The Strenght Of Love
5 Restaurante Japonês
Notas iniciais
(Bill)
– Vivendo e aprendendo com seu maninho! Finalmente pegou uma gata. — disse Tom jogando uma almofada na minha cabeça.
– Eu não faço o que você faz Tom, eu apenas a convidei pra sair. — disse jogando a almofada de volta na cabeça dele.
– Dúvido que não vai rolar nada, você está caidinho por ela!
– Bem... eu não sei direito o que aconteceu. Eu só olhei dentro dos olhos dela e vi que ela é diferente das outras garotas. Chega de estereótipos...
– Hmm, Bill achou sua alma gêmea. — disse Georg do outro sofá a nossa frente olhando pelo canto dos olhos para Gustav que estava ao seu lado.
– O que vocês acham? É melhor eu já ligar pra ela? Quero levá-la pra almoçar em um restaurante japonês. — disse com dúvida na voz.
– Bom, se você acha que 14:10 ainda é um almoço oficial, liga logo antes que você fique aí pensando até isso virar uma jantar! Você sabe que nós temos de ir ao estúdio hoje á noite. — disse Tom.
– Você tem razão. Eu vou ligar agora, antes que seja tarde... — disse levantando-me do sofá.
Fui até meu quarto e peguei meu celular sobre o criado mudo. Procurei o número dela nos contatos e apertei em "Clara Miller". Será que ela vai atender? Ela está demorando muito. Fala sério, eu sou um azarento mesmo...
– Alô?
– Oi Clara... É o Bill.
– Ah, oi Bill! Como você está?
– Estou bem e você?
– Bem também.
– O meu convite de almoço ainda está de pé?
– É claro, pensei que você não ia mais ligar. — ela deu uma risadinha.
– Pois bem, eu liguei. É só você me passar o seu endereço.... Chego aí em 15 minutos!
– Tudo bem...
Ok, dessa vez tudo deu certo. Ela me passou seu endereço e agora eu só preciso me arrumar e ir buscá-la. Afinal, é só um almoço... Mas a verdade é que eu estava nervoso, havia alguma coisa nela que me fascinava, talvez seja o fato dela ser diferente das outras garotas.
Me apressei e coloquei uma calça jeans preta, camisa xadrez vermelha e jaqueta de couro. Será que assim está bom? Ela é tão bonita...
– Eu já vou indo pessoal. A gente se vê no estúdio. — disse quando desci as escadas.
– Mas lembre-se dos meus ensinamentos hein maninho! — disse Tom rindo enquanto eu abria a porta e mostrava o dedo do meio para ele.
Como se eu precisasse de dicas dele pra conquistar uma mulher. Só se fosse por uma noite, e eu nunca fui um cara desse tipo. Agora meu irmão mudou, mas ainda continua o mesmo engraçadinho de sempre.
Entrei no meu Audi A1 branco e fui em direção ao endereço do papel. A casa dela não era muito longe da minha, mas eu demorei 20 minutos para chegar e não 15. Mas isso não seria um problema.
Desci do carro e toquei a campainha.
– Oi, você deve ser o Bill não é? — disse uma mulher.
– Sim. — disse sorrindo.
– Prazer eu sou Yollanda, prima da Clara. Você não quer entrar um pouco e espera-lá? Ela ainda está se arrumando. Mulheres... Sabe como é! — disse ela abrindo a porta gentilmente para mim entrar.
– Obrigado.
Entrei e me sentei no sofá esperando-a. Não demorou muito, se passou 5 minutos e ela começou a descer as escadas da sala. Confesso que meu coração começou a disparar... Ela estava com uma saia de renda cor de pele junto a um sinto bege; blusa branca com detalhes florais; blazer rosa claro; bolsa tiracolo; salto alto bege. Absolutamente linda, e sempre com seus longos e sedosos cabelos soltos.
– Você está linda. — disse fechando minha boca antes aberta.
– Obrigada, você também está. Então, vamos?
– Com certeza.
