Notas iniciais
Olá leitores (: Nesse capítulo, no começo o Bill narra a história, mais pro final eu mudo para a Clara, ok? Mas vocês sabem que ela é quem narra em quase todos os capítulos kk Bem, escutem a música Tears Don't Fall do Bullet For My Valentine, boa leitura!

(Bill)


Após uma longa noite mal dormida, acordei ao meio dia decidido a ir ver Clara e saber o que tinha acontecido dessa vez. Ontem eu achei melhor não ter ido, ela não abriria a porta para mim e eu tinha pouco tempo para ir ao estúdio. Foi uma dúvida e tanta...

Eu não parava de pensar um minuto no porque ela tinha falado daquele jeito comigo, porque eu não pude ir em sua casa. Eu estava preocupado e minha cabeça não ficaria tranquila até saber se ela está bem, mas o que mais me incomodava era que ela poderia estar escondendo alguma coisa de mim, esse sempre foi nosso problema.

Me troquei rapidamente colocando uma camisa preta qualquer junto a um boné preto e óculos. Desci as escadas e encontrei Tom apenas com uma calça jeans largada tomando café em frente a televisão.

– Aonde vai? — perguntou Tom quando passei andando rapidamente pelo sofá em que ele estava.

– Eu preciso ver a Clara. — disse diminuindo meu ritmo antes de chegar até a porta.

– O que foi agora? Não vai me dizer que vocês brigaram de novo... Olha, você vai ter que começar a me pagar, porque eu não vou ficar te consolando toda hora não! — disse Tom fazendo graça e depois deu uma golada em seu café.

– Cala a boca! Nós não brigamos, mas por algum motivo ela disse que eu não podia ir na casa dela ontem... — parei e olhei para ele.

– Hmm, que estranho... — disse ele virando seu tronco para me olhar também.

– Tchau, eu volto a tempo pro estúdio. — disse abrindo a porta.

Sai andando aceleradamente de novo e entrei no Audi. Eu checava o meu celular várias vezes, mas não havia nenhuma mensagem ou ligação perdida dela.

Em 15 minutos, cheguei no prédio. Peguei o elevador e só faltava meu coração sair pela boca de tanto medo. Eu odiava pensar que ela podia ter desmaiado de novo, ou talvez fosse alguma coisa envolvendo seus pais.

Já na frente da porta, toquei a campainha duas vezes seguida. Comecei a andar de um lado para o outro esperando ela me atender, mas nada... Alguns minutos se passaram e eu toquei novamente a campainha. Mas ela não veio, até eu decidir gritar.

– Clara!

3 segundos pareceram passar e minha atenção é voltada para o barulho da porta ao abrir.

– Mas que saco, será que... — disse ela antes de me ver.

– Amor... — disse sentindo um alívio imenso ao vê-la inteiramente bem, pelo menos ao meu olhar.

– Bill... Eu... Eu não esperava você aqui. — disse ela após um suspiro.

– Você tem noção do quanto eu fiquei preocupado? Porfavor, não faz mais isso comigo... O que aconteceu? Me diz agora. — disse indo perto dela e depois abraçando-a pela cintura.

– Não Bill... Porfavor, vai embora. — disse ela tirando minhas mãos de seu corpo.

– O que?! — perguntei e ela se virou de costas.

Permaneci parado com os braços abertos agarrando o ar e apenas meus olhos se moveram quando Clara se afastou de mim e se sentou no sofá com as duas mãos cobrindo seu rosto.

Tive que arranjar forças para que meus músculos da perna me fizessem andar até ela e me sentassem ao seu lado, pois o meu corpo estava em choque.

– Porfavor, me diz o que está acontecendo. — disse chegando mais perto dela.

– Eu tenho medo... — disse ela com uma voz chorosa.

– Medo do que? — perguntei passando meu braço direito em suas costas.

– Eu não sei o que isso vai causar Bill... Eu não sei, eu não sei! — ela gritou tirando as mãos do rosto e lágrimas não paravam de escorrer dos seus olhos.

– Então você precisa me dizer o que foi! Porque você está chorando? Porque eu não pude vir aqui ontem? Você não confia em mim? Eu odeio te ver desse jeito. — disse sentindo meus olhos ficarem rasos d'água também.

– Bill, eu confio em você totalmente, mas...

– Mas...? Olha, nós prometemos que não iríamos mais esconder nada um do outro. — disse pegando suas mãos e tirando os rastros das lágrimas de seu rosto.

