Eu olhava para cada representante do conselho que se entreolhavam envergonhadamente esperando que um deles se ajoelhasse, mas Roz continuava firme e orgulhoso ao encarar Zod que esperava á todos fazerem o que havia mandado. Lor não olhava para ninguém, apenas fitava para o chão, sem opção alguma no que fazer, não conseguia acreditar que o Alto Conselho estava sendo mantido refém por Kandorianos. Eu não podia falar nada, estava ao chão, abatido e sem alternativas para escapar.

– Vamos! Ajoelhem-se! – Ordenava Zod.

Olhei para Roz que permanecia em sua pose autoritária, logo empinou o nariz e disse:

– Eu nunca irei me ajoelhar diante de um Kandoriano imundo.

Roz não devia ter dito isso, ele deveria saber que Zod não tolerava ser ofendido nessa maneira. Percebia que o general não fez nada á não ser dar apenas um sorriso antipático para ele, esticou sua mão para o lado esquerdo onde um guarda Kandoriano apareceu ao seu lado e alcançou-lhe uma arma totalmente carregada. Eu estava temendo com o que poderia acontecer. A tensão, o medo que todos nessa sala sentiam.

– Sabe... Roz-An... Eu nunca fui de apoiar seus atos contra as pessoas que dirijam a palavra contra a você.

– Eu nunca fui de apoiar seus atos criminosos! – Exclamou Roz enfurecidamente.

– Não, não, você não entendeu. Eu me refiro á que... Você se ofende quando alguém o desafia e o manda para onde? Oh sim... Para a Selva Escarlate.

Dava para ver nos olhos de Roz o tamanho nervosismo que havia surgido em si ao saber á quem Zod estava se referindo. O medo tomou conta do presidente ao lembrar-se de ter utilizado o ato de Lobotomização contra o meu melhor amigo Non. Mas... Não pode ser possível... Zod o encontrou!

– Você deve estar brincando...

– Você expulsou um dos seus Kryptorianos e o largou perto da minha base onde os soldados o encontraram! – Cortou Zod diretamente — Varzen! Traga-o para cá!

O tal Varzen estava em frente á entrada destruida e o vi agarrando no braço de quem eu deveria imaginar que era o próprio Non mesmo, eu não conseguia enxergá-lo devido ao seu longo cabelo cobrindo seu rosto como cortinas, ele estava diferente, quieto e se sentindo perturbado, usava a mesma farda que todos como havia sido obrigado á usar pela sua sobrevivência. Ao chegar com ele ao topo da sala, Zod o puxou para o seu lado, o agarrou pelo queixo e retirou os cabelos do rosto de Non que forçava os olhos o mostrando para Roz que se sentia horrorizado.

– Olhe para ele! OLHE PARA ELE! – Obrigava Zod á Non olhar para Roz que se sentia humilhado e ao mesmo tempo confuso. – Esse é o homem que retirou toda sua vida, toda sua memória e toda sua honra! Agora que você está aqui... Por que não aproveita e faça da sua vontade o que é preciso fazer para se vingar?!

– Zod, você sabe que vingança não trás a nada! Não prejudique Non por isto! – Gritei com total desespero querendo evitar o que poderia estar prestes á acontecer.

– CALE-SE, JOR-EL!!! – Gritou Zod como se minha voz não fosse música para seus ouvidos. – EU IREI CUIDAR DE VOCÊ DEPOIS, AGORA NÃO ME ATRAPALHE!

– Zod, você... AI!

Fui interrompido por uma forte pisada em minhas costas e logo me silenciei para logo não acabar sendo espancado e tornei á olhar para Non que estava de costas para mim enquanto Zod dizia mentiras e mais mentiras para ele matar o presidente rápido o possível.

– Vamos, Non... Não quer recuperar sua vida? Apenas faz o que é preciso fazer. – Incentivava Zod sussurrando o ouvido de Non e passando sua arma para as mãos dele suavemente.

Non ergueu seu braço direito onde carregava a arma e apontou para a cabeça do presidente que ficou de olhos arregalados e bastante nervoso.

– Non...

Logo dava para ouvir a voz calma de Lor que estava agora olhando para ele e andando em passos lentos para querer tentar acalmá-lo e fazê-lo não cometer um crime.

– Você é uma boa pessoa. O que Roz fez... Foi para o seu bem.

– Não confie nele, esta mentindo para você, mate esse velho antes que ele faça de novo! – Obrigava Zod prestes á se enfurecer.

– Você sabe que ainda existe bondade em você. – Continuava Lor confiante.

– Non! Atira agora! – Ordenava Zod.

– Você não precisa disso...

– ATIRAAA!!!