– Cuide bem dela Bill! — Yollanda gritou da cozinha.
– Cuidarei, não se preocupe. — gritei de volta pegando instintivamente a mão de Clara.
Sua mão era delicada e macia como uma nuvem. Percebi que ela olhou quando peguei sua mão e um sorriso quase que imperceptível se formou em seus lábios.
Conduzi-a até o carro e abri a porta para ela entrar. Em seguida, fui ao meu posto de motorista.
– Esse carro é lindo. — disse Clara sorrindo.
– Obrigado. — sorri de volta.
Durante o percurso ela não disse mais nada, ela era um pouco tímida. Talvez eu não estivesse ajudando. Eu a estava deixando constrangida com esse silência mortal.
– E então... Você sempre morou aqui em LA? — disse quebrando o gelo.
– Não, eu não estou morando aqui oficialmente. Só estou aqui porque vim fazer um teste para supermodelos na L.A Model. Na verdade, eu sou brasileira.
– Sério? Que legal. Eu também não sou daqui. Sou alemão. Moro aqui há mais de um ano. Isso facilita na hora de gravar álbuns.
– Como assim gravar álbuns? Você é músico? — perguntou ela surpresa.
– Eu sou cantor do Tokio Hotel, você conhece? — disse tirando minha atenção da rua e me virando para ela.
– Sinceramente não. É uma banda famosa?
– Bem, na verdade é sim. Somos bem famosos, aliás, espero que nenhum paparazzi nos pegue agora. Eu odeio eles. — disse estacionando o carro ao lado do restaurante.
Desci do carro, e tentei andar rápido para abrir a porta de Clara antes dela. Olhei ao redor do local para me certificar que nenhum atrevido esteja nos vendo ou tirando fotos escondido. Espero que não, posso até ver o que iria estar nos jornais e revistas amanhã.
Peguei na mão dela novamente, mas ela não pareceu de importar dessa vez, então a levei para dentro do restaurante.
– Olá. — disse o host do restaurante.
– Eu tenho uma reserva para duas pessoas.
– Nome, porfavor?
– Bill Kaulitz.
– Porfavor, me acompanhe. — disse ele depois de olhar meu nome na lista.
Nossa mesa ficava ao lado das famosas árvores de cereja japonesas. O ambiente ali era muito receptivo e calmo. E a comida, umas das melhores que já comi. Nos sentamos e pedimos nossa bebida.
– Algum pedido por agora? — perguntou o host.
– Eu quero um saquê. E você Clara, o que quer beber?
– Tem suco de laranja? — ela perguntou ao host.
– Sim. Fiquem á vontade. — disse ele indo embora.
Ficamos uns segundos calados nos olhando. Mas dessa vez, ela quebrou o gelo.
– Eu gostei daqui, é muito lindo. E eu também adoro comida japonesa.
– Eu também, é uma das minhas favoritas. Eu sou vegetariano.
– Bem, eu como de tudo um pouco. — disse Clara rindo baixinho. — Mas, sobre sua banda, com certeza eu vou procurar na internet, já que é tão famosa assim.
– Tomara que você goste das nossas músicas.
– Com certeza eu vou.
Continuamos conversando mais um pouco e depois pedimos a comida. Ela quis sashimi e eu sukiakis. O único problema era: ela não sabia somer de hashis.
– Tudo bem eu te ensino. — disse pegando os hashis dela.
Coloquei os pauzinhos na minha mão, da forma correta de se comer. Depois a devolvi, mas mesmo mostrando, Clara não conseguiu. O jeito era eu colocar nos dedos dela da maneira certa.
Levantei-me e fui ao lado dela para ajudá-la. Enquanto arrumava os hashis em suas mãos, suas bochechas ficaram coradas.
– Obrigada pela ajuda, aqui eles não tem nem mesmo elásticos...
– Pois é, mas está conseguindo pegar os sashimis? — perguntei sorrindo de leve.
– Agora sim, é só uma questão de prática.
Terminamos de comer e eu chamei o garçom para pagar.
