quase na hora de encontrar a sua garota e só de pensar nisso ela sentia os nervos em frangalhos, de modo que a ideia de mergulhar em uma banheira por gloriosos e necessários vinte minutos parecia quase tão atrativa quanto a de ver Korra logo em seguida.

Se tudo desse certo, elas finalmente sentariam para comer algo no Fan’s Dumplings, aquela cantina em frente à Harmony Tower onde as mesas ficavam ao ar livre e as pessoas podiam apreciar a imensa construção de ferro iluminada e em seguida dar um passeio em pedalinhos com forma de patos-tartaruga no lago ao lado.

Depois de tudo que tinham passado naqueles primeiros meses turbulentos de namoro – a cidade em caos por conta das consequências da guerra, depois o lunático do Tokuga tentando tomar o controle de tudo, e então o general Guan, remanescente daquele projeto ufanista de construir um Império da Terra – não havia nada que poderia ser mais emocionante ou aguardado do que um encontro brega, absolutamente romântico e comum.

Por que a verdade é que embora nenhuma grande ameaça tenha acontecido desde que elas tinham voltado de Gaoling, Asami tinha dedicado muito de seu tempo pessoal para entregar em um tempo recorde os projetos habitacionais para as pessoas que haviam ficado desabrigadas durante a guerra e Korra também tinha ficado as voltas com a construção do Parque-Santuário de proteção ao Terceiro Portal para o mundo espiritual.

Apesar de se verem sempre que podiam, nenhuma das duas tinha reconsiderado a ideia do encontro até então. Agora, no entanto, Asami fazia questão. Não só porque as coisas finalmente pareciam calmas em suas respectivas vidas profissionais, mas também porque elas já estavam juntas há oito meses e Asami se dera conta, quase num susto, que vinha dormindo há quase um ano ora em seu escritório, ora em alguns dos depósitos das Indústrias do Futuro.

O pensamento a levou a outro – perigoso e tentador na mesma medida, e era para colocá-lo em prática que ela agora andava a passos rápidos em direção a uma Korra surpreendentemente pontual que a aguardava em uma das mesas do bistrô.

Você — Asami não conseguiu evitar um sorriso com todos os dentes, antes de beijá-la com saudades. Elas tinham se visto na tarde anterior, mas por alguma razão parecia que fazia muito tempo.

— Se eu soubesse que essa seria minha recepção eu usaria esse vestido mais vezes. – Korra sorriu, fazendo um carinho de saudação na bochecha de Asami. Nenhuma das duas se importou com os olhares que receberam. Era difícil notar alguma outra coisa quando estavam juntas e, para todos os fins, eram figuras públicas.

— Não precisa. – para uma pessoa tão entusiasta de roupas como Asami, era surpreendente o quanto ela não poderia se importar menos quando se tratava de Korra. Para Asami, ela era deslumbrante com qualquer coisa que vestia e ainda mais quando não vestia nada. – Como você está?

— Morrendo de fome. Sério. Tive a infelicidade de acompanhar toda a entediante reunião com os representantes da nova República da Terra e estou certa de que desenvolvi a habilidade de dormir de olhos abertos. – Korra narrou, chamando a atenção do garçom com o braço. – E você?

— Frustrada com a fase de testes daquele protótipo cirúrgico. – suspirou. Asami adorava que as Industrias do Futuro tivessem feito história com a produção de diferentes automóveis e ela sempre teria um amor especial pelo ramo automobilístico, mas ansiava pelo braço da empresa que ela estava desenvolvendo e que se concentrava em tecnologia médica.

Korra se preocupava que alguma parte de sua namorada se culpasse pelos erros de seu pai ou pelo desenvolvimento armamentista que ele havia promovido, mas sabia que, se esse fosse o caso, ela lhe diria no momento adequado. Pousando uma mão na dela, Korra lhe dirigiu um olhar solidário.

— Vai dar tudo certo, eu tenho certeza.

— Já está tudo certo. – Asami sorriu e o ar cansado rapidamente sumiu de seu rosto.

E estava mesmo. Era uma alegria poder deixar as chatices da vida diária de lado e apenas comer e trocar amenidades como qualquer casal. Quando elas terminaram a refeição, Asami estava tão contente de apenas estar ali, desfrutando da companhia de Korra, que não fez nenhuma objeção quando a namorada expressou o desejo de ser a pessoa que ficaria ao volante no passeio de pedalinho no lago.

Korra jamais se arriscaria em outro veículo, mas aquele parecia fácil o suficiente e ela mal podia expressar o prazer que sentiu ao pedalar pelo lago enquanto Asami repousava a cabeça em seu peito.