O impossível que não era para acontecer acabou acontecendo: Non se virou com a arma apontada em direção ao peito de Lor e disparou um tiro á laser o atingindo, Roz aproveitou a distração de Zod e se avançou em direção a ele iniciando uma luta corporal, os representantes tentaram escapar, mas os guardas Kandorianos os impediram apontando suas armas. Eu tive que fazer algo, eu tive que agir, á não ser agarrar a perna do Kandoriano e puxá-lo com força o fazendo cair ao chão, dei um rápido soco em seu pescoço o fazendo adormecer em instantes. Retirei minha pistola por baixo do meu sobretudo e antes que os guardas Kandorianos pudessem me atingir, fui rápido o bastante e acabei atingindo dois deles, o terceiro apontou sua arma para mim, mas rapidamente acertei a mão do Kandoriano o desarmando, atirei mais uma vez atingindo sua perna. Non não fazia ideia no que estava acontecendo, parecia estar em transe, não tinha nem a mínima consciência de onde estava até eu me aproximar diante dele tentando reanima-lo, mas ele apenas me encarava.

– NON! Presta atenção! Você não pode agir desta maneira!

Não adiantava nada o que eu falava, Non parecia não dar atenção, Zod deve ter feito alguma alteração na consciência do Kryptoriano me fazendo não ter mais alternativas á não ser socorrer o pai de Lara que permanecia inconsciente, corri até ele me ajoelhando ao seu lado e tentando mantê-lo a calma. Lor grunhia demais de tamanha dor que sentia como se seu peitoral estivesse derretendo por dentro.

– Acalme-se, Lor... Eu... Irei tirar você daqui.

Aproveitando que Zod estava em luta com Roz, tive que arranjar uma maneira de tirar Lor daqui. O levantei, retirei meu aparelho e apenas apertei em um botão quando logo pude ver pela janela a minha nave, peguei a pistola do chão e disparei um tiro á laser destruindo a vidraçaria da janela e encaminhei Lor até a nave o colocando para dentro e ajustando seu destino no painel de controle ao hospital mais próximo. Assim que a nave partiu, eu me virei para ver a situação de Roz com Zod, mas de repente fui surpreendido por Non que meu deu um forte chute duplo ao meio do meu peito me derrubando pela janela. Eu entrei em desespero e imaginei que iria morrer durante a queda, mas de repente fui salvo por uma nave policial que para meu alivio era um dos nossos.

A batalha estava prestes a começar, ao chegar ao local na área de pouso, eu desço da nave e a pessoa que saiu de dentro dela era o comandante.

– O que esta acontecendo? Recebi seu chamado.

– Zod.

– Isso não é bom. Vamos!

O comandante e seus melhores homens invadiram o prédio do Alto Conselho, armados e determinados em terem que capturar Zod e seu exercito, os acompanhei, andamos até o corredor, alguns guardas faziam a escolta e ao chegar quase no local, fomos surpreendidos por Ursa. Uma mulher impiedosa, era a assassina mais letal que já vi na vida e de todo o planeta, pior do que Faora que matou mais de diversos cientistas do Alto Conselho me obrigando a prendê-la na zona fantasma.

– Aonde pensa que vão? – Perguntou ela retirando uma adaga.

– Você esta presa, Ursa! Renda-se agora! – Ordenou o comandante apontando sua arma para ela.

– Oooh... Não posso fazer isso.

– Então terei que prendê-la á força.

O comandante e os demais guardas iam captura-la, mas Ursa era letal e habilidosa passando a lutar com eles e os matando em uma velocidade fascinante. Eu não pude me envolver devido ao fato de que ela estava bastante forte, á única coisa que tive que fazer era infelizmente abandoná-los para garantir a segurança de Roz-An. Ao chegar na sala do Alto conselho, flagro Zod com o presidente caído ao chão que estava com o rosto completamente ensanguentado, o choque tomou conta de mim ao ver que o maldito Kandoriano havia o matado o espancando enfurecidamente só pelo seus punhos ensanguentados. Ele olhou para mim com uma face bastante maníaca, eu o encarava ainda estupefato com o que ele havia cometido.

– O que você... O que você fez? O QUE VOCÊ FEZ? – Perguntava com bastante raiva e apontei minha pistola mirando a cabeça do Kandoriano.

– Eu... Eu libertei Krypton, Jor-El. – Disse Zod ofegante. – Eu... Recebi o controle que tanto queria.

– O único controle que terá, será na zona fantasma, seu desgraçado!

A raiva me sucumbia, eu não suportava a ideia em ver que Zod havia matado o presidente de longa data do planeta de Krypton, não conseguia acreditar nisso, não era possível. Eu tinha apenas uma tarefa: Libertar os demais representantes sobreviventes que eram mantidos reféns e deter Zod.

– Zod... Renda-se agora... Ou...

Minha voz havia acabado que Zod esperava cinicamente que eu terminasse.

– Ou o que? Vai me matar?