– Não precisa fazer isso Bill, eu mesma pago minha comida.
– Mas é claro que não, eu te convidei, eu pago.
– Mais...
– Nada de mais. — disse dando meu cartão antes dela falar mais alguma coisa.
– Não tem como competir com você. — disse ela arqueando a sombrancelha esquerda sorrindo e se levantou.
Olhei meu relógio enquanto íamos para fora e já eram 17:30. Tom ficaria bravo se eu chegasse atrasado no estúdio hoje.
Havia um pequeno jardim fora do restaurante com mais algumas cerejeiras japonesas e um banco de madeira entre algumas delas. Decidi sentar mais um pouco com Clara ali.
– Quando vai ser seu teste na L.A Model? — perguntei virando meu corpo para Clara.
– Amanhã. — disse ela sorrindo e depois soltou um suspiro.
– Fica calma, você vai conseguir passar. Só que você não é tímida assim na passarela, é? — disse rindo.
– É eu sou tímida não é mesmo? Isso é de família, mas sempre quando eu conheço alguém eu fico assim, depois eu me solto, você vai ver. Só na passarela eu não sou desse jeito, eu entro em um mundo só meu.
– Agora eu entendi. Eu vou querer saber se você passou ou não. Na verdade, pra mim você já passou. — disse apalpando seu rosto com os dedos e olhando em seus olhos castanhos claros.
– Obrigada pela confiança. — ela deu uma curta risada abaixando a cabeça.
Não disse mais nada por um tempo. Ficamos em silêncio, as vezes nos olhando e as vezes prestando atenção nos passarinhos das cerejeiras.
Olhei para ela novamente e cheguei mais perto. Ela olhou para mim sorrindo. Ela era linda, seus traços doces e delicados, inevitáveis de se contemplar. Rapidamente coloquei minha mão em sua face e encostei meus lábios nos dela, foi quase como um choque. Agarrei seu pescoço e fui um pouco mais fundo. Senti o amor invadir meu coração, as coisas estavam meio confusas, até que eu retirei minha boca da dela, devagar.
Fiquei imediatamente sem reação, e eu estava com medo da reação dela. Talvez eu não devesse ter feito isso, eu só não pude me controlar.
– Eu te amo Clara, isso pode ser estranho, mas desde a primeira vez que te vi senti que não podia deixar você ir. — disse abaixando minha cabeça perto de Clara.
– Eu também senti o mesmo Bill. Você é diferente de todos os outros. — disse ela colocando a mão no meu rosto, levantando-o.
– Me desculpe se isso foi errado, ou se eu estou sendo inconveniente, mas eu não pude me controlar. — disse olhando para ela.
- Não se sinta assim, está tudo bem. Eu gostei.
Eu a beijei mais uma vez, era muito bom sentir ela junto a mim. Mas o que vai estragar esse momento, não necessariamente estragar, mas acabar, é o meu dever me chamando. Mas com certeza, ainda vão ter outros como esse.
– Eu não queria ir mas... eu preciso voltar pro estúdio. Ou o Tom vai me bater. — disse rindo.
– Ah tudo bem. Eu não quero que ele te bata, muito menos que você perca a hora.
Fomos para o carro, mas antes do estúdio, preciso deixá-la em casa a salvo, pelo bem de Yollanda, da própria Clara e meu também, é obviu!
(...)
– Obrigada, eu amei passar o dia com você Bill. — disse Clara já na frente da casa.
– Eu também amei... Porfavor, quando a gente vai se ver de novo? — disse apreensivo.
– Bem, amanhã não dá por causa do teste. Pode ser depois de amanhã? — disse ela sorrindo.
– Tudo bem. Posso te pedir uma última coisa?
– Claro.
– Quer namorar comigo? — disse mordendo o lábio.
– Siiiiim.
Nos beijamos mais uma vez, não foi um beijo demorado, pois eu precisava ir, mas foi o beijo.
– Adeus Bill. — disse ela fechando a porta.
– Adeus Clara.
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