– Eu sei, mas dessa vez é diferente... E eu também não posso esconder isso.

- Seja o que for, eu vou estar do seu lado.

- Bill, eu estou grávida.

Clara começou a chorar novamente. O mundo tinha parado uns minutos para mim ao ouvir aquilo. Ela estava... Grávida? Eu realmente não esperava por isso, eu poderia imaginar qualquer outra coisa menos isso. Não sabia o que falar, o que fazer ou como reagir.

– Você achou que era outra coisa, não é? Mas aí quando você se depara com uma notícia dessas, não sabe como reagir... — disse ela após os eternos minutos de silêncio.

– Sim... — disse olhando para o vazio com o meu coração em choque.

– Eu fiquei a noite inteira chorando e pensando e pensando e pensando. Porque eu não sabia se você iria aceitar isso, se meus pais também irão, e eu também não sei quais vão ser as consequências! Mas a diferença é que eu... Eu vou ter que aguentar isso tudo, porque eu estou carregando essa criança! Agora me diz Bill, como eu devo reagir? Eu devo ficar ficar feliz? Ou melhor, triste? — ela me interrompeu gospindo todas essas palavras gritando e chorando.

– Não, claro que você não vai ter que aguentar tudo isso sozinho, mesmo porque esse fato não é nenhum fardo seu. Você deve ficar feliz, assim como eu estou. — eu disse olhando no fundo dos olhos dela deixando um leve sorriso transparecer em meus lábios.

– Como você consegue aceitar tão facilmente? Olha Bill, eu realmente não te entendo ás vezes...

– Eu é que não te entendo! Porque você precisa ficar desse jeito quando uma coisa plenamente boa e feliz vai acontecer? Eu sei, isso é... Chocante! Mas eu estou me sentindo muito, muito feliz. Você ficou com medo, você achou que eu não iria aceitar? — perguntei agarrando suas mãos firmemente.

– Sim, isso é sempre o pior. Mas não é só isso Bill... Eu sou muito jovem, eu tenho uma carreira inteira pela frente e agora essa!

– Você me ama? — perguntei.

– Bill, eu estou falando sério!

– Eu também, então não muda de assunto. Você me ama?

– Sim, eu te amo e não posso viver sem você. Eu amo ele também! É tão estranho, esse bebê agora é a coisa que eu mais amo e eu não teria coragem de não vê-lo nascer. É confuso estar triste e tão feliz ao mesmo tempo. — disse ela deixando lágrimas cairem sobre seu rosto novamente.

– Eu também te amo Clara e é isso o que importa. Guarda uma coisa na sua cabeça... Eu sempre, sempre vou estar com você pra te proteger e apoiar em tudo. Esse filho não pode se tornar um problema, ele agora é parte da nossa vida, se aconteceu, aconteceu, então nós precisamos aceitar. Eu estou feliz, de verdade. — disse colocando a palma da minha mão em seu rosto.

– É incrível como você faz tudo ficar bem... Promete que nunca vai me deixar? Que você vai me apoiar com ele? — ela perguntou.

– É claro! Eu nunca vou te deixar sozinha, eu te amo. — disse não conseguindo prender minhas lágrimas e começando a chorar.

– Eu também amor.

Eu a beijei satisfazendo meu desejo. Fui me deitando sobre ela no sofá delicadamente, sentindo cada espaço de sua boca macia e sentindo uma sensação de felicidade e amor juntos. Após um longo tempo, paramos para respirar olhando um nos olhos do outro ficando em silêncio por um minutos. Em pensar que eu me apaixonei logo quando vi esses olhos, parece que foi ontem...

– Quando foi Bill, que a gente fez amor sem preservativo? Sabe, a minha mãe vai me matar. — disse ela rindo sarcásticamente.

– Lembra aquela vez que eu te levei no estúdio? Então... Me desculpa. Mesmo assim, foi muito bom, muito bom mesmo. — disse contendo um riso ao lembrar.

– Bom, nós dois decidimos fazer aquilo...

– E agora você vai casar comigo. — disse com um sorriso enorme.

– Eu? Não vou não. — disse ela me olhando de soslaio.

– Você vai sim, minha pequena. — disse fazendo cosquinha em sua barriga.

– Para! — ela implorou rindo.

– Vou parar... — disse colocando minha mão sobre sua barriga e rindo junto.

