The Story (of Us)
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Só peço que não me matem kkk
Aproveitem este cap. É um dos mais ... fortes.
Angelina On
Ele encostou-me à parede bruscamente. Prendeu os meus pulsos com as suas mãos. Tentei mostrar resistência, afastá-lo de mim mas fracassei. O corpo dele está praticamente em cima de mim.
Sinto o seu hálito frio na minha cara, as nossas pernas roçam, os seus lábios estão perigosamente perto dos meus.
Do nada, a sua língua toca-me no pescoço e percorre-o. Um toque repugnante que me faz estremecer. Depois veio a dor. Os dentes deles cravaram-se em mim dando-me fortes mordidelas e gritei.
Este rapaz está louco.
- Deixa-me em paz. Deixa-me ir. – Suplico. – Por favor Afonso.
Ele afastou-se quando pronunciei o nome dele mas a distância ainda era insuficiente para que me pudesse libertar dele.
- O que fizeste no Porto não me agradou nada - diz ele – Foste uma menina má.
Não queria acreditar que aquilo estava mesmo a acontecer. Como e porquê? Sempre o Afonso metido no meio.
- O que queres de mim, porquê que me estás a fazer isto? – Pergunto já com lágrimas nos olhos.
- Minha doce e querida Angie… — Afonso solta uma das mãos e leva-a até ao meu rosto onde me acaricia a face. O corpo dele apertou-se ainda mais contra o meu. A pressão entre mim e parede era imensa e o meu corpo é demasiado fraco para aguentar. A pele que o meu vestido não cobria está arranhada com toda a certeza e dói muito, mesmo muito.
- Eu quero-te Angelina! Possuir-te, penetrar-te, usufruir-te. É tudo o que desejo. Não dificultes as coisas e alinha comigo.
Estou em pânico. Os olhos dele permitem-mo dizer: Afonso está louco!
- Pára com isto! Já. Eu não sou tua nem nunca vou ser. Larga-me Afonso. – Peço em lágrimas. – Deixa-me ir…
- Já foste minha. Lembras-te? – As minhas palavras parecem não sortir efeito. – Estavas tão bela, e deste-me um prazer extraordinário.
- Mas deixaste-me. Não quiseste saber de mim porquê então voltares agora? – Pergunto, com a voz a ficar fraca. Sinto os olhos dele presos em mim e sei que se fosse possível ele estava já a “devorar-me”.
Depois de uma gargalhada um tanto histérica, Afonso continua – Bem, eu era parvo muito parvo – Ainda és – Achei que ia ter bem melhores e já estive perto. A tua amiga não é nada má mas tu… não me sais do pensamento.
- Metes-me nojo Afonso!
Deixei que as minhas palavras levassem o tom certo, tentando não vacilar e mostrar medo. Não consigo pensar nem agir. Pior ainda não sei até onde vão os extremos dele, e quais as suas ideias para este momento. A minha mente vagueia apoderada do terror que esta noite pode vir a transformar. Pois eu olho para Afonso e vejo as suas intenções carnais, vejo que não tenho saída e que ninguém está aqui para me socorrer.
- És minha agora. – Nada mais sinto se não o beijo violento de Afonso. É rápido. De seguida sinto as suas mãos a percorrer as minhas pernas e a subirem cada vez mais para dentro do meu vestido. Toca-me onde quer e eu nada consigo fazer para o combater.
Sinto um aperto muito forte no coração e por momentos deixo de respirar. Jared. É quem me vai ao pensamento. Quero-o aqui, preciso que ele me salve como da última vez. É ele o único que me deixa segura. Sinto uma necessidade enorme de ser contornada pelos seus braços e de sentir o seu calor junto do meu corpo.
- JARED! – Grito com o resto de força que tenho dentro de mim. As lágrimas caem com mais força. Afonso pára e a sua expressão muda, para pior.
- Cala-te cabra! – Sou sacudida e depois empurrada novamente contra a parede. O impacto é tão forte que fico zonza e penso que vou desmaiar.
Angelina Off – Jared On
Saí do carro e por sorte não fui visto pela multidão.
No meu mais profundo interior estou zangado, principalmente comigo. Não sei como deixei as coisas chegarem a este ponto onde desejo destruir-me. Logo eu, já me droguei, já mil e uma coisas me aconteceram e podiam ter-me deitado abaixo. Mas não, é o amor que me está a fazê-lo. Irónico, não?
As ruas de Lisboa estão debilmente iluminadas nesta área e felizmente desertas. Dá-me espaço suficiente para me refugiar nos meus pensamentos.
De longo oiço o que me parece um murmúrio «Jared» . O meu primeiro pensamento é que se pode tratar de Shannon, mas não, já estou longe daquele local. Depois ocorre-me que se possa tratar de uma fã que me viu. Mas nada. As ruas estão estranhamente vazias.
É então que sinto. A aflição e a dor apoderam-se dos meus pensamentos, assim como Angelina. Algo está errado, muito errado. Corri por entre as ruas procurando desesperadamente um sinal.
Até que a encontrei.
Por muito escuro que esteja sei que é Angelina quem está ali. Ela tenta a todo o custe tirá-lo de cima dela.
