Notas iniciais
A decisão final!
O rumo da história começa aqui ;D
Enjoy

Caminhei até Afonso, que estava encostado a parede, com um sorriso vitorioso na cara,

- O que é que acontece se eu aceitar? – Lancei eu. As palavras saíram-me ferozes e fortes.

- Eu sabia que ias aceitar. – Afonso esboçou um sorriso de vitória ainda maior. (o que só me deixou ainda mais irritada)

- Ainda não aceitei nada. — Relembrei-o. – E que fique bem claro que se aceitar não é de maneira nenhuma pela companhia.

- Chiil out Angie. É só um concerto, até parece que te vou levar ao fim do mundo. – Gozou ele.

- Não sejas assim Afonso, mentaliza-te que somos apenas amigos. E nunca haverá nada mais. É só assim que eu aceito.

Ele suspirou de modo aborrecido, lá ia a “nerd” outra vez…

- Ainda bem que aceitas-te. Vamos divertirmo-nos imenso. – Deu-me um beijo na bochecha e foi-se embora.

Eu sabia que ele não estava ciente do “apenas amigo”. Sabia também que ele não se estava a dar a este trabalho todo do concerto, só para levar uma amiga a ver a sua banda favorita. E estava certa que não era uma amiga que ele tinha a mente. Mas enfim, este era o único passe para ir ver os 30 Seconds To Mars. Por isso não me arrependo, pelo menos por agora.

[desculpem, mas passei o o tempo mais para a frente]

Na véspera do concerto…

Com a Diana ao telefone

- Ai amiga! Tens tanta sorte! – Di gritava de entusiasmo. Quase que apostava que ela estava aos pulinhos em cima da cama. – Vais ao melhor concerto do mundo, ver a melhor banda do mundo, com o rapaz mais giro do mundo!

- Hum! Hum Di! Controla-te! – Ri-me – Acho que estás engana na última parte, porque os irmãos Leto existem. – Rimo-nos as duas.

- Eu sei que ele te magoou. Mas isso foi à dois anos atrás. Vê como ele mudou!

- Eu não vejo diferença. Só vou com ele porque o concerto é dos 30 Seconds e não havia outra maneira de ir. Porque esta viagem não me agrada nada! – Declarei.

- Pois… Mas tu vais ao concerto, e é isso que interessa! Dá um beijinho meu ao Shannon, ao Tomo e ao Jared por mim!

- Okay, eu dou! – Sorri de contente. A Di sabia animar-me. – E entretém-te com o Francisco.

Ia a desligar, mas ainda a consegui ouvir dizer:

- Sua Parvaaa!

Acabada a conversa com a Diana comecei a arrumar as coisas na minha mochila. Não ia levar nada de especial. Era um dia de viagem – concerto – hotel – e viagem de volta. Felizmente vinha sozinha para Lisboa, o Afonso vai ficar em casa dos avós, lá no Porto.

Mais tarde, antes de me deitar fui até lá abaixo despedir-me da minha mãe, porque já não iria vê-la ante do concerto. Pousei as minhas coisas na porta, tinha de ir para a estação ás seis da manhã. Afonso encontrar-se-ia comigo lá.

- Vemo-nos daqui a dois dias Mommy! – Abracei-a e sentei-me ao seu lado no sofá.

- Não me agrada nada que vás! – Disse ela, num tom zangado.

Fiquei chocada, com a gravidade das suas palavras.

- É um concerto, não vai acontecer nada de mal. O que se passa contigo?

- Não quero que vás. O Porto fica a 400 quilómetros daqui. E tu nuca foste numa de andanças assim, não me agrada que comeces já. Ainda nem dezoito anos tens Angelina!

Era oficial, a minha mãe estava passadinha.

- Mas mãe! Não é um concerto qualquer, e eu sei tomar conta de mim! Levo dinheiro suficiente se precisar de alguma coisa, e o telemóvel tem bateria suficiente para três dias! – Mostrei-lhe o ecrã. Ela nem olhou.

- Não vais! Não deixo! – Gritou-me ela.

- Qual é o teu problema?! É a primeira vez que peço para me afastar daqui, e são apenas dois dias! Tás com dramas agora? — Perdi a cabeça.

- Desculpa Angelina. Mas é melhor ficares cá. Não quero que nada de mal te aconteça. – O tom de voz diminuíra, mas agora eu estava zangada com ela.

- Não vou abandonar-te! Nunca penses isso. – Já sabia qual era o problema dela. Era a hipótese de eu nunca mais voltar. Como o meu pai fez…

- Não sejas parva! Não é por causa disso! Agora vá, vai deitar-te e amanhã podes sair com as tuas amigas.

Mas o quê? Devia estar a ouvir mal. Ela que nem pense que eu deixá-la vencer desta vez.

- Não mãe. Eu vou! — Fui até à entrada e peguei nas minhas coisas.

- Angelina Oliveira! Nãos saias! Não me desobedeças. – O tom dela era o mais zangado possível, nunca a tinha visto assim. Magoava-me por dentro a falta de confiança que ela tinha em mim.