— Essa é a lembrança que eu quero evocar da próxima vez que estivermos em perigo. – Asami comentou, fazendo-a rir.

— Você não acha que já estivemos em perigo vezes o suficiente por uma vida inteira?

— Acho, mas isso não significa que o universo concorde conosco. Por mim, tudo bem, contanto que ele continue operando esse milagre que é você tendo coordenação motora o suficiente para dirigir um barquinho.

— Ei! – Korra reclamou, mas gargalhava.

*

— Satisfeita agora? – a avatar provocou quando, depois do encontro e já devidamente sentada no banco do carona, ela observou Asami dirigir com aquela destreza de dar inveja.

— Muito. – Sato confirmou, piscando por trás dos óculos de segurança.

Korra se deixou banhar naquela sensação confortável de felicidade simples, o tipo de coisa que se alcança na presenta de alguém que se ama. Ela contemplou a cidade em movimento, as luzes, os cipós do mundo espiritual que agora se misturavam aos prédios, as ruas e a neblina densa e costumeira daquela estação.

Só quando elas já tinham atravessado a ponte Kyoshi que Korra franziu o cenho, sabendo que não estavam se dirigindo sequer para as docas (onde poderiam pegar uma embarcação para o Templo de Ar, onde Korra vivia) nem para o escritório pessoal de Asami.

— Hum, Asami?

— Sim?

— Sem querer duvidar do seu ótimo senso de direção, mas você tem certeza de que está no caminho certo?

— Eu nunca tive tanta certeza na minha vida inteira. – ela sorriu de um jeito misterioso, enquanto se encaminhava para um bairro relativamente novo, onde a arquitetura parecia ainda mais em harmonia com o verde e os cipós do mundo espiritual e onde espíritos minúsculos vagavam pelo ar como pequenas luminárias ambulantes.

Era lindo e fazia Korra se recordar da primeira viagem que elas haviam feito juntas para o mundo espiritual. Talvez em mais alguns meses elas poderiam ajustar férias e repetir a dose em outro destino. Enquanto Korra pensava nisso, o satomóvel se aproximou de um prédio imponente e bonito até parar em frente a entrada.

Korra desceu do carro, decidida a simplesmente seguir a namorada. Elas atravessaram um amplo saguão, onde um porteiro gentil cumprimentou Asami pelo nome.

— Deixa eu adivinhar: é mais um dos seus prédios novos?

— Você sabe como as vezes eu fico entediada... – Asami sorriu, abrindo a porta gradeada do ascensor. Korra entrou no cubículo e agarrou o braço da namorada quando o barulho da alavanca fez o elevador se mover.

Asami estava pronta para implicar com ela quando a caixa-da-morte, como Korra a chamaria dali em diante, parou no último andar, já dentro de um loft muito amplo e vazio com uma parede inteira de vidro que tinha vista panorâmica para a Cidade da República. Mesmo sem nenhuma luz ligada, o lugar que poderia servir como uma sala de estar ficava iluminado pela energia e brilho do terceiro portal a distância.

Korra andou pelo local, feliz de ter se livrado do elevador. Seus passos ecoavam. Ela se aproximou da parede de vidro, encantada.

— Você gosta? – Asami perguntou, cruzando os braços em apreensão há alguns passos de distância.

— É de tirar o fôlego. Me faz pensar sobre a primeira vez que pisei na cidade. – Korra sorriu, encarando-a pelo vidro, o que fez a garota se aproximar.

— Se você quiser, é nosso. – Asami murmurou, em dúvida de como ela encararia a informação. – Eu espero que não soe precipitado, mas eu não tenho nenhuma pretensão em voltar para... – ela engoliu a seco, pensando na mansão em que tinha vivido a maior parte da vida. – Bom, você sabe. – gaguejou. – E eu achei que, em todo caso, já era hora de parar de dormir no meu escritório ou escondida no seu dormitório no Templo de Ar. Estou certa de que os acólitos começaram a me olhar torto desde aquela vez em que...

— Asami. – Korra a interrompeu, entrelaçando os braços em volta do pescoço dela. – Eu adoraria morar com você. Aqui ou em qualquer outro lugar.

— Mesmo? – ela balbuciou, pousando as mãos na cintura de Korra.

— Mesmo. Mas agora que você me mostrou o apartamento mais bonito da cidade, vai ser difícil cumprir com a parte do “qualquer outro lugar” caso você mude de ideia. – ela avisou e Asami riu, antes de selar os lábios nos de Korra por um instante. — E você sabe de uma coisa? – Korra sussurrou, ainda de olhos fechados — Essa é a lembrança que eu quero evocar da próxima vez que estivermos em perigo.