A fúria encheu-me e fui directo a ele com o meu punho no ar. Com toda a força que tinha dei-lhe um soco que o fez cambalear vários passos atrás.
Virei-me para ela. Está em lágrimas. Está magoada, tem sangue na cara e no pescoço. Está tão fraca que até dá dó.
- Angel – Abraço-a e reconforto-a de leve para não tocar nas feridas. – Estás bem meu amor?
Angelina não diz nada, apenas se agarra mais a mim.
- Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.
Tiro o meu casaco azul e ponho nos seus ombros.
- Jared, cuidado! – Grita ela mas é demasiado tarde. O rapaz acerta-me directamente nos joelhos e caio no chão. Em seguida pontapeia-me no estômago fazendo-me contorcer de dores.
- Não Jared… Não… — Sinto as palavras de desespero vindas de Angie. Ela depressa se aproxima de mim e ajoelha-se ao meu lado. – Eu… não queria nada disto, desculpa-me. – os seus olhos estão tão marejados em lágrimas que não consigo distinguir a cor verde do vermelho.
- Shh, não tens culpa. – consigo dizer.
- Mas que porra é esta! – O rapaz arrasta Angelina de perto de mim. – Desta vez ninguém vai arruinar o meu momento.
- Pára Afonso! Deixa-me! – Angie abana-se com toda a força tentando ver-se livre do domínio dele.
O meu coração quebra por não conseguir ajudá-la.
- Já disse que hoje vais ser minha. Já perdemos muito tempo, por isso vai ser mesmo aqui e agora. – percebo agora que este é o mesmo rapaz que da outra vez também tentou fazer-lhe mal. A raiva é imensa dentro de mim.
- Não percebes?! Nunca fui tua, nem vou ser. Sou dele. É a ele que o meu coração pertence, o meu corpo e o meu ser. Eu amo-o. E se lhe tocas mais uma vez vais ter de passar por mim primeiro.
«Eu amo-o» ecoa na minha cabeça.
Eu também a amo e só for cima do meu cadáver é que este cabrão vai magoá-la mais uma vez!
Levanto-me do chão recuperado parcialmente das dores. Agarro no colarinho dele e tiro-o de cima dela. Empurro-o contra os caixotes de lixo que ali estão.
- Devia ter acabado contigo quando tive oportunidade. – Cuspi as palavras.
Ele riu-se – Mas não o fizeste.
- Faço-o agora!
Esmurrou-o uma e outra vez fazendo-o sangrar. Afasto-me o suficiente e dou-lhe espaço para se levantar.
- Foge daqui Angel. Tens de te arranjar ajuda.
- Não Jared, não te vou deixar aqui sozinho.
- Então afasta-te, estás vulnerável. – Ela assim o fez, recuando algum espaço para trás de mim.
- Que cena comovente. – comenta o rapaz – a Angie sempre virou pu.. – não o deixo terminar. Levo novamente o meu punho contra o rosto dele.
Ele cai no chão e eu vou atrás continuando a fazer a marca na sua cara. Canalizo toda a minha raiva reprimida aqui.
- Jared! Se continuares assim ainda vais matá-lo.
- Ele merece! Magoou-te e vai sofrer as consequências. – Continuo a provocar-lhe dor, fazendo-o perceber que se meteu com as pessoas erradas. Nunca mas nunca, testem os meus limites.
A mão de Angelina toca-me no ombro. – Por favor Jared, vamos embora daqui.
Páro. O rapaz está quase inconsciente no chão. Levanto-me a agarro a mão dela. Angelina está a tremer.
- Desculpa-me. Não queria…eu só… tinha de fazê-lo.
- Shh. – os nossos lábios vão ao encontro um do outro reconfortando-nos. – Agora, tens de ir antes que te vejam. Não quero que te arrisques.
Como eu dizia – a minha vida interfere em tudo. – Não quero saber dos escândalos. Precisamos de chamar a polícia e de te levar para o hospital. Precisas ser vista por um médico.
- Não! Só preciso de ti comigo. Apenas leva-me daqui, por favor Jared.
Abracei-a novamente. Sinto a sua presença e basta para mudar tudo o que sinto.
- Está bem. Tenho um plano. Anda, vem comigo.
Ofereço-lhe a minha mão. Ela ajeita o casaco e o vestido seguidamente mete-se por baixo do meu braço. Caminhamos para fora daquele sítio em silêncio.
Penso que estamos a mentalizar-nos sobre o que aconteceu e o que acontecerá. Vejo o quanto Angelina está magoada mas que parece não ligar. Arriscou-se por mim. Ela ama-me.
Já estávamos a chegar perto a um motel ali perto. Faço-a parar e olhar para mim.
- O que se passa Jared?
- My Angel. Eu amo-te. – Beijo-a com todo o carinho, amor e ternura que tenho. O calor e a atracção são como imans que unem os nossos corpos. Pela primeira vez na vida não me sinto desolado ou incompleto.
I believe in nothing, not the end and not the start
I believe in nothing, not the earth and not the stars
I believe in nothing, not the day and not the dark
I believe in nothing but the beating of our hearts
I believe in nothing one hundred suns until we part
I believe in nothing not in sin and, not in god
I believe in nothing, not in peace and not in war
I believe in nothing but the truth of who we are
Notas finais
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