- Senão o quê?

Ela parou e deitou uma lágrima. Percebi que a conversa terminara ali, e não era a meu favor. Pus a mochila ás costas e abri a porta. – Adeus mãe. Ligo-te quando chegar. – Sem dizer mais nada, saí porta fora.

Já na estação, encolhi-me a um canto. Pus o meu capucho e carreguei no play. Ironicamente, “Escape” começou a tocar.

Estava bastante irritada e triste \"\" , e a música ajudava a isso de um certo modo. Comecei a pensar no que teria dado à minha mãe, porque ela passara-se completamente.

Não queria adivinhar como ela se estava a sentir agora, e como ia ser quando eu voltasse para casa.

Quis ligar à Di, mas ela estava em voicemail por isso liguei à Catarina. Ela era filha de pais separados, e já tinha levado com muitas discussões em cima. Ficamos cerca de uma hora ao telefone. Ela aconselhou-me e confortou-me, mas mesmo assim ainda tudo estava nublado na minha cabeça.

Já era meia-noite e meia quando desliguei. Dentro de 5 horas, Afonso já estaria ali. Tentei não fechar os olhos, mas o cansaço era imenso, tanto, que acabei por adormecer em pleno chão da estação.

Acordei com alguém a abanar-me. – Angie, acorda! – Era

Afonso.

Abri os olhos e levantei-me. – Que horas são?

- São horas de nos pormos a andar. Anda lá! Não queremos perder o comboio.

Pus a minha mochila às costas com toda a pressa. Como Afonso já tinha comprado os bilhetes, dirigimo-nos directamente para o cais.

- Hein! Faltam vinte minutos para o comboio das seis chegar! Podias ter-me deixado dormir mais um bocadinho. – Reclamei.

- Desculpa lá! Devia ter-te deixado ali à mão de semear de qualquer um! - Ohh, não acredito. O Afonso estava preocupado comigo?

- Se quiseres podes ir comer qualquer coisa, ou limpares esse rimél borrado que tens nos olhos. Ainda tens algum tempo, mas sê rápida. Temos uma viagem de 4 horas pela frente!

Assim fiz, fui até à casa de banho e realmente apercebi-me do meu estado. Era um horror.

Durante a viagem…

Finalmente chegamos ao Porto, após uma longa viagem cheia de anedotas idiotas e muitas chamadas telefónicas por parte de Afonso. O rapaz era mesmo popular, deve ter recebido pelo menos uns duzentos sms’s e umas cinquenta chamadas, muitas delas entre as 6 e as 7 da manhã. NÃO É NORMAL.

Mas o Afonso não interessa, nada parecia interessar agora que estava a horas de ver os 30 Seconds To Mars, de os ouvir, de os sentir… O meu coração estava ao pulo de nervos e excitação, o que me ajudou um pouco a esquecer as tristezas da noite anterior -.-

- Como ainda são nove da manhã acho que podemos ir a casa dos meus avós. Tomamos o pequeno-almoço e preparamo-nos. Depois seguimos para o concerto. – Afonso até estava a ser atencioso, apesar de não o admitir. Eu conseguia perceber pelos seus olhos verdes, que cintilavam de entusiasmo. Só não sabia se pelo concerto ou se por algo diferente…

Fomos para casa dos avós dele, eram pessoas bastante simpáticas. Nada que eu pudesse adivinhar através do neto... Comemos juntos, e soube bem. Depois subi e vesti-me para o concerto.

Trouxe as minhas calças de ganga favoritas, justas com os cortes nos joelhos. A minha camisola era aberta de lado, assim como costumava ser a do Shannon. Eu acrescentei o Triângulo na camisola, estampando-o mesmo no centro do branco. O decote era nem assim tão grande, SÓ PARA SABEREM. Maquilhei-me um pouco, mas nada de mais. Desci as escadas e segui com Afonso até ao local do espectáculo.

Durante a noite

- Já cá estamos à três horas, está a ser uma seca! – Reclamou Afonso.

- Quem diria. Estás o tempo todo a falar, no telemóvel, e entreténs-te a ver as raparigas que por aqui passam. Basicamente, passas o teu tempo a fazer isto. Não seria diferente em Lisboa.

- Gostava de me entreter com outras coisas. – Olhou para mim com um ar abusador. Não gostei, por isso caminhei até à multidão que ia para perto do palco. Seu eu queria ver os 30, tinha de me juntar a eles o quanto antes.

Afonso caminhou atrás de mim, relutante. – Sabes que preferia estar a entreter-me contigo. Estás um espanto, rapariga. – Sussurou ele no meu ouvido. Não tive tempo para lhe prestar atenção. As luzes tinham-se apagado, um burburinho de êxtase corria na multidão ansiosa.

Juntei-me aos gritos, era agora. \"\"

O concerto ia começar.

Notas finais
O que acham que vai acontecer?
Curiosos?

Deixa review, se quiser ;D