Eu não sabia o que responder, até que de repente senti uma lâmina pontuda sobre meu pescoço prestes a ser facilmente cravada provocando minha rápida morte.

– Isso não será mais necessário. – Disse Ursa pegando minha pistola com brutalidade.

Zod aproveitou minha vulnerabilidade, chutou Roz-An para o lado para ver seu corpo estirado ao chão e se aproximou diante de mim limpando seu punho em sua farda negra. Eu não podia fazer nada, se tentasse fazer algo imprudente, Ursa poderia me matar em instantes e meu fim havia chegado, meu filho Kal-El apenas veria que seu pai havia fracassado perante á Kandorianos inúteis. Zod ficou de frente para mim e apenas me deu um forte soco no estômago, me fazendo ficar de joelhos devida dor que sentia no momento.

– Se você não pode se ajoelhar perante á Zod, eu mesmo o obrigo á se ajoelhar perante á Zod.

A humilhação que sentia ao olhar para a cara de cada membro do Alto Conselho que também estavam envergonhados e com medo de serem mortos, me fazia me sentir fraco perante á esses anciões com medo de serem exterminados após terem lutando tanto tampo para sobreviverem. Talvez pode ser algo bom para eles por não aproveitarem o fim do planeta de Krypton, até mesmo para mim que escaparia de uma morte devastadora, mas eu não quis deixar minha família e morrer com dignidade como todo El morreria.

– Você não vê agora, Jor-El? Eu estou no comando de tudo isso. Eu me tornei agora o líder, o verdadeiro presidente do Alto Conselho. A única coisa que irei fazer é... Liderar o povo de Krypton!

– Você irá escravizá-los! – Exclamei com bastante firmeza e fúria.

– Talvez eu possa fazer isso. – Dizia Zod e agora se agachou e me pegou firmemente pelo queixo. – Agora você irá ver como minha fúria é devastadora quando eu encontrar e matar a sua família! Sentirá o mesmo sofrimento que eu senti após eles terem sido mortos e você... Não pode fazer nada para acabar com meu sofrimento, miserável!

– Se você tocar na minha família, eu juro...

– Jura o que? Hein, Jor-El? Jurar o que? Você esta aqui, diante de mim, sendo mantido refém com meus homens e minha fiel comparsa. VOCÊ NÃO TEM MAIS ESCAPATORIA, KRYPTORIANO! EU SOU A NOVA LEI DESTA CIDADE! EU SOU KANDOR! E KANDOR IRÁ ACOBERTAR KRYPTON E SEU POVO INÚTIL DE SANGUE!!!

Zod demonstrava bastante ódio e fúria, a vingança que ele queria contra nós pelo que aconteceu após o temível Brianiac ter atacado sua cidade acabou o transformando em uma pessoa bastante hostil e perigosa. Eu não sabia mais o que fazer, não havia mais como escapar há não ser que após Zod se levantar para continuar com seu discurso prometendo espalhar terror e vingança, um laser atinge o seu braço o fazendo cair ao chão. Eu olho para ele e logo para trás e lá estava Raya e seus demais guardas reservas do alto conselho recebendo os Kandorianos com uma chuva de lasers. Arrastei-me por baixo dos tiros cruzados e acabei me escondendo por trás de um pilar, os demais representantes fizeram o mesmo. Ursa tentou deter Raya, mas não nunca saberá o quão habilidosa que ela era, apenas com uns toques ou três ou quatro com seu bastão que velozmente conseguiu derrubar a Kandoriana ao chão. Os demais guardas conseguiram deter e paralisar os Kandorianos. Após a rápida batalha ter acabado, sai por trás do pilar, vi Zod caído ao chão, mas logo foi levantado por um dos guardas o algemando. Eu não conseguia acreditar que Roz esta morto, cruelmente assassinado assim como os outros que não acreditavam ao estarem presente na sala e logo se depararem com o corpo. Não havia maneiras de que poderia ter possibilidade em existir um novo líder para o Alto Conselho.

– É bom ter você aqui, Raya. – Eu disse aliviadamente.

– Um dos guardas haviam me alertado que o Alto Conselho estava sob ataque pelos Kandorianos, apenas vim dar uma verificada. – Disse Raya segurando firmemente Ursa que lutava para se livrar das algemas.

– Temos um problema maior.

– Que problema?

Eu abri caminho para Raya ver o que havia acontecido, diante de guardas com os Kandorianos algemados, os representantes do Alto Conselho estavam em volta do corpo de Roz-An. Raya era bastante apegada e fiel comparsa do presidente, ficou abatida ao ver o corpo totalmente ensanguentado, o choque poderia ser grande para ele pelo simples fato que Roz-An á tratava como uma filha. Nós dois não sabíamos o que fazer com os Kandorianos que sendo que teremos que nos dirigir aos Elderes de Krypton para julgá-los e pensar em alguém para assumir a presidência no Alto Conselho de Krypton.