– Você quer menino ou menina? — ela perguntou colocando sua mão sobre a minha.

– Eu não sei... Se for um menino, ele vai ser cantor igual ao pai e se for uma menina...

– Vai ser uma modelo maravilhosa igual a mãe. — ela me interrompeu rindo.

– Sim, vai ser linda. Afinal... Nós precisamos ir ao médico! — disse me levantando de cima dela em um pulo.

– Calma, vamos deixar para outro dia. — disse ela se apoiando nos cotovelos.

– Não! A gente precisa saber se está tudo bem com você, quanto mais rápido melhor! — eu a puxei pelo braço.

– Já vi que você vai ficar pegando no meu pé toda hora!

– Com certeza eu vou, minha pequena. Agora vamos.


(...)



(Clara)



Decidimos ir para o mesmo hospital em que eu tinha ficado da última vez, era realmente muito bom. Chegamos lá ás 14:30. Depois de passar pela recepção, ficamos esperando sentados o médico chamar meu nome.

Enquanto esperava, por conhecidência, eu e Yollanda nos encontramos, só era estranho ela estar no hospital, ainda mais com... Tantas lágrimas nos olhos, o que me deixou desesperada.

– Yollanda, o que aconteceu? — me levantei.

– Você não vai acreditar... — disse ela começando a chorar de novo.

– O que? Fala logo! — disse nervosa.

– O Ryan levou um tiro ontem a noite! E agora ele está internado.

– Um tiro? Mas como?! — perguntei indo abraçá-la.

– Eu não estava em casa e quando cheguei ele... ele estava no chão encharcado de sangue! — disse Yo chorando aos soluços.

– E porque você não me ligou?

– Eu liguei, várias vezes! Mas você não atendia...

– Que droga, eu devo ter desligado o celular depois da ligação do Bill. — olhei para ele que estava agora ao meu lado. — Mas, aonde está o Ryan? Eu posso vê-lo? Eu realmente sinto muito, prima. — disse enxugando as lágrimas dela.

– Sim, vem comigo.

Eu e Bill fomos seguindo Yo até uma sala em um dos milhares de corredores brancos. Infelizmente, minha consulta já era.

Entramos no quarto e Ryan estava deitado com o peito enfaixado. Yollanda recomeçou seu choro ao vê-lo de novo e eu logo não pude evitar também. Bill veio ao meu lado e me abraçou.

– Yo, você sabe quem fez isso, você chamou a polícia? — perguntei.

– Sim, mas os investigadores disseram que ele provavelmente tinha ido embora horas antes de eu chegar, os vizinhos ouviram o tiro, mas ninguém viu ninguém sair daquela casa.

– Nossa, isso é estranho...

– Mais estranho ainda é o bilhete que foi deixado ao lado dele, olhe.

Yo tirou uma folha de papel branca dobrada de seu bolso e me entregou. Ao abrir li a seguinte frase que fez meu coração parar por segundos:

"Essa é a sua consequência."

Eu lembro dessa palavra na mensagem do meu celular, não podia ser, é muita conhecidência. Eu vou descobrir quem é esse anônimo por bem ou por mal, essa pessoa não vai tirar a vida das pessoas que eu amo tão facilmente, não vai.

– Clara? O que foi? — perguntou Yo ao me ver chorar e rasgar o maldito papel.

– Esperem aqui... Os dois! Não adianta vir atrás de mim Bill, eu juro que já volto, eu preciso urgentemente ir ao... banheiro!

Sai correndo do quarto sem ao menos deixarem eles abrirem a boca para falar. É obviu que eu não precisava ir ao banheiro mas eu necessitava olhar meu celular, o Bill não pode saber disso. Eu não devia esconder mais nada dele, mas as coisas ficaram mais sérias do que eu esperava.

Achei um banheiro feminino aos arredores e entrei. Estava vazio, não havia ninguém. Peguei o celular dentro da minha bolsa e ao ligar vi que havia uma mensagem que foi mandada há 5 minutos atrás. Então eu a abri.

"Ainda duvida que isso tudo é uma brincadeira, querida Clara? Ele não pode mais te proteger, a não ser eu. Você pertence a mim e sempre pertenceu. Faça o que eu digo, e mais nenhuma vida será tirada, caso contrário, você vai perder o seu namoradinho idiota. Amanhã você receberá uma mensagem, é melhor você obedecê-la. Nos vemos em breve."

Um medo que eu nunca tinha sentido antes percorreu todo o meu corpo me fazendo sentir uma sensação tão ruim que automaticamente fez com que minha visão ficasse embassada pelas lágrimas que deviam ser amargas.

Eu me perguntava porque as coisas tinham que ser assim comigo, porque eu não posso ter uma vida normal sem ninguém controlando ela para mim. Eu quero ser livre de todo o mal contra mim.

Guardei o celular de volta na bolsa e fui até o espelho ver o meu estado. Meus olhos estavam um pouco vermelhos, então lavei meu rosto, adiantou um pouco.

Fiz um leve sorriso falso no rosto e voltei para o quarto, eles não poderiam suspeitar de nada, até eu me sentia um pouco culpada pelo o que aconteceu com Ryan, eu não deveria existir.

– O que foi amor? — perguntou Bill vindo preocupado em minha direção.

– Eu vomitei o que eu tinha comido no café da manhã... O nosso bebê não deve ter gostado dos meus ovos. — dei uma risada descontraída mas por dentro me sentia mal por estar mentindo tão friamente.

– Oh amor, não se preocupe, eu vou cuidar de você. — disse Bill carinhosamente.

Desviei minha atenção do Bill e olhei para Yo, ela estava com uma mão fechada apoiando seu queixo e contemplando Ryan. Ela me viu olhando para ela e veio até mim.

– O que foi Clara? — perguntou ela.

– Eu vomitei o meu café da manhã. — disse apertando os lábios.

– Mas porque? Você anda com tonturas de novo? Clara, você não pode ficar...

– Calma, calma. Não é isso o que você está pensando, é por uma outra razão... — a interrompi e olhei para cima sorrindo para o Bill que estava me abraçando.

– O que é então? — ela perguntou fazendo um sorriso torto de adivinhação.

– Bill, conta pra ela...

– A Clara está grávida, Yollanda. Eu vou ser pai. — disse ele sorrindo.

– Eu não posso nem acreditar! É mesmo Clara? — perguntou Yo sorrindo também.

– Sim.

– Mas... Vocês decidiram isso ou foi um descuido?

– Foi um descuido de nós dois. Eu chorei muito Yo, não é que seja uma gravidez indesejada, com certeza não, eu amo muito esse bebê, mas você pode imaginar o que meus pais vão pensar? — perguntei ficando triste de novo com a lembrança.

– É verdade Clara, você vai ter que ser muito forte. Mas particularmente, eu estou feliz, vou estar totalmente feliz quando o meu Ryan melhorar, mas até lá... Eu estou do seu lado prima. — disse ela sorrindo.

– Ele vai ficar bem Yo, eu estou com você. — apertei a mão dela.

Nosso momento foi interrompido pelo celular do Bill. Ele foi mais para o fundo do quarto atender. Quando voltou era justamente o que eu imaginei.

– Bom, eu infelizmente tenho que ir para o estúdio, o David está lá de novo. Desculpa Clara. — disse ele com carinha de cachorro triste.

– Não tudo bem amor, eu preciso mesmo descansar, meu psicológico está praticamente acabado. — disse a mais pura verdade.

– Então vamos.

– Yo, me desculpe, mas eu também não estou naquelas condições, hoje foi um dia difícil para todos nós. Porfavor me ligue se precisar e se tiver qualquer reação de melhora do Ryan. — eu a abracei.

– Tudo bem, eu ligo. E cuida de você e desse bebê lindo. Adeus Bill.

– Adeus Yollanda.

Bill e eu saímos do quarto. Aqueles corredores frios e com paredes brancas me deixavam pior ainda. Naquele momento eu não ouvia nada a não ser o silêncio do mundo inteiro e o meu ver da realidade em minha mente. Eu fiquei surda por um momento, mas era fantasia da minha cabeça por puro sofrimento. Eu me sentia mal por estar mentindo para ele, até mesmo por existir. Culpada porque uma pessoa que tomou um tiro sendo que não fui eu que sujei as mãos. Mas amanhã sim, será um grande e miserável dia na minha vida.



Notas finais
O que acharam? Eu achei esse capítulo com bastante drama, mas afinal a história é assim mesmo, eu gosto de bastante emoção, só não pensem que a história não vai ter um final feliz hein! kk Deixem bastante reviews, eu demorei a escrever eu cap, até o